Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

COMO SABEM, ASSUMO-ME COMO LUSO ANGOLANO E NÃO COMO PORTUGUÊS…

Por isso me espanto e me choco, com a “falta de chᔠde alguma comunicação social portuguesa, mas também de alguns jornalistas, de alguns políticos, de algumas personalidades, esses e essas também, claro, portuguesas.



Por isso também, costumo afirmar que Portugal “perdeu o norte” com a perca do Império, e é hoje um país pequeno e somente com 35 anitos, onde existe alguma população, uma franca minoria, com 8 séculos de história – aquela que à Direita, ao Centro e à Esquerda se reconhece no que de bom e de mau tem a História do Império Teocrático criado pelos Templários como Afonso de Henriques, Gualdim Pais, etc.



No século XIX, um militar português, (um prémio a quem descobrir sobre quem falo), que virou herói nacional, e que nem é da minha “cor politica”, quando viu o seu país ameaçado, organizou as suas tropas, lá para as bandas de Angola, e quando parou tinha tomado, contra os britânicos, todo o território até ao Centro da actual Zâmbia.



Por isso, em 5 de Outubro de 1910, os Republicanos atingiram o seu sonho – fazer de Portugal um País moderno implantando a Republica, tão odiada pela corte britânica de então. Por isso também, aquando do final da II Guerra os anglo-saxões deixaram que Portugal continuasse nas mãos de um ditador fascista…dava-lhes jeito para os seus ímpetos neocoloniais.



Recentemente, alguns dos tablóides ingleses, esses dos papparazis que alguns “empresários” portugueses pretendem imitar em Portugal, destruindo o JN, entraram no total insulto à polícia portuguesa, aquando da história do casal inglês que perdeu, lamentavelmente, a filha, quando, na verdade, estava nos copos com amigos e pouco preocupado com os seus filhotes bébés…



Agora, uns policiazecos, britânicos, entendem como natural que um vídeo, onde um cidadão britânico, (claro, por o ser, é idóneo) insulta o governo de um país da União Europeia, (sem mais provas que uma afirmação oral em vídeo clandestino), onde a Grã-bretanha também está, (para quê diga-se de passagem, para além de ter andado a apoiar o sr Bush…), é prova suficiente para acusar um ministro de Portugal.



Sinceramente não sou português, sou orgulhosamente luso angolano.



Porque se o fosse tinha já organizado uma manifestação junto à embaixada da Grã-bretanha, de protesto, seguindo as raízes dos meus antepassados, (com orgulho portugueses, do Império), republicanos, que saíram à rua contra o Mapa Cor de Rosa….



Um inglês qualquer, um tipo que, só pela pinta, mostra o que é, insulta um membro do governo do nosso país, num vídeo clandestino e o “o pessoal cala-se”? Pior, acha bem e aproveita-se? Porque somos da Oposição? Porque estamos em campanha eleitoral?



Bem, andei em guerra civil contra o MPLA-PT e nunca alinhei em situações deste calibre, nem gostei muito de ver o meu país Angola nas ruas da amargura, por estorietas destas.



Quanto mais em Democracia!



O racismo, o xenofobismo anglo-saxónico é bem conhecido. Andou por cá no século XIX destruindo o país, roubando-o com a desculpa do antinapoleanismo….



Seria útil que, em Portugal, o orgulho em ser português fosse outro, em resposta a estas aleivosias de baixo cariz.



Não discuto sequer “a verdade” destes papparazzis britânicos, destes policiazecos, que já mataram um cidadão de expressão portuguesa por ser moreno e confundível com um “árabe”, e nem pediram convenientemente desculpa aos cidadãos de expressão portuguesa.



Bons tempos em que haviam em Portugal quem não permitia que um britânico qualquer assumisse tamanha xenofobia à nossa frente.



Havia algum orgulho então.



Mas enfim, é mesmo convosco, portugueses.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:06
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Uma bofetada democrática

Israel, terminada que foi a fase que entendeu necessária para travar a loucura do fascista Hamas, que em três anos enviou para território israelita 9000 rockets, declarou, como lhe competia, um cessar fogo unilateral e anunciou a sua retirada da Faixa de Gaza.



