Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Inaceitáveis actos de Intolerância

O Primeiro Secretário do MPLA em Kamakupa e Vice-Administrador municipal na mesma localidade, sita na província do Bié, é acusado de ser o autor moral de actos de violência sobre o espancamento de duas cidadãs angolanas, nos dias 20 e 21 de Janeiro deste ano, pelo simples facto de serem simpatizantes da UNITA.

Felizmente que casos deste teor se têm vindo a mostrar raros.

Mas precisamente por o serem, devem ser energicamente rejeitados e denunciados, pois são prova de uma intolerância inaceitável em um país que viveu de 1961 a 2002 em quase permanente estado de guerra e que, a permitir-se continuar com atitudes deste teor, tenderá a ver ressurgir, em plena fase de pré processo eleitoral, a tensão social e politica anteriormente vivida.

As vitimas terão sido duas senhoras - a Sra. Ruth, que pelas 16 horas do dia 20 de Janeiro foi agredida pelo próprio marido, Félix Chimbuanga, por ter recebido em sua casa uma delegação da UNITA vinda do funeral de Aurélio Ciengo e a jovem Cristina Jamba de 22 anos de idade, agredida a 21 de janeiro .

No primeiro caso, o agressor terá entendido referir que terá recebido orientações do Vice - administrador e 1ºSecretário do MPLA em Kamakupa, Albertino Paz Satunga, que terá proibido quaisquer contactos com indivíduos da UNITA.

No segundo caso, o argumento da agressão é o facto da jovem em causa ter levado consigo o seu cartão de membro da UNITA, e ter-se hospedado nos anexos da casa do primeiro Secretário municipal do MPLA, Albertino Paz Satunga, na Rua 5 de Kamakupa.

Neste ultimo caso, a agressão levou a que a Jovem esteja a receber tratamento médico no hospital municipal de Kamakupa.

Estamos em ano eleitoral e estes momentos acirram ânimos, fazem recordar emoções antigas e conduzem a actos de vandalismo puro, como os acima referidos que, a serem verdadeiros, exigem o repúdio de todos os angolanos e a tomada de medidas que impeçam a sua generalização.

Não sou dos que acreditam que este estado de espírito venha a ser o dominante nesta fase eleitoral que Angola viverá.

Na verdade, pelo contrário, estou em crer que nem o MPLA nem a UNITA aceitarão que seja este o ambiente político em Angola, depois de 5 anos de uma Paz significativa em quase todo país, à excepção do vivido em Cabinda.

Nesta região, como sabemos, Angola vive a fricção resultante dos desejos autonomistas de parte significativa, se calhar a maioria dos cidadãos de Cabinda, acirrados também por interesses estranhos a Angola, pelas razões conhecidas – o petróleo e a má gestão desta produção quanto ao seu impacto regional.

No restante país, vive-se um ambiente que potencia uma campanha eleitoral que poderá ser dinâmica, mas não violenta.

Vi também, recentemente, noticias (e vinham de meios das Nações Unidas), segundo as quais o governo de Angola pretendia impor uma política de genocídio em Cabinda.

Não me parece que tais notícias sejam credíveis, sendo certo que a conflitualidade em Cabinda é enorme e geradora de uma violência que poderá aumentar nesta fase eleitoral.

É no entanto verdade, pelo que sei, que a repressão é o ambiente dominante em Cabinda, o que é, já o referi, um erro de palmatória por parte do Governo de Angola.

Mesmo assim manter-me-ei optimista quanto ao ambiente dominante no processo eleitoral.

No entanto, urge denunciar erros do tipo dos que acima relato, de forma a conter aqueles que vivem ainda em um estado de espírito revanchista.

Os e as militantes e simpatizantes da UNITA têm todo o direito de expressar publicamente as suas simpatias, e os seus projectos políticos para Angola.

É a regra essencial da Democracia – a livre expressão da Opinião.

Mais, a livre associação publica com os e as que com ele(a) defendem os mesmos pontos de vista, dimana dessa mesma regra.

Não confundamos, entretanto, a arvore com a floresta.

Um caso, não faz o caso.

Mas, em Democracia e em momentos de tensão como são o pré eleitorais, há que prevenir e denunciar o erro.

E aqueles que como eu o que mais desejam é a Democracia em Angola, têm como dever denunciar o erro, o um caso, sem fazer dele o caso.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:49
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ASAE, DE NOVO…

Vi ontem, a 27.01, na televisão, nem interessa qual, Mendes Bota, dirigente regional algarvio, (porque ele é mais dirigente regional que dirigente partidário, reconheçamo-lo), a denunciar a ASAE como a nova Pide, (um pouco ao estilo das acusações do MRPP dos anos 75, e essas muitas vezes justas, quanto ao COPCON…), como vi o actual dirigente do PSD, Luis Filipe Meneses, a compará-lo com o FBI…



Perdemos a cabeça, aqui, por este jardim à beira mar plantado.



Sabemos, todos, porque todos lá vamos, o que se passa pelas Feiras do Relógio deste país – vende-se por lá o refugo, o que não passa pelo controlo de qualidade das exportações portuguesas e, porque os nossos rendimentos são o que são – baixos – compramos o refugo porque é de baixo preço e, tirando algum pequeno, as mais das vezes invisível defeito, usamo-lo com gosto.



