Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

P´rá Frente Brasil! Sobre Esse Império Português…

Antes do mais, é obrigatório, terei de pedir desculpa a quem leu o meu texto anterior, pois induzi em erro quanto ao nº de cidadãos do Rio de Janeiro. Baseado somente em conversas que fui tendo, confundi o nº de cidadãos da Região Metropolitana Rio de Janeiro, 11 812 482 habitantes, com o nº de cidadãos da cidade, que tem bem menos, 6 186 710 habitantes, erro grave e que a companheira de leituras internetianas, Cleydia Esteves, teve a simpatia de emendar, o que reagradeço. A segunda nota e que é importante também, nestes apontamentos que farei sobre o Brasil, é que escrevo não com a rigorosa intenção de escrever uma tese, mas sim com o ingénuo intuito de expressar o entusiasmo que me originou o Brasil, país que desconhecia totalmente e que veio reforçar algumas opiniões e levantar outras tantas dúvidas que tenho sobre o Império Português. Sou um filho do Império, daqueles que entende bem o que Fernando Pessoa, também um Filho do Império, quis dizer quando escreveu que a Pátria dele era a Língua Portuguesa, pois, nascido que sou de Moçambique, vivente que sou de Angola, (que considero como sendo a minha terra, a minha Pátria), vivente que sou nestes últimos, demasiados, anos em Portugal, anticolonialista e nacionalista angolano, preso antes do 25 de Abril por tal, ex simpatizante do MPLA, do MPLA de Agostinho Neto, mas também de Mário Pinto de Andrade, de Lúcio Lara, mas também de Viriato da Cruz, (antes do 25 de Abril), mas também ex dirigente da UNITA e ainda hoje, lamento teimar, Savimbista, sou, na verdade, um filho do Império, branco, de famílias com raízes judaicas, republicanas, maçónicas, (uma das minorias enfim, deste Império). Durante os combates que fiz contra a Guerra Colonial e pela Independência das ex colónias, pensei sempre, ingenuamente claro, que as Independências eram óbvias, mas que tudo aconteceria sem que a componente relacional deste Império se manteria intacta com um Portugal ele também, já, diferente. Foi por um triz que, na verdade, não se destruiu tudo e que não se desmembrou todo o Império sem que dele nada nascesse…e, ainda assim, que fazer com uma Guiné Bissau que de todo não se encontra, ou com um Timor que caminha aos solavancos, (se é que temos seja o que for a dizer sobre tal…excepto esta ideia de que somos todos nascidos de um mesmo Império?). Alguma Esquerda e alguma Direita teimam, ainda hoje, presa que estão, também, às concepções do Velho do Restelo que tão bem Camões retrata, em fazer por esquecer esta noção – a de que Portugal não foi, durante séculos, um país, foi sim, séculos a fio, um Império, sendo impossível pensar, tanto Portugal quanto os restantes países de expressão portuguesa fora deste contexto, mesmo hoje. Aliás sou dos que se encontra convencido que este Reino que foi Portugal foi construído já com este objectivo – o de criar um Império. Daí o facto de Portugal ter sido um dos 3 países/reinos a mandar Filipe o Belo e o seu papa, ás urtigas aquando da destruição dos Templários… E, na verdade, tal é a razão central que justifica que tanto Salazar como Norton de Matos concordavam com a necessidade de defender o Império, português, das ambições, imperiais também, das restantes potencias, desde o Reino Unido, à Alemanha, aos EUA e à URSS. Alguma Esquerda , na sua lógica velho restelista, teima em assumir nesta defesa do Império, somente, o carácter burguês e capitalista de ambos, Salazar e Norton de Matos e, durante não poucos anos, alinhei com estas ideias. Estive aliás, anos a fio, influenciado por um dos mais velho restelistas portugueses, Francisco Rodrigues Martins e devo a Darcy Ribeiro, um dos mais importantes, na minha opinião, intelectuais de expressão portuguesa de sempre, o ter iniciado uma outra forma de pensar sobre este assunto. Foi, o Reino de Portugal, um dos dois iniciadores da 1ª Globalização, isto é do iniciar de uma visão planetária da realidade. E, nesse processo, como em todos os processos humanos, houve sempre uma Direita e uma Esquerda. Ora alguns imaginam que ser-se de Esquerda era defender a “entrega/abandono das colónias”, e, por isso, buscaram sempre, desesperadamente até, encontrar essa Esquerda também em Portugal, na verdade com autênticos dramas e deles posso situar o caso de José Carlos Rates, um dos primeiros secretários gerais do PCP, 1923/1929, imposto pela Internacional Comunista ao referido partido e que defendendo a entrega/venda das colónias aos outros fortes Impérios, para pagar as dívidas do “Estado português”, se passou de armas e bagagens em 1931 para o lado salazarista. Falharam, falham, redondamente. Citarei, somente a título de exemplo, duas daquelas pessoas do Império que, esses sim, foram de Esquerda, mas da Esquerda do Império, na minha opinião – Francisco de Sousa Coutinho e Eugénio Ferreira. O primeiro foi um dos que procurou, numa Angola que ainda nada tinha a ver com a República de Angola, (1764-1772), construir um processo de desenvolvimento económico social completamente