Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

…São os 2 … Rui (E o Que Tem a TVI e a PT Com Isso?)

Em Angola aprendemos, com muita dificuldade e dor, entre várias guerras diga-se, a respeitarmo-nos.

Mesmo aqueles que como eu, branco africano de Esquerda, nacionalista de antes do 25 de Abril, (a data portuguesa da Liberdade, mas não lamentavelmente a Angolana…), e que por consequência dos impactos imperiais, (soviéticos, americanos, europeus, portugueses em fim de festa…), foram na sua maioria empurrados para o fim do Império, Portugal, ou para fora, para o Resto do Mundo, aprenderam, com a guerra, a respeitarmo-nos…

Mesmo quando o Poder se recusa a aceitar-te enquanto Angolano, a tua alma está lá e tu sabe-lo, por isso, na dor, vamos aprendendo.

A dor de ser erradicado, a dor de ser culpado pelo que os Outros e não tu, fizeram, a dor de ser olhado como estranho na tua terra e estranho na terra dos Outros, a dor onde tudo cabe e poucos, muito poucos, entendem.

Porque, tendo estado preso para defender a Independência de Angola, tendo levantado o punho no Tribunal Plenário Fascista pela Independência de Angola, pela vitória do MPLA, (o meu então partido), aprendi depressa, logo em 1975, um ano depois, as dores dos Outros, negros, mulatos e a maioria dos brancos de Angola, que foram afastados do seu país, de origem, de amor ou de residência, enquanto que eu, então maoista, depressa entendi, que o percurso de Angola da Independência não era o meu.

E veio o 27 de Maio de 1977 para o mostrar, onde Nito Alves, racista negro, que buscava mais Justiça para os seus, aprendeu, com a morte desnecessária, como era negativo o racismo, e onde Agostinho Neto, que buscava mais Independência, sofreu a violência da conflitualidade entre a sua minoria, mestiça, que não ele, e a sua maioria, negra, a dele também, mas casado, amando, uma branca, portuguesa.

E eu, vendo confirmadas as minhas teses e horrores, sofri com e pelos dois, pensando que a minha alma Angolana morrera ali.

Reencontrei-a, por causa do João Soares, com a UNITA do dr Jonas Malheiro Savimbi, (escandalizem-se outra vez, vá lá), negro, Angolano, socialista humanista como se afirmava, maoista de formação também, e com ele, com a sua morte, nem sei se a perdi outra vez, vivendo neste exílio português, tal qual meus pais, portugueses do Império também.

Porque, na verdade, nem à nacionalidade, que pedi, tenho direito,…

Mas aprendi esse importante valor – o Respeitar o Outro, o Diferente, Aquele que não é nem pensa como eu!

Mesmo o do MPLA.

Recordei estas palavras com um email que recebi de Alexandra Daskalos, para vocês portugueses, uma desconhecida cidadã.

Mas que, para nós Angolanos, mesmo os exilados, é mais que a filha do Daskalos do PS Angolano, do Daskalos do MPLA, do Daskalos nacionalista branco de Esquerda.

Porque é ela própria, a Alexandra Daskalos, com a sua voz bondosa e o seu enorme respeito pelo Outro, pelo Diferente, não pelo fácil igual.

Que eu conheci, bem, em 1992, em Luanda, entre dias onde ainda havia a Esperança de dias novos e diferentes…entre diferentes.

E cito-a, “O PS devia fazer uma reflexão sobre a perda de valores da sociedade portuguesa e o vazio da modernidade. Depois de ver a TV portuguesa que tal lerem a última entrevista de Habermas de há dois meses e retomar Marcuse. A esquerda portuguesa do congelado PCP ao BE devia arejar e conhecer os marxistas do século XXI”.

E pensando, mais uma vez também acho Alexandra, mais uma vez, saíram-me as palavras acima, porque elas distinguem-nos – somos Diferentes, por isso podemos e devemos entendermo-nos, mesmo entre as dificuldades da Diferença, de sermos para o outro, o Outro.