O mercado interno vive, em boa percentagem, assim, de cerca de 15 a 20% da nossa economia, a que não passa no controlo de qualidade, e a esta acresce ainda os excedentes de produção, vendidos também a baixo preço para não ocupar os armazéns deste país.



Esta é a nossa realidade de consumidores. Esta é a nossa realidade de produtores.



Pelo menos 1/3 do consumo interno, garanto-vos, centra-se no refugo e no excedente de produção.



E enquanto tal suceder teremos baixas remunerações, que alimentarão os refugos e os excedentes, pois aliam-se aos mesmos, assim como a baixa produtividade, a não qualificação das Pessoas, escolar e profissional, o desperdício resultante de investimentos errados e a impossibilidade em contarmos em Portugal com uma Banca que invista na economia.



Alguém terá de entender a necessidade do combate ao laxismo na actividade económica, como alguém terá de entender a diferença entre o que é realmente actividade artesanal e a actividade laxista.



Um leader partidário pode não concordar com uma regulamentação específica. È alias o seu dever, explicitar o desacordo.



Tem também o dever de apresentar alternativa legislativa sobre a matéria.



Falta regulamentar a actividade artesanal?



Está evidente que sim.



Essa actividade não deve ser forçada a cumprir o que um restaurante, uma pastelaria, uma fábrica têxtil, etc têm de cumprir?



Sem dúvida alguma.



Proceda-se como deve ser e apresente-se uma regulamentação para a actividade artesanal, que estabeleça o que é essa actividade e o que é que ela tem de cumprir.



Mas não se defenda a falta de qualidade, o desperdício, o erro, a baixa produtividade, os baixos salários em nome da actividade artesanal.



Ainda o ano passado apresentei uma queixa por causa de um vestido, bem caro que a minha mulher comprara e que, quando visto mais atentamente em casa, tinha um evidente defeito de fabrico e sei bem o difícil que foi recuperar a verba dispendida e, claro, só depois de ter feito queixa à ASAE do sucedido.



A queixa foi o único argumento que fez recuar o produtor – uma estilista famosa na praça portuguesa…e a ASAE foi a entidade que se fez sentir para que o consumidor tivesse o direito que era evidente que deveria ter.



Parece que hoje se confunde tudo para que fiquemos, em tudo, na mesma – com baixos salários, com baixas produtividades, com fraca presença no mercado global, com uma banca miserabilista que vive á custa das dificuldades dos consumidores, etc.



Não podemos continuar neste estado de coisas.



A ASAE cumpre um papel na sociedade – impor regras de qualidade na actividade económica.



Lamento dizê-lo.



Penso também que todos concordaremos que a actividade artesanal exige outro tipo de regras.



Penso claro que todos concordaremos que urge manter a sopa de pedra, o tremoço, o cesto de vime, o pão a lenha, a tripa, os enchidos caseiros, o vinho americano, o vinho a copo e a jarro, etc.



Regulamentemos então, como excepção devida, essa actividade.



Mas não deixemos de lado, como irresponsável, como “artesanal”, o que não o é.



Temos de ter tempo para nos adaptarmos nos cafés, restaurantes, espaços públicos ao não fumo?



Saibamos então criar legislação para tal, dando tempo para a adaptação.



Porque na verdade, mais uma vez, quem paga é a produtividade, ( ou ninguém entenderá que sair para a rua para fumar um cigarrito, não origina baixa de produtividade? E que deveria caber às Tabaqueiras pagar o vicio que geraram?).



Este debate, politiqueiro, partidareco, sobre a ASAE, está a tornar-se ridículo.







Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:47
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

um texto deliciosamente critico do meu amigo Carlos Muralha

Amigo Joffre,



Concordo contigo, aliás há coisas que parece que são coincidências, pois era para te escrever hoje a propósito do Prós e Contras de ontem sobre esta polémica recente da lei do Tabaco. Mas já lá vamos, primeiro vou fazer um comentáriozito ao teu texto abaixo que conforme disse de inicio concordo absolutamente.



1) Acho muito bem que logo no inicio do teu texto esclareças o aproveitamento politico que o PP está a fazer das ideias que nasceram á Esquerda e só não foram desenvolvidas por verdadeiros democratas porque o governo de direita e os grupos de pressão de direita que nos governam neste momento não o permitiram. È absolutamente vergonhoso o aproveitamento politico do PP ao dar possibilidade á população de poder participar (ou reclamar, como quiseres) sem dar o devido crédito e mérito aos grupos de Esquerda que tiveram estas ideias mas foram castrados na sua liberdade.

2) Em relação há perseguição de que foste alvo somente um governo de direita chefiado pelo António Guterres (1999-2002) poderia iniciar um dislate desses.

3) Não estive recentemente em Paris, mas tenho tido a felicidade nos últimos anos de ter estado em Bruxelas, Milão, Roma, Florença, Veneza, Zurique, Londres e Madrid e posso confirmar que aquilo que tu viste em Paris é igual em todos estes locais, aliás só assim acontece porque os governos de esquerda que estão no poder não têm a subserviência e porque não dizê-lo a falta de coragem e verticalidade que o nosso governo de direita tem.

