Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Ah! Tomara Ken Livingstone…

Chegará a Portugal o tempo dos ken livingstone, isto é, o tempo em que as elites políticas terão forçosamente de recuar perante opções de cidadania assumidas no voto.

De facto, Ken Livingstone, Presidente do Município de Londres, trabalhista eleito contra o trabalhista Blair, assim como contra Liberais e Conservadores, é um exemplo do que sucederá a prazo não muito longo em Portugal.

Lisboa está, entretanto, a cair de estragada.

Ruas não pavimentadas, obras incompletas por falta de verbas, jardins abandonados, escolas desleixadas, luxos desnecessários como a árvore de Natal para o Guiness, a par da descabelada corrupção vivida entre paredes dos edifícios da CML, eis o que é hoje o Município lisboeta.

Confesso, entretanto, que não me sinto muito motivado para debater este tema, o das eleições autárquicas, pois tendo sido um eleito municipal nos finais da década de 80, vivi na Assembleia Municipal de Lisboa o que é ser bloqueado por parceiros e adversários, perante o incêndio do Chiado, resultante da incúria em matéria de Segurança, por responsabilidade camarária evidente.

Daí que ache que os tempos de hoje, ainda piores que os da década de 80, não são muito disponíveis para uma gestão municipal moderna.

João Soares que o diga.

Foi por meia dúzia de votos que perdeu, note-se.

Mas perdeu apesar da obra feita, a obra que ainda hoje é visível em Lisboa.

Perdeu porque toda a elite política a ele se opôs com veemência…nada mais.

E perdeu contra quem, desde então, conduziu a Câmara à completa falência, que a leva à inoperância por total falta de verbas depois de apostas inacreditáveis sem efeito para os Lisboetas, mas apresentadas com o imenso ruído publicitário, de que todos nos lembramos.

João Soares é o único candidato que me conduziria à defesa, activa, de uma mudança de política para a CML.

Porque deixou obra, porque não anda atrás do voto, porque não vive dos “marketings” publicitários de uns tantos.

Porque é um Ken Livingstone…

Vejam o que sucede desde ontem na comunicação social, no que respeita à CML.

O presidente da CML Carmona Rodrigues admite demitir-se.

Mas só se o seu vice presidente for constituído arguido…

A mesma posição é defendida pelo leader comunista na vereação…

Já Maria José Nogueira Pinto procura pactos em defesa do statu quo, enquanto que os socialistas parece nem existirem nesta barafunda…

À excepção, mais uma vez, de João Soares.

Porque, dizem todos, a Assembleia Municipal de Lisboa, sobre a qual não haveria eleição, poderia ser um factor de bloqueio de uma mudança na Vereação.

Mas Lisboa necessita de clara mudança.

A Lisboa cidade note-se, não a Lisboa política, a Lisboa da Administração Central e Local, porque essa parece estar bem como está.

Porque, a manter-se este statu quo, Lisboa, de estragada rapidamente cairá na apodrecida.

Lisboa vive mal, vive-se mal.

Mas que interessa tal?

O importante são os “arranjos” vividos entre eleitos e esses apontam para a sustentação do statu quo.

Excepto, claro, se o escândalo for demais.

Se o tal vice presidente for constituído arguido…

Lisboa necessita de mudança urgente, todos os citadinos o sentem, excepto esta elite política que se alimenta, feliz, entre arranjos que nos mantêm Lisboa estragada e fazem com que a Urbe Lisboa perca tempo, aquele tempo que João Soares acelerou, com gosto e qualidade.

Ele, João Soares, é pouco dado a estas coisas dos arranjos, e a estas coisas do marketing político.

Demasiadamente pouco dado diga-se…

Mas tem, fez, obra e faria obra em Lisboa.

A solução ideal seria os partidos com assento na Assembleia Municipal de Lisboa demitirem-se ao mesmo tempo que a vereação e termos, assim, eleições antecipadas para todos os Cargos Municipais.

A solução ideal seria os partidos políticos permitirem que os candidatos fossem, vá lá a 51%, novos face ao anterior mandato.

A solução ideal seria ter João Soares, de novo, candidato em Lisboa, para ser, de novo, presidente da CML:

Para Fazer obra!