de fora do esclavagismo e da economia esclavagista, então dominante e que fizeram de Angola, a que nada tinha a ver com a actual, uma efectiva colónia do Brasil, para onde eram enviados os escravos que enriqueceram, as elites do reino, os brancos, os mulatos e os negros, de então. O segundo, já na fase da Angola de hoje, que procurou, e foi conseguindo, ajudar a construir, com as elites caluandas sobretudo, os instrumentos que deram origem ao MPLA, e à Independencia surgida em 1975. Comunista republicano, esteve na construção do Estado Angolano de hoje, até morrer. Ambos inexistem na historiografia, angolana e portuguesa dos dias de hoje, claro. Porque saiem, claramente, da visão anglófona, a do império britânico de raiz burguesa, ou da visão francófona, a do império francês, de raiz também burguesa…pois, na verdade, o Império Português nasce em período histórico bem anterior, e determinado por razões mais ideológicas que económicas. E é sem dúvida Darcy Ribeiro quem analisa tal matéria de forma genial. Brasileiro que é, claro. Tive a oportunidade de visitar aquele percurso que a minha irmã e o meu cunhado denominaram de a rota do Barroco – Ouro Preto, Mariana, São9 João del Rei, Tiradentes, e Congonhas – e esse percurso em especial permitiu-me reflectir um pouco mais sobre esta ideia de Império. Ao visitar as igrejas destas cidades/vilas, a Matriz de Nª Senhora da Conceição, de São Francisco de Assiz, etc, em Ouro Preto, a Catedral da Sé, etc, de Mariana, a Igreja matriz de Santo António, em Tiradentes, “a segunda Igreja mais rica de ouro do Brasil”, a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas, entendi o que significou a diferença entre os Impérios, burgueses, inglês e francófono e o português. A riqueza e a monumentalidade destas Igrejas, como, alias, o Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, para citar somente alguns exemplos, o ouro aí visível, reflecte um outro estar completamente diferente do estar burguês dos outros Impérios. Esta monumentalidade e esta riqueza, faustosa, absurda quase, e centrada sobretudo nas Igrejas, releva o carácter Teocrático do Império Português, que Darcy Ribeiro tão bem releva, em primeiro lugar e também a forte dependência deste Império Português para com a Igreja do Vaticano, que, com os santinhos, ocos, que serviram para carregar, clandestinamente, ouro para fora do Brasil, permitiram, sem dúvida, que o Vaticano tenha beneficiado talvez mais que o reino português com a exploração do ouro brasileiro… A par com esta monumentalidade, demonstrativa de um outro tipo de colonização de ocupação, pois deixou lastro monumental, cultural, de raiz europeia/portuguesa no Brasil, a colonização de ocupação originou o aparecimento de lideranças brasileiras, como Tiradentes, que assumiu, em 1789 note-se, a par com Thomaz Antônio Gonzaga, o Cônego Luís Vieira, etc, a necessidade da Independência do Brasil, face a Portugal. Mas é perante as riquezas das referidas Igrejas que se entende, em boa parte, para onde foi a exploração mineral, de ouro e prata, do Brasil. E não foi somente para Portugal, nem, assim, pôde originar o desenvolvimento deste país, (e do Brasil por se concentrar em actividades de mero luxo), pois foi desviado para o Vaticano, o que, aliado, à perca, em tecnologia e poderio militar, da parte portuguesa da “Invencível Armada” por erro crasso de Espanha que ocupava então Portugal, e às ocupações francesas e inglesas no reino português/europeu, ao tempo das chamadas Invasões Francesas, que originaram um delapidar escandaloso das riquezas de Portugal, por parte de uns e outros, franceses e ingleses, mostram as origens do fracasso imperial português e, explicam, bastante bem diga-se, as raízes do Republicanismo e do seu particular Laicismo e anti catolicismo. Conhecedor que era de Angola, de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe, directamente, e de Moçambique, pelo que a família ainda conta, não tinha a percepção da tipificação da ocupação de colonização portuguesa do Brasil. Mas tendo visitado este país, que em tantas pessoas e coisas se aproxima tanto de Angola, sobretudo da Angola colonial, entende-se que um país com cerca de 1,5 a 5 milhões de pessoas, entre 1500 e 1900, como era Portugal, dificilmente conseguiria estabelecer colónias de ocupação em tantas partes do Planeta e que se tenha especialmente concentrado em uma delas, o Brasil, onde deixou o que não deixou nas restantes partes do Planeta, onde predominava uma lógica colonial de comércio estrito. Na altura do findar das Invasões Francesas não terá sido fácil perceber-se que depois de 3 séculos, já, de colonialismo de ocupação, a presença da corte portuguesa tornou óbvia a necessidade de um outro estatuto para o Brasil, que D. João VI até entendido, criando, o recriando, o Reino do Brasil, mas que nem entre os Liberais portugueses, nem entre os liberais brasileiros foi percebido e as clivagens constitucionais só podiam originar o grito de Ipiranga e o surgimento do Império do Brasil. Isto é, mais uma vez, enfim, logo à primeira vez, a Esquerda portuguesa não entendeu o Império e perdeu o Brasil, de facto o verdadeiro centro, à época, do Império português, precisamente, na minha humilde opinião, por não conseguir aceitar que o reino de Portugal já não era, não podia ser, o centro do Império. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:56