4) Em relação ao mau serviço prestado pelos locais que frequentas, este teu amigo que como sabes tem muito mau feitio defende que somos nós que o podemos resolver. Assim e para o caso de não saberes existe pelo menos 20 a 30 locais num raio de 1Km de tua casa onde podes comprar os jornais e 40 a 60 locais onde podes tomar o café exactamente há mesma distancia. Eu por exemplo quando habitava em Lisboa (zona da Pç. Chile) deixei de ir a dois cafés onde fui mal servido, três vezes seguidas, apesar de os frequentar há mais de 20 anos. Bom mas isso sou eu que sou de esquerda.

5) Se me permites uma pequena discordância, penso que o problema não é em primeiro lugar falta de formação cívica e profissional (apesar de compreender perfeitamente porque é que dizes isso) mas sim falta de educação e isso é muito mais difícil de resolver porque nasce e cresce no seio da família e da escola (pré-primária e primária). Aliás eu que tive a felicidade viver num regime de esquerda durante muitos anos ainda me lembro por exemplo dos puxões de orelha que levava nos transportes públicos se não me levantava para dar o lugar a uma pessoa mais velha, ou os olhares do meu pai se por acaso interrompia um adulto quando ele estava a falar ou me metia nas conversas que não me diziam directamente respeito, ou das regras de boa educação e civismo que tinha de cumprir na escola perante contínuos e professores, etc. etc. Mas enfim isso sou eu que tive a felicidade de viver num regime de esquerda. Desde há 35 anos, mais ou menos, que vivo num regime de direita e habituei-me a ver as crianças a fazer birras no supermercado sob os olhares condescendentes dos pais, pois educar é castrar os meninos, habituei-me a ver os alunos faltarem ao respeito aos professores pois estes têm de ter em atenção os meios sócio-economicos das crianças, habituei-me a ser mal tratado nos espaços públicos pois isso do cliente ter razão é um revivalismo salazarista que não pode ser alimentado, habituei-me a toda a gente se tratar por tu pois respeitar no trato é fascizante e castra a verdadeira igualdade do ser humano e habituei-me a muitas mais coisas que só nestes governos da direita portuguesa (atenção a este pormenor) é que felizmente existem estas preocupações.

6) Concordo também contigo quando dizes que o Sr. António Nunes tem todo o direito de fumar uma cigarrilha pois isso é exercer livremente o seu direito de consumidor. Aliás longe de mim pensar que ele o fez por se considerar acima da lei. Aliás neste país tão bem comportado e obediente em relação ás directivas comunitárias os governantes não se acham acima da lei, aliás só quero acreditar que o Nobre Guedes fez uma casa de 250 m2 no parque protegido da Arrábida porque não era governante e se a Dra. Maria Silva fez uma moradia de 400m2 (não é exagero) em cima das dunas do Guincho não foi porque entre o Maria e o Silva tinha o apelido Espírito Santo, e o vice presidente da Câmara de Vendas Novas se tem postes de iluminação da EDP dentro da sua propriedade privada não é por ser vice presidente da camara e líder do PCP no conselho, etc., etc. Porem já agora o que não percebo é porque é que após o Sr. António Nunes ter fumado a cigarrilha veio o Sr. Boy George (diz lá se não é parecido com mais 20 anos em cima) dizer que a lei não se aplica aos casinos.

7) Aliás atacar a ASAE é um pouco como dizer mal de um jogador de futebol do nosso clube e não se referir ao Presidente que o comprou. Ou será que estou a ver mal o caso.





Agora e após os comentários que já vão mais longos do que eu pensava, gostaria de te propor uma ideia que eu tive ontem durante o Prós e Contras da RTP1, ouvindo o Sr. Boy George director geral de Saúde. Para alem de ter ficado mais esclarecido em relação á lei do tabaco, pois segundo o dito Sr. ela não se aplica a Casinos (porra que os gajos estão ligados ao Stanley Ho e ainda pode vir para aqui alguma tríade) não se aplica ás discotecas (porra que esses gajos têm armas e não são para brincadeiras) não se aplica aos bares noturnos (porra que aí podemos meter-nos com o negócio da noite e já nos basta o Apito Dourado), não se aplica a fábricas de automóveis e outras (porra que nos faz falta a Autoeuropa, o IKEA, etc.) e para alem dela não se aplicar a todos os que possam provar ser perigosos, disse este Sr. a determinada altura e passo a citar:



- Para a degradação da qualidade do ar através de monóxido de carbono só há uma coisa pior que o tabaco, que são as lareiras e braseiras.



Ora estava eu ouvindo isto e lembei-me, e se nós iniciássemos uma campanha para proibir as lareiras e braseiras. Como é meu hábito comecei imediatamente a listar prós e contras e permissas. Assim:



PERMISSAS e PRÓS



1) Queremos que todas as portuguesas e portugueses morram saudáveis

2) Cerca de 75% da população vive nas grandes cidades e não tem lareira.

3) Os habitantes das grandes cidades são fast-food depentes a todos os níveis inclusive mental, se nós dissermos que é uma directiva comunitária eles compram e apoiam.

4) Se mesmo assim não chegar podemos sempre acenar com os fundos comunitários que podemos perder se não o fizermos

5) Podemos completar o plano de desertificação do interior agrícola e florestal.

6) É bom para a floresta e para a especulação de madeiras para lareira. Teremos o apoio das organizações ecologistas. È preciso ter em conta que os dirigentes destas associações nunca viram um frango ou uma perdiz a não ser no prato, por isso comem tudo.