Mas duvido que seja essa a solução dos arranjos…

Porque o tempo é de opções feitas ainda no contexto destas elitezinhas que nos coordenam, (e já não é mau pois não nos dirigem…), e que se entendem acima dos que vivem Lisboa com Cidadãos e Cidadãs.

Mas o seu tempo está a findar.

Felizmente.

Pode ser que João Soares ainda seja um próximo Presidente da CML.

Para fazer obra.

Para voltar a deixar obra.

E podermos ter uma Lisboa vivida com prazer.

Aí eu regresso ao gozo da intervenção política.




Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 11:04
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

Em Certas Coisas, Como o Aborto, Não É Bom Sermos Incompetentes…

Achei curioso que frei Bento Domingues assuma no texto Nem Mais, Nem Menos, de o Publico de 28.01.07, que não deve, ele, defender o que as instituições, publicas e privadas, as famílias e as pessoas, devem fazer quanto à criação de “um ambiente cultural, social, político e espiritual que estimule a alegria de ter filhos e de os educar com gosto”, ou, ainda, para procurar os caminhos que tornassem tal possível e, finalmente, de dizer o que entende quanto à posição da hierarquia da Igreja, (a Católica), sobre o entregar “..apenas, às leis da natureza a regulação da natalidade..”.



Penso que assumiu tais posições, pelo contexto do seu texto, com a ideia de assumir uma posição tolerante quanto ao Aborto, como o faz quando escreve, “Creio que é compatível o voto na despenalização e ser – por pensamentos, palavras e obras – pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto”.



Achei curioso porque enviesando as respostas, negando-as até, enquadra bem o tema do Aborto – na sexualidade, na reprodução, na ideia da natalidade versus suicídio colectivo de uma parte da comunidade humana, entre elas a portuguesa, que se recusa a crescer demograficamente e que, pelo contrário assume a sua anulação a prazo.



Mas, curiosamente, é nestes temas integradores do Aborto que se entende a enorme dificuldade de frei Bento Domingues.



E da Igreja Católica.



Sendo, o sexo, um acto pecaminoso, para a Igreja Católica o mesmo só é aceite se ligado ou à reprodução, ou, estranho estranho, (porque deixará então de ser pecado?), à sua utilização em momentos infecundos, (para a mulher…), (ver Catecismo da Igreja católica, nº 2370, segundo o texto de Frei Bento Domingues).



Confesso que não entendo a posição de frei Bento Domingues, pois, parecendo estar à margem face a esta posição anti sexo não reprodutivo, (segundo ele tão reiterada por João Paulo II), da Igreja Católica, assume entender, (pelo menos isso), os que resistem “digam ou não “nós também somos Igreja””.



Aliás porque, criticando a cultura hedonista de hoje, alimentada segundo o frei Bento Domingues por empresas e organizações, e criticando a divisão entre uma minoria regalada e as maioria acumulando desejos e decepções e adiando sempre, por estas e por outras razões, a altura para ter descendentes, este autor de textos religiosos periódicos no Publico entende-se incompetente para “desenhar ou sugerir um modelo capaz de configurar uma outra sociedade viável.



O que nos deixa, a todos, em um completo impasse.



Teremos, assim, de viver entre o hedonismo que condenamos e a veemência antisexual de uns tantos?



Sem reflexões alternativas a estes dois modelos?



Não se pode ainda aceitar que defender que, “As duas dimensões da união conjugal, a unitiva e a procriadora não podem ser separadas artificialmente sem atentar contra a verdade intima do próprio acto conjugal…”, (in Carta às Famílias, João Paulo II, citando texto já referido por frei Bento Domingues), se possa conjugar com a ideia que, antes desta frase de João Paulo II, o frei Bento Domingues elabora, “O sacrifício pelo sacrifício é uma doença. Só o sacrifício que é fruto do amor possível é fonte de coragem. Mas é um exagero pedir às pessoas que desejam filhos viverem em permanente estado de heroicidade”.



Aliás afirmo convictamente e digo-o porque o posso provar, que em lado nenhum da Bíblia se pode encontrar algo que penalize o sexo, havendo sim grave penalização para a devassidão, o que é, como todos sabemos, algo bem diferente.



Tão diferente quanto o acto de alimentar é bem diverso da gula.



Como já provei em outro texto, a Bíblia, a Palavra de Deus, também não penaliza o Aborto.