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P´rá Frente Brasil! (Esquerda do Samba ou esquerda en fado nha…)

A campanha da Dilma Rousseff à presidência da República pela coligação "Para o Brasil Seguir Mudando” formada por PT, PMDB, PDT, PSB, PR, PCdoB, PRB, PTN, PSC E PTC, já está nas ruas do país. In O Blog do Saraiva Lula promove a integração da economia brasileira ao mercado internacional tendo como papel-chave a exportação de matérias-primas e produtos agrícolas, a importação de capitais e a conquista de “nichos” nestes mercados – e, em alguns outros, bem demarcados, de produtos industriais – com a criação de grandes empresas transnacionais lastreadas em capital brasileiro. No plano político, Lula vem ocupando um espaço de alguma independência em relação aos países capitalistas desenvolvidos, como no caso da América Latina, adotando posições que até podem, eventualmente, contrapor-se aos interesses dos EUA e seus aliados, mas que, na essência, significam a defesa dos interesses dos grupos econômicos brasileiros no exterior. In candidatura de Ivan Pinheiro do partido comunista brasileiro 6. No Brasil, vivemos uma polarização política entre dois campos antagônicos. Trata-se, essencialmente, de um embate direto entre as forças patrióticas, democráticas, populares e as forças neoliberais. A ampla coalizão que sustenta a candidatura de Dilma Rousseff, com dez partidos, muitos de centro, é a maior aliança já constituída para apoiar uma candidatura liderada pela esquerda. 7. Um primeiro desafio é manter a esquerda unida no papel de núcleo de governo, em especial o PT, o PCdoB, o PSB e o PDT, para influenciar nos rumos do novo governo e garantir as mudanças e as reformas estruturais, inclusive com muita mobilização popular. Dilma também conta com o apoio de vasta militância sindical, estudantil e dos demais movimentos sociais. 8. Algumas candidaturas tidas como “alternativas”, como a do PV, a do PSol, e as candidaturas da ultra-esquerda, não ameaçam a polarização entre Dilma e o candidato da direita José Serra. O único papel relevante que elas podem cumprir é tentar levar a eleição para o segundo turno, mas pelas últimas pesquisas eleitorais isso será difícil. A altíssima popularidade de Lula e o crescimento de Dilma nas pesquisas apontam para a tendência de vitória no primeiro turno. In Portal do PCdoB “Ninguém é dono dos votos dos portugueses e estar já antecipar a votação é apressado” In, apresentação da candidatura de Francisco Lopes à Presidência da República, por Jerónimo de Sousa Estive no Brasil com o meu cunhado e a minha irmã, Manuel Rodrigues Vaz, editor e Helena Justino, pintora, e tivemos a sorte de aproveitar, intensamente os 15 dias que por lá passámos. Foi a minha primeira ida ao Brasil, mas o meu cunhado e a minha irmã que já lá tinham estado, tinham-me dado indicações sobre este nosso país irmão que me tinham aguçado a vontade de ir. Primeira nota, Nos anos 80 quando a minha irmã e o meu cunhado lá estiveram pela primeira vez, em pleno período de fim de festa da ditadura militar, tiveram a oportunidade de acompanhar em directo um quase golpe de estado, em casa de uma amiga comum, militante do PDT, brizolista portanto, que passou horas de enorme stress quase sequestrada, tal como a minha irmão e cunhado. Nesse mesmo período o Manuel Rodrigues Vaz recusou-se a sentar-se em esplanadas dada a impressão que fazia ver os miúdos sentarem em roda da mesa onde estava para se alimentarem das migalhas que restariam das refeições de ambos. Nada disso acontece hoje. Sentámo-nos em n esplanadas e as pessoas que nos rodeavam estavam como nós, sentadas, bebendo um chopp, uma imperial enfim, mastigando algo, ou a passarem apressadas pois os brasileiros andam em geral apressados, dirigindo-se, de dia, sempre para algum sítio. Os brasileiros não são ricos, mas mostram que vivem, mesmo os que moram nas favelas, e mostram confiança no país, que é o seu, mesmo quando a sua vida profissional ainda é andar de ónibus em ónibus a vender, por um real, o que puderem imaginar. Porque, com Lula, a distribuição da riqueza tem vindo a acontecer, aceleradamente. Certamente que com erros e abusos, mas a acontecer, permitindo uma aproximação clara das pessoas a um bem maior nº produtos do que sucedia nos anos 80, e a um crescente nº de direitos sociais e económicos. E, em vez de tentativas de golpes de estado e sequestros políticos, vividos pela Zélia, pela minha irmã e pelo meu cunhado, assistimos a uma verdadeiramente anticapitalista manifestação da CUT/Sindicato dos Bancários, por melhores condições de vida, percorrendo a principal avenida do Rio de Janeiro, em autentico Festival teatral de rua, com samba e tudo! Parando à porta de cada banco por onde