7) Os inspectores da ASAE terão de ir para o interior do país, como o TOM TOM não cobre a maior parte dos caminhos rurais, com alguma sorte vão-se perder e desamparam a loja.

8) Outras que agora não me lembro.



CONTRAS



1) O Sr. Antonio Nunes e o Sr. Boy George têm cara de quem tem lareira em casa

2) Os nossos patrões europeus quando nos vêm visitar nas férias apreciam uma lareirazinha



Mas enfim não custa nada tentar e sempre nos dava uma visibilidadezinha.



Abraços

Carlos
publicado por JoffreJustino às 12:07
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A ASAE NA BERLINDA….

O Partido Popular, e bem, abriu uma relação directa com os eleitores, via Internet e terá recebido, segundo o PUBLICO, 323 relatos de irregularidades na intervenção do elementos da ASAE.



Na verdade, compete aos partidos políticos incentivar a participação dos Cidadãos na vida pública e esta iniciativa do PP é, assim e em si, exemplar.



Houvera mais actividade deste tipo e teríamos uma Democracia mais participada, mais dinâmica e mais fortalecida.



E, note-se, sou um cidadão de Esquerda.



Por o ser é que me espanta esta sanha contra a ASAE que não nasceu à Direita, (quem “anda” na INTERNET sabe-o), mas sim em meios assumidamente marginais aos meios políticos institucionais.



A ASAE tem exagerado?



Se fosse só a ASAE a exagerar em Portugal, estaríamos bastante bem.



Eu fui, entre 2001 e 2004 alvo de uma perseguição institucional que me forçou a vender as quotas das sociedades onde as tinha, por ser acusado e julgado, sem julgamento note-se, em mera decisão administrativa, de ser dirigente da UNITA onde, (a minha acusação é somente essa), desenvolvia “actividades políticas”.



Está escrito nos sites das Nações Unidas, da União Europeia e em Despachos do Governo Português.



Durante esse processo cheguei a descobrir que, tendo eu como único BI o português, (Angola nunca aceitou dar-me um BI de Angolano…), não existia, segundo a Segurança Social, em Portugal…



Kafkiano mas verdadeiro.



Estive recentemente em Paris.



Aí vi vinho a ser vendido a copo, ou a jarro, vi cães a entrarem nos restaurantes e a ficarem com o dono enquanto este almoçava, e vi queijos com bolor nas mesas, como nos casos concretos dado o queijo que era, o têm de ter.



Não vi também copos de plástico, nem azeite em recipientes de plástico.



Mas, na verdade, e ao contrário do vivido em Portugal, tudo era exemplarmente limpo e o vinho não era baptizado, nem com água, nem com qualquer outra mistela…







Também os cães estavam visivelmente treinados, e os donos não necessitaram, uma única vez, durante uma refeição inteira de mais de 2 horas, de dizer sequer o habitual senta-te!



Ainda, em um restaurante e por erro meu, (má interpretação do francês), escolhi um prato que simplesmente detesto e mal o disse ao empregado ele levou o mesmo e trouxe a ementa para escolher outro prato sem me levar mais por isso.



Em todos os empregados vi um sorriso, um gesto de delicadeza e uma compreensão significativa pelo meu mau francês.



Chama-se a isto FORMAÇÃO.



Cívica e Profissional.



O mesmo não posso dizer sobre o café onde aos sábados tomo o meu cafésito matinal, onde o resmungo é significativo, o copo de água eu que o apanhe num canto em um jarro e um copo, e onde tenho de ouvir os dislates do namoro do dia anterior inter empregados.



Ou na tabacaria onde, aos sábados, me é vedado mexer nos jornais diários mesmo que compre um deles, (alias, a colecção habitual deles…).



Ou em livrarias, onde o funcionário desconhece o mais simples dos autores…



Para não falar da total falta de higiene, visível, nas cozinhas dos restaurantes de Lisboa em geral.



Ou da enorme quantidade de cães e animais “domésticos” abandonados por esse país fora…



Ou a má vontade generalizada dos funcionários nos supermercados, das lojas em geral dos Centros Comerciais.



Ganham mal, vivem mal, sentem-se mal e com razão.



Os patrões, pelo seu lado, em geral, pagam verdadeiras indecências por um arrendamento de uma área ridícula, e sofrem horrores para obter uma autorização de abertura.



E como os Clientes compram cada vez menos, cada vez mais se vêm mais patrões a vender os restos para as feiras do relógio de Portugal.



Casa onde não há pão toda a gente ralha e ninguém tem razão, eis o nosso problema.



Falta de Formação.



Cívica e Profissional.



Ao que se adiciona o facto de termos os preços de Paris para os salários de Marrocos, (exagero agora um pouco, sorry).



Sabiam que é obrigatório que cada trabalhador tenha 36h anuais de Formação? Escolhida pelo próprio?



Sabiam que ninguém cumpre esse preceito legal?



A ASAE exagera?



É bem possível que exagere.



Mas quando António Nunes, responsável pela ASAE, usufrui do seu direito de Consumidor e fuma um charuto em um casino, sabendo ele que o fazia em direito próprio, os jornalistas, o público, nós enfim, e a Direcção Geral de Saúde caiem em cima dele.



E já não é exagero.



O homem não pode fumar.