Existem sim inúmeras encíclicas e outros documentos de Papas, que o fazem.



Tal qual o faz João Paulo II.



Só que, espiritualmente, já o provei, a Vida, para a Palavra de Deus, a Bíblia, se inicia somente com o Sopro da Vida, isto é no primeiro acto respiratório do nascituro. Provado está também, que o feto, em situação normal, não tem qualquer hipótese de sobrevivência, fora do útero da mãe, antes das 10 semanas.



Mais, é ainda aceite comummente na comunidade cientifica que, (e cito a citação de frei Bento Domingues por mera preguiça…), “ Antes da décima semana, não é claro que o processo de constituição de um novo ser humano esteja concluído. De qualquer modo, não se pode chamar homicídio, sem mais, à interrupção voluntária da gravidez levada a cabo nesse período”, (citando Miguel Oliveira da Silva, Ciência, Religião e Bioética no inicio da vida.).



Duvidosamente, de qualquer forma, terá o feto, nas condições de saúde normais, hoje, hipótese de sobrevivência antes das 16 a 20 semanas.



Casos excepcionais, em condições absolutamente excepcionais, inexistentes nos hospitais de qualquer país dos mais avançados para a maioria das parturientes, podem originar, com elevado risco para o feto, nascimentos às 10 semanas.



Assim, quem defende esta tese de que há vida às 10 semanas está, sem dúvida, ele sim, a assumir o grave risco de originar uma morte, em mais de 99% das situações.



Um assassinato? Que lhe fique na consciência…



Na questão do Aborto, o que está em causa, goste-se ou não, é, não o acto em si, mas se lidamos com uma sexualidade normal, positiva, geradora de amor e de desejo de procriar, ou se lidamos com uma chantagem espiritual permanente sobre os casais que busque o seu impedimento.



Haverá mamãs hedonistas que por incompetência abortarão irresponsavelmente?



Claro que sim.



São moralmente responsáveis por tal, não somente no acto de abortar, mas desde o inicio, desde o acto sexual? Nem tanto.



Porque resta, agora, saber quem tem bloqueado, durante todos estes anos, a existência de uma sã educação sexual, com a apreensão na mesma da utilização de contraceptivos…



E aqui é essencial ir mais longe que foi o frei Bento Domingues no seu texto, pois cabe mesmo aos que reflectem, aos que têm condições e tempo para reflectirem nestes assuntos, o acto de se assumirem e de impedirem este vergonhoso farniente em que Portugal vive no que diz respeito à Educação Sexual.



Como, claro, à melhoria das condições de vida dessa imensa maioria que nem tem condições para imaginar uma vida hedonista quanto mais vivê-la.



Daí que não me sinta impotente e silenciado entre os dois modelos acima referidos, o hedonista e o castrador.



Mais, que acho que é impossível aceitarmos continuar a vivermos impotentes em face destes dois modelos caducos.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 18:41
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007

Libertar o Corpo dos traumas dos(as) esteticistas, estilistas e equivalentes

Zapatero, o 1º ministro socialista espanhol, tem sido um exemplo de modernidade em muitas das medidas que o seu governo tem implementado.

Bem para além do que eu próprio esperava, diga-se.

E, é-o mais uma vez, com a solução que encontrou para pôr fim à pressão sobre o Corpo Humano, em particular o da Mulher, imposta por agentes da Moda, pressão aliás sem jeito, sem valores e sem regra.

Assim, o Ministério da Saúde Espanhol, segundo o PUBLICO, conseguiu implementar um acordo de autoregulação, a cinco anos, com grupos espanhóis como a INDITEX,, (Zara, Massimo Dutti e Pull & Bear), a Mango, ou o El Corte Inglês, correspondendo o conjunto dos acordantes a 80% do sector de actividade, no sentido de tornar realistas as medidas do vestuário Mulher, face ao Corpo normal das mesmas.

Desta forma, pode-se entender o como, em primeiro lugar, as pressões das entidades que têm batalhado por uma Ética Empresarial e uma efectiva Responsabilidade Social das Empresas, têm tido resultado e, em segundo lugar o como é eficaz a noção do Diálogo Social que não se pode limitar ao campo das Relações Laborais.

Como já escrevi, a pressão sobre a Mulher no sentido de ela deixar de assumir o acto da Reprodução como um acto Belo e gerador de felicidade, é enorme.

