Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Em resposta a um grupo de Professores e a um email …..

Joffre Justino
Assunto: RE: [Fwd: Se conhecem um professor...reenviem!...e alarguem o debate para além das lógicas partidárias!!!!

Bom dia,

Antes do mais sou dos entende que a Democracia é também o direito ao protesto, quando entendemos que algum direito que temos está a ser posto em causa.

Assim, se não concordo, de todo, com as posições dos Professores, seja da FENPROF seja dos grupos de professores, quero que fique claro que o grau de conflito e de explicitação do mesmo, entre professores e ministério da educação, atingiu, em ambas as partes, um nível razoavelmente baixo e merece todo ele o meu repudio, sendo certo que sou dos que entende, lamento dizê-lo, que a culpa coube sobretudo a quem “forçou a nota”, uma parte essencial dos representantes dos Professores em vez de Negociar.

É bom que se entenda que se vejo na profissão de Professor uma actividade de elevada importância social – já escrevi inúmeras vezes que um dos erros dos múltiplos ministérios é não entenderem a função de dinamização do Desenvolvimento Local, em lógica sustentável, das escolas, publicas ou privadas – também entendo que esta ideia, peregrina, de a profissão professor não poder ter uma Carreira Profissional é VERDADEIRAMENTE…. peregrina….

Como é verdadeiramente peregrina a ideia, absolutamente conservadora, para não utilizar outro adjectivo, que os professores defendem, segundo a qual a Avaliação de Desempenho se limita à AutoAvaliação…. E que só tal posição dignifica a profissão…

Como, ainda, não vi, no restante do estatuto da carreira docente, nada que limitasse os direitos profissionais e outros dos professores…e li-o atentamente.

Vamos ser sinceros uns com os outros – na profissão Professor existem múltiplas situações por este país fora, desde os professores que se entendem enquanto tal, a tempo inteiro e para quem 35h de actividade profissional como qualquer outro, com um máximo de 25 horas de leccionação nada tem de anormal, aos professores que entendem que tal carga horária lhe é excessiva, (nem que seja por razões do passado recente), aos que tendo uma outra profissão não conseguem encaixar-se neste novo horário…

O primeiro caso corresponde aos Professores que denominaria em exclusividade. Qualquer sindicalista decente entende tal nesta ou em outra qualquer função profissional e a CGTP ou a UGT lidou com este assunto em todos os Contratos Colectivos de Trabalho do País….sem este “escândalo” que os professores assumem, do meu ponto de vista erradamente.

Os segundos e terceiros casos foram bem mais necessários do que hoje são. O país mudou imenso desde o 25 de Abril de 1974 e o nº de licenciados aumento enormemente, felizmente, pelo que a disponibilidade para a profissão Professor aumentou e bastante.

No entanto, sejamos sérios os que se encontram na segunda e terceira situação são em qualquer circunstância úteis ao Sistema de Ensino e sê-lo-ão sempre. Vejamos um dos porquês, (poderia dar mais) – no Interior do País, em especial, as actividades múltiplas de Consultoria, fundamental para a realização de projectos de Desenvolvimento Local, sustentável, não cobrem a possibilidade de alguém viver profissionalmente das mesmas, a tempo inteiro. Desta forma, o adicionar a esta actividade a profissão de Professor em part time é não só natural como determinante para a sustentação dos jovens licenciados no mesmo interior do país, (poderia encontrar muitas mais razões e situações note-se).

No entanto, não é aceitável confundirem-se as situações e daí a necessidade de estabelecer uma Carreira Profissional entre os Professores, alias, diria melhor, um conjunto de Carreiras Profissionais Técnicas, Técnicas e de Docência e de Docência exclusiva entre os Professores. Só um conservador, para não usar outro adjectivo, não entende tal, (dai a subida eleitoral do CDS, e a pouca diminuição de votos no PSD e claro a subida do BE…).

Dirão que o que defendo não é o que o Ministério da Educação defende. Nada mais errado. Os princípios essenciais a Carreira e a Avaliação de desempenho estão na minha opinião presentes, sendo que o que não está presente na tese do Ministério da educação deveria ter sido a evolução dos sindicatos, não estivéssemos perante dirigentes sindicais conservadores e partidarizados para o conservadorismo.

Digo tal com experiencia de causa – fui técnico de Negociação Colectiva durante 7 anos e aprendi a metodologia desta função também com a CGTP, na mesma mesa de Negociações nesses sete anos.

Infelizmente os sindicatos de professores e os grupos de professores foram estritamente elos de campanha eleitoral e, escrevi-o já o ano passado, sendo os professores a profissão mais opinion maker de todas o resultado da sua oposição ao governo passou pela hecatombe do PS.

Culpa da Ministra? Não.

Culpa de quem não abriu as portas à negociação, à abertura da escola a uma função determinante, a de centro local de Desenvolvimento sustentável Local, onde as várias Carreiras Técnicas possíveis substituíssem a arcaica ideia do Professor….

Assim, se o PS perder as Legislativas porque defendeu ainda que incompletamente princípios correctos, mais vale ficar com o PS e perder que ficar com a demagogia que tem vindo a matar lentamente o Ensino em Portugal. E não digo tal por birra mas porque os princípios são para serem defendidos, doa a quem doer….

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:54
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1 comentário:
De PVC a 16 de Junho de 2009 às 11:08
a do Bloco de Esquerda


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