Segunda-feira, 14 de Maio de 2007

Os Cidadãos de 2ª que a Loja do Cidadão parece querer manter…

Vivi hoje algo que me vai obrigar a reviver algo que pensava já ter terminado, na Loja do Cidadão dos Restauradores…

Tempos houve, já no século XX, que em Portugal existiam sete tipo de castas de Cidadãos e Cidadãs – os Portugueses que sabiam ler e escrever, pais de família, as chefe de família que soubessem ler e escrever e emprego e rendimentos certos, (estes 2 tipos com “direito a voto”…nas listas únicas claro), os portugueses que não sabiam ler nem escrever nem tinham rendimento certo, as mulheres que não estivessem na classificação acima, os “portugueses” nascidos nas ex-colónias, os “assimilados”, (africanos sabendo ler e escrever e tendo emprego e rendimentos certos), e os mestiços e negros que não sabiam ler nem escrever nem tinha emprego nem rendimentos certos, isto por ordem de importância de Cidadania “aceitável” pelo regime serôdio de Salazar.



Tão absurda era esta classificação que, a finais dos anos 50 principios dos 60, do século XX, se iniciaram uma série de artigos redifinindo estes “princípios”, por forma a provar, nas Nações Unidas, que Portugal reconhecia como Portugueses e Portuguesas quem até então nunca reconhecera.



Enfim, os temores de uma guerra colonial que veio a suceder assim o obrigavam…



Felizmente veio o 25 de Abril e a Independência das ex-colónias.



Logo a seguir ao 25 de Abril e em período que se alargou por demasiado tempo, esta ideia dos Portugueses de 1ª e de 2ª foi-se mantendo no Estado Português.



De tal forma que no Arquivo de Identificação tínhamos duas filas, (já não se pode dizer bichas…) – a dos portugueses de 1ª, os nascidos em Portugal, e a dos portugueses de 2ª, nascidos nas ex colónias.



Pensava que a Loja do Cidadão tinha terminado com tal. Pensava convictamente porque aquando da obtenção de nova via do BI aqui há uns anos, por voltas de 1995/9, nada de especial me sucedeu – nem a tal fila, (bicha), dos nascidos nas ex colónias…



Fui assaltado, roubaram-me os documentos todos e lá começou a saga da retoma dos documentos.



1º Caso, Loja do Cidadão dos Restauradores – informam-me que sem um documento, qualquer que fosse, não podia tratar, ali, do BI. Barafustei claro, pois foi a falta de segurança dentro de um comboio da CP, na estação de Santa Apolónia que me levara a perder os documentos.



Enfim, triste que seja o facto de um Cidadão ter de arcar com os resultados de um roubo, lá fui tratar de encontrar o passaporte…



2º Caso, Loja do Cidadão dos Restauradores, já com passaporte – informam-me que sendo eu de Moçambique, (é verdade, sou de alma e coração angolano, mas nasci em Moçambique..), não poderia tratar do BI na Loja do Cidadão, mas sim numas instalações quaisquer do Areeiro…





Veio-me de imediato à cabeça esta noção dos Portugueses de 2ª! E enquanto a minha voz se ia elevando, o mesmo sucedia á voz da sra da Loja do Cidadão, sempre em recusa do meu pedido, até que eu solicitei o Livro de Reclamações.



Então o tom mudou. A sra dirigiu-se a uma cidadã que suponho ser sua Chefe e por artes mágicas tudo se tratou…pelo menos até agora, veremos se não me surge uma novidade qualquer!



No entanto, resolvida que tenha sido a situação, a ideia de que existem em Portugal Cidadãos de diferentes níveis está de novo presente.



Numa instituição moderna –a Loja do Cidadão!



Estranho!



Quem terá tomado tal decisão? Em nome de que principio?



O da Modernização dos Serviços Públicos de certeza que não.



Esta ideia dos Cidadãos e Cidadãs de variada influencia face à Administração Pública está bem patente também na influência exagerada de alguns, veja-se o caso dos “jornalistas”. Assim, em o PUBLICO de hoje, 14.05.07, empurram os jornalistas estritamente para Correia de Campos o sucedido na Empresa Nacional de Urânio, nascida com Salazar…e fechada em 1990!



Sem qualquer referencia aos impactos do passado diga-se…



É, sem dúvida uma situação no oposto à que vivi.



O Poder demasiado versus a inexistência do mesmo, isto entre Cidadãos que, por lei e por principio, deveria haver os mesmos Direitos e Deveres, hoje, em Portugal, tal não sucede.



Maus caminhos estes…





Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:04
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Terça-feira, 8 de Maio de 2007

Uma Crise Realmente Inútil…

Quadro Comparativo 2004/2007



PSD PS PCP-PEV CDS BE MPT PND


2004 73973 37751 7590 9691 5035 -- -- -- --

2007 90339 21699 7659 7512 4186 3173 2928

Crescimento/+16366 - 16052 + 69 - 2179 - 849

Decrescimento

%Crescimento/

Decrescimento

(do total de vot.)+11,6% - 8,8% + 0,05% - 1,5% -0,6% +2,3% + 2,1%



Total Votantes 2004 137734

Total Votantes 2007 140721

% Acréscimo + 1,02%







Visto tal qual está, o quadro eleitoral mostra uma estrondosa derrota do Partido Socialista e uma muito significativa vitória do PSD – o primeiro perde 16052 eleitores e o segundo ganha 16366 eleitores.