E essa pressão tem tido até ao momento um enorme esteio na indústria da Moda.

Daí esta politica mercadológica do sector Moda que conduz a Mulher a olhar-se com desencanto, ou a esforçar-se, até à doença, para conseguir corresponder a uma imagem estereotipada, assexuada, areprodutora, geradora de instabilidade emocional e vivencial.

Porque, naturalmente, a Mulher modifica o seu Corpo, com a Reprodução, demarcando-se assim, em média, das Jovens ainda não reprodutoras, relevando, com tal, o seu novo estatuto que, em tempos era também socialmente relevado. E se há séculos tal era visto com amor, considerando a Beleza da evolução, hoje é visto como algo a rejeitar, a ser negado e sempre que possível, escamoteado.

Não posso deixar de ficar particularmente satisfeito com esta medida do nosso vizinho espanhol e especialmente triste porque, no espaço português, a medida definida em Espanha, não terá continuidade, apesar de se saber, pelo Publico, que 40% das mulheres em Portugal vestirem o 40,( calças), e não o 36 ou o 38, ou n.ºs ainda inferiores.

Em seu tempo já relacionei estas medidas com a negação da sexualidade e da reprodução, transformadas que estão, socialmente, em actividades que desfeiam a Mulher.

Tal tem tido a complacência, inclusivamente, de quem sendo contra a educação sexual, a utilização de contraceptivos, pois na verdade se tem mostrado visivelmente a frigidez crescente da Mulher à medida que se afasta a sexualidade da reprodução e se procura impor como corpos belos os assexuados, os areprodutores.

De facto, já relevei que é errado separar as duas funções, a sexualidade e a reprodução, sendo fundamental saber geri-las com responsabilidade, o que implica por um lado terminar com esta noção absurda da penalização da sexualidade e da subordinação da maternidade a elementos religiosos, ou jurídicos estranhos à importância comunitária da sexualidade e da reprodução e, por outro, incentivar fortemente a Educação Sexual das crianças.

E tão importante é, para mim, o debate destas ideias, que considero absurdas as formas como se têm desenrolado os debates em volta do Aborto.

Na verdade os mesmos até já têm chegado ao fetichismo, que classificaria até de idólatra, que leva alguns dos movimentos do Não a reproduzirem hipotéticas figuras de fetos humanos, em vez de transformarmos este Referendo num debate de ideias, de pontos de vista sobre a sexualidade e a reprodução!

Tentam, assim, ao que parece, elevar a tensão no ambiente do momento decisório, o momento do voto, o que, definitivamente, só pode ser entendido como factor constrangedor da decisão de cada eleitor.

E se respeito todas a opções, não posso aceitar todos os métodos.

Por isso teimo na sustentação do tipo de debate que gostava de ver, ouvir e ler nos media.


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:24
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

O Aborto e a Opinião de Marcelo Rebelo de Sousa

Agradeço ao Pedro o facto de me ter enviado o endereço do site de Marcelo Rebelo de Sousa.



Eu responderia ao mesmo e no que ao Aborto diz respeito, se tivesse a fama e o dinheiro de Marcelo Rebelo de Sousa, com um site intitulado ASSIM SIM!



Porquê?



Porque passados 10 anos sobre o anterior referendo, e com governações PSD e PS, nada está feito de forma a permitir que a Mulher tenha oportunidade de reflectir e decidir, de forma consciente, sobre o acto de Abortar.



Porque tenho a Esperança que este Referendo venha abrir oportunidades que até hoje estão fechadas.



Assim, vejamos, a Educação Sexual continua a ser um tabu em Portugal.



O Conselho Nacional de Educação empata e empata e empata, os partidos maioritários empatam e empatam e empatam, as Igrejas empatam, empatam, empatam, impedindo o acesso a uma informação que permita às Pessoas em Portugal ter uma sexualidade responsável, feliz, duradoura, sabendo todos que a informação sexual de origem comunitária está morta.



O índice de crescimento populacional em Portugal, passados estes 10 anos, continua a ser negativo.



Isto é, gostemos ou não, estamos a ver um país inteiro a suicidar-se.



E o suicídio é um acto lamentável, quando feito de forma colectivamente inconsciente, e resultante da não preocupação, por todos nós, do nosso papel enquanto e na comunidade, entre a Comunidade Humana.