Trata-se de um significativo gesto de autoridade moral face aos autoritarismos que predominam, infelizmente, por entre os países islâmicos. Trata-se ainda do resultado positivo da intervenção egípcia que anula os intuitos fanáticos de um Islão esse sim o verdadeiro derrotado desta guerra, pois o seu silencio durante todo este tempo, (para além de algumas atoardas “petrolíferas”), foi o comprovativo da sua impotência.



Infelizmente, alguma Esquerda alimentou durante todo este tempo de combates uma falsificação histórica e um moralismo sem moral.



Inclusivamente em Portugal.



O essencial é que este combate foi um combate antifascista, pois o Hamas é uma organização fascista e deve ser entendida enquanto tal.



Uma força politica que se utiliza de um conjunto de conceitos religiosos para os apresentar de forma fanática e com tal estabelecer um programa politico que entre outros assume a erradicação de um Estado, Israel, a anulação da Mulher enquanto Cidadã, a transformação da Educação em instrumento de propaganda religiosa e politico militar, a mentira sem vergonha que se prova com a destruição, pelas armas, da OLP, (quando no seu “programa” a apresenta enquanto irmãos mais velhos ao lado dos quais se perfilarão), a demonstração do total desprezo pela vida havendo dirigentes desse grupo fascista que enviam os próprios filhos para a morte, como bombas humanas, que nome pode ter?



Só conheço um – fascistas.



Ora, já o escrevi, não danço com fascistas.



É lamentável que alguma Esquerda continue a confundir a OLP, organização que assume o laicismo do Estado, que organizou eleições para a governação da Palestina, com este seita fascista e se ponha ao lado dela.



O argumento da invasão militar não colhe, lamento. 3 anos a suportar a arrogância, os ataques com bombas humanas e com rockets são inaceitáveis e justificam a necessidade de se responder à violência com a necessária violência.



Também não colhe o argumento do grau exagerado do ataque de Israel.



O que é um grau adequado? Até onde vai a definição de um grau adequado de resposta? Aos 9000 rockets enviar 9000 rockets? A n bombistas humanos enviar n bombistas humanos de retaliação? Mas é aceitável enviar bombistas humanos? Pode-se lidar com quem entende aceitável enganar-se as pessoas com 50 virgens no Céu para os enviar como bombas humanas suicidas? É aceitável lidar-se com uma organização que tem como dirigente um Pai que manda um Filho para essa tarefa?



Porque não foi ele?



O argumento da morte de crianças, de mulheres de velhos e de civis, pode colher quando estas populações são na verdade o escudo imoral da guerra que se teme fazer?



O que se espera?



Uma guerra sem mortos?



Hitler não implicou, para ser eliminado, uma guerra, com mortos?



Mussolini idem?



O Hamas não é o povo palestiniano.



É uma força fascista que se utiliza de um discurso populista para destruir que odeia.



E quem odeia o Hamas?



Entre outros, a OLP o prova, a Esquerda secularista.
publicado por JoffreJustino às 09:01
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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Um texto de Rui Albino do Semanário Angolense e comentado por Anibal Russo e eu proprio

Caro Senhor

A opinião que tenho sobre esta história que me enviou é, efectivamente, de pura descrença.
Até pela data em que a “testemunha” situa a cena.
Por tudo o que conheço, nessa altura, no norte de Angola, os colonos, bem como os “contratados” Umbundos, estavam confinados, em posição de auto defesa.
Outra coisa que não creio, até porque vivi nessa zona, entre Maquela do Zombo e o Uige, nos fins da decada de 50 é a existência dos tais “assimilados”, que não eram assim tantos e, mesmo estes, encontravam-se “ligados” às missões metodistas existentes, que se sabe terem tido um papel importante nessa altura.
500 “assimilados”, em 61/63, não sei se se poderiam juntar na povoação do Uige, a capital, quanto mais num pequeno povoado . . .
Nessa altura, as populações adrentes à revolta é que se moviam à vontade, nessa zona norte e continuo a dizer que, nem entre os mais velhos combatentes do ELNA, ouvi citar nada disto.
Efectivamente, todos fomos vitimas e peões, de lutas que se decidiam, em salões, muito longe das nossas fronteiras . . ., antes e depois de Abril de 74.
A riqueza do solo angolano tem servido a todos, menos ao povo, que infelizmente, continua a não ter acesso a um minimo de dignidade.
Cumprimentos, Salutations
Aníbal J. Russo
Caro Senhor