Mais ainda, mostra duas importantes descidas eleitorais – a do CDS e a do BE, claramente em favor do MPT e do PND, mesmo que não haja deslocação de votos directa, o que é duvidoso que não tenha havido, parcelar pelo menos – enquanto que o PCP/PEV se mantém com uma ínfima subida eleitoral de 69 eleitores.



Vitória da Direita, derrota da Esquerda? Vejamos,



2007 2004

Direita - 100799 83664

Esquerda - 36717 50376



Aparentemente, houve uma fortíssima vitória da Direita, aquela concentrada no PSD. A Direita ganha 17135 votos e a Esquerda perde 13659 votos. Isto é a Direita, ganha mais que o aumento de votantes e a Esquerda não segura sequer a perca de votos do PS.



Perde pois o PS e perde também a Esquerda.



Leitura realista esta?



Não penso que sim. Parece-me que teremos de analisar estes resultados eleitorais com outra perspectiva, para entendermos estas mutações nos votos.



Dir-me-ão ganhou o Regionalismo.



É possível, bem mais possível.



A Lei que originou toda esta crise, pode ser entendida como uma pesada medida centralizadora, e, foi assim que toda a Oposição entendeu assumir esta Campanha Eleitoral.



Toda ela e não só o PSD criticou duramente o Governo e a referida Lei, juntando-se, neste campo, ao PSD.



Assim, em 140721 votantes, somente 21699 não seriam Regionalistas, 15,4% dos eleitores, os do PS/Madeira!



Vitória absolutamente estrondosa do Regionalismo, dirão?



De certa forma sim.



Mas, assumamo-lo, um Regionalismo de Direita! Pois o Regionalismo de Esquerda saiu, ele também, bastante penalizado.



O Regionalismo de Direita, Egoísta, nada solidário, ganhou, sem dúvida.



Todos tivemos a oportunidade de ver, na televisão, o sr Alberto João Jardim a explicar, numa das imensas inaugurações, que estava a cumprir um compromisso com a sra Maria, a Ama dos seus filhos, ao construir 200 metros de estrada.



Pagos pelo bolso do sr Alberto João? Pagos pelo bolso da sr Maria? Pagos pelo bolso dos Regionalistas?



Não.



Por eles todos, mas também por mim, também pelos continentais, pelos “cubanos”.



Mas que favor me fez a sra Maria para eu ter de lhe pagar seja o que for, eu um assumido anticastrista? Ou os “cubanos” todos do Continente?



Devo alguma solidariedade à sra Maria e aos Regionalistas da Madeira quando em 2006 só perdi Poder de Compra em nome da recuperação económica e financeira de Portugal, da redução da Dívida Pública?



Eu e os “cubanos” todos?



O que já não aconteceu com os Regionalistas da Madeira todos – os do PSD e os restantes?







…Ganhou o Regionalismo de Direita





Na Madeira, portanto, ganhou o Regionalismo e neste, o de Direita, porque 69 votos, os do PCP/PV, nada são.



Na Madeira, o sentimento de solidariedade português esvaiu-se e o exemplo da estrada da sra Maria é o exemplo rotundo do egoísmo do Regionalismo de Direita.



O Bem Estar de uma pequena comunidade, de uma Pessoa somente, justifica a Perca de Bem Estar de todos os Outros, se de fora da Região.



Assim, como dialogar com o sr Alberto João?



Como dialogar com o Regionalismo e neste com o Regionalismo de Direita?



Nada mais inadequado esta aposta num diálogo entre Egoístas e Solidários.



Tal diálogo fará dos Solidários não Dialogantes, mas Parvos!



O Governo, portanto, se assumir esse diálogo, passará a ter somente, mais Oposição!



A dos que assumiram que esta contenção, os eleitores do PS/Madeira, mas também todos os que do Continente, têm assumido a defesa e a aceitação deste conjunto de medidas restritivas, os que têm assumido que elas eram úteis, solidariamente, para os Portugueses em geral, os que em 2006 só perderam Poder de Compra e mantêm-se disponíveis para a recuperação do Estado Português apesar de todas as dificuldades .



Ora não pode suceder, pois, um diálogo com quem se orgulha do seu Egoísmo e recusa a necessidade da contenção para todos, por os abranger, em nome de todos os restantes eleitores deste País.



A Madeira e Porto Santo que se amanhem com o sr Alberto João e a sra Maria da estrada.



Não se trata de qualquer raivinha particular a uma sra que aparentemente terá sido uma boa profissional. Para o sr Alberto João, não para mim nem para a generalidade dos “cubanos”.



É uma questão de Solidariedade essencial no seio de uma comunidade.



Se ela não existe, nada a fazer - rompa-se a comunidade.



Senão uns serão Os e os outros serão os Tolos.



A eleição para esta Assembleia Regional da Madeira e Porto Santo não pode fazer dos Continentais os Tolos da República.



Ou, se os há, eles que se assumam e paguem a estrada da sra Maria em conta bancária aberta para o efeito!







Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 13:11
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