Quarta-feira, 2 de Junho de 2010

A Esquerda Devia Debater a Sério! Porque…O Que Tem o Cohn Bendit a Ver com a Citação Abaixo?

A Citação Habitual, “Avante Portugal. O que mudava no país se os comunistas fossem governo
por Ana Sá Lopes, Publicado em 24 de Maio de 2010
Nacionalizações, ruptura com o euro, fim dos benefícios ao "grande capital"
Se o PCP fosse governo,…: voltariam as nacionalizações e em força. Ao contrário
da integração europeia, onde foi notória uma evolução das teses
comunistas - embora os dirigentes do PCP continuem firmes combatentes "desta Europa" - ….

Se o PCP fosse governo, os bancos e outros sectores estratégicos da economia estariam a ser
nacionalizados, como o foram a seguir ao 25 de Abril de 1974. "A recuperação do controlo público
dos sectores básicos e estratégicos da nossa economia"…, uma reivindicação essencial
dos comunistas. E os sectores básicos são a banca, a energia, as comunicações
e os transportes. A EDP e a GALP, por exemplo, voltariam a ser exclusivamente públicas. ….
para o PCP "as privatizações são um crime de lesa pátria. …”

"O processo de nacionalizações de 1975, cujo aniversário comemoramos, constituiu uma inapagável
realização de Abril, da classe operária, dos trabalhadores e do povo português", afirmou Jerónimo
de Sousa, acusando as nacionalizações …"desde muito cedo pela acção dacontra-revolução e pela
política de recuperação capitalista e restauração monopolista, promovida pelo
PS, PSD e CDS-PP". E, na opinião dos comunistas, tudo correu mal. A dívida pública não melhorou por
o Estado ter vendido os seus bens. "….

Contra o euro A saída do euro - mas não da União Europeia - estaria em cima da mesa. Até porque se
"euro e União Económica e Monetária mais não visam do que servir os interesses do capital financeiro
e das grandes potências europeias", um governo PCP seria obrigado a agir em conformidade.. ….

O jornal britânico conservador "Daily Telegraph" de ontem citava os argumentos de Jerónimo, num texto
preocupado sobre a crise do euro. O secretário-geral do PCP notava que "são muitos os portugueses, os
patriotas, os democratas ….preocupados por essa soberania estar a ser questionada "por causa
desta política seguidista, sem rasgo de patriotismo, aceitando de cruz tudo o que vem da União Europeia. …

A defesa do aparelho produtivo e da agricultura nacional, tal como faz o PCP, teria de ter consequências
na Política Agrícola Comum. ….

Sair da NATO, negociar com a China Há um único pressuposto da política económica do PCP que é praticamente
consensual, não só em Portugal como no resto do mundo: reforçar as relações económicas com os países
emergentes, nomeadamente com a China.

Ainda que tratando-me por um “você” que parece querer colocar-me no campo dos “inimigos de classe”, os debates começam, o que é fundamental para que a Esquerda , em Portugal, renasça das cinzas mornas por onde anda.

Diz, por exemplo, José Ferreira, certamente, e bem, militante do PCP, sobre o texto que ontem fiz, em volta de uma intervenção de Cohn Bendit no Parlamento Europeu, ( e não se esqueçam de ver http://www.youtube.com/watch?v=wg5SU_bDNsA “Já agora, o discurso do Eurodeputado é muito bom. Informado, fundamentado e estou de acordo com ele. Recomendo-lhe outro igualmente interessante. Acho que lhe mostrará uma parte daqueles que você critica e que teima em não ver. http://vimeo.com/7154513”. Responde pois com umas intervenções de Sérgio Ribeiro, respeitado economista comunista, que o PCP deveria ouvir mais, mas que, infelizmente, continua a ser, por demais, pouco atento às análises, marxistas, que deveria fazer da sociedade hodierna.

Referindo o seu, interessante, blog, escreve José Ferreira, acentuando a leitura, política, que faz, “Ela é produto de leituras dos discursos de Louçã, Jerónimo e Carvalho da Silva de sábado passado, mas citando Stiglitz porque fica bem. Esta leitura está clara na cabeça da da esquerda, mas não chega cá fora. Mais uma vez, por isso a manifestação do passado sábado.”…e lá estou eu colocado de fora da Esquerda!

