Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

UM DIA

Um dia teremos a oportunidade.

Não sei quando.

Nem sei se interessa o quando.

Mas teremos a oportunidade.

Quando perdermos estes ainda intuitos bárbaros, quase animalescos ainda, de nos ofendermos para nos sobrepormos, de nos violentarmos para dominarmos, e até de nos santificarmos para hegemonizarmos.

Todos temos fragilidades, por isso todos somos alvos simples para a ofensa, para a violência e para auto santificações.

Difícil é o contrário.

E falo hoje da política, da crise, da economia, e de cada uma das nossas almas.

Queremos ter o direito, mas não queremos ter nem a responsabilidade nem o dever.

Porque vemos quem, rico, poderoso, a abusar, entendemos que a solução não é impormos a mudança desses abusos ma sim estarmos com esses abusos.

Mas vemos também quem, poderoso, a dominar, e entendemos que a solução é estarmos com quem domina e não com quem trava os abusos do dominador.

Como vemos quem, auto santificado, manipula e, logo com ele estamos antes de lhe perguntar quem, além dele próprio, o santificou.

Mais ainda, vendo quem nos diz Cuidado, a riqueza é esgotável, pelo que tem de ser melhor distribuída, logo, de imediato, nos colocamos ao lado dos que acham a riqueza inesgotável.

Como vendo quem diz Cuidado vivemos acima do que temos, logo, de imediato, muitos há que o fazem porque não eu?

Alguns não entendem que ultrapassamos o estádio da Luta de Classes do tempo da Revolução Industrial e que atingimos o estádio do premente controlo do que na Natureza delapidamos.

Somos 6 biliões, já não somos o 1 bilião.

E, porque nos envolvemos com facilidade nos discursos fáceis, optámos por magoar, por humilhar, por ofender, por dominar, por violentar e até por santificar e auto santificar – as fáceis soluções de tempos idos, mas que ainda dominam as nossas mentes e almas.

Eu próprio.

Eu próprio já não sou, (aliás nunca fui), o super herói, o super sensual, o super amante, o super dominador, o super manipulador, o super leader, o santo dos santos.

Fui somente um ser humano, bem frágil, como todos nós.

Que hoje, já para o idoso, (ao tempo dos meus pais seria considerado mesmo idoso), olhando para trás, para aprender o que aí está a chegar, procura alertar.

E se confronta com a inutilidade desses alertas.

Como se confronta com os próprios orgulhos, fragilidades, medos, manipulações.

Perguntando-se – e vale a pena?

Que ganhou Saldanha Sanches?

João Isidro?

Ribeiro dos Santos?

Enfim, os que, da minha vida/geração, saltaram, a terreiro, e morreram, para alertarem?

Boa questão não é?

E que resposta difícil ela tem, cada vez mais, porque.

Ainda que ainda ache que um dia teremos a oportunidade.


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:49
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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

Respondendo Ao Amigo José Conceição … A Outros … e a Inimigos do Peito!

Já me disseram que hoje acordei com os pés de fora…

É possível.

Tenho, acredito, o direito de me sentir cansado e triste.

Sou, com honra, com prazer, teimosamente cooperativista, solidário, e, penso, saudavelmente critico.

Acredito pois numa Economia de Mercado, Competitiva e Solidária e recordo Tito, o jugoslavo, com alguma saudade.

Mas, confesso, ando cansado e triste.

Costumo dizer, ultimamente, que o único erro de Stalin foi ter sido ditador, (não interessa, aqui, se comunista ou não…), na Rússia das estepes, pois onde ele deveria ter sido ditador, e sê-lo-ia com sucesso, era em Portugal, ao tempo, anos 20, século XX, Imperial, planetário.

Tivesse Portugal tido como ditador Stalin, em vez do bacoco Salazar, e, ainda hoje Portugal seria, (e saudado em todo o mundo), um Império…porque teria havido, aqui, Império submisso, e forte Desenvolvimento.

Vindo de cima, esquisitamente, erradamente, mas teria havido Desenvolvimento.

Azar!

Tivemos o bacoco do Salazar, bota esquisita, fato escuro com gravata escura, gerador de gente cinzenta e ainda mais submissa, ou então contestaria mas do lado errado da contestação.

