Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

A Libertação de Sara Wikes

Cinco anos passados sobre a morte do Dr Jonas Malheiro Savimbi, cinco anos de não guerra em Angola, cinco anos de um dos mais elevados crescimentos económicos de África e do mundo, dão-me a distanciação, o tempo, a informação analítica e a oportunidade de responder a um amigo antigo e a um amigo mais recente que pouco conheço, o Vítor Nogueira e o Luis Araújo, com carinho, amizade e frontalidade.

Fiquei contente com a Libertação da Sara Wikes.

Porque a Libertação de uma Pessoa injustamente presa é sempre um passo novo nos caminhos difíceis da Democracia.

Achei aliás que seria importante eu promover a luta pela Libertação da Sara também porque é uma luta de Pessoas que em Angola pugnam pela Democracia, inclusivamente para alguns pela Democracia Participativa, alargada portanto à intervenção activa de todos os Cidadãos e Cidadãs, como faz o Luis Araujo.

Mas começo por relevar alguns aspectos essenciais que a História Formal, a História da Verdade Oficial, a História que os documentos das Nações Unidas nunca contarão.

A UNITA, goste-se ou não dela, (eu estou afastado da UNITA desde 2005…), era uma força política com Forças Armadas, fortemente preparadas, treinadas e combatentes.

Nunca a Historia Oficial, a Verdade Oficial, contará que no preciso momento em que a direcção politica da UNITA anunciou que terminava a guerra civil, não só ela terminou, como, magicamente, nunca mais houve guerra civil, ( e já lá vão cinco anos…).

Gostava que os Historiadores Oficiais, os Contadores das Historias Oficiais, me relatassem quantos casos idênticos existem na História da Humanidade.

Nem um bando armado, ficou, do lado da UNITA, para gerar uma simples infracção a uma decisão politica da direcção da UNITA de 2002, nem uma simples ilegalidade face à legislação Angolana.

No entanto, ainda em Angola, em Cabinda, ali ao lado, a guerra civil continua, e transforma-se, cada vez mais, numa inultrapassável guerra pela Independência…

Por outro lado, o findar da Guerra Civil ainda não originou a Paz, ainda não originou a Democracia, ainda não originou o Desenvolvimento, embora já esteja a gerar, crescentemente, o forte crescimento económico que acima refiro e tal é um aspecto positivo.

E, desta vez, não se pode imputar estes “ainda não”, qualquer culpa enfim, à UNITA, ao dr Jonas Malheiro Savimbi, morto há cinco anos, em combate, que hoje, mais uma vez, recordo com saudade.

Era o dr Jonas Malheiro Savimbi, éramos nos da UNITA, perigosos terroristas, inflamados sectários, amantes da Guerra, da Violência descabelada, mas terminámos com uma Guerra Civil e ela, magicamente, findou.

Mas os diamantes de sangue continuam, a exploração desenfreada continua, quer nos campos de exploração diamantífera, quer nos campos de exploração petrolífera.

Passados cinco anos…

Não faço parte dos que acham que a GW, ou a Sara, sejam agentes de um imperialismo qualquer.

Faço sim parte dos que acham que a GW, e provavelmente também a Sara, andaram a apontar para o alvo errado durante anos, fazendo sim, com essa falta de pontaria, um espantoso jeito aos que hoje, em Cabinda, procuram analisar, no plano da Transparência que na verdade não têm.

Ainda me lembro do que está escrito, sobre a UNITA, sobre mim, nos canhenhos das Nações Unidas, no Jornal Oficial das Comunidades, no Diário da Republica Portuguesa….e dos silêncios que vivi.

Por outro lado, se fosse cínico, diria como me disseram múltiplas vezes até 2002, “Angola é um Estado Independente, escolhe autonomamente as suas políticas e governações…não nos devemos imiscuir na sua política interna, mas temos o dever de obrigar a UNITA a acatar as decisões de um Governo legitimamente e internacionalmente reconhecido”, enfim a argumentação que justificava a equiparação da UNITA ao MPLA.

Não o farei hoje, como não o aceitava e não fiz antes de 2002, 22 de Fevereiro/4 de Abril.