Mas é mesmo verdade – dessa Esquerda estou mesmo de fora, não me “amanho” com o Anacleto Louçã, sinto-me um pouco melhor, mas mesmo assim de fora, quanto ao Jerónimo de Sousa e, quanto a Carvalho da Silva, respeitando mesmo que não concordando, o seu combate, estou à espera que ele assuma toda a sua ideologia, para o entender.

Ah Sérgio Ribeiro, velho economista PC do ISCEF, que bons tempos aqueles em que os debates aconteceram mesmo!

Mas, na verdade, aconteceram porque o Félix Ribeiro, o Eduardo Graça, o Ferro Rodrigues, o João Duarte Carvalho, o Júlio Dias, etc, (comigo no etc), impuseram esses mesmos debates. Nas aulas, e fora das aulas.

Mas convém recordar – fala, no filme acima, o Sérgio Ribeiro, das duras e “nacionalistas” negociações de Portugal ao tempo de Salazar e Caetano, quase resvalando numa saudação ao Fascismo, em rejeição, claro, desta burguesa democracia….recordando a “nossa” dura posição em volta das conservas de tomate e de peixe.

Aproveito pois para recordar que, e é o que esta Esquerda procura, a todo o custo, esquecer, já que lhe “estraga” as análises, “marxistas”,