Idêntica à ideia de uma qualquer associação que incentiva ao que parece à denúncia dos fumadores e à lei que o incentiva também.



Fumei anos a fio e em muitos deles 3 maços por dia.



Hoje não o faço, por opção e sou dos que entende que o anúncio existente nos maços de cigarro dizendo que o tabaco mata é somente um incentivo ao desejo, inato em nós, de suicídio.



Pois o ridículo é proibir o tabaco e manter as Tabaqueiras…



Como é ridículo atacar a ASAE e não atacar os baixos salários, a inexistência de Formação, Cívica e Profissional, ou os exagerados custos de arrendamento em Centros Comerciais.



Ou os preços à europeia com salários à marroquino.



Ou o manter-se um custo hora formando de 355 escudos em 2008, na formação financiada, quando ele foi de 900 escudos em 1986…



Atacar a ASAE?



Enfim, sei que ninguém vai gostar do que escrevi….







Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 09:47
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Um novo Texto de Carlos Muralha

Meu Irmão,



Conforme te informei hoje de manhã, tirei uma parte do dia para responder aos teus emails, os quais aliás, se outro mérito não tivessem (e têm muito) pelo menos teriam o valor de me pôr a pensar sobre os temas tratados e outros correlacionados. Assim e sobre o texto abaixo permite-me discordar de algumas afirmações que nele vêem contidas e contestar outras que não me parecem muito bem. Não irei comentar o tema sob o ponto de vista económico, pois essa é a tua área e entrar nela, com a minha formação de base, seria como desafiar o Cristiano Ronaldo para uma peladinha, ora eu para ser comido, sem me poder defender, já me basta o Sócrates. Irei pois comentar o texto do ponto de vista social, politico e filosófico, pois nestas matérias todos somos um pouco “treinadores de bancada” e prevalece o espírito critico de cada um.



Assim e como é meu defeito irei comentar ponto a ponto:



1) Penso e desejo que CGD e o Governo não tenham nada a ver com este assunto, pois se tal se vier a revelar, isso sim vai me deixar preocupado, pois eu também sou cliente do BCP e se o governo do banco (ou melhor dito o desgoverno) vai alinhar pela bitola das instituições acima referidas então é a desgraça completa.

2) Do meu ponto de vista a CGD e os grandes accionistas não resolveram nada, pois como muito bem te deves recordar até 5ª Feira da semana passada, a balança estava a pender cada vez mais para o Cadilhe. Ora na 5ªFeira aconteceu um facto que alterou completamente o jogo que foi o anuncio publico do apoio da Sonangol (pequeno/médio accionista) á lista do Santos Ferreira. Basta atentar nos interesses dos grandes accionistas (Teixeira Duarte, EDP, José de Mello, Fortis Bank, etc.) no mercado angolano, para deixar de acreditar no Pai Natal.

3) Afirmar que isto é uma “guerra” entre PSD e PS é quanto a mim não o insigne economista a falar, mas sim o politico. Como insinuas em determinada altura do teu texto, a luta aqui não é politica, mas sim lobbistica. Se o Jardim Gonçalves é Opus Dei, todos sabemos (até pelos apoios recebidos á priori) quais as simpatias afectas a Santos Ferreira e ao Cadilhe.

4) Penso que falar de maus gestores, referindo-nos ás anteriores gestões do BCP é no mínimo perigoso. Afinal foram eles que mal ou bem fizeram do banco o que ele é neste momento. O mesmo já não poderemos afirmar da continua delapidação dos patrimónios e das gestões dos bancos públicos (CGD incluída) apesar das regalias e privilégios a eles outorgadas pelos sucessivos governos.

5) Continuar a falar da herança de Salazar e Caetano, penso ser um discurso absolutamente descabido e que fica mal a quem diz ter lutado para acabar com esse sistema, se não vejamos. O Salazar pegou no país em 1928 (depois da primeira republica ter feito o que fez, nem vale a pena referir) e desde 1935 (7 ANOS SOMENTE) que os políticos e governantes de então não faziam referencias á pesada herança da 1ª Republica. Porquê então os políticos de agora (34 ANOS DEPOIS NÃO 34 MESES) continuam a desculpar a sua incompetência e falta de visão com o Salazar e o Caetano. O Salazar nunca recebeu milhões da CEE ou de outra qualquer instituição, antes pelo contrário até os recusou (Plano Marshall) e mesmo assim deixou o cofre cheio para que esta classe politica desbaratasse até 1984 (9 anos para gastar o que se poupou em 40 com uma guerra dispendiosa pelo meio).

6) Quanto á classe média como sabes quem acabou com ela foram estes governos, não o Salazar ou o Caetano, pois ainda á bem pouco tempo atrás ela existia.

7) Quanto á questão do voto isso irá ficar para outra ocasião pois aí tenho um texto talvez mais longo do que este.



Abraços

Carlos Mata Muralha
publicado por JoffreJustino às 14:03
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O MEDO DOMINA, MAL, O PAÍS…

Exceptuando os que nada sabem, ou sabendo de nada se preocupam, o Medo domina Portugal.



As regras da Economia de Mercado aproximam-se de Portugal e os tempos do vale tudo tendem a deixar de existir. Enfim, o “neoliberalismo à Portuguesa” tende a ter os dias contados, mas seguindo um mau caminho – o do Medo.