A UNITA não está somente militarmente desarticulada, porque nessa matéria foi ela própria que se desmilitarizou, e bem.

A UNITA vive o luto de um leader, vive o resultado de uma dolorosa mas necessária decisão - o findar da guerra civil - e busca-se a si própria num país onde a distribuição da Riqueza é brutalmente desigual, e onde se recompõe, ao mesmo tempo a elite politica e social, o que a tem afectado, tanto quanto afecta os restantes partidos políticos angolanos em particular por tal suceder no seio de um Regime pré democrático.

Finalmente, a UNITA vive uma desarticulação ideológica que também a dilacera.

A Comunidade Internacional, esta “santa” figura, que prometeu o que não devia aos Angolanos para quando terminassem com a guerra civil, até hoje, em nada cumpriu.

Simplesmente abandonou Angola e os Angolanos à sua sorte, a troco de uns míseros tostões e da Liberdade Absoluta de Comércio, o que, diga-se é apesar de tudo a base do crescimento económico vivido em Angola, o que não é nada mau, sendo e sabendo a muito pouco.

Neste contexto, Angola e os Angolanos, apesar de tudo, vivem melhor, a economia acelera todos os dias e, aceitemos, quando os EUA quiseram impor regras ao governo Angolano, este, em vez de ceder, optou por seguir a via da aliança com a RP da China, (que, ela também, não é um exemplo de Democracia e de Transparência).

Diga-se que bati palmas, pois a alternativa entre a RPC e a cedência aos EUA era de resultado nulo e sempre dá algum gozo dizer não ao Império do Mundo.

Claro que por tal, (e por outras idênticas, …) já me disseram, passou-se para o MPLA…pelo que já estou habituado e decididamente já não ligo bóia a estas maledicências.

Entretanto, o que sucedeu à Sara é inaceitável.

Porque os Estados devem reconhecer e incentivar a critica, a análise critica que lhe seja feita, interna e externamente.

Porque as empresas transnacionais devem reconhecer e aceitar a critica, a análise critica, em todos os cantos do Planeta onde estejam e por isso mesmo muitas delas formalmente reconhecem o primado da Ética e da Responsabilidade Social na sua actividade, devendo portanto cumpri-lo.

Mas, sabe-se mundialmente, Cabinda vive em cenário de guerra. E a tensão elevada que se vive num cenário de guerra conduziu o Estado Angolano, por via dos seus zelosos funcionários, a um erro clamoroso e que exige que seja emendado.

Ponto final.

Não me parece sério exigir pedidos de desculpas, como não me parece sério impedir que a Sara continue a sua investigação em Angola, toda ela, Cabinda inclusive.

Agora que toda esta história me deixa com um sabor amargo na boca, e alguma azia no estômago, lá isso me deixa.

E, neste quinto aniversário da morte do meu amigo Jonas Malheiro Savimbi, ainda mais.


Joffre Justino
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Um texto de Eduardo Birnbaum Sobre o Conceito de Vida

O texto abaixo é de Edu Birnbaum, médico, e corre na net e apesar de ter acabado o tempo das votações, continua o tempo da informação...por isso fica registado este belo texto, não meu, mas que divulguei por onde pude em tempo certo.




Infelizmente não tenho tempo para blogues, nem linha constante.

Sobre o Aborto, gostaria de dizer algo.

Para mim de facto existem muitas vidas, e portanto uma hierarquia de vidas, desde as bactéias e virus, passando pelas plantas, das moscas ao ser humano.

De facto o esperma e óvulo já são formas de vida.

Portanto primeiro temos de definir a hierarquia das formas de vida e depois de que nível de vida estamos a falar.

Penso que falamos de vida humana sómente, se bem que alguns seja vegetarinos para poupar outras vidas e os povos inseridos no seu ambiente, tinham um ritual de manifestação de respeito pela vida antes de matar um animal para comer. No seu saber lá definiam uma hierarquia e sacrificios inevitáveis, quando uma forma de vida tinha de sacrificar outra, para a sua sobrvivência.

Logo além de definirmos a vida humana, temos de definir a hierarquia. Claro que numa gradação analógica definir limites digitais é sempre artificial e forçado, mas o pensamento racional e digital oblige.