1. Portugal foi um dos dois primeiros Impérios transcontinentais marítimos da História. Desde o século XV em diante que não existe um país Portugal mas sim um Império Portugal e, aliás, desde que nasceu que Portugal teve como desígnio, tal qual o refere Fernando Pessoa, a criação desse teocrático Império, tão desejado pelos Templários que enformaram esta parte da Península Ibérica. É nesse contexto que Portugal tem, nos anos 1960/70, a capacidade negocial que Sérgio Ribeiro acentua.
2. Não se trata pois de nacionalismo, mas sim de uma visão imperial, assumida, transcontinental, de cinco séculos feita e que envolvia liberais, republicanos, socialistas e mesmo alguns comunistas, (excepto Carlos Rates e Francisco Rodrigues Martins e os seus seguidores que seria ou não minoria no PCP, não se sabe, não houve votos)
3. Os têxteis, as conservas, os petróleos, (e até o turismo), etc, existiram nesse contexto e não num contexto e economia de livre mercado, pois o Império, com Salazar, era estruturado de fora da economia de livre mercado, pois o Estado tudo decidia e dominava.
4. Costumo brincar dizendo que o azar que houve no Império foi ter tido como ditador o serôdio do Salazar em vez do industrialista Estaline que se tivesse sido ditador deste Império, o Teocrático português, em vez do russo, dadas as comprovadas disponibilidades para a disciplina e até a obediência popular, ainda hoje teríamos Império e hoje os EUA e URSS seriam história para contar e a União Europeia nem teria nascido…
5. As nações burguesas estruturaram-se em dois contextos, o do burguesismo imperial e o do burguesismo radical. O primeiro diz respeito ao Reino Unido, à Alemanha, (ou Império Austro húngaro), claro a Portugal, e à França, e o segundo às revoluções latino americanas, ( A “revolução” russa, feita pela imperial burguesia que nela existia, dada a sua característica de Império continental, conduziu à facilitação do capitalismo de estado, que a torna específica). As estruturações socio económicas que geraram foram diversas, dadas as razões e origens dos seus surgimentos, sendo certo que acasos históricos houve que não facilitaram a vida ao Império português – a perca da Armada, nas mãos dos estúpidos Filipes, e a impossibilidade de gerir o Império a partir do Brasil…
6. O pobre do Marx não teve tempo de estudar, de ler e de escrever sobre tudo o que lhe terá aparecido á mão. Mas as leituras que ele fez ás “revoluções”, burguesas, napoleónicas e à Guerra Civil nos EUA, são bom exemplo de análise socio económica e política para uma abordagem outra às realidades “realmente” existentes.
7. A teoria da financeirização da economia que Sérgio Ribeiro refere está estudada desde Rosa Luxemburgo, pelo menos, com Lenine de permeio, que a utilizou para se defender e chamar de “revolução” a um golpe palaciano, por burgueses imperiais feito e de comunismo a um capitalismo de estado pelos mesmos burgueses imperiais feito. O que aconteceu foi que a Globalização, seguindo a sequencia deste modelo, alargou a todo o mercado mundial esse modelo de financeirização da economia, processo que esteve para acontecer e falhou aquando da Grande Crise de 1929, pois a economia mundial não estava suficientemente “madura” para tal. Gosto imenso do Stglitz, mas é bom que não esqueçamos o já escrito, pensado e dito bons anos antes
8. O Reino Unido, a anglofonia, entregou o poder imperial aos EUA dadas as limitações do seu espaço e as potencialidades continentais americanas, aos EUA. A lusofonia, que teve essa oportunidade com D. Pedro, que se denominou até de Imperador, perdeu-a, entre conflitos liberal/absolutistas, e entre dificuldades de gestão intercontinental na época.
9. Parêntesis - Marx sempre disse que não brincássemos com coisas sérias e que não esquecêssemos que as Revoluções Socialistas não aconteceriam em países e espaços menos desenvolvidos, como a Rússia de Lenine e Estaline.
10. Regressando, a adesão de Portugal à CEE foi essencial para a sustentabilidade deste espaço continental, que se viu ferido até à morte, enquanto Império, com a sua destruição perpetrada pelos EUA, a URSS e a CEE, juntos. Ao contrário do Reino Unido e da França, que saíram de Impérios absolutos com um centro bem definido para Impérios fluidos, por via da gestão de interesses comuns, Portugal entregou, de mão beijada, gratuitamente, o seu Império a quem o quisesse apanhar – e quem o apanhou foi o Império russo.
11. Com mais cerca de 700 000 Pessoas, os 89 000 km quadrados aguentaram o que puderam, mas a falência era, nos anos 80 evidente. E o bom senso socialista, de Mário Soares, federalista europeu, salvou 10 milhões de pessoas de uma desgraça evidente.
12. Na altura o que se ouviu do lado do PCP e da então UDP, (BE)? Que morra o capitalismo que viva a “Revolução”, pela segunda vez, (a primeira falhara no 25 de Novembro, quando Álvaro Cunhal, e bem, seguindo os interesses russos de então, se opôs ao Xico Sapateiro e a Dias Lourenço), abaixo a CEE e o capitalismo europeu!
13. Nesse processo, o capitalismo de estado salazarista tinha-se tentado transformar em capitalismo de estado “original”, entre o salazarismo e o sovietismo, e tinha falhado rotundamente, pois passara a ser gerido, numa lógica de interesses fortemente contraditórios, por “gestores” comunistas pró soviéticos, e “gestores” de variadas linhas de dentro da economia de mercado, da direita CDS à Esquerda do PS – o que só podia originar o falhanço vivido.