O Medo é positivo? Não o Medo é um estado de espírito profundamente negativo e em nada ajuda na resolução dos problemas do país.



Mas porque existe o Medo? Porque o sistema financeiro português está a mostrar-se nu. E mostrando-se está a demonstrar que não serve a Comunidade, como qualquer sector o deve fazer, e que sim tem servido somente uns tantos dentro da Comunidade.



No rules, eis o que os neoliberais serôdios defendem, não dizendo no entanto nunca que o no rules significa, no rules para nós…ora o no rules implica na verdade a existência de regras caso contrário o que domina é a pirataria – o sector de actividade que fez as delicias dos ingleses contra as naus portuguesas e espanholas por exemplo, ao tempo do iniciar da expansão inglesa.



Ou, mais recentemente, o Chile de Pinochet, e, de seguida, o sucedido na Federação Russa que a conduziu quase que à miséria e, claro, ao Chelsea.



Fukuyama, um neoconservador, já explicou bem que, infelizmente, têm que haver regras. O Ser Humano não é perfeito e a inexistência de regras conduz sempre – à lógica da pirataria.



É pirataria o que a Nike faz no Vietnam, pôr pessoas a trabalharem “12h dia por uma malga de arroz”.



É pirataria os empresários chineses invadirem o mercado mundial com produtos feitos ao custo de uma malga de arroz.



Porquê?



Porque a economia passa a centrar-se em actividade baseadas na concorrência desleal, pois nem todos têm a oportunidade de deslocalizações “tão favoráveis”.



A Globalização centrada na pirataria, no no rules, tende a acabar. Teve os seus vinte anos brilhantes, mas tende a acabar.



Porquê?



Porque a economia de mercado feita na base da pirataria não se compadece com a Democracia, necessita da Ditadura, de consumidores domesticados, anulados.



Mas a livre escolha no Mercado não se compadece com Ditaduras.



É esta incompatibilidade que está a pôr em causa os neoliberais de pacotilha como, se não me engano Vasco Polido Valente os denominou.



E, claro, a pirataria.



Os capitães Drake, têm um tempo de duração limitado e nos dias de hoje esse tempo é cada vez mais reduzido.



Porque a Livre Escolha no Mercado implica cidadãos com capacidade económica e o tempo do cidadão chinês necessitar de uma semana de trabalho para comprar uma Coca Cola está a acabar.



Porque o Mercado Chinês necessita também de Livre Escolha e a Livre Escolha implica a Democracia.



E o próprio Partido Comunista Chinês o sabe e saberá preparar-se para tal.



Na verdade, a diferença entre o PCC e o PCUS sempre foi esta. Saber preparar-se para o inevitável.



E o que tem a ver tal com o Medo em Portugal?



Tem imenso.



A Cultura da Economia de Mercado, que é a Cultura da Cidadania, demorou a implantar-se em Portugal.



Ainda não está implantada em Portugal.



Durante anos alguns viveram à custa da inexistência dessa Cultura, defendendo a teoria da “mão invisível” que tudo equilibrava e tudo limpava.



Spiglitz, prémio Nobel da Economia de Mercado já demonstrou que a “mão invisível” não existe – ao fim ao cabo sendo invisível só podia não existir – e que a diferenciação no acesso à informação gera, por si, a diferença na economia, o desequilíbrio.



Ok. Durante uns anitos, que se iniciaram na década de 60 do século vinte, Portugal deu a oportunidade a uns tantos, de, tendo acesso a mais informação que outros, conseguirem atingir fortunas desmedidas.



O vinte e cinco de Abril de 1974, mas sobretudo o onze de Março de 1975, baralhou um pouco esta realidade, por maus caminhos, mas baralhou.



Lá pelos princípios dos anos 80 do século vinte, “tudo se recompôs”.



E a Globalização ajudou uns tantos. Os offshore, as Bolsas de brincadeira, recompuseram a “mão invisível”.



Só que os tempos são outros, e o momento da pirataria está, de novo, a findar.



A complacência da carta para trás, carta para a frente, acabou.



E, claro, o Medo implanta-se. Será que o BCP irá sobreviver? E se não sobreviver o que poderá acontecer?



Daí que, insisto, o bom senso da CGD, em apoiar quem iria arriscar na imposição da mudança no BCP, só pode ser entendido como um acto saudável.



Não está a ser, ainda.



Não é importante que Jardim Gonçalves seja ou não da Opus Dei, ou que para a nova versão do BCP se tenha perfilado um Maçon, ou que Cadilhe seja da Opus dei.



Porque a imposição das “new rules”, as da Globalização de hoje, não estão a nascer de dentro de Portugal, mas sim de fora de Portugal.



Porque não se pode pensar que se globaliza, sem aceitar as “new rules”.



E não chega cantar loas às Ética e Responsabilidade Social. É-nos imposto, é sobretudo imposto aos muito grandes e grandes empresários, cumprir e viver a Ética e a Responsabilidade Social, para se estar na Globalização.



Deveriam ter estudado um pouco melhor a lição que, gratuitamente, a Associação Portuguesa de Ética Empresarial, ( ver www.apee.pt) tem procurado ensinar.



Porque estar na Globalização é estar na economia das “new rules”.



Para mal dos ditos “neoliberais de pacotilha” e para bem dos Consumidores, mas também dos Fornecedores, dos Clientes, dos que compõem as novas e obrigatórias Parcerias, na economia.