Assim para definirmos uma hierarquia temos de definir a complexidade duma vida humana. Teremos de considerar a sua antropogénese cultural e a sua antropogénese fisica. E teremos de considerar mesmo a complexidade e interrelação das duas, na medida em que a antropogénese fisica, faz-se (e desfaz-se , ver o desânimo aprendido de Seligman) influenciada e mediada pelas oportunidades e estimulos da antropogénese cultural.

Na vida humana podemos de facto definir um primeiro nível de células (ovulo e espermatozoide) plenas de potencialidade, mas que milhões são destinadas a morrer mesmo antes de se conjugarem. Mesmo em celibato e abstinência, irão morrer e não cumprir a sua potencialidade. Podemos dizer que é a vida!

Mesmo com vida sexual activa a grande maioria destas células está destinada a morrer e não cumprir nenhuma de suas multipotencialidades, é a vida!

Se num caso entre milhões um zoide e um ovulo se encontrarem, já temos umas definição maior com redução de potencialidade mas ainda de probabilidade reduzida, pois muitas se perdem mesmo antes de fixar no útero, natural ou por meios anticonceptivos. É a vida e a outro nível de hierarquia.

Depois da nidação, teremos o inicio de outra fase com mais probabildadse e menos potencialidade, no entanto até às 12 semanas a sua fixação depende da capacidade do embrião produzir substância estimuladoras do ovulo/corpo amarelo que por sua vez produz substãncias inibitórias do utero impedindo-o de expulsar o corpo estranho/parasitário o embrião que nele se instalou. É outra fase da antropogénese fisica (1%?) (ainda sem antropogénese cultural (0%) o resto é multipotencialidade (99%).

A data das 12 semanas não é arbitrária, é a alura em que a maioria dos abortos expontâneos se dão, e porquê? porque nessa altura é que o embrião desenvolve a placenta com capacidade secretória suficiente, para impedir a expulsão pela mãe/utero do embrião/parasita e em que o corpo amarelo/ovário esgota a sua capacidade. Assim se o corpo amarelo para a sua produção de substâncias inibitórias antes da placenta as ser capaz de produzir, o utero liberto expulso o seu conteúdo estranho e dá-se o aborto expontâneo. Claro que em muitos casos esta incapacidade deve-se a malformaçoes e o aborto expontâneo permite justamente eliminar essas formas de vida malformadas.

Podemos considerar que a partir do 3º mês e a formação da placenta, a par da formação da maioria dos orgãos e sua migração para o seu lugar definitivo, já temos algo mais parecido fisicamente com um ser vivo, teremos 5% de antropogénese fisica com 0% antropogénese cultural (logo 95% de multipotencialidade) e passada mais uma fase e nível hierárquico.

Daqui até às 20 semanas, no entanto a sua capacidade de vida autónoma da mãe/utero é nula e portanto poderemos definir outro nível de vida até (ou desde) quando é possivel manter numa incubadora um prematuro. Teremos aqui 10% de antropogénese fisica com 0% antropogénese cultural (logo 90% de multipotencialidade).

Entramos noutra fase até ao esgotamento/envelhecimento da placenta na sua capacidade inibitória que ocorre quando o naciturno já tem capacidade de vida extrauterina sem necessitar de incubadora. Há poucos anos ainda (antes das incubadoras e cuidados intensivos pediátricos) nascer de 7 meses (umas 30 semanas) ainda era um risco muito elevado. Será portanto outro nível hierarquico de vida, ainda com com 0% antropogénese cultural.

Só a partir do nascimento podemos considerar que esta se inicia, influenciado em si a antropogénese fisica e principalmente a neurológica e sua expressão psicológica.

Claro que nos últimos meses intrauterinos o ambiente de nervosismo da mãe (batimento cardiacos acelerados e tom de voz elevado e intenso, já afecta o desenvolvimento neurológico e mesmo a sua futura tolerãncia ao stress, ou pelo contrario a sua futura instabilidade afectiva ou hiperactividade) se quisermos ser rigorosos as condições de vida intrautetrina, já vão condicionar a capacidade de aquisição dentro da antropogénese cultural.