passavam, confrontando os capitalistas sem os confundir com o governo, de Esquerda, amigo de Socrates, que têm. Saíamos, todos os dias, (dramaticamente, pois estávamos de férias, enfim, mas o Manuel Rodrigues Vaz é assim…acelerado), pelas 8h e pouco de casa e lá íamos, de ónibus note-se, duas horas de viagem, nunca menos pois o Rio de Janeiro, (que é lindo), tem 12 ou 13 milhões de habitantes, para onde queríamos, acompanhando quem ia para o trabalho, os mais retardatários, e regressávamos, pelas 18h, entre duas a3 horas de viagem outra vez, ouvindo as conversas das pessoas que regressavam do seu posto de trabalho. Gente com Esperança no futuro. A viverem com esperança num país em crescimento económico, e em desenvolvimento económico, apesar da crise, a tender ser uma potência mundial e sendo já uma potência regional, falante português e orgulho de qualquer Lusófono! Deixem-me citar-vos um pouco de um folheto de rua de Vladimir Palmeira, deputado federal do PT, e um activo opositor a “desmandos de uma minoria da direção do PT”, enfim a estória do Mensalão, dentro do PT note-se, e que diz, “Trapezistas, contorcionistas, bailarinas, palhaços, mágicos…Potenciais presidente e governadores prometem o paraíso na +próxima esquina…Não se deixe levar por promessas descabidas, por situações imaginárias. Boa parte dos artistas deste circo está jogando a isca”, folheto que se denomina “Eu não sou mágico não.” E que mostra o tom da campanha eleitoral, forte, e sem peias na língua de parte a parte. São 10 os partidos que apoiam Dilma Rousseff, a candidata de Lula para estas presidenciais. Como vimos, na citação inicial deste texto, é uma coligação onde encontramos o PCdo B, antigo partido maoista, hoje um forte partido comunista, cisão do velho PCB, partido prósoviético, (esse ainda hoje partido irmão do PCP)…que se mantém, como o PCP, isolado, sectário, e a apoiar um tal Ivan Pinheiro e que, com um discurso “anticapitalista”, (vê-se pelo extracto acima), na verdade só sonha com, não a impossível derrota de Dilma, mas o obrigar a uma, já quase impossível, 2ª volta, pois Dilma Rousseff quando saí do Rio estava com 17% a 20% de votos acima dos 30% do direitista Serra, o “PSD” lá do sítio. Há assim, ao contrário de em Portugal, uma Esquerda unida que afirma os seus projectos autónomos, no terreno social e no terreno político, mas que nos actos eleitorais determinantes, não busca saber se alguém é dono do voto de quem, nem se imagina detentora da “verdade da esquerda”,mas sim derrotar a direita, reforçar a Esquerda na governação, travar os erros oportunistas que acontecem em todo o lado e em todas as linhas politicas, (o Bernardino, que apesar de jovem já é de triste memória parlamentar, por exemplo, foi bem derrotado no PCP por Francisco Lopes,…o que já não é mau), bem ao contrário do que sucede em Portugal. Lamentavelmente. Por cá mantemo-nos en fado nhamente sectários, divisionistas, afirmando que, eu sou a Esquerda, aquela Verdadeira, Tu, se não és peçonha és pelo menos reaccionário e agente do imperialismo…enquanto que, no Brasil, a Esquerda, alegre, militante e de rua, luta e canta ao som do samba, mudando um país que já foi tenebroso. Levando-o ao campo das maiores Potencias mundiais, defendendo os Direitos Humanos, das Mulheres no caso, no Irão, mas não temendo confrontar Obama e os EUA em defesa do aproveitamento, se pacífico, do nuclear deste mesmo Irão. Cansa não cansa? Que viva o Brasil, Lula e Dilma, por favor, pois ao pé desta política portuguesa, eles são a lufada de ar fresco que a Esquerda necessita! E, claro, vou continuar em próximos textos o relato desta minha viagem ao Brasil…já em contexto menos político. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:45
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P´rá Frente Brasil!(3) …Claro que há uma Direita no Brasil…

Fomos, eu, a minha irmã e o meu cunhado muito bem recebidos pelos familiares do Manuel Rodrigues Vaz, que tem no Rio de Janeiro um irmão há 50 anos. É gente de trabalho. O irmão é hoje proprietário de um mercado na Vargem Pequena, onde laboram também os seus filhos e, apesar da ocupação que esta actividade significa deram-nos a espectacular oportunidade de viajar pelo Brasil, até Ouro Preto e até Paraty. Não me preocupei muito com as opções políticas desta maravilhosa família, ainda que tenhamos debatido bastantes vezes a governação Lula. E em todas as vezes na verdade, a governação Lula foi bastante criticada, com argumentos naturais de quem fez a vida a partir de um intenso trabalho, as mais das vezes sem férias marcadas, sem luxos especiais... Um dos fortes argumentos contra Lula era o apoio social dado a desempregados no Nordeste, (que sinceramente nem sei se acontece, mas acredito que sim, não no Nordeste mas um pouco por todo o Brasil), receptáculo de recursos humanos para as grandes urbes como o Rio, anos a fio a baixo custo. Como empresários emigrantes, esta família gere a sua actividade cautelosamente, centrando os seus custos na média nacional, pelo que se habituaram a um custo salarial baixo, o típico