Resultado – o império foi-se, o Desenvolvimento não aconteceu, as Pessoas acinzentaram-se.

Foram-se os anéis.

E os dedos.

Ficou o cinzentismo, a ideia peregrina que o Estado que nos ature, os funcionários públicos que nos governem, (e nada contra eles, note-se), o empreendedorismo, ideia “nova” que Fernando Pessoa tanto cantou à sua maneira, que se dane e seja somente uma mera bandeira discursiva, a iniciativa privada que seja para alguns, oriunda de preferência da pública, para que não hajam muitos e não sejam de fora da “elite certa” e, se fora destes, que seja um pecado lesa majestade!

Sendo cooperativista, gerado de fora da “elite certa”, filho de republicano que sou, estou entre os pecadores de lesa majestade.

E, confesso, começo a cansar de estar assim.

A Economia Solidária que José Conceição pretende projectar no seu texto, abaixo, leiam, mostra que não sou único, aqui, ( neste antigo Império que, espantosamente, se envergonha de o ser e, por se envergonhar, verbera contra uma Isabel dos Santos, tal qual verbera contra Manuel Alegre, por serem “traidores” a essa “pátria” salazarista e salazarenta, que nada teve a ver com sérios e autênticos imperialistas portugueses como Norton de Matos ou Afonso Costa), a querer mudar.

E se não der para Mudar, que mudemos de País e sobretudo de Continente!

Abençoado Lula que mostra que do antigo Império nasce ainda boa, dinâmica e solidária gente, na linha de Camões, o Trinca Fortes, o poeta vagabundo do Império, capazes de Desenvolver, ao invés destes Anacletos Louçãs e destes “comunistas” que esqueceram que um seu secretário geral, no Tarrafal, trabalhou um peça que era uma cabeça de Salazar, para mostrar a sua superioridade face aos fascistas.

Hoje não, hoje o trabalho é para as mulas e o que contam são as férias, feriados e pontes!

Reaccionário o que digo?

Lamento, mas recordando este secretário geral recordo que o gosto pelo trabalho, o abençoar o trabalho, era a Ideologia certa!

Porque esse gosto mostra-se também nesta vetusta Bíblia, nossa raiz espiritual.

Como o gosto em honrar o que se deve.

E se devemos e querem que paguemos, paguemos então!

Se pagarmos, mostraremos Honra, mostraremos Brio, mostraremos Empenho e, de vez, envergonharemos estes “empresários” da cortiça, (ou os dos “serviços”…), que enriquecem sem mexer uma palha, isto é e em termos económico-modernos, se acrescentar uma grama de valor, à cortiça que nasce não deles mas da Terra.

E que de solidários têm o discurso para padre ver e perdoar na santa confissão, (e perdoem-me os católicos…).

Há os que mexeram e mexem, como Manuel Alegre que, de Argel, denunciava e bem uma Guerra Colonial mais que inútil, verdadeiramente estúpida e que só honra os que nela verdadeiramente combaterem, (não so que a lideraram) e os que contra ela Combateram em nome de uma CPLP que hoje existe porque houve quem combatesse contra aquela Guerra.

Mesmo que seja verdade que ter uma Guerra em 3 Frentes/3 países, durante 14 anos, seja obra, porque foi.

Mas foi obra de desperdício, de delapidação de riqueza, porque não gerou continuidade.

Valor Acrescentado enfim.

Riqueza.

E há os que nada querem mexer….

Eis porque um dia destes me decida, homem de Esquerda que sou, a caminhar para outro exílio, porque este está a cansar e a entristecer.

Joffre Justino



Caro Amigo Jofre,

Admiro o seu desassombro, e a forma como debate os prós e contras desta situação.

Inegavelmente os dirigentes do PSD mas também do nosso PS têm culpas no cartório... e que dizer da classe política que "se passou para a direcção da economia, banca e empresas..."

Porque é que o valor social do trabalho de um gestor do sector público, que gera milhões por ser estratégico, deve ser bem pago... e empresas que fazem "autênticas maratonas de equilibrio e boa gestão de recursos", mas por serem do sector privado, têm os seus salários controlados pelos preços de mercado???e acabam por ter "vencimentos pobres..."???