Assim no nascimento entramos numa fase maior de determinação, e habitualmente é a partir desta data e inicio da antreopogénese cultural e social que se considera existir um ser humano em oposição à forma viva que existia anteriormente, mas ainda sem este atributo de humanidade e portanto num nível hierárquico mais baixo.

Desculpem a xtensão, mas tem sido tanta a confusão que procuro assim dar um outro contributo.

Passando para "os Finalmente" aos 20 anos considera-se que a antropogénese estará definida mas sómente 20% devido à componente fisica e genética e 80% é socio-cultural (isto em estudos sobre gémeos univitelinos desenvolvidos em ambientes diferentes).

Portanto a questão para mim é como se valoriza a antropogénese cultural e aqui da mulher/grávida em relação a uma forma viva, potencialmente humana, mas ainda profundamente indeterminada e multipotencial e com 0% de antropogénese cultural. O não, traduz de facto considerar a mulher, plena de vida humana e no exercício de sua cultural e vida social, abaixo duma forma indubitávelmente viva mas sómente de potencialidade e com zero de antropogenese cultural e um percentagem reduzida de sua antropogénese fisica. Traduz portanto um total despreso pela mulher e vontade de sua submissão. Sabe-se que a mente humana é complexa e procura primeiro que tudo preserar o eu e o amor-próprio, e assim pior do que a pobreza e a opressão é o confronto com outros que o não são, a ponto de que para preservar o eu, o escravizado e submetido, prefere que outro igualmente escravizado e submetido não seja liberto, pois toda sua estratégia de sobrevivência se construi á volta da inevitabilidade da sua situação miserável e a libertação e melhor condição do outro, impede a construção desta estratégia defensiva do eu.

A psicologia da libertação e do desenvolimento, tem portanto de entender a complexidade do caminho e a circularidade de encerramento das culturas da pobreza e submissão, logo as primeiras cadeias a quebrar são as interiores que impedem que se queira ou julge possivel ou desejável a mudança para melhor.

Mas os estudos de Seligman alertam ainda para algo mais tenebroso, e como a libertação tem de ser proicurada e construida activamente ao longo de gerações, é que a pobreza e a submissão, gera atrofia além da hipogénese neurológica, encerrando a vitima na incapacidade de se libertar. Mas numa sociedade de escravos e oprimidos, já Tocqueville dizia, não se pode esperar desenvolvimento, e numa sociedade que oprime a mulher (51% na sociedade) deixa de poder contrar com o seu fundamental papel pelo desenvolvimento (como Emmanuel Todd igualmente demonstra).

Assim infelizmente mesmo que agora a nossaa maioria e o governo assuma uma visão desenvolvimentista humana, só podemos esperar resultados dentrro de 30 anos, agora antes de dar a volta de 180º, o caminho é de não cooperação, para não nos afastarmos mais do futuro desejado...

Edu
publicado por JoffreJustino às 09:21
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Assumam – A CML está toda em total crise!

Com o recente discurso do ainda presidente da CML ficámos todos a saber – a CML vive em total crise.

Como sabemos, o PSD/Câmara vive uma crise, resultante não só das divergências internas sobre uma coligação falhada como vive ainda dos impactos das audições da PJ na actividade da mesma e que afecta membros seus.

Como sabemos o CDS/PP rompeu a coligação com o PSD, base da lista ganhadora para a CML/Vereação.

Como sabemos os resultados eleitorais deram uma vitória por uma margem mínima a esta coligação que não foi e já não é.

Ficámos entretanto a saber, pelo Presidente da CML, dificilmente em vigôr, que a coligação PSD/CDS nasceu com uma não concretização à cabeça de um Acordo entre ambos os partidos.

Ficámos também a saber, pelo Presidente da CML, dificilmente em vigor, que o PS declarou por escrito ao presidente da CML que vive “uma crise profunda”, na CML.

Sabemos também que esta vereação tem conduzido a CML à falência, com um escandaloso e crescente endividamento.

Perante esta realidade assumida, que fazer senão solicitar urgentemente que se realizem eleições que permitam a criação de um ambiente de efectiva estabilidade na gestão de Lisboa?

Não existem mais razões para que os lisboetas se revejam nesta Vereação e nesta Assembleia Municipal de Lisboa.