no Brasil. Em geral, diga-se, a Direita brasileira alimenta, também muito cautelosamente, a critica a Lula, a partir do exagerado peso do Estado na actividade económica e da influencia deste peso na melhoria da distribuição dos rendimentos, claro que criticando não esta distribuição mas sim os abusos que sempre acontecem, nestas situações. Como, claro, também, na critica à insegurança existente nas grandes urbes brasileiras. Estava aliás no Rio quando um grupo de bandoleiros da favela da Rocinha em combate com a policia invadiu e aterrorizou os turistas que se encontravam no Hotel intercontinental… Insinuou-se até que este ataque surpresa a um “comboio” de carros, (diria quase militares) que saiam de uma festa noutra favela para a regressarem à Rocinha, que originou o recuo e ocupação do InterContinental, resultava de uma fuga à estratégia de ocupação lenta das favelas e de uma tentativa de queimar a imagem do governo em fase eleitoral… Mas, regressando à Direita, recorro a um belíssimo texto de Marco António Villa, historiador, saído no Globo, “Onde Está a Direita”, que assume que esta natural facção política existente em qualquer país democrático, no Brasil, simplesmente, esconde-se no parlamento, apoiando, nas Presidenciais, explicitamente, como Fernando Collor que, “Defendeu enfaticamente o Governo. Virou lulista”, ou menos explicitamente viabilizando as decisões do executivo na actividade parlamentar, onde concentra a gestão dos seus interesses. O que tem dificultado seriamente a clarificação de opções, obrigando em especial o PSDB de Serra a guinadas à Direita que em nada se conciliam com outras opções também suas e que levam Serra a procurar parecer, ou mesmo a ser, implicitamente, mas em plena campanha eleitoral, um apoiante de Lula, ainda que critico de Dilma. O que o leva aos actuais menos de 30% nas intenções de voto, ajudando claro os quase 50% em intenções de voto de Dilma. De qualquer forma, era premente que alguém assumisse corajosamente a necessidade de políticas sociais que forçassem uma redistribuição da riqueza. Era não só resultado de exigências de justiça social, mas também uma mais que evidente exigência do Mercado, por forma a dar-lhe a consistência interna suficiente para que a economia brasileira rodasse e crescesse. Nesse campo o centro esquerda de Fernando Henriques Cardoso falhou, beneficiando a Esquerda de Lula, o PT. E, entre mensalões e outros erros, Lula e o PT souberam não falhar, na sua opção de redistribuição da riqueza do que resultam os 50% de intenções de voto de Dilma, uma ex guerrilheira de uma organização tipo LUAR, a LUAR de Palma Inácio, que aproveito, aqui, para recordar e homenagear. Recordar, homenagear e lamentar que se tenda já a esquecer o papel deste enorme homem, que, note-se, tal qual Manuel Alegre, combateu a Guerra Colonial, em nome de um Futuro que os que se dizem proprietários do amor pátrio quase destruíram ao imporem uma Guerra Colonial que o ministro da Defesa de Salazar combateu, ao momento do seu inicio, a pontos de tentar um golpe militar anti salazarista, golpe esse fallhado pela cobardia dos generais de então. E a existência dessa redistribuição de rendimentos e de alargamento do Mercado sente-se no Brasil nas actividades económicas desde os micro negócios de rua aos grande negócios do enormes edifícios do Rio de Janeiro. Enfim, o que se ganha com o aumento do numero de Consumidores e do Consumo, claro que também se perde com o aumento dos custos salariais, daí algum desencanto no seio dos micro e pequenos empresários. Agendei também algum desencanto na área da política cultural de Lula, até entre gente também oriunda da extrema esquerda militante, depois Pdtistas, isto é apoiantes de Brizola, e hoje claramente descontentes com Lula pelas suas omissões no campo cultural pelo menos. 15 dias são insuficientes claro para deixar escritas mais que simples impressões. Pois, se eu comparar o estado em que está o Convento de Cristo, por falta de verbas, apesar de em obras também, porque, á evidencia, não existe em Portugal uma interacção entre as actividades do Turismo e as actividades culturais, com o que vivi em Ouro Preto, em Tiradentes, em Paraty, etc, então Lula tem feito mesmo muito,…. Não vi, nem desleixo, nem desinteresse, nem desmotivação, nos equipamentos turístico culturais que visitei, o que infelizmente não sucede em Portugal, apesar de recentes esforços para mudar mentalidades. Pois, no Brasil, podem crer, cultura, património histórico, é mesmo Turismo a sério! E, lá, por exemplo, não se perderia um Curso EFA de apoio a um equipamento histórico, como infelizmente, e pelas vias burocráticas que não as políticas, releve-se, por cá se perdeu, infelizmente! Há, na verdade, uma Direita no Brasil que, aguarda o seu momento, sabendo que ela, tendo em conta os interesses que defende, não seria, como nunca foi, penso, capaz de uma politica efectiva de distribuição de rendimentos e, por essa via de aumento do Mercado Interno brasileiro. Lula e o PT foram-no. O Centro esquerda não terá também sido capaz de dinamizar esta politica social de reforço do Mercado e de melhoria das condições de vida das Pessoas, daí o fracasso eleitoral previsível de Serra. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:44