O dr. alberto joão disse-o no início da semana..."o que é que os ex-ministros da economia vão fazer a Belém??? são santos??? não têm culpas na situação ruinosa em que estamos???... e acabo por concordar com ele!

Mas as medidas ora tomadas devem ser acrescidas de um maior controlo! E DEVE SER MUDADO O PARADIGMA ECONÓMICO... é que empresas de sector público estratégico devem claramente assumir-se como CO-MOTORES da economia!!!

SUGESTÃO UM - que o preço da electividade seja congelado nos próximos anos para o público, e reduzido para o sector empresarial - se os custos de produção baixarem a economia claramente sobe... e quando os lucros da EDP descerem para valores aceitáveis, os preços da electicidade poderão então ser ajustados -ISTO É QUE É GERIR O SECTOR EMPRESARIAL PÚBLICO E FAZER O PAÍS SAIR DA CRISE, promovendo uma reestruturação da política seguida pelas empresas do sector empresarial do estado...

E que dizer da Banca e da Caixa Geral Depósitos, que poderia claramente regular e promover alguns consumos motivadores da economia, em detrimento ou agravamento de consumos de bens pereciveis - VEJA quanto custa uma casa na maioria dos países desenvolvidos + ou - 5 anos de salário e aqui em Portugal???
se houvesse politica incentivadora na compra de casa própria, então as pessoas aceitavam o sacrificio com maior facilidade... mas a Banca paga menos impostos que as empresas porque??? porque facilita o desenvolvimento económico ou promove como tubarão o consumismo...?

E que dizer da medida macro, proposta há muitos anos pela UNESCO e a ONU, para que cada movimento bolsista pagasse um centimo, ISSO MESMO 1 CEDNT.- A QUE A BANCA DIZ NÃO - MAS QUER FAZER-NOS PAGAR POR CADA MOVIMENTO DO CARTÃO DE CRÉDITO...

Como o Jofre vê, o espirito REPUBLICANO E SOCIALISTA, enquanto LIBERTADOR DA MENTE e promotor de uma Homem novo, capaz de observar e discutir estes temas, tendo por base SOLUÇÕES JÁ REALIZADAS por outros países, nomeadamente os da Europa mais desenvolvida e estruturada: Dinamarca, Suécia e até a própria Alemanha que ultrapassou sem grandes sobressaltos a anexação da rda em poucos anos...

Não vou falar agora da Educação, e muito menos da situação dos deficientes e dos idosos... mas digo-lhe que a forma como a Sociedade e o Estado tratam os seus idosos, deficientes e crianças, se paga no futuro, ou transforma a SOCIEDADE EM VALORES MAIS HUMANOS E FRATERNOS, e aí sinceramente, creio estarem os SOCIALISTAS DE CORPO E ALMA...!

Um abraço, José Conceição
________________________________________
From: jjustino@epar.pt
To: jjustino@epar.pt
Subject: FW: Finalmente!
Date: Fri, 14 May 2010 11:31:47 +0100
Finalmente!

Alguns amigos meus, a maioria provavelmente, irá dizer que “me passei de vez”, pois este finalmente tem a ver com o saudar, que faço, das medidas de combate à crise, tomadas recentemente, em acordo entre o Governo/PS e o PSD, liderado por Passos Coelho.

Começava a ficar tarde.

É visível que o Governo procurou, enquanto pôde, encontrar soluções que permitissem combater a crise sem drama, até que viu Portugal envolvido na trama da alta finança americana no sentido de acabar com o euro e, claro, com a União Europeia, entidade supra nacional que é temida e detestada por quem entende que o Império Americano deve dominar a solo, o mais que puder.

E, note-se, é sabido que esta não é a opinião da maioria pensante americana, nem do governo Obama, mas continua a ter forte eco entre a alta finança dos EUA.

Aquela que na verdade está por detrás desta brutal crise mundial que, só agora, os portugueses começam a entender que existe realmente.

Não fora o ataque brutal contra o euro e à Grécia, a Espanha e a Portugal, (não é por acaso que não sucedeu o mesmo aquando da Irlanda…), e o governo português, assim como os restantes, continuariam com medidas de “panos quentinhos” e, possivelmente, até teriam encontrado um caminho suave de superação desta crise.

Foi o que o governo Socrates tentou, na certeza de que ajudou também bastante que os populistas tivessem sido derrotados no PSD.