Não existem também condições para que uma vereação completamente ferida de instabilidade solicite, como faz o Presidente da CML, dificilmente em vigor, “deixem-nos trabalhar”, pois o trabalho tem sido quase nulo e o que tem existido tem sido de total ineficácia.

A vereação da CML, já o disse o actual presidente, dificilmente em vigor, em outras palavras, em declarações na televisão em lógica de controlo mutuo, o que é justo quando o controlo não significa total suspeição e incapacidade de gestão.

O problema da actual total instabilidade não tem solução com pactos interpartidos, quando os mesmos se encontram, por si, em completa instabilidade.

É tempo de entregar a CML, mais uma vez, à decisão dos Cidadãos e Cidadãs.

É tempo de, assim, conduzir os partidos a assumirem internamente equipas coesas e capazes de gerir a CML.

É também tempo de exigir aos partidos, todos, que esclareçam os cidadãos e cidadãs das razões destas instabilidades e de assumirem pactos não entre si mas com cada Lisboeta.

E o melhor pacto é o pacto do Voto.

Porque um Voto não é um cheque em branco neste ou naquele partido.

É sim, comparando melhor, mais adequadamente, uma livrança obtida junto de cada eleitor e que tem de ser cumprida perante cada eleitor.

Enquanto que os pactos interpartidos, para sustentar o insustentável, uma vereação que falhou antes de terminado o seu prazo, o seu mandato, isso sim é um cheque em branco sem sustento e sem justificação.

João Soares foi um brilhante Presidente da CML.

A obra que ainda hoje se vê em Lisboa vem do seu tempo. E curiosamente teve de ser contra ele que as baterias do actual presidente se viraram…só podia, é o único adversário que teme.,

O PS tem pois candidato.

O PSD tê-lo-á certamente, tal como o PCP, o CDS e o BE.

(Tempo chegará em que as Listas de Independentes ganharão força, em particular se continuarmos a viver este impasse gestionário nos municípios…).

Então porque não aceitar o inevitável?

Esta vereação, esta Assembleia Municipal, estas Juntas de Freguesia chegaram ao termo do seu mandato por incapacidade.

Mais cedo que o usual?

Quem manda aos partidos escolher esta gente para cargos de elevada responsabilidade?

É tempo de começar a questionar todos os partidos.

É tempo de eleições antecipadas, para a vereação e para a Assembleia Municipal de Lisboa.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:41
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

Os Deusinhos que Cansam….e Deus que Ama e não penaliza o Aborto, nem o sexo

“"Eu sou contra o aborto e até acho que está ali uma vida humana. Mas não devo impor esta minha opinião aos outros. Tem de haver liberdade para decidir." Muitas pessoas votarão "sim" no próximo referendo com esta posição. Acham que em tema tão decisivo para a vida da mulher deve dar-se liberdade.”



É assim que João César das Neves inicia um texto, mais um, que fez sobre o Aborto…



Não, não é essa a sua opinião, o que cito acima, o que ele tenta neste texto é desmontar as opções dos outros sobre o Aborto.



Tentemos então desmontar João César das Neves.



Começo por referir que o Livre Arbítrio é a base da relação de Deus com cada um de nós.



É o que nos ensina a Bíblia, a sua Palavra.



Deus não nos amarra a opções, Ele indica-nos Caminhos que tomamos, ou não, por Livre Escolha. Porque ele ama-nos assim livres.



Mas João César das Neves, melhor que Deus, (segundo ele claro…), vai dar-nos a sua via…



“É evidente que cada um tem liberdade de pensar o que quiser sobre o início da vida humana. Mas quando se fala da destruição dessa vida então essa, como todas as liberdades, tem de ser regulada e protegida. Cada um também tem liberdade de escolher a casa que quiser desde que respeite o plano urbanístico, de escrever o que lhe apetece mas sujeito à lei de imprensa, às regras da privacidade, ao código da publicidade. Quanto mais importante a liberdade, mais regras a defendem. Porque não se protege a liberdade de nascer?”



Interessante não é? Deusinho que é João César das Neves até parece dar-nos o livre arbítrio que Deus nos Dá… mas não, deusinho que é, diz-nos logo de seguida que não, que não no-lo dá…perante a destruição da vida que não definiu, que não explicitou, que nuca conseguirá clarificar.