O Medo da Mudança, que é o que estamos a viver em Portugal, é um Medo errado.



E as Mudanças nem sempre se fazem por caminhos esperados…Deus escreve direito em linhas tortas.



Mas faz-se.







Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 14:01
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Um texto de Ariane Morais - Abreu

Queria reagir ao seu artigo " Nao ha liberais em Portugal..." publicado no Liberal em dezembro passado. Queria dizer que gostei do tom deste artigo que ousa denunciar uma perigosa deriva da politica actual. Concordei em quase tudo fora a sua apreciaçao sobre o Nicolas Sarkozy, o meu presidente, porque sou cabo-verdiana naturalizada em França. A atitude deste business-presidente deve sempre ser analizada nos dois angulos contraditorios e opostos porque o forte deste é o sentimentalismo e a versatilidade que escondem na realidade a sua alienaçao total ao neoliberalismo como também ao neoconservatismo. Pois ele é a continuidade populista e devastadora do Chirac que, no final de decenias de politica nos mais altos cargos, deixou uma França em guerra contra si mesma. Acho que as rivalidades entre estes dois homens era falsa e conjuntamente orquestrada.



O Sarkozy, filho de imigrante nazi, nao pode promover outra coisa senao a continuidade dos males que devoraram a Europa e o mundo ha meio seculo e que pelos vistos ainda estao esfomeados. Demostra um profundo complexo (que bem conhecemos nôs os e/imigrados) assim como a ambiçao e o arrivismo dos que pensam o dinheiro superior a tudo. O passado escreve-se hoje com estes "mutants" da politica liberal que pensam governar o mundo. Mas Sarkozy pertence a raia miuda desta nova especie e corre a lingua pendente atras da bençao dos "big boss" ingleses e americanos. Ela esta a saquear tanto a França como a Europa, nem falamos do resto do mundo e em particular de paises como o meu. O tratado simplificado é um veneno a mais e demais...



Pois nesta tragicomedia somos vocês os portugueses e nôs os caboverdianos os "dindons de la farce". A ,por final, dita "parceria especial" de Cabo Verde com a UE, por exemplo, so anuncia retrocesso e involuçao tanto para CV como para a UE, manipulada pela ambiçao e iresponsabilidade do cavalo de Troia que é o commisario Barroso. A historia europeia ja nos ensinou o que significa tratamento "especial" e sou daqueles que condena este neocolonialismo escondido, puro e duro e selvagem que protagonizam com a distinçao discriminatoria do meu pais que nao é exemplo nemhum para nemhum pais africano. Regozijam os politicos cv mas a realidade é feia e suja atras da vitrina.



Concluindo acho que merecem os nossos povos maior atençao e respeito porque sem eles nao seria nada os nossos paises. Acabo de ler a americana Wendy Brown sobre o neoliberalismo e o neoconservatismo e aconselho esta leitura a todos aqueles que se questionam sobre o (nao) sentido da politica globalizada actual. Os politicos cabo-verdianos compreendêm patavina desta nova realidade politica, infelizmente para o pais e a populaçao sobretudo!!


Boa continuaçao neste 2008!



K'morabeza,

Ariane Morais-Abreu
publicado por JoffreJustino às 13:21
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Uma resposta acesa...da Paula Raimundo

É assim mesmo …dá-lhes que eles merecem. Pena é que sejam só com palavras porque o que me apetecia era mesmo vê-los a todos a contar, com palitos de fósforo que são mais pequenos e por isso demoram mais tempo, os metros da cela.



Como vês sou muito mais céptica do que tu nos que diz respeito tanto à classe política como aos “gestores de topo” que andam há muitos anos nisto e por isso já ganharam calos e com eles (calos) vícios difíceis de se libertarem ( comportamentos desviantes, no sentido literal do termo, agudos e permanentes )



Paula Raimundo
publicado por JoffreJustino às 08:49
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

…E a Economia de Mercado?

“…a interferência
descarada dos poderes
públicos na vida das
sociedades privadas,
condicionando decisões
que deviam ser da
exclusiva responsabilidade
de accionistas”
(in, editorial do PUBLICO
De 16.01.08)


Ficámos a saber, por este editorial do PUBLICO qual o, muitíssimo, baixo índice de intervenção de pequenos accionistas no maior Banco privado português – o BCP…560 pequenos accionistas. Será que só existem 560 pequenos accionistas no BCP?

Ficámos ainda a saber, que, quando entidades do Estado, como a CGD, intervêm, adquirindo acções no sector privado, como sucedeu no BCP, este sector não o recusa. Mas que quando a mesma entidade decide intervir, votando em uma Assembleia de accionistas – acha o mesmo que ela comete um pecado de lesa majestade.

Não sou accionista do BCP, mas sou cliente deste Banco.

Em especial desde que começou a admitir mulheres nos seus postos de trabalho disponíveis, o que era recusado ao nascimento do Banco, como todos se lembram, pelo anterior “patrão” do BCP.

Preocupou-me pois e bastante, (tenho no BCP as minhas poupanças), a crise em que este Banco viveu.

E bato palmas porque a CGD em conjunto com um grupo de, grandes, accionistas, ajudou à resolução da crise no maior banco privado português.