De facto, sem Manuela Ferreira Leite e os seus seguidores, eurodeputados ou não, foi possível encontrar-se uma solução “de país”, para enfrentar a crise, que não teria acontecido caso os populistas à PSD tivessem ganho o Congresso do PSD.

Eu defendi um governo de salvação nacional logo a seguir às últimas eleições e, inclusivamente, durante as campanhas eleitorais….

Era já visível que seria vantajoso para o país que um governo à “Bloco Central”, (possivelmente, disse-o, mais alargado), surgisse das eleições, e tivesse por apoio parlamentar alargado, condições para avançar com medidas firmes, mas certamente menos duras que hoje foram tomadas, de combate à crise.

As fantochadas populistas que vivemos na comunicação social, no parlamento e até em algumas “ruas”, originaram impasses que agora nos fazem pagar bem mais caro os luxos que entendemos poder viver nos anos do cavaquistão e do guterrão…

Como sabemos a divida portuguesa tem uma responsabilidade a 75% das famílias e das empresas e a 25% do Estado…e resulta do facto de termos sido convencidos que éramos um “país rico”, ( o que não somos desde a destruição da nossa frota aquando da ocupação espanhola…), por quem fez da adesão à CEE não um projecto de desenvolvimento, como era o desejo de Mário Soares e Mota Pinto, mas um projecto de rápido enriquecimento à custa dos “dinheiros da CEE”…

Fomo-nos endividando sem regra, sem orientação, sem projecto.

E agora mostram-nos a conta e não queremos acreditar.

Teremos de acreditar!

Já tivemos de acreditar entre 1983 e 1985, onde a governação Mario Soares e Mota Pinto, que a assumiram com coragem de leaderes que eram, ( e Soares ainda é, lamentando eu que Mota Pinto já não esteja entre nós), e por termos empenhado o nosso esforço superámos a crise.

Teremos de o fazer outra vez.

Deixando de lado os populismos, que imaginam que se “os ricos pagarem a crise” nós não teremos de a pagar.

Ridículo raciocínio, pois escamoteia o facto de parte da dívida ser mesmo nossa, nas casas compradas, nas televisões compradas, nos electrodomésticos comprados, nos telemóveis comprados, nos carros comprados, com empréstimos que tiveram de ser suportados por empréstimos da banca na banca internacional.

A juros como sucede connosco e tendo de pagar como sucede connosco…

Há abusos?

Sem dúvida e os abusos não deveriam ter sido permitidos!

Gestores públicos, vivendo da aplicação dos nossos impostos a ganharem 4000 euros dia ?

Inaceitável!

Mas mesmo que os puséssemos no desemprego isso não resolveria a crise, goste ou não goste o sr prof. Anacleto Louçã….

Por razões morais a redução que foi imposta já deveria ter sucedido e, hoje, até deveria ser maior.

Ajuda, mas não resolve o problema, pois a dívida é mesmo nossa.

Devemos é questionar quem andou a impingir-nos a ideia de que somos ricos – Cavaco Silva.

E, digo-o, precisamente por eu ser socialista, António Guterres.

O primeiro com mais responsabilidades que o segundo, mas ambos com responsabilidades.

Mas não basta apontar para os políticos.

A comunicação social merece, tem de, ser questionada também.

Ela soube que o BCP quando integrou o BPA teve financiamentos da CEE para a formação profissional que se tivessem sido, como devia, usados para essa função, teriam posto os balcões, todos, BCP e BPA, fechados para cumprir toda aquela “formação”, durante um ano!

Que disse a comunicação social sobre o assunto?

Zero!

Era o cavaquistão em todo o seu esplendor!

Hoje vemos os dirigentes do BCP a terem de pagar entre 900 000 e 1 000 000 de euros. Parte deles foram dirigentes do PSD, e governantes do PSD, outra parte importantes apoiantes!

O que está escrito sobre tal na comunicação social?

Zero!

Ah se fossem do PS as páginas que encheriam….!

Mas hoje temos uma crise para resolver e que só pode sê-lo, juntos.

Finalmente há coragem para a enfrentar.

Façamo-lo!

