Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

5) Enquanto Republicano e Laico Do Hino A Portuguesa

Por forma a ficar mais conhecida ainda a evolução do Hino A Portuguesa, hoje o Hino Nacional, deixo-vos abaixo a versão de 1890, com letra de Henrique Lopes Mendonça e com Música de Alfredo Keil. Na verdade, já houve quem tivesse duvidado da existência das, não duas mas várias versões deste Hino, anti britânico na sua primeira versão, e resultante da revolta em Portugal contra a imposição do Ultimatum de 1890.

Dada a importância, histórica, da envolvente que fez nascer o Hino Nacional, vale a pena relatar alguns aspectos desta envolvência que levou ao surgimento do mesmo.

Na verdade, o Ultimatum foi, sem dúvida, dada a resposta que o rei e o governo monárquico lhe deram, o motivo central para o reforçar e generalizar dos Ideais Republicanos em Portugal. Regressarei, assim, ao livro de F. Keil do Amaral, neto de Alfredo Keil do Amaral, “Histórias À Margem de Um Século de História”, que já utilizei nestes textos “Enquanto Republicano e Laico”.

“São velhas edições, mandadas imprimir por particulares para distribuir gratuitamente, da “marcha patriótica” composta pelo meu avô Alfredo Keil em 1890…são tampas de caixas de bolachas, ou de sardinha, ou de massas alimentícias, ou de cigarros, …cujos fabricantes decidiram, com alusões e homenagens à “Portuguesa”, dar realce ao seu patriotismo em chaga…estampas e postais alegóricos, ….prospectos, anúncios, leques,…programas de concertos e de espectáculos…”, eis a panóplia de instrumentos que foram a base da propaganda antibritânica tomando sempre como elemento central, a “Portuguesa” e que, por tal, se foi transformando no Hino Patriótico definitivamente ligado à República!

Relata F. Keil do Amaral que foram distribuídos, também, gratuitamente, 40 000 exemplares desta “marcha patriótica”, como recorda ainda que se fizeram “orquestrações especiais para “piano só, piano e canto, canto só, grande orquestra, banda marcial, fanfarra, pequena orquestra, charanga, sol e dó, e estudantina”. Diz ainda F. Keil do Amaral, “Meu avô comungava nessa onda de indignação. Filho de alemães, mas português de nascimento, de hábitos e de coração, vibrava de patriotismo magoado. E logo no dia 12, numa roda de amigos, com ele a sangrar, surgiu-lhe a ideia de uma marcha, ou hino, capaz de exprimir a revolta da Pátrio oprimida e de incutir ânimo para o ressurgimento nacional.”

Henrique Lopes de Mendonça, o poeta de A Portuguesa, escreveu no Comércio do Porto sobre o encontro que teve com Alfredo Keil como segue, “…Junto à porta da rua esperava-me o maestro, exaltado e exuberante de gestos, agitando na mão um rolo de papel de música…sentado no modesto piano que ainda conservo, é que Keil se explicou melhor. Tratava-se de uma música, hino ou marcha, em que a alma portuguesa desabafasse a sua revolta perante a afronta recebida e orgulhosamente marcasse, perante o mundo, a sua vitalidade”.

“…E “A Portuguesa” caiu como petróleo sobre o braseiro da revolta…No dia 1 de Fevereiro realizou-se um grande sarau em S. Carlos e ali foi ouvida a obra de meu avô e de Henrique Lopes de Mendonça, com enorme entusiasmo”.

De S. Carlos, A Portuguesa passou para o teatro Alegira, depois para o teatro Avenida, a 10 de Março os aspirantes de Marinha realizaram um Sarau a favor de uma Subscrição nacional e de novo o elemento central do Sarau era A Portuguesa que já era considerado o Hino do Povo.

Entretanto, rei e governo, novo que o anterior já tinha sido afastado, começaram a tudo fazer para reprimir o ímpeto de revolta nacional e começaram a reprimir os comícios, a dispersar violentamente as manifestações patrióticas e”…abafaram as vozes que entoaram A Portuguesa”, sendo que os jornais monárquicos a assumiam como o “hino da canalha”.

Mas, apesar de toda a repressão e maledicência os Cidadãos “Tocavam-na e cantavam-na com mais fervor, quando podiam; quando os governantes não tinham forças para os impedir. Cantavam-na contra os ingleses, contra “os cobardes” e contra o governo…Cantavam-na com um desespero esperançoso”.

Depois de falhado o 31 de Janeiro de 1891, começaram a surgir então exemplares “que têm uma sobreimpressão cujo propósito e cuja sobriedade impressionam: em grandes letras negras, atravessadas na capa azul e branca, a recomendação “LEMBRA-TE”; mas era desnecessária. O Povo não esquecia o seu hino – o hino da esperança no ressurgimento nacional”.

A 5 de Outubro de 1910, com a implantação da República, A Portuguesa só podia transformar-se no Hino Nacional de Portugal…

Mas para que conheçam a sua História e a sua evolução eu, luso angolano, entendi escrever e divulgar este texto junto de Vós, pois, tudo o que fica na História tem razões fortes para que tal aconteça. Infelizmente, alguns esforçam-se por esconder as razões pensando que, com tal, se pode modificar a História.

Joffre Justino

Data: 1890 (versão original)[1]
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil
I
Herois do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memoria,
Oh patria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta bandeira,
À luz viva do teu céo!
Brade a Europa á terra inteira:
Portugal não pereceu!
Beija o teu sólo jucundo
O Oceano, a rugir de amor;
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!

III
Saudai o sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do resurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injurias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela patria lutar!
Contra os Bretões marchar!

Data: 1890 (com alterações de 1957)
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil
I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal do ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Ás armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
publicado por JoffreJustino às 16:36
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. Primárias - Uma Otima Pro...

. O 11 de Setembro e eu pr...

. Um recado a Henrique Mont...

. Na Capital Mais Cara do M...

. Há Asneiras A Não Repetir...

. “36 Milhões de Pessoas Mo...

. Ah Esta Mentalidade de Ca...

. A Tolice dos Subserviente...

. A Típica Violência Que Ta...

. Entre Cerveira e a Crise ...

.arquivos

. Julho 2012

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds