Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

O PS, O BE, E A Economia Social (…uma espécie de manifesto…)

Lamento dizê-lo, mas ainda “sou do tempo” em que se lia Marx e os marxistas e, eu, fi-lo com gosto reconheço-o.
Mas, também com gosto, mesmo que com dor, entrei em crise profunda com as lógicas totalitárias inerentes, por um lado aos textos e às leituras sobre Marx e os marxistas e, por outro lado, (e certamente sobretudo), às práticas resultantes com a aplicação concreta das teorias de Marx e dos marxistas no terreno do real, com as experiencias comunistas na URSS/Bloco de Leste, na RP da China/Albânia e no denominado 3ª Mundo.
Assumamo-lo uma vez mais, estas experiências foram um fracasso total, dando razão aos críticos, de Esquerda, de Marx e dos marxistas e, ainda, claro, às opções de Direita.
Fiz, como muitos, como Anacleto Louçã e outros, onde devo por razões éticas e de influência política ainda hoje, incluir pessoas como José Manuel Fernandes, do Publico e João Carlos Espada, um percurso difícil, de reflexão política, que procurei que fosse sistemática e que foi, muitas vezes dolorosa.
Perdi, perdeu a minha geração, muito tempo nesta reflexão.
Felizmente, outras gerações, anteriores à minha e posteriores, não viveram esses dramas intelectuais.
Mas, recuso a ideia de que, passados esses anos 70/80 do século XX, não hajam mais necessidade de debates de ideias e de projectos, à Esquerda, o que parece cada vez mais visível nas interpretações “de esquerda” do BE e dos seus dirigentes.
Aliás, a ultima entrevista de Anacleto Louçã, no DN de 13 de Setembro, é, de tal, mais uma evidência que, direi, chega a ser insultuosa para toda a restante Esquerda que não pensa como ele.
Tal qual Álvaro Cunhal, no seu velhíssimo documento O Esquerdismo doença infantil do Comunismo, Anacleto Louçã define, no DN, o que é a Esquerda – Manuel Alegre e os alegristas, o PCP, o BE, claro e dominante, e, alguns socialistas indiscriminados...
Curiosamente sem que seja apresentado qualquer projecto político inerente a esse conceito especifico “de esquerda”…
Anacleto Louçã, autotransforma-se, nesta entrevista, (sem ter a autorização de mais ninguém, para alem da dele e da, hipoteticamente, dos restantes dirigentes do BE), no Censor, no Inquisidor Mor, no “papa” quiçá, da Esquerda e, assim, tudo que não tiver a sua bênção “papal” – não é de Esquerda!
Note-se, já vivi esta experiência no findar dos anos 60, sendo a autoridade “papal” de então, Álvaro Cunhal.
Que tinha pelo menos a autoridade da liderança de parte da resistência antifascista por ele feita…mas, mesmo assim, viu essa “autoridade papal” rapidamente recusada.
No imediatamente pós 25 de Abril vivi de novo essa experiencia, também com a vinda a Portugal de N outros “papas”, para além, claro, de Álvaro Cunhal, que aqui vieram “abençoar” os amigos e anatemizar os “outros”.
Nesses tempos, vale recordar, Anacleto Louçã, “abençoado” por Mandel, trotsquista francófono, era anatemizado por Álvaro Cunhal, por um brasileiro pró albanês que por aqui andou, e pelos aqui “representantes” da República Popular da China, área por onde andei, o PCP(ml)…e vice versa!
Aprendi, com esses tempos, a deixar de anatemizar fosse quem fosse.
E, por isso, a título de exemplo, para mim, Anacleto Louçã deixou de ser Francisco Louçã, não por ser ou não de Esquerda, mas porque virou o Inquisidor Mor com fortes pretensões a “papa”.
Título esse, de “papa”, que, pelo menos eu, republicano, laico e socialista, (e também cristão, já que como sabem Jesus Cristo foi o primeiro Laico da História, quando defendeu “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”), não dou a ninguém, diga-se.