Na verdade, sou do tempo em que os César das Neves diziam, (e escreviam!), que um espermatozóide era vida, razão pela qual a masturbação era pecado …explicando ao pormenor os horrores de tal pecado…porque na verdade os César das Neves continuam, no seu íntimo, a achar que sim, que no espermatozóide está a vida humana.



Hoje pode-se dizer que existe base para sustentar um projecto de vida humana, (nem sequer uma vida humana…), aí pelas 10 a 16 semanas, (vejam a diferença… as dificuldades da Ciência). Mas, note-se, os Joões César das Neves não explicam o quanto custa, em investimento, em aquisição do serviço, esta hipótese meramente académica, das 10/16 semanas.



Note-se, nem César das Neves teria, por si, capacidade financeira para impor uma Vida Humana fora da Mamã, logo logo às 10 semanas e um dia…mas que interessa isso a deusinho?



NO entanto a Bíblia é muito clara –ela explicita que existe Vida Humana quando e só quando se dá o Sopro da Vida, o primeiro acto de respirar do bebé, depois de nascer…



Mas que interessa a João César das Neves a Bíblia?



Que lhe interessa a palavra de Deus se ele é, já - deusinho?



“Mas o embrião que sofre o aborto tem toda a sua pessoa envolvida nele de forma ainda mais decisiva. Pode compreender-se que o Estado não se meta nas decisões íntimas dos cidadãos. Mas pode deixar à liberdade de cada um a decisão de eliminar a vida de outro? Para mais, inocente?”



É claro que já ouvimos o deusinho a perorar horas sem fim, cheio de vivacidade e humor contra o Estado. Ah! Mas desta vez não, que viva o Estado desde que o Estado seja eu…lembram-se?



Mas mais, é claro que é o deusinho que define que no aborto há a eliminação da vida de outro…e é claro que não interessa explicar nem o porquê, nem o quando existe essa vida. Até porque ele acha que ela existe no espermatozóide.



“Claro que essas leis e limites criam muitos incómodos, mas sempre em nome de um valor superior. Que bem-estar é mais importante que o do bebé em gestação? Que justiça é mais sublime que a dos inocentes? Que futuro, que progresso para Portugal sem embriões, sem filhos, sem vida? Será que o direito à irresponsabilidade paternal se sobrepõe ao direito à vida?”



O João César das Neves está assim muito preocupado com o bebé em gestação. Certo e justo. Mas quantas vezes foi ele visto e ouvido a propor, a sugerir, a falar sequer sobre o como podemos impedir que a taxa de natalidade em Portugal se altere passando Portugal a estar já não em fase de suicídio colectivo para, pelo menos, em fase de sustentação – 2 filhos por casal?



Eu nunca tive essa sorte.



É claro que os papás e as mamãs deste país são, para João César das Neves, à partida, irresponsáveis. Por isso não podem ter o Livre Arbítrio que Deus dá.



Ele, deusinho, está aqui para o tirar!



Em nome de…nada. Porque desde o inicio deste texto não explica o que é e quando começa a vida humana.



“Por que razão o feto com 11 semanas teria protecção e o de nove não? Que estudo, conceito, ideologia, argumento suporta tal decisão? A resposta, simplesmente, é que dá jeito que assim seja. Há conveniência nesse limite. E o direito à vida ficaria sujeito aos interesses. Não é novidade, pois este tem sido sempre o princípio original da opressão.”



É claro que o deusinho César das Neves teria de se assumir em uma qualquer fase do seu texto…que interessam os estudos, as ciências, as ideologias, desde que não o apoiem? Porque está discutido, debatido, desenvolvido, ate ao cansaço, o que é necessário para se assumir quando existe um projecto de Vida Humana. Mas que interessa isso a deusinho?



Nada. Porque cai fora do espermatozóide do deuzinho. E como se sente ele culpado por esse maldito espermatozóide que transporta. Porque Deus assim escolheu, mas que ele recusa.



Deusinho condói-se dele próprio pelo espermatozóide que transporta. Fustiga-se, castiga-se, mas não se perdoa. Porque é só um deusinho diga-se.