Em relação a esta "estoria" abaixo descrita, há mais factos que "não colam" . . .
Alem do facto de o nome de MPLA não ser muito conhecido nessa altura, naquela zona do norte, ainda menos seria conhecido, nem sequer com os nomes que ostentou antes da fusão que levou ao aparecimento dessa sigla.
O meu pai, até meados de 1960, viveu alguns anos a norte do Uige, tendo até testemunhado acções de propaganda independentista e nunca referiu essa sigla.
Não me lembra nunca, nem nessa altura nem dentro da FNLA, ter ouvido qualquer menção a tal facto.
Sempre se falou e muito, do acontecido na Baixa do Kassange e se este tivesse acontecido, também seria referido.
Conheci, pessoalmente, alguns sobreviventes da Baixa do Kassange e do levantamento de 15 de Março. Nunca tal se constou!
Acontece que a data referida, também pouca credibilidade lhe dará.
24 de Abril de 1961
Nesta data, cerca de um mês depois do levantamento de 15 de Março, nem tropa havia para acudir a quem a solicitava quanto mais para esta "cilada"?
O "famoso" discurso de Salazar, o "para Angola e em força", tenho ideia que foi proferido a 13 de Abril de 1961 . . .
Nessa altura, nessa zona, tanto a norte como a sul do Uige e quase até às portas de Luanda, segundo me recordo, até por ter familiares a viver numa fazenda de cultivo de café, nos Dembos, que foram evacuados para Luanda, como muitos outros, as acções eram defensivas e era voz corrente, que quem ficou nas localidades, se barricou à espera de ajuda externa.
Este senhor deve estar a tentar candidatar-se a algum tipo de apoio como herdeiro de "vitima de guerra" ou similar . . . ou a tentar criar mais um "herói", como outros que se conhecem, também do MPLA, fabricados nos gabinetes . . .
Quando é conhecido que a maior parte dos ex-militares dos movimentos que se opuseram ao partido do governo, alguns deles com grande relevo na luta pela independência, ainda não foram reconhecidos pelo "Estado Angolano", vivendo muitos na miséria, que esperar desta estorieta?
Cá para mim não passa de invenção deste camarada com fins pouco claros.
Cumprimentos, Salutations
Aníbal J. Russo
O esquecido Massacre de Quimalundo
Alguns subsídios para a História de Angola, que corre o risco de ficar
altamente desvirtuada, se casos desses não forem recolhidos a tempo

Rui Albino

(Nota Pessoal. 1º Esclarecimento - Desconheço este caso, é certo. No entanto, todos os que viveram em Angola neste período conviveram com histórias afins, contadas nos silêncio das noites angolanas, (sem televisão para incomodar os diálogos), onde se relatavam mortes terríveis, de ambos os lados, portugueses e ou luso angolanos e angolanos; 2º Esclarecimento, o autor do texto abaixo, publicado no Semanário Angolense, erra quase garantidamente em um pormenor – em 1961, no Uíje o MPLA não tinha qualquer impacto, sobretudo no norte de Angola, mas sim a UPA liderada por Holden Roberto. Assim, ou a historia relatada, esta em concreto, não é verdadeira, ou a sigla que terá servido para agregar as populações só pode ter sido a da UPA. Já o Massacre da Baixa do Kassanje esse sim conheci-o porque em 1962 estive com a minha família na Baixa do Kassanje e convivi com um branco que estava visivelmente doente do ponto de vista emocional, por ter participado no sucedido. Divulgo o texto porque me parece essencial homenagear todos os que sofreram naqueles horríveis anos de 61 a 63 em Angola e todos os que participaram no 4 de Fevereiro de 1961, que em breve comemoraremos mais uma vez. Joffre Justino)