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P´rá Frente Brasil! A Rota do Barroco ou As Cidades Históricas de Minas Gerais

Foi uma oportunidade incrível a que tivemos de, com o irmão do meu cunhado Daniel Vaz, e um seu amigo, Manuel como o meu cunhado Manuel Rodrigues Vaz, fazermos o percurso das vilas do ouro, ou das cidades históricas de Minas Gerais, ou como meu cunhado e minha irmã chamaram rota do barroco. Pudemos, assim, passear por Ouro Preto, Mariana, Congonhas, S. João Del Rei, Tiradentes, e ainda chegarmos a Petrópolis, já fora deste percurso, mas onde paramos no regresso ao Rio de Janeiro. Trata-se de uma rota turística bem definida no Brasil, e que tem o encanto de ser apresentada para além da sua riqueza arquitectónica, em vários dos documentos que tive a oportunidade de ler e, também, em vários do guias turísticos que pudemos ouvir e acompanhar. Porque no Brasil não existe esta mania asséptica de apresentar monumentos e outros elementos históricos sem a sua relevante função humana, para a qual foram, na verdade, construídos, o que torna estes passeios bem mais divertidos. Mais divertida ainda se torna a viagem se a acompanharmos com visões criticas da História do Brasil, como a que se reflecte no livro “Guia Politicamente Incorrecto da História do Brasil” de Leandro Marloch. No mesmo podemos, por exemplo, encontrar uma outra versão do herói brasileiro que é o Aleijadinho, aliás, António Francisco Lisboa, escultor, ou arquitecto e escultor, filho de Manuel Francisco Lisboa, arquitecto também. Este mito, ou génio, ou mito/génio, terá sofrido de uma muito grave doença, a partir dos 47 anos”provavelmente sífilis ou lepra, que o fizera perder os dedos, os dentes, curvar o corpo, não conseguir andar a não se de joelhos, e mutilar-se numa tentativa dramática de que a dor nos membros diminuísse.”(pág 183 da obra citada), e da mesma, doença terá nascido uma visão própria que o conduziu a esculpir obras com características que uns relatam como comprovativas da sua mediocridade e outros da sua genialidade. Retomando esta obra, “Com o passar dos anos…enxergavam no escultor uma das raízes da cultura autenticamente brasileira…críticos a apontar intenções psicológicas que explicariam o seu trabalho e de moradores a atribuírem ao escultor sem mãos a autoria de centenas de obras de Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Caeté, Sabará, Tiradentes, São João Del Rei, Catas Altas, Campanha, Nova Lima, e Barão dos Cocais, … o artífice teria de ter vivido em três cidades ao mesmo tempo…O Quasimodo brasileiro virou de repente o maior representante da arte sacra de Minas, do Brasil, e da América do Sul, autor de obras em quase todas as vilas da corrida do ouro”, (pág. 185). Mito ou realidade, o Aleijadinho não apresenta, pelo menos para minha irmã, pintora, e meu cunhado, critico de arte, tão significativas falhas e limitações como o livro que cito procura relevar, buscando interpretações de escritos de autores formalistas e, europeus que são, bem pouco atenciosos para as culturas da América Latina e em especial de uma Lusofonia que há séculos que se pretende eliminar da História, como algo sem razão positiva para ter existido. Dito melhor, que ele existiu existem provas, que ele tenha sido o autor de todas as obras que lhe são atribuídas é que pode existir contestação, tal como pode haver contestação quanto à qualidade das mesmas. Mas, na verdade, eu prefiro acompanhar Oswald de Andrade, Mário de Andrade, e Tarsila do Amaral que, em 1923, “fizeram uma excursão a Minas na companhia do poeta francês Blaise Cendrars. Voltaram das vilas mineiras considerando a aventura uma viagem de “descoberta do Brasil”, como disse Oswald. A arte mineira parecia encaixar-se bem na “raiz popular da cultura brasileira” ideia que nunca fascinou tanto os intelectuais brasileiros quanto naquela época…A primeira coisa que lhes chamou a atenção foi o fato de Aleijadinho ter sido mulato, filho de escrava com pai branco”. O que, relevo, é obra, por estarmos precisamente em 1923, período histórico em que o conservadorismo procura dominar,m quer social quer politicamente, contra modernismos que à época eram, em muito e na generalidade dos espaços do planeta, minoritários. A miscigenação era um conceito difícil e a estruturação de uma herança cultural construído com essa raiz étnica é particularmente de louvar. E, acompanhando estes autores brasileiros, não me parece muito importante que o Aleijadinho tenha sido o autor de todas as obras que a ele são atribuídos, ou que tenha sido somente um precursor de uma corrente artística local. Nascido em 1730, ou em 1738, morreu a 14 de Novembro de 1814, o que lhe dá uma elevada idade para a doença que teve e, se for tal verdade, mostra anos infindáveis de dor e desespero, certamente, e terá, segundo ouvi da boca de um dos guias que seguimos, esculpido