Joffre Justino
(Director Pedagógico)
publicado por JoffreJustino às 09:30
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Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

A Mentalidade CEE Em Tempo UE

Portugal, segundo o i, e citando o Banco Internacional de Pagamentos, BIP, tem uma muito preocupante dívida, não do sector público, (embora também seja demasiado elevada), mas sim do sector privado, das famílias e particulares, das empresas e por interposta pessoa, dos bancos portugueses.

Assim, “A dívida de privados portugueses (bancos, empresas e famílias), representa 75% do total de créditos em carteira comunicados pela banca estrangeira” ao BIP.

Em consequência sobretudo desta divida dos privados, Portugal apresenta uma dívida de 188 milhões de euros para os 163 milhões da Grécia, sendo que a dívida do Estado significará somente 47 mil milhões de euros, para os 73,35 mil milhões de euros gregos.

Por outro lado, a Grécia foi “apanhada” numa sequencia, diria infindável, de fraudes quanto às contas do Estado, o que não sucede com Portugal.

Eis o resultado da mentalidade CEE em Portugal – despesismo privado, contenção pública!

Somos pois, nas mentalidades, Ricos!

Não o somos realmente.

Mas 24 anos de recebimentos comunitários vários, concentrados sobretudo durante o consulado do prof Cavaco Silva, e pelo eng. Guterres, geridos com pouco comedimento e sentido estratégico, (por onde param os PEDIP’s?), criou esta ideia – entramos na CEE, viva a CEE e o que venha que nos segurarão para todo o sempre!

Não parece que segure.

A par tivemos, todos o sabemos, a pior redistribuição da riqueza de toda a CEE/União Europeia, um delapidar de sectores de actividade como os transportes marítimos, o ferroviário, parte importante do sector industrial e claro nas Pescas e na Agricultura.

Para alimentar a Construção Civil e Obras Públicas, que não alimenta riqueza acrescentada mas sim despesa, o grande aproveitador da CEE/UE, para as auto-estradas e os polivalentes e piscinas em todos os concelhos do país.

E, claro, para alimentar uma casinha para cada português gerando um acréscimo sem fim da despesa privada, a que acima falo recordando a noticia do i, e da redução das poupanças das Famílias.

Como tivemos os mais baixos índices de produtividade da CEE/UE, e desprezámos, anos a fio, uma gestão adequada dos financiamentos do Fundo Social Europeu, que serviu para pagar fusões entre bancos, e a presença da AUTOEUROPA, como todos sabemos, em vez de impormos a formação/qualificação, escolar e profissional, de empresários e trabalhadores, o que só se iniciou com esta governação Socrates, ( viva a ministra do Trabalho, Helena André, que impõe finalmente a formação/qualificação de micro e pequenos empresários!)

Perante esta realidade, só se pode estranhar que o aliado preferencial do Bloco de Esquerda, o PSD, só aceite taxar as mais valias da Bolsa em 10% máximo.

O professor Anacleto Louçã mostra assim ser um péssimo professor, tal qual é um péssimo político. Por ser populista, manipulador, e um “gauchiste” estatista, o que só se pode ver existir em Portugal!

Porque, na verdade, não resolvendo o problema central da divida portuguesa, que como vimos é dominantemente das Pessoas e não do Estado, tal medida ajudaria a resolver a situação, sobretudo num contexto de maior Justiça Social.

E em nada afectaria uma Bolsa que é, ainda, um mero brinquedo/Monopólio, para os “ricos” e uns poucos “remediados”, sendo, ainda por cima uma bem cristã medida – e cito, de cor, da Bíblia, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico ir para o reino dos céus ….

Claro que esta nova faceta da crise, a especulativa, tem uma raiz politica – a destruição da União Europeia e do Euro.

Já o escrevi.

Mas sendo tal verdade, a reacção tem de ser firme, criticando e denunciando estes movimentos especulativos e impondo regras austeras para todos nós.

Infelizmente, em Portugal, não temos movimentos sociais alternativos porque se os tivéssemos a embaixada dos EUA, a Missão da União Europeia e a da ONU, já teriam sido envolvidas por manifestações, mais que justas.

Pró americano, pró europeu, que sou.

Já não sou pró ONU, a mais totalitária das instituições Globais.

Mas que fazer?

É o país que temos que se centra no seu umbigo e por lá se queda….

E, na restante CPLP, tirando o Brasil, ainda é pior….