O país voltou a recordar há dias o Massacre da Baixa de Kassanje, ocorrido
a 4 de Janeiro de 1961, nessa região que fazia parte do antigo distrito de Malanje, quando mais de 20 mil angolanos foram abatidos por bombas de napalm lançadas por aviões da força aérea colonial, na sequência de uma revolta protagonizada por camponeses da zona, em reacção à exploração feroz de que eram vítimas nas plantações de algodão, um dos esteios do início da luta de libertação nacional que se viria a dar a 4 de Fevereiro daquele mesmo ano. Porém, ao contrário do que a história ofi cial regista, o massacre da Baixa de Kassanje teve uma espécie de «réplica» pouco tempo depois, já que as autoridades coloniais portuguesas voltaram a chacinar populações indefesas em grande escala no então distrito vizinho do Uíje, acontecimento do qual, incompreensivelmente, nunca se fez qualquer menção ao longo destes anos todos.
Segundo soube o Semanário Angolense de boa fonte, em alegada perseguição aos «terroristas» que sobreviveram a Kassanje, as tropas coloniais portuguesas chegaram ao Uíje, que por sinal já era um outro grande foco da estalada resistência armada ao regime fascista de Oliveira Salazar. Chegadas aqui, deram-se conta que a sua penetração estaria a ser dificultada por activistas locais dos movimentos de contestação ao poder colonial, que, segundo os depoimentos recolhidos por este jornal, eram sobretudo negros assimilados, «gente que já sabia ler e escrever, entre os quais constavam professores, enfermeiros e outros funcionários públicos.
Com ajuda de padres católicos, as tropas coloniais portuguesas introduziram agentes seus entre a população uijense, para descobrirem quem eram estes tais «negros assimilados» que se estavam a opor aos seus intentos. Vai daí, urdiram uma cilada, da qual resultaria a morte de mais de 500 cidadãos angolanos negros, uns por via de bombardeamentos aéreos e outros à pancada e à baioneta por tropas de infantaria, naquilo que entre os sobreviventes ficou conhecido como o Massacre de Quimalundo. Aconteceu
a 24 de Abril de 1961. A cilada consistiu no seguinte:
as autoridades coloniais emitiram convocatórias às populações locais para uma reunião que teria lugar em Quimalundo, a 80 quilómetros a norte da cidade do Uíje, no agora município do Puri, a partir das 09 horas daquele dia, na qual se transmitiria o resultado de supostos acordos havidos entre
representantes do «MPLA», que era o movimento de contestação que mais se falava então, e o governo ocupante, para se pôr um fim à crise política (e militar) que se instalara em várias regiões da colónia, em que já se falava de independência, coisas e tal. O local escolhido foi um descampado que servia para o pasto do gado.
Para tranquilizarem as presas, as autoridades coloniais anunciaram que chegaria um avião com os ditos representantes do «MPLA». E com efeito,
um avião foi visto a sobrevoar a área, o que levou os populares a caírem na conversa dos colonos de que lá estavam os esperados negociadores do «MPLA».Só que, afi nal, era um avião de reconhecimento militar, que
confirmou a presença da enganada multidão, para o massacre planeado pelos colonos. Quando os populares se deram conta do logro, já um outro avião passava pela multidão a lançar bombas, dando início à carnificina.
Contam os sobreviventes que muitos que não caíram pela saraivada de bombas acabaram por ser mortos à pancada e à baioneta por tropas de infantaria que já estavam próximas do local da «reunião» preparadas
para a chacina. Cerca de 500 pessoas foram barbaramente
assassinadas.
Ao que se soube mais tarde,a operação havia sido arquitectada pela PIDE-DGS, a famigerada polícia política do regime fascista português de então. E os negros que se diz terem sido vistos no primeiro avião para servirem de isco eram colaboradores ou bufos ao seu serviço.
Felizmente para a história, ainda há pessoas vivas com alguma ligação a este massacre, que podem fornecer subsídios mais precisos sobre ele, mas a
grande inquietação dos populares que sabem deste episódio
macabro é que ele nunca foi lembrado ao longo destes anos todos, nem mesmo a nível provincial, como se nada se tivesse passado, o que é lamentável.
Domingos Adão, 46 anos, é filho de um então sobrevivente do massacre. Ele não entende as razões que estarão por detrás deste esquecimento algo criminoso de um episódio tão sangrento que devia figurar nos registos da repressão colonial que se abateu particularmente sobre os angolanos naquele tumultuoso ano de 1961.
Ele garante que ainda há sobreviventes dessa chacina, alguns dos quais residem mesmo já em Luanda, bem como viúvas e outros órfãos, sobretudo na própria localidade onde se registou o massacre, isto é, em Quimalundo, município do Puri, província do Uíje.
Segundo Domingos Adão, há um dado curioso a reter: as
tropas coloniais que vieram exterminar os feridos que haviam escapado aos bombardeamentos não tocavam nas mulheres.
Exactamente porquê, é que não se sabe. É serviço para os historiadores.
publicado por JoffreJustino às 14:23
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Um Texto gentilmente cedido por Henrique Salles da Fonseca, Dirigente da CIP