E qual é o seu principal problema? É que não leu nunca a Bíblia. Que, Palavra de Deus que é nunca proibiu o sexo e que so penaliza a devassidão, que nunca proibiu o Aborto e que considera a Vida Humana existente somente depois do Sopro de Vida, da 1ª respiração após o acto de nascer.



OU, se a leu, rejeitou-a.



Rejeitou a Palavra de Deus.



Deusinho que é, entende-se mais perfeito que Deus, e pretende eliminar os defeitos que Deus terá perpetrado na Natureza.



E um deles é este Livre Arbítrio que Deus nos deu.



Há que tirá-lo urgentemente, mesmo que seja necessário apelar ao passado que João César das Neves não tem, de defensor da Liberdade contra a Ditadura de Salazar.



Porque ele e os seus parceiros estiveram ao lado da ditadura serôdia de Salazar contra a Liberdade e não ao contrario.



AH! E como eram bons esses tempos sem livre arbítrio, não é deusinhos? Como eram bons esses tempos em que “tomavam conta” até dos espermatozóides dos papás irresponsáveis….





Mas, lamento, a Palavra de Deus é clara. Temos mesmo o Livre Arbítrio, podemos mesmo errar, e Jesus Cristo veio à Terra, sofreu, e ressuscitou, para nos libertar desse mesmo “pecado original” que tanto falam.



Era tão bom se lêssemos um pouco mais a Bíblia…diríamos tantas menos asneiras…seríamos tão menos deusinhos…amaríamos tão mais o Outro e a Vida…







Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:17
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

Um texto também sobre o Aborto, de Pinto de Sá

O texto do meu antigo camarada de lides politicas maoistas Pinto de Sá, enviado por ele mesmo, aborda a questão do Aborto pela forma como foi escrito em um estilo quase intimo, pois foi feito em lógica de carta a Pacheco Pereira, o que o torna ainda mais interessante.

Achei pois que o devia publicar neste meu blogsito,


…Tenho tido umas discussões destas com o meu filho que, imagine, tendo ele agora a idade exacta que eu tinha quando fui preso pela PIDE, é intelectual católico militante...!
É irónica, esta inversão de contradições entre gerações, mas há no meu caso uma diferença clara relativamente à geração anterior: não o antagonizo e muito menos o abandono, embora ele manifeste por vezes o tipo de radicalismo “iluminado” que o meu pai devia achar que eu tinha 
Mas a razão do meu email é um comentário que as discussões com o meu filho me tem suscitado: a radical “defesa da vida” tem, no catolicismo, muitas contradições, como a não-oposição à pena de morte exemplifica ou, acrescento eu, a não-oposição de princípio à guerra.
Não tem contradições, porém, com outra posição da Igreja católica: a da defesa da castidade e de oposição ao sexo como pura forma de prazer interpessoal. Na verdade, não é com a “defesa da vida” que a posição católica sobre o aborto é coerente, mas sim com a oposição à contracepção. É na proibição do preservativo, por exemplo, que encontro uma linha de coerência com a condenação do aborto. O que leva a discussão da questão para outra dimensão onde, notoriamente, os católicos se não querem colocar, precisamente por que a estratégia adoptada tem um peso em termos de “verdades consensuais” instrumentais muito mais conveniente, como você notou.
Pinto de Sá
P.S.: o seu outro comentário sobre as afinidades dos neocons com a Al-Qheda também é muito interessante e articula-se com o artigo do Público. Isto por que aqueles valores civilizacionais laicos que citou, nomeadamente a condenação da tortura e da pena de morte, não são obviamente assumidos pela administração Bush, o que a coloca, paradoxalmente, muito próximo do fundamentalismo islâmico. E como “os contrários se transformam um no outro” e “os extremos se tocam”, temos que os EUA não poderiam ter tido melhor Presidente do que este para servir precisamente os desígnios de Bin Laden, a saber, desencadear uma grande guerra entre todo o Islão e o Ocidente, exactamente o maior sonho que a Al-Qheda podia acalentar ao atacar as torres gémeas.

Pinto de Sá
publicado por JoffreJustino às 13:48
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