E tudo isto porque li no Publico o Rui Tavares, escrevendo, sobre o Outro Rui, o Pedro Soares, “…o seu nome será para os portugueses (incluindo, não pense ele outra coisa, aqueles que votam no seu partido), o emblema da mediocridade e da arrogância que chega ao poder e ao privilégio por intermédio de favorecimentos e favoritismos, que exerce esse poder da forma mais gabarolas e irresponsável, tendo como único objectivo satisfazer o mando do político que o pôs naquele lugar, e que para desempenhar tal tarefa é pago num ano muito mais do que muitos portugueses esforçados e honestos ganham trabalhando a vida toda”, (sic, com as virgulas que lá estão, no texto do Publico, sem os pontos que lá não estão, mostrando que ele, Rui Tavares, necessita de algumas lições de português, de um Angolano vindas).

Dirão os que têm a paciência de me ler – ah como se conhecem estes dois e como se odeiam!

Mas não, é mentira, não se conhecem.

Mas Rui, o Tavares odeia, visivelmente, o Rui, o Pedro Soares.

Mas não só a ele…

Reparem como ele consegue falar no PS, no Partido Socialista, sem o referir(?), e cito de novo, “aqueles que votam no seu partido”…

“Aqueles que votam”, poderia ser substituído por – os socialistas. Mas não pode, porque para Rui, o Tavares, eles, os “Aqueles” não o são.

“No seu partido”, poderia ser substituído pelo simples PS, ou pelo mais difícil de escrever, Partido Socialista. Mas não pode, porque para Rui, o Tavares, este partido não é O, (Aquele!), Partido Socialista!

E, não conhecendo o Rui, o Pedro Soares, o Rui, o Tavares, enche-o de epítetos, de insultos, de adjectivos, quase deixando sem fôlego quem quiser ler este seu texto….

No entanto, até ao momento, a tal “comissão parlamentar”, aquela que o Rui, o Pedro Soares, recusou reconhecer, num gesto de Cidadania que merece respeito, mesmo de um adversário, sobretudo de um adversário, ainda não conseguiu sequer decidir como votar o “relatório” do amigo, certo e firme, do Rui, o Tavares - o Semedo.

Dando no fundo alguma, pouca que seja, razão ao Rui, o Pedro Soares.

Porque, na verdade, até ao momento, ninguém conseguiu explicar porque raio é que sendo a TVI dominada, no capital social, por uma empresa socialista, espanhola enfim mas socialista, a PRISA, a dita manelinha da cara feia e da alma mais feia ainda, se conseguiu manter, anos a fio, a insultar o “ditador” Socrates, sem ter sido corrida a pontapé, (o Chavez, que limitadamente até consigo respeitar, pelo seu combate contra a exploração das petrolíferas transnacionais, o socialista que Fidel adora, tê-la-ia, simplesmente, corrido a pontapé no rabiosque).

E o Rui, o Tavares, sobre tal, (como o Semedo, do do BE do parlamento), nada diz….

Como ambos nada dizem, nem Inquérito fazem, ou propõem, sobre o caso Jardim Gonçalves/BCP, este escândalo onde o Tribunal, (claro, só podia, o Jardim Gonçalves não é maçon, é da Opus Dei), aceita que neste caso só houve, imaginem, diz o i, “negligência dos serviços”….!

Que Rui este, o Tavares.

Que capacidade ele tem de perdoar o igual, (o Jardim Gonçalves) e de odiar o Diferente, ( o Rui Pedro Soares).

Porque um o último, o Rui Pedro Soares é Socialista e o outro, o primeiro, o Jardim Gonçalves é Capitalista e da Opus Dei!

Como diz a Alexandra – há que ler um pouco mais e sobretudo dos e sobre os marxistas do século XXI….

Para, no mínimo, não sermos ridículos.
publicado por JoffreJustino às 09:51
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