14. E ainda bem pois pouco tempo depois o Império do capitalismo de estado, a URSS, auto destruiu-se.
15. A derrocada do Império português, com os impacto negativos deixados pela perca de mercado e por “despesas adicionais” que Portugal pagou sozinho, como a “experiencia petrolífera” de Sines, ou Cabora Bassa, como meros exemplos, estão na retaguarda desta enorme divida externa portuguesa.
16. Mas na linha da frente está também a destruição de sectores inteiros, como o da Marinha Mercante, ou da siderurgia, (este iniciado com o afastamento do seu patrão, o sr Champallimaud), por decisão do estado de capitalismo de estado, (em nome sabe-se lá de quem), e a fragilização total de sectores com o das conservas, das pescas, dos têxteis e das confecções, dadas as fragilidades da elite desses sectores e a absurda ideia, deixada pelo cavaquismo, de que seriamos ricos para sempre, ao ponto de não termos de nos preocupar com a divida publica também para sempre.
17. E quem geriu esta situação? Todos! CDS, PSD, PS, PCP e UDP/BE. No poder, do governo ou das autarquias, mas também das empresas públicas e equivalentes.
18. Mas onde predominou a bom senso, a tentativa de salvação deste país? NO PS com Mário Soares e com Sócrates!
19. Gostem ou não, houve com eles a tentativa de minorar dificuldades, de gerar inovação, mudança, novo tecido empresarial.
20. Houve erro?
21. Houve. Por exemplo tanto um como outro, socialistas que são, entregaram a economia social não a toda a sociedade civil, mas dominantemente a um seu segmento, o da Igreja católica. Erro grave que originou esta inexistência de cooperativismo, de associativismo livre, de mutualismos livre, de auto gestionarismo.
22. Esse é o erro central da Esquerda Democrática em Portugal.
23. Erro que a restante Esquerda complementou, ignorando a economia social e privilegiando, sempre, a dita “economia publica”
24. Como houve outros erros, como o confundir, por pressão desta outra Esquerda, o ensino público com o ensino estatista. Por isso sou francamente a favor do cheque ensino e por isso pugno por um Ensino Social e não estatizado. Ou o de pensar que se pode demorar esta imensidão de anos para tratar das problemáticas da reprodução e da sexualidade e, a seguir, começar pelo telhado, o casamento entre pessoas do mesmo género, em vez de iniciar pelas fundações – a Educação Sexual nas escolas. Como o não promover adequadamente o Consumerismo em vez do Consumismo, e o de aceitar esta ideia absurda de que se constrói uma economia sã de mercado com baixos salários, gerindo ridículos Salários Mínimos Nacionais, anos a fio! Ou tentando salvaguardar os interesses das empresas de distribuição, a todo o custo, ou das empresas de Construção Civil e Obras Públicas, ou da Banca com os seus baixos impostos!
25. Um pequeno exemplo – e como anda a Gestão da Cortiça em Portugal? Falem-me deste sector por favor…
26. Outro exemplo – e porque é que os “sindicatos” dos médicos estão todos de acordo com o numerus clausus nas licenciaturas de Medicina?
27. Quanto à RP da China. Diverte-me imenso, ex maoista que fui, ver os meus camaradas antichineses do PCP, a defenderem a ex maoista RP da China de hoje, com a sua política de um país duas economias. Parece que não aprenderam nada com a experiência dramática de Um Estado duas Nações da República da Guiné e Cabo Verde e parece que não têm olhos para verem a violenta exploração vivida no lado capitalista da RPda China.
28. Ou no Vietname. Ou em Cuba. Ou na Coreia do Norte. Os resultados de hoje do capitalismo de estado soviético do Império russo de ontem.
29. Economia social por lá? Defesa dos interesses dos trabalhadores por lá? Estado Social por lá? Por favor!
30. Assumamos. O mundo mudou, somos hoje seis biliões, ou seis milhares de milhões, é na verdade o mesmo, e já não 1 bilião. Somos, os seres humanos, uma enorme pressão sobre este Planeta e somos, por isso, o seu principal problema. O segundo principal problema é a Fome, a morte pela Fome, que afecta milhões de Seres Humanos para que tenhamos esta divida publica incomensurável que temos e as nike, e os tlm, e os computadores, etc, que temos. O terceiro principal problema é a Distribuição, mas a Planetária, totalmente inaceitável, da Riqueza, da economia, da produção. Só depois existem estes probleminhas europeus e americanos, à desenvolvido, do Desemprego, da Segurança Social, etc.
31. Que, sem duvida, não podem ser esquecidos. Mas podem ser trabalhados, aumentando aqui, descendo ali. Gerindo enfim. Pensando em soluções federais europeias, como a do Fundo Monetário Europeu, como Cohn Bendit recorda, mas também no Emprego, na Segurança Social, na Saúde, na Educação, travando as corrupções, nas vendas de armamento por exemplo, que Cohn Bendit recorda, ( e, já agora, viram como na Alemanha se põe o corruptor na cadeia enquanto que no Reino Unido, e em Portugal, se faz propaganda em volta do corrupto?), etc.
publicado por JoffreJustino às 11:49
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