Joffre Justino

Uma nota final – 250 000 euros para um palco que irá durar meia dúzia de horas, Justifica-se, ou é puro desperdício? A visita de Bento XVI em período de crise e de crescimento da dívida não mereceria outras soluções menos despesistas?Não sou um “ridículo ateu” mas estes despesismos começam a ser exagerados e a gerar largo incómodo!
publicado por JoffreJustino às 12:35
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Terça-feira, 4 de Maio de 2010

Portugal, Os Militares e os que Combateram a Guerra Colonial!

Parece, infelizmente, que alguns dos militares portugueses continuam a viver em circuito fechado e a terem alguma dificuldade em comunicar com quem pensa diferentemente deles…

Soube do ataque feito pelo almirante Vieira Matias a Manuel Alegre.

Disse ele, “Fomos os maiores protectores daquela gente…Sentimo-nos traídos por afirmações que eram feitas no estrangeiro por portugueses”

Bem, eu, apoiante de Manuel Alegre às próximas Presidenciais, teria algo mais a acrescentar às afirmações de Manuel Alegre, que, na verdade, pelo que o DN hoje explicita numa noticia sobre a participação deste antifascista e anticolonialista numa Conferencia para militares, assumiu posições que não são bem as minhas e as de muitos como eu.

Nós defendemos, activamente, a deserção, face a uma guerra injusta, totalitariamente conduzida e politicamente falhada.

E mesmo que não tivesse sido militarmente falhada, em Angola, foi-o parcelarmente em Moçambique e totalmente na Guiné Bissau.

Os erros da UPA/FNLA e do MPLA justificam a razão da vitoria militar das Forças Armadas Portuguesas em Angola, ao momento do 25 de Abril.

O mesmo não aconteceu com a FRELIMO e com o PAIGC.

O 25 de Abril evoluiu como evoluiu por isso mesmo.

E não fossem Pessoas como Manuel Alegre, e enfim, bem menos claro, eu, os tais talibans estariam de pé bem assente nestes 89000 km2…

Infelizmente, o “politicamente correcto” continua a procurar esconder os larguíssimos milhares de Jovens que desertaram antes até de serem “chamados à tropa”, não por medo, não pela fome que nas suas terras tinham, mas por convicção!

Como eu.

Que não desertei mas apelei activamente a tal, através dos Comités Guerra Popular, lusoangolano que era e sou.

E não desertei porque antes de o fazer fui preso, tendo sido um preso político desde 7 de Abril de 1973 até 12 de Março de 1974.

Gritei, com honra, pelo MPLA, e pela Independência de Angola, no Tribunal Plenário aqui, em Lisboa, no ultimo Julgamento terminado antes do 25 de Abril.

Erraram os dirigentes que defendi?

Sem dúvida!

Mas o nosso “Exército” esse estava mais correcto que as FA Portuguesas de então.

Porque criámos as condições para que a CPLP pudesse, hoje existir.

Para que a Língua Portuguesa continuasse a unir bem mais de 160 milhões de Pessoas no Mundo.

Talibans, seja dita a verdade, eram os políticos do regime salazarento e os oficiais generais de então, fanáticos católicos, impondo a religião única no espaço de expressão portuguesa, (os restantes Cristãos que o digam!), politicamente totalitários que eram, incapazes de dialogar como muitos ainda hoje são.

Já escrevi e não temo repetir – as FA Portuguesas têm com elas o feito, que merece respeito, militar, não politico, de terem mantido durante 14 anos uma guerra em 3 Frentes Militares.

Valeram bem mais que os EUAS no Vietname, sem duvida.

Mas não deixaram de ter uma linha errada de condução que só não foi desastrosa porque houve quem, no pós 25 de Abril, travasse ímpetos fascizantes e social fascizantes.

Como Mário Soares, Manuel Alegre, e os militares Melo Antunes e Vasco Lourenço.

Há pois um imenso debate a fazer, ainda, em Portugal.

E era bom que os militares, (e não só), se abrissem a esse debate, de vez.

Porque são milhares os que em Portugal apelaram a e ou desertaram, por serem activamente contra a Guerra Colonial. Mesmo que estejam silenciados pelos “politicamente correctos”.

E porque tinha razão, por duas razões,

As colónias portuguesas tinham inevitavelmente de caminhar para a Independência.