No entanto, é de Esquerda, ainda que de uma Esquerda que nada tem a ver com aquela que perfilho.
Mas vejamos o que diz Anacleto Louçã, no DN citado acima,

“Explique melhor o que quer dizer com essa maioria de esquerda
e que forças políticas aí estarão. – Veremos. Há muito que caminhar.
O PS de Sócrates não estará? Não, mas estarão muitos socialistas…”
Lembram-se dos 20% de Álvaro Cunhal aí pelo findar dos anos 70, com o argumento dos 20% que foi tendo, em termos eleitorais?
Lembram-se dos discursos de Álvaro Cunhal anatemizando Mário Soares?

Virou, Álvaro Cunhal “papa”?
Não.
Qual a diferença entre Anacleto Louçã e Álvaro Cunhal?
Nenhuma!
Trata-se somente de um novo Inquisidor Mor, de um novo “papa”, a querer substituir o anterior, morto.
Anacleto Louçã escolheu, está escolhido, nem fala do PS, elimina o PS no seu discurso, fala somente de Manuel Alegre, erro que Álvaro Cunhal, ao menos, nunca cometeu, sempre na esperança de tomar o PS por dentro…
Por favor!
Sou, eu, um socratista?
Sou-o e não o sou.
Sou-o porque José Sócrates soube liderar um país, Portugal, (o país de Anacleto Louçã,) à Esquerda, na Esquerda possível, reformista e social-democrata, (no conceito europeu, não o português), em um momento de duas crises, uma interna e outra que à interna se colou, internacional, que, custe a Anacleto Louçã ou não aceitar, Sócrates conseguiu levar o país a superar.
E, por isso, defendo Sócrates, contra a estúpida e complexada politica de estatização sem regra da sociedade portuguesa, que Anacleto Louça defende no programa do BE.
E digo estatização não por causa das nacionalizações que o BE e Anacleto Louçã defendem, (elas surgem com critérios que em si, nem são bons nem são maus, não estão simplesmente explicados), mas, garanto, nada têm, em si, de Esquerda - De Gaulle e os gaullistas nacionalizaram mais e melhor, nunca deixando de ser de Direita - mas pelo que defendem no programa e pela filosofia inerente ao mesmo programa BE.
Ser-se socialista é ter-se uma Visão para o Mundo, comunitária, centrada na Liberdade de organização das Pessoas, em famílias, em comunidades, em associações, em cooperativas, em empresas autogestionárias, nunca no Estado, ou à volta dele.
O Estado, que aliás é um conceito não estático, sendo profundamente mutante diga-se, no tempo e no espaço, é um simples instrumento organizacional do conjunto das múltiplas Visões da Sociedade, que as Pessoas, diferentes que são entre si, têm.
Por isso a importância das batalhas pela democratização dos Estados a nível planetário.
Mas, misturar, o Estado com a Esquerda é uma ideia que Marx, (para quem o leu…), diga-se, repudiou múltiplas vezes.
Para Marx a Esquerda tem, face ao Estado, um dever – acabar com ele, a prazo e utilizá-lo, conjunturalmente somente.
Foram, aliás, Estaline, (e, de certa forma também Trotsky, o irmão gémeo de Estaline), e Keynes, quem trouxeram para a ribalta da Esquerda, o Estado.
Não Marx, nem a Esquerda não marxista do século XIX e dos primórdios do século XX.
Keynes fê-lo, apesar de liberal e não de Esquerda, à época, ( O JC Espada e o JM Fernandes não gostam mas é verdade), para salvar o mundo da crise, mundial, dos anos 29/30.
Estaline fê-lo, para salvar o seu modelo totalitário, perante o cerco internacional de que estava a ser alvo e em face da II Grande Guerra.
Mas, claro, se forem ler o programa do BE, fica clara a razão de tanto Estado – sem ele, e sem os impostos que teremos, loucamente, de pagar, não há medidas bloquistas que sobrevivam!