ABASTANÇA, JÁ!


Abastança para todos, JÁ! – eis o slogan de todos os Partidos políticos na oposição sobretudo quando em campanha eleitoral. Contudo, é frequente essas promessas não terem qualquer viabilidade e não passarem de falácias. Daqui resulta a inconsequência em que os Partidos caem quando chegam ao Poder com o frequente incumprimento das promessas eleitorais. Mas o que importa é alcançar o Poder e tudo o mais é minudência porque o objectivo foi alcançado e a ele tudo é devido, mesmo à custa da Ética.

Só que ao longo de decénios essas falácias deixaram rasto e despertaram no consumidor vontades anteriormente contidas. O bem-estar deixou de ser um objectivo, passou a ser um direito. Assim nasceu o intento de satisfação imediata de todas as vontades, quiçá de todos os caprichos. E como as poupanças eram insuficientes ou mesmo inexistentes para permitirem tais “luxos”, o recurso ao crédito foi incentivado como forma de estímulo da Economia. O crédito deixou de ser uma conquista pela via do «bom-nome na praça» para passar a ser um «produto» oferecido a qualquer um, cidadão impoluto ou poluído. Assim foi que o consumo entrou na moda. Contudo, em Portugal não fez disparar a produção interna de bens transaccionáveis: fomentou as importações e provocou o descalabro na Balança de Transacções Correntes. Este descalabro só foi disfarçado pela adesão ao Euro e tudo se manteve em aparente normalidade com a especulação bolsista a ditar tudo e a desviar verbas do crédito à produção. Mas não disfarçou o endividamento dos Bancos nacionais perante os homólogos estrangeiros e quando a crise estalou nas «praças internacionais», as repercussões internas não poderiam demorar. E quando tardiamente se descobriu – primeiro nos EUA e depois na Europa incluindo Portugal – que a prudência fora traída e a confiança no sistema podia ser posta em causa, saltaram para a ribalta soluções que provocarão muito significativas tensões inflacionistas pela injecção nos circuitos financeiros de grandes massas monetárias oriundas das reservas se não mesmo das rotativas.

O modelo de desenvolvimento especulativo global avisou ter chegado à exaustão. Está na hora de voltarmos à realidade de que globalmente nos afastámos. Não se fala ainda no regresso a um padrão físico mas não se estranhe que, após tanta volatilidade, alguém comece a referir a necessidade de regresso a um padrão qualquer como o ouro, por exemplo.

E por cá? O nosso modelo de desenvolvimento teve o mérito de democratizar o acesso à habitação própria a tal ponto que Portugal se encontra nos mais altos níveis do ranking mundial desse indicador. Mais: já dá nas vistas no indicador mundial da segunda habitação, a de lazer. E se esta política foi estrutural até no combate político contra soluções colectivistas revolucionárias, os níveis já alcançados evidenciam que esse não pode continuar a ser o grande instrumento do nosso futuro desenvolvimento.

Está na hora de privilegiarmos a produção de bens transaccionáveis e deixarmos – também nós, portugueses – de viver de aparências tudo importando da China. E se não faz sentido regressarmos a um modelo puramente mercantilista como o que vigorou até 1974, teremos certamente que reduzir drasticamente o nível de reivindicações e de recurso ao suporte público quer como entidade empregadora quer como entidade gastadora. O contribuinte português – individual e colectivo – está fiscalmente exaurido e há que enveredar por outras soluções. O caminho da contenção da despesa pública corrente ainda foi ensaiada até meados de 2008 mas a aproximação da campanha eleitoral e o advento da crise financeira mundial deram ao Governo todos os pretextos para regressar a políticas diferentes do equilíbrio por que tanto esforço chegou a ser dispendido. Em vão, afinal.