pelo menos uma figura de Jesus Cristo com a cara do Tiradentes, em homenagem ao mesmo, o que, a ser verdade, seria um particular desafio ao poderosos que lhe pagavam o dia a dia e as suas obras. Assim, segundo o Infopedia, “Ficou conhecido como o Aleijadinho devido a uma doença grave que sofreu em 1777, que o deformou fisicamente, tendo passado a andar de joelhos e a trabalhar com os instrumentos de esculpir amarrados aos punhos, ajudado pelos seus escravos. Apesar da sua doença só deixou de trabalhar muitos anos mais tarde, quando a cegueira o afectou nos últimos dois anos de vida.” Segundo o Infopedia também, “Algumas das suas principais obras são: Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto (1766-1792); modificação do frontispício da Igreja do Morro Grande (1763); Igreja do Carmo de Sabará e frontispício da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Ouro Preto (1770-1771); Capela dos Terceiros Franciscanos (1774) e frontispício da Igreja de São Francisco de Assis (1795-1800), São João Del-Rei. A sua obra mais conhecida é o Adro dos Profetas de Congonhas do Campo, Minas Gerais, realizada entre 1800 e 1805. ”. E, para terminar por agora, cito um sms que enviei, “Uma igreja de Ouro Preto tem 435 kg de ouro que coisa” E foi perante este absurdo em ouro aplicado em igrejas que comecei a reflectir de outra forma sobre o fracasso do Império português, orientando este facto para a sua dependência face ao Vaticano, que a ser verdade o que escrevi acima, ouvido de um guia, espoliou quanto pôde o teocrático Império português, já espoliado pelos Filipes de Espanha, que destruíram a Armada portuguesa, no mínimo, e que foi depois espoliado pelas ocupações francesas e inglesa, no seu espaço europeu. Mas escreverei mais sobre este tema, sem deixar de recordar Alexei Bueno, excepcional poeta, pelo menos garantidamente da vida, historiador, e que de 1999 a 2002 foi director do INEPAC Instituto Estadual do Património Cultural do Rio de Janeiro e nos deu a honra de nos fazer uma visita guiada pelo património, material e imaterial, do Rio de Janeiro que, ficará inesquecível para mim, a minha irmã e o meu cunhado, pela qualidade. Mas agora cito-o pois o mesmo, afirmando-se católico note-se, rejeitou a hipótese de existir tanto ouro em qualquer das igrejas que se citam como tendo, internamente, tal fortuna…. E-mail : jjustino@epar.pt Blog pessoal: coisasdehoje.blogs.sapo.pt/
publicado por JoffreJustino às 16:42
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Sinto-me A Mais,… Sinto-me Um Vencido da Vida….

Hoje não escrevo sobre ou em volta do Brasil. Se tinha razões, pessoais, para me sentir triste, ao ler os jornais fui definitivamente atirado ao chão, com a entrevista a um tal Filipe Ribeiro de Menezes, saída no i. Não valerá, pois, a pena, este país que se chama Portugal…? Note-se, mais, realce-se, Durão Barroso, que nem é da milha família política, não teve qualquer chamada de 1ª página, ontem, e no entanto é o 1º Português a ser Presidente da Comissão Europeia, e foi o primeiro Presidente da Comissão a fazer um discurso do Estado da União Europeia. No entanto, este incompetente acima referido teve direito a chamada de primeira página no i com um título escabroso, “Salazar era um democrata cristão convicto”! Sensacionalismo? Mas é possível escrever sensacionalismos com falsidades históricas e as mesmas falsidades serem assim, sem mais, aceites, numa comunicação social que se quer democrática? Sinto-me verdadeiramente derrotado, na comunicação social abundam como se vê os/as totalitários/as, 36 anos depois do 25 de Abril, e abundam com o poder suficiente para terem direito a chamada de 1ª página, com tais notícias. E, mais grave ainda, o energúmeno que escreve que Salazar era um democrata cristão convicto, foi pago pelo governo irlandês, um pais da democrática União Europeia, para escrever tamanhas diabólicas frases… Que fazer…. Sinto-me verdadeiramente perdido. Já me sentia assim no plano pessoal, pois se nem pátria me deixam ter, e se emocionalmente me sinto, absolutamente, hoje, fora deste planeta, agora também intelectualmente fui empurrado para o canto onde são colocados os boxeurs, para serem chacinados durante os combates. Salazar “democrata cristão” e escreve-se isto em Portugal, (que se escreva na Irlanda, onde como se vê, até nas contas erram,…), como se nada fosse. Dir-me-ão que se trata somente de uma tentativa de branqueamento deste incompetente ditador que, hoje, não pode ser reconhecido como fascista, a bem do branqueamento de tantas instituições, bem, mais “importantes” que Portugal, (para alguns). Salazar que assumiu em todos os seus textos que era arrogantemente antidemocrata, que se arrepelaria todo se lesse tal nos seus jornais, ao seu tempo! Salazar que “inventou”, inclusive, uma filosofia e um modelo político económico e social próprio – o anti democrático e quase estalinista corporativismo – e sobre ele laudatoriamente escreveu. Salazar que inventou o Tarrafal, que eliminou fisicamente adversários, que mandou torturar, que impôs leis racistas