Irresponsavelmente, o BE e Anacleto Louçã, curiosamente professor universitário e conhecedor das temáticas orçamentais, no seu programa em nada se preocupa com a, ao menos, periodização da entrada das suas medidas, muito menos com a sua contabilização.
Que, custarão ao nosso bolso, seja ele bolso de trabalhador, seja ele bolso de classe média, seja ele bolso de financeiro de alto coturno, um insustentável valor.
Aliás, as medidas bloquistas são tão avassaladoramente, insustentáveis, (a não ser se, como recordou divertidamente Paulo Portas, taxemos até os telemóveis e, quiçá, as idas ao WC), a pontos de ser de toda a justiça solicitar ao “professor” Louçã que explique orçamentalmente as medidas do seu BE.
Porque não há Orçamento, de Estado, que cubra tanta intervenção, do Estado.
Mas deixemos este tema.
Olhem para a verdadeira transformação da sociedade, de “capitalista” para socialista, que BE e PS defendem.
Isto é, olhem para a economia social, a que é construída pelas Pessoas, pela Visão, socialista, das Pessoas, que vos deixo no quadro abaixo.
Enfim, a componente da Economia que estrutura novas mentalidades, novas formas de viver, socialistas.
Para o BE, visível no seu Programa eleitoral, até na economia social deverá preponderar quem?
O Estado.
Este, deverá intervir, apoiar técnica e financeiramente, etc., etc., sendo que em nada se centra no programa do BE na iniciativa do essencial - das Pessoas.
Já o “reaccionário” Sócrates, o “reaccionário” PS de Sócrates, surge com medidas concretas, com propostas concretas, com medidas quantificadas, para a promoção da iniciativa, solidária, das Pessoas, na Economia Social!
É nesse caminho, que me encontro, eu e um larguíssimo nº de membros socialistas, eu luso angolano e essa larguíssima maioria, portuguesa.
Estamos, eu e esses tantos, na Esquerda Socialista, cooperativista, autogestionária e associativa, de Angola, e da CPLP no geral, incluindo Portugal, desde 1979, e não somos assim tão ingénuos.
Não vamos por isso, cometer o erro que a Esquerda Socialista alemã cometeu e que entregou o Poder à Direita alemã, e ficaremos com o PS e com Sócrates, com o reformismo social democrata que Sócrates representa, em nome da modernidade na CPLP, e de Portugal, em nome de uma economia social autêntica, em Angola, e na CPLP.
E, entenda-se, a Direita Alemã está longe de ser o conservadorismo que Manuela Ferreira Leite representa em Portugal, pois é uma explícita viragem à Direita no próprio PSD.
É neste campo, porque sou um activista social, ou cooperativista, um associativista, um dinamizador da intervenção social, que me distingo, de Anacleto Louçã e também, em menor monta de Sócrates.
Mas porque sou dos que crê que o socialismo, não se constrói, vai-se construindo, na economia, no social, no ambiente, na solidariedade, na defesa da liberdade, na promoção da participação, da responsabilidade social, da ética empresarial sinto-me muito bem ao lado de José Sócrates.
Porque não alinho na via do “bondoso” Estado e dos “bondosos” gestores público, (nada tenho contra eles, nem individualmente nem em grupo/casta, só que entendo que não é por o serem que são de Esquerda).
É por isso que entendo que o caminho reformista de Sócrates é mais de Esquerda que o caminho estatista de Anacleto Louçã e dos seus sequazes.
É por isso que Apelo e milito pelo “PS de Sócrates” e Apelo e milito para que não votem no BE.
É por isso que vos deixo o quadro comparativo abaixo, que mostra quem tem políticas concretas para a Economia Social.
E esse alguém não é o estatista BE.
Joffre Justino
Nota aqui no meu blog não consigo colocar o anexo com a comparação entre os dois Programas, mas na habitual ampla divulgação o anexo em causa seguiu
publicado por JoffreJustino às 10:18
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