Santos Ferreira é, pois, para mim e muitos dos clientes do BCP, um exemplo do bom senso que deve predominar na gestão bancária e note-se que o sistema bancário português não é particularmente estável – basta ver as consequências do consumismo exagerado no crédito mal parado do mesmo sistema.

Jardim Gonçalves criou, alimentou, e incentivou a crise no BCP. Era, disse-se sempre, um dos “patrões” da Opus Dei.

E não se portou enquanto cristão, nos seus negócios familiares.

Nos EUA, muito provavelmente, estaria preso e mais – os pequenos accionistas da Banca americana não perdoam os abusos do tipo dos praticados pela gestão gonçalvista.

Infelizmente, em Portugal, no imediato momento em que uma parte da banca procura estabilizar o sistema poupando um Banco em profunda crise interna a uma crise de mercado, que apesar de tudo está a acontecer, veja-se a baixa de cotação das acções do BCP na Bolsa de Lisboa, existe logo quem procure o fantasma, (neste caso o partidarismo), e não o culpado, o mau gestor, para mais um golpe de sobrevivência.

Cadilhe é do PSD, e o PSD tinha, (em Portugal é obrigatório), de afrontar Santos Ferreira, do PS, pela simples razão deste o ser.

Cadilhe fica pois como o leader dos pequenos accionistas do BCP:

Mas questiono. Existe algum capitalismo popular em Portugal quando o seu maior banco privado só consegue apresentar em Assembleia Geral 560 accionistas?

Existe Bolsa de Valores em Portugal quando, quanto a pequenos accionistas, é este o valor que se apresenta na Assembleia Geral do maior banco privado de Portugal?

Tatcher morreria de vergonha….e até Bush coraria.

Coube e ainda bem, à CGD, a função estabilizadora de uma crise que só demonstra que os grandes financeiros portugueses se limitam a jogar ao Monopólio, em vez de jogar numa Bolsa de Valores.

Porque todos esperamos que a Bolsa de Lisboa mude rapidamente de figura e passe a ser uma Bolsa onde predominem as pequenas aplicações de pequenos accionistas na muito grande empresas portuguesas, o que não sucede hoje, como se vê com o BCP – 560 pequenos accionistas em Assembleia Geral.

Na verdade, nem capitalismo existe ainda em Portugal, eis a herança Salazar caetanista que o outro gonçalvismo alimentou e que ainda não se ultrapassou.

A classe média conta, assim, em Portugal – quase nada.

Na política é o que se sabe, excepto o voto, poucos mais direitos tem.

Na economia é o que se vê – 560 pequenos accionistas em Assembleia Geral no maior banco privado português.

Qualquer jornalista tornaria este facto – a noticia.

Em Portugal vira noticia o confronto PSD/PS.

É ridículo tudo isto.

Porque o que está em jogo é que a Economia de Mercado não funciona em Portugal.




Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:47
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Eleições em Angola, em 2008 – Que Óptima Prenda de 2007!

Na recente Mensagem de Fim de Ano o Presidente José Eduardo dos Santos marcou as eleições para 5 e 6 de Setembro de 2008.



Finalmente.



Cumpridas as regras cá está a garantia do inicio da Democratização do Regime Angolano à vista.



Foram 16 anos.



Não se esquecerá o passado, claro, mas viver-se-á o Futuro com mais expectativa.



No futuro imediato, aliás, não se esperam grandes mudanças. O MPLA ganhará estas eleições, provavelmente não por seu mérito especial, mas por demérito de uma Oposição que se mantém inutilmente dividida.



Creio que teremos com representação parlamentar o MPLA e a UNITA claro, a FNLA, a FPD e talvez o PRS.



Os restantes partidos mostrarão o que são – pequenos grupos de Angolanos e Angolanas.



A pouco e pouco iniciaremos em Angola uma vivência democrática normal, onde o partido do governo gerirá o Orçamento com crescente transparência – as regras internacionais cada vez mais o exigem – onde as Despesas Públicas tenderão a concentrar-se na Educação, na Saúde, nas Obras Públicas, no incentivo ao Investimento e ao Emprego e já não na Defesa, na Guerra.



Teremos bons e maus políticos, boas e más governações, legislaturas completas e incompletas, gerando eleições antecipadas.



Seremos assim um País normalizado.



A nossa economia deixará de viver de dois produtos somente – petróleo e diamantes – a informalidade da mesma tenderá a desaparecer, as regras serão crescentes, pagaremos como os outros impostos, a preocupação com os Outros exigirá uma atenção significativa na Segurança Social, na Integração dos Mais carenciados, na defesa dos Inválidos de Guerra, dos dois lados.



As remunerações deixarão de estar ao nível d e1 dólar por dia para 30% dos e das Angolanas, as crianças irão para a creche e para a escola, teremos escolas profissionais e universidades técnicas e as empresas crescerão a números que hoje não imaginamos.



Concorreremos no Mercado Globalizado com os restantes mas faremos o nosso Mercado Interno finalmente.



Falta-nos ainda eleger os nossos Eleitos Locais, (teria preferido que estas fossem as 1.as eleições), teremos certamente Eleitos Regionais, e teremos eleições Presidenciais também.



Em 2009 estaremos em Democracia plena.



Finalmente.



Dois Bons Anos nos esperam portanto.



Aproveitemo-los



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 08:57
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