sobre o Império português, que, anos a fio combateu a miscigenação racial. Salazar que se bateu contra os americanos por serem democratas e, por tal, delapidadores da “civilização ocidental”. Salazar que se aliou, mesmo dizendo-se neutro, a Hitler e a Mussolini e recebeu depois de derrotado o Eixo fascista, os ditadores fascistas e os alimentou com os impostos dos portugueses. Salazar que fraudulentava as “eleições” que ia fazendo, que proibia partidos políticos, que não combateu, prendeu e torturou, somente os comunistas, (que raio quando paramos com este anticomunismo serôdio que só alimenta a ideologia comunista?), mas sim também, monárquicos liberais, republicanos conservadores, republicanos democrata cristãos, republicanos liberais , republicanos socialistas, ou os anarquistas e, claro, também tal qual Hitler, os “fascistas” ideólogos, já inúteis para o poder fascista. Salazar que impôs ao país, sem referendo, note-se, uma Guerra Colonial que o seu ministro da defesa recusava, ( e que por isso tentou um golpe de estado que só falhou porque os generais que inicialmente apoiavam o tal ministro da defesa foram cobardes e recuaram, obrigando o país a manter 14 anos de uma inútil guerra), quando todos os dirigentes nacionalistas estavam disponíveis para uma transição pacifica para as independências, (e viva Manuel Alegre e Abaixo os ditos militares, generais ou não, que o criticam e esquecem os seus antecessores que, traindo o seu ministro, impuseram uma inútil guerra Portugal e ao Império). Salazar que, por tal, delapidou uma incomensurável fortuna a Portugal, e a todos os PALOP. Salazar que impôs à economia de mercado as inacreditáveis solicitações, de joelhos e com declaração anticomunista, para se ter autorização para abrir uma empresa, aos empresários e, assim, destruiu o sentido e a cultura de livre concorrência em Portugal, o que ainda hoje pagamos. Salazar que beneficiava uns, os bons empresários, em detrimento de outros…. Salazar que impôs, não a Portugal mas a todo o Império Português índices de analfabetismo superiores aos 70% porque ler e escrever ficava mal a um camponês. Salazar que não construiu portanto escolas, a não ser o mínimo necessário para uma elite que tinha como dever adorá-lo, tal como não construiu hospitais suficientes, nem estradas, ou pontes. Esse Salazar que obrigava as mulheres a verem os seus recibos de vencimento terem de ser assinados pelos esposos, que proibiu o divórcio, que impôs, taliban que era, a religião única, que tinha medo de andar de avião, esse Salazar, era, pois, “democrata cristão” e ninguém nunca o soube até surgir esta dita biografia. Nada a fazer… Estou a mais, por aqui, sou de facto um Filho do Império, esse Império que o liberal e Republicano Norton de Matos ajudou a reforçar, ele também, diga-se, maçon, e que foi o Grão Mestre do GOL que expulsou do mesmo GOL os ditos maçons que teimavam em continuar com a ditadura, (palavra bem oposta à democracia cristã recorde-se), já com o fascista Salazar. Estou a mais, porque aprendi com o meu pai, republicano liberal e laico, a ser anti salazarista, a amar a Democracia e depois, para além dele, optei por defender a Independência de Angola, e, claro de todos os PALOP e de Timor, razão pelo qual conheci as prisões totalitárias, já não ao tempo de Salazar, mas do seu discípulo/antidiscipulo Marcelo Caetano. Estou a mais, porque acredito na Igualdade de Oportunidades, na existência da sexualidade para além do Género “estabelecido”, sem me sentir forçado a “experimentá-lo”, porque conheço os versículos da Bíblia onde se vê um eunuco a se baptizado, e, portanto, também na necessidade premente da Educação Sexual nas Escolas, obviamente na Laicidade, isto é na separação entre a Igreja e o Estado. Estou a mais, porque entendo bem o que queria dizer Fernando Pessoa quando dizia que a sua Pátria era a Língua Portuguesa, ele também Filho do Império e maçon “fora do contexto”, porque do Direito Humano. Estou a mais, porque, sendo maçon, sou cristão, tal qual sou contra todas as Igrejas, cristãs ou não, mas respeitando-as sempre, (o meu pai, maçon também, que morreu católico mas foi, anos a fio ateu, porque se tinha apaixonado por uma católica, com quem casou, a minha mãe, levava-nos todos os domingos à missa, ficando, todos os domingos, anos a fio, à porta, ensinou-me esse respeito pelo pensar do Outros) . Estou a mais, porque não consigo entender a necessidade de branquear o filho do diabo que foi Salazar. Ele era fascista, totalitário, incompetente, destruiu o Império e ponto final. Só por tal, ter destruído o Império, (ou já se esqueceram dos anos em que o Império soviético, a par com o americano, dominou os PALOP?), mereceria o nosso total desprezo Não fora Mário Soares, (e não Salazar) e não haveria esta réstia de Pátria que é a Língua Portuguesa que se chama Língua Portuguesa e que Fernando Pessoa recorda. Por isso sinto-me, hoje, não mal, mas ainda pior. Sinto-me a mais. Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:39
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