A incompetência dos políticos e dos militares e o seu totalitarismo talibiano católico é que impediram que a Guerra tivesse outra duração, bem menor, e outro findar em outro percurso, Democrático e Cultural e Socialmente Alargado.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 11:31
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Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

Um Dia de Trabalho para a Nação! …E a Crise de Hoje (Uma Homenagem a Henrique Coelho, Dirigente da UGT Neste Seu Dia de Aniversário e de Funeral)

Recibo
Recebi da firma----a importância de escudos-----,
correspondente à prestação de um dia de trabalho
normal prestado voluntariamente no dia 6 de Outubro
de 1974 (domingo), como manifestação de total apoio e
adesão à oportuna e patriótica exortação do Primeiro-
Ministro Brigadeiro Vasco Gonçalves.
----------------, 7 de Outubro de 1974.
Assinatura---------------------
(Selo inutilizado conforme o preceituado no art.º 12º
do decreto nº 44083 de 12 de Dezembro de 1961)
In http://joseluis-gr.blogspot.com/2009/01


Pois foi há 36 anos que o brigadeiro Vasco Gonçalves, então 1º ministro de Portugal, cidadão da linha política do PCP, perante a crise que o país vivia, no imediato pós 25 de Abril, impôs um Dia de Trabalho para a Nação.

Muitos portugueses e portuguesas aderiram a este Dia de Trabalho, muitas empresas o aceitaram como benéfico.

Eu tenho, sobre este dia, uma história para contar.

Era então um simpatizante do PCP (ml), linha Vilar e estava a viver a minha primeira semana de trabalho numa empresa. De facto, tinha andado a viver de traduções pontuais, e a viver, claro, a Revolução, para alguns, para mim e para os que militavam no PCP(ml), vivíamos somente um processo de implantação, útil apesar de tudo, da Democracia Burguesa, bem melhor que o Fascismo claro, ou que, como dizíamos então, o socialfascismo que o PCP representava…

Naquela 1ª e estranha semana, em que me puseram a contar pregos e parafusos, nas conversas à hora do almoço, com os colegas, maioritariamente da UDP, (uma das componentes do actual BE), tomou-se uma decisão – ninguém viria trabalhar no dia 6 de Outubro, pois o Dia de Trabalho para a Nação era uma medida burguesa a contestar!

Na 2ª feira 7 de Outubro constatei uma primeira evidencia sobre a revolucionarite de muitos – tinha sido o único a cumprir o acordado!

Nessa manhã, pelas 08h50m depois de quase uma hora de discussão com o “patrão” e de ter obrigado à chegada de um “nívea” da PSP, recebi um cheque com a paga da semana de trabalho e fui enviado para o desemprego, onde estive largos meses.

A imensa maioria dos e das portuguesas tinha aderido à palavra de ordem do 1º ministro, e do PCP.

Para participar na Resolução da Crise então Vivida e para me mostrar como eu estava errado.

36 anos depois vivemos, de novo, uma crise fortíssima.

Imposta do exterior, da nossa dependência do exterior, em mercados, em energia, e financeiramente.

Porque, reafirmo-o, a crise de raiz interna ainda não chegou…mas está aí à vista, com a não venda de imóveis, por exemplo, a atestá-la.

E o Desemprego, claro, no sector privado.

O delapidar dos fundos da CEE/UE são uma das raízes dominantes da crise vivida.

Muitas auto-estradas, muitos polivalentes em betão, e quase nenhuma dedicação à Qualificação das Pessoas, sustentaram o emprego, mas não geraram o essencial, a mudança no paradigma da economia portuguesa que continua centrada nos baixos salários , claro, na baixa produtividade, nas baixas qualificações, escolares e profissionais, das Pessoas.

Só neste Governo, neste criticado Governo de Sócrates, com Helena André, a actual Ministra do Trabalho e antiga dirigente sindical da UGT, camarada de Henrique Coelho e antiga dirigente sindical da CES, é que vimos, finalmente, fazer depender apoios ao investimento, da participação de empresários na Formação Profissional, apesar das muitíssimo baixas qualificações, escolares e profissionais, dos empresários, em média, em Portugal.

24 anos depois da primeira entrada dos financiamentos comunitários em Portugal.