Daqui resulta que 2009 deveria ser o ano de nos entendermos quanto ao rumo estrutural a seguir aproveitando o facto de se tratar de ano eleitoral. Nada melhor para que estas questões entrassem na discussão corrente oferecendo ao eleitor as opções que em Democracia se colocam.


Sim, isto era o tipo de cenário que deveria prevalecer mas temo que seja bem diferente e que se enverede pela demagogia eleitoralista tendo como pano de fundo um desbragamento da despesa pública fundada na necessidade de «combater a crise», novo pretexto para todas as futuras vilanias.

Lisboa, Dezembro de 2008

Henrique Salles da Fonseca
publicado por JoffreJustino às 14:06
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

DE VENEZA A GAZA…(OU…DE COMO QUEM ANDA À CHUVA SE MOLHA…)

Não esperava que, chegado a Lisboa, fosse dos acusados de ser dos que endividam o país, adquirindo pacotes turísticos.

Na verdade, sou dos que acreditam que a economia é uma sistemática permuta, onde o ganha-ganha é essencial para que todos possamos sustentar de forma positiva a mesma.



Daí que entenda que não só não é um erro adquirir pacotes turísticos, como é, pelo contrário, positivo que os de expressão portuguesa o façam – no mínimo estão também a lembrar que Portugal e os Países de Expressão Portuguesa existem enquanto destino turístico.



Estivemos, eu e a minha mulher, pois, com prazer, em Veneza, neste fim de ano.



Turistando…



Se não tivesse ido não saberia, tão em cima do acontecimento, que, aqui ao lado, em Espanha, o salário mínimo já está nos 624 euros…com um aumento de 4% para uma inflação prevista para 2009 de 2%.



Mais, o salário médio em Espanha é de 1692 euros, para os cerca de 800 euros em Portugal, e o ratio salário médio/smn é em Espanha de 2,7 em Espanha para 1,8 em Portugal.



E a diferença seria ainda maior se atendêssemos ao impacto do SMN em Espanha e em Portugal.



Note-se que em Veneza comi, em restaurantes, óptimas refeições por valores entre os 8 e os 9 euros por pessoa, com vinho e sobremesa incluídos, andei em óptimos comboios por cerca de 1,5 euros por uma viagem do género Lisboa/Amadora e comprei um jornal diário que me custou 1 euro cada.



O problema, lamento dizê-lo, não está no nosso endividamento.



Está na crescente fragilidade da economia portuguesa, com um tecido empresarial esse sim seriamente endividado (a uma banca em geral depredadora) e em forte tendência falencial.



Um exemplo de como o Turismo é aproveitado em Veneza – passeávamo-nos, eu e a Paula pela Praça de São Marcos, enregelados diga-se, mas satisfeitos por termos tido a oportunidade de vermos uma exposição colectiva com Picasso Chagall e Dali, quando somos simpaticamente abordados por um italiano que nos diz que a autarquia de Murano nos oferecia um bilhete a cada um, para visitarmos a ilha e os seus famosos trabalhos em vidro.



Iríamos na mesma a Murano, claro, a Marinha Grande de Itália. Mas estávamos a ser, a) convidados pela autarquia; b) a poupar com tal 6 euros cada; c) a sentirmo-nos importantes.



Claro que nos maravilhámos com as peças de Murano, na fábrica artesanal que visitámos e claro que não tivemos orçamento para comprarmos as peças em vidro com trabalhos de Dali que vimos, entre muitas outras obras espectaculares.

Mas claro que comprámos as peças que cabiam no nosso orçamento.



Enquanto nos entristecíamos com o que sucedera à Marinha Grande, (e ainda não sabíamos que a Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, das Caldas da Rainha, ameaçava fechar), admirávamos o empenhamento autárquico na defesa do seu património, e a forma como orientavam os turistas para a sustentação das fábricas artesanais locais.



É o que faltou em Portugal anos a fio – maior cruzamento e empenhamento público na actividade privada, maior cruzamento no privado/privado, menos neoliberalismo inconsequente e caduco, maior noção da riqueza que é alimentar o que na economia nos pode distinguir, enquanto povos de cultura própria feitos. O problema não está nos 700 000 funcionários públicos, está sim na sua falta de mobilidade, na sua baixa qualificação e no seu corporativismo salazarento.



Alguns exemplos de como o Turismo não é aproveitado em Portugal – a forma como a Feira da Ladra, uma feira que poderá ter cerca de 600 anos, é sustentada somente pelos feirantes, sem quaisquer apoios, nem privados nem públicos, (para além da campanha que a EPAR, Escola Profissional Almirante Reis ora faz, em favor da sua requalificação); a forma como aceitamos que o Convento de Cristo esteja em ruínas; a forma como desprezamos 1/3 do património UNESCO em Portugal, em vez de o utilizarmos para rentabilizarmos o Turismo; a forma como negamos as nossas relações históricas, consanguíneas e culturais com o espaço de expressão portuguesa.



O Turismo é, sem dúvida, a actividade que mais faz cruzar os povos do mundo. Se o Hamas, em vez de ter andado a enviar nos últimos 3 meses rockets diários sobre Israel, tivesse incentivado o Turismo a Gaza, teria hoje os apoios que não tem e não teria tido esta semana de diários bombardeamentos.



Além de ter a seu lado uma população satisfeita e um Israel bem mais disponível para o enriquecimento de Gaza, que passaria a ser um enriquecimento seu também…



(Na verdade, vivi esta maravilhosa semana em Veneza cercado de noticias sobre uma Gaza em processo de autodestruição, pelo que não deixar posso de me situar perante este conflito, também aqui…)



O povo árabe está em fase de mudança. Vejam como exemplo o canal de televisão Aljazeera…



Uma parte do mesmo entende-se parte do processo evolutivo da comunidade mundial e procura, também no Turismo, as receitas que o apoiem para o desenvolvimento.



Vi tal em Marrocos, entre marroquinos que se orgulhavam, saudavelmente, do seu passado e gostavam de o mostrar. Até das Cruzadas e dos Templários comigo falaram…



No entanto, outra parte vive ainda os tempos das cruzadas, (nem imaginando o quanto enriqueceriam se em vez de grupos terroristas criassem actividades de promoção, histórico cultural das suas vitórias ao tempo das mesmas…), referindo-se permanentemente à necessidade de destruição de tudo o que for diferente da sua “cultura” (a xenófoba e agressiva) que hoje alimentam e onde delapidam as poucas esmolas que os países árabes petrolíferos lhes dão, para os calarem e manietarem em caminhos suicidários.



O Hamas é um dos exemplos desta vivencia suicidária.



E como quem anda à chuva se molha só me espanto que após estes dias todos de violência sobre ele, o Hamas não se tenha virado contra quem devia – não falando já de todos os seus “irmãos” árabes, recordo no mínimo, os seus “irmãos” iranianos, agora tão em tão grande silêncio. Onde se situa agora o fanatismo iraniano? Assobia para o lado, depois das armas vendidas a bom preço?



Coimo me espanto que em ambiente de guerra, (pois o Hamas recusou manter o cessar fogo obtido) uma ongd que me tratou de terrorista por ser dirigente da UNITA e apoiou as sanções que me puseram em estado de falência financeira, (estive 3 anos sem poder ser, em Portugal, remunerado, por imposição da ONU, da UE e do Estado Português), considere possível dizer-se que os policias, totalitários e antidemocráticos, do Hamas, não sejam alvo militar.



Quem anda à chuva molha-se, disse-mo por outras palavras a minha mãe, sempre que me meti, voluntariamente, em conflitos. E dizia-o amorosamente, não deixando de o dizer.



Pois é o que é necessário que o Hamas entenda.



Brincou com o fogo, com rockets, com fanáticos suicidas.



Queixa-se agora por se ter queimado? E porque a queimadura dói?



Que olhe para Marrocos e que aprenda.



Enquanto que em Portugal (e no espaço de expressão portuguesa), devamos olhar bem mais atentamente para as Venezas do Mundo e aprender com elas, com as suas autarquias, com apoio que dão às actividade privadas, geradoras locais de emprego e riqueza.



Tendo em conta os seus Patrimónios.





Joffre Justino

Director Pedagógico

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publicado por JoffreJustino às 16:36
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