E, claro, dos muitos jipões e jipinhos, de muitos pedips desaparecidos 3 anos depois das injecções financeiras nas empresas, para mais jipões e jipinhos…

O curioso é que mos mesmos que hoje são contra o investimento público no apoio à sustentabilidade da economia, se silenciaram, anos a fio, perante o delapidar vivido, no mesmo período.

Daí a crise, grave, que vivemos.

Que nos impõe, claro, sacrifícios enormes.

Sobretudo para os que vivem da economia de mercado, da concorrência, das pessoas que, em Portugal, em média, mais baixos salários têm.

Recordo um texto de Mário Soares, precisamente sobre as crises vividas no país e sobre o Bloco Central, “Para tanto, os Partidos da Oposição, da Esquerda e da Direita, deveriam entender-se entre si - e com o Partido do Governo - pelo menos quanto ao essencial, para se poder estabelecer um consenso possível quanto ao rumo que o País deve seguir. É isso possível? Respondo: tem de ser, porque a força das coisas obriga. No passado próximo, pos-Revolução dos Cravos, foi possível, em dois momentos particularmente delicados: em 1978, quando se subscreveu um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que nos salvou da
bancarrota; e em 1983-85, quando, mediante um esforço muito difícil de equilíbrio financeiro, conseguimos criar as condições para a nossa entrada na CEE.”, (in http://www.fmsoares.pt/mario_soares/textos_ms/002/351.pdf ).

Teve pois Portugal, em 3 momentos destes 36 anos de Democracia, de tomar medidas duras para superar as crises então vividas. Em uma delas, durante uma governação dominada pelo PCP.

Dirão, foi por isso mesmo que os trabalhadores aderiram.

E, de certa forma é verdade.

Porque é necessário explicar bem as medidas duras que têm de ser tomadas, não poucas vezes pelos Governos.

Recordo as dificuldades que tivemos, no movimento sindical democrático, (a sua ala esquerda, a FETESE, onde eu trabalhava, liderada pelo saudoso António Janeiro, da UGT, mas bem critica e actuante, como também os dirigentes da UGT como Henrique Coelho e Torres Couto), em explicar as medidas do governo do Bloco Central, pois se apesar de necessárias, eram mesmo impopulares e foi bem difícil gerir o debate ideológico entre o PCP e a UDP, e, claro, o PS, o PSD e a UGT .

Estas explicações dão-se melhor no terreno social, nas mesas de negociação colectiva de trabalho, nos debates de ideias, pelo que urge dinamizar quem esteja disponível para apoiar a superação da crise.

Não deixando que interesses lobistas, que hoje infelizmente o PCP e o BE defendem, e que os levam a esquecer-se do Dia de Trabalho para a Nação, possam travar a necessidade de empenhar o maior nº de Pessoas possível nas soluções que permitam que se reposicione este país nesta economia global.

Mas que potencie um reposicionamento desde o inicio do combate da crise, Solidário, Cooperativo, Comunitário.

E sem duvida contando com todos os que saibam pôr o combate contra a crise em 1º lugar e, entre eles, sem duvida este PSD liderado por Passos Coelho.

Neste dia, em que acontece o funeral de Henrique Coelho, dirigente da UGT, (que me deu a honra de ser meu amigo, além de camarada, sindical e socialista), é num combate renovado pela renovação, sustentável, desta economia globalizada, muito nossa, antigo Império que fomos, que o recordo.

Porque Henrique Coelho foi também um Homem de Combate, pela Democracia, por um Socialismo Democrático, por um Mundo Melhor, em Portugal e fora dele.

Por isso também me apoiou nos combates que fiz em Angola.

Por isso, neste dia em que tenho de recordar à Esquerda, comunista e bloquista, o Dia de Trabalho para a Nação, recordo Henrique Coelho e os combates que fizemos em prol da superação da Crise de 1983/5.

Onde foi necessário explicar porque é que o 14º mês tinha de ser entregue ao Estado, tal qual o Dia de Trabalho para a Nação, tal qual teremos de apoiar o Governo nas medidas que sejam necessárias para reforçar a economia em Portugal, sustentadamente.

Na certeza que tenho que teríamos connosco, neste novo Combate Democrático, o Henrique Coelho.


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 12:52
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