Algumas religiões consideram o suicido inclusivamente um acto pecaminoso.



Que dizer então deste índice – menos de 1,4 filhos por casal?



O Aborto não é, não pode ser, um meio contraceptivo.



Mas que dizer sobre quem considera pecaminoso todo o tipo de contraceptivo?



E se silencia e nada faz perante o índice acima?



Podemos separar o Aborto de toda a envolvente sexual e reprodutiva?



Expliquem-me o porquê já não consigo entendê-lo.



O Aborto é um acto lamentável?



Claro.



Mas será que a maioria dos Abortos serão feitos como meio contraceptivo?



Ou como solução perante causas de saúde, de condições económicas de enorme fragilidade, de menosprezo social sobre a Reprodução, de percepção sobre a total falta de apoio à Maternidade e à Paternidade, não na Lei, mas no dia a dia das Cidadãs e dos Cidadãos?



Que revistas, que jornais, que televisões, mais abusam da apresentação de Corpos em média inexistentes, socialmente falando, de Belezas em média inatingíveis, socialmente falando, todos eles e todas elas denotando o maior desprezo sobre as consequências da reprodução? Consequências que nós todos deveríamos achar como portadoras enorme Beleza?



Tal qual já foi.



Já mostrei que a Velha Bíblia, que a Palavra de Deus, não considera o Aborto um acto pecaminoso.



Como não considera o sexo pecado, considerando sim pecaminoso a devassidão.



Existe hoje sim um debate enorme a fazer e que passa pela questão da Sexualidade, da Reprodução, da Continuidade da Espécie Humana.



Sem que seja necessário estarmos permanentemente a penalizarmo-nos, a culpabilizarmo-nos.



Sabendo, conscientemente, o que fazemos. Estando informados das razões porque o fazemos.



Existe Vida às 10 Semanas? Em primeiro lugar existe Vida se o feto sair com Vida do corpo da Mulher. Em segundo lugar experimentem fazê-lo sem apoio técnico de custo elevado e verão o resultado. Em terceiro lugar mostrem estatísticas credíveis e socialmente fazíveis de tal, sem os custos a que só alguns podem corresponder.



Estamos nesse âmbito no contexto do Sobrenatural.



Nele, Deus, se o entender, pode fazê-lo suceder.



Podia tê-lo feito acontecer até logo desde o início.



Mas não o fez em média, pois a média está bem perto dos 9 meses.



Porque será?



Por acaso?



Ou será, por si, uma resposta aos que fazem do Sexo um pecado e do Aborto um crime?



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:56
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Um texto da minha amiga Adelaide Oliveira sobre o Aborto

Meu querido Joffre,



Reli o teu escrito magnífico sobre o aborto. As questões que abordas são de facto como dizes, mas ficam de fora outras questões que merecem reflexão.



É claro que vivemos num sistema de valores que não favorece a procriação. Quanto mais ditas desenvolvidas são as sociedades, menos tempo há para pensar em filhos, já para não dizer "fazer" filhos". As pressões profissionais são cada vez maiores. Os jovens quadros são absolutamente escravizados pelas empresas. A obsessão das carreiras, a angústia pela insegurança no trabalho, o consumismo...tudo isso que tu sabes. Tudo se tornou caríssimo. Pergunto-me de que fibra são feitas as heroínas que numa sociedade destas, conseguem manter uma carreira e ser eficiente, conseguem gerir a logística de uma família, conseguem cuidar de si própria de forma a manter uma imagem aceitável no seu trabalho e ainda cultivar-se espiritualmente e fisicamente para manter o "eros", tão importante na sua relação de casal?....



Como sabes, nesta sociedade desenvolvida em que vivemos, em que as poucas crianças que nascem são sobredotadas, não serve qualquer escola, os colégios são caros, e segue-se o rol de actividades intermináveis e as marcas e...um largo etc. Bom, mas passaríamos a outro capítulo e não é esse o tema. Isto é apenas um àparte, mas é uma parte do problema da diminuição demográfica nas sociedades desenvolvidas.



Claro que coabitamos num vespeiro de hipocrisia e esvaziamento de valores. Há muita gente só e vive-se num egoismo e comodismo enorme. Muitos homens defensores dos bons costumes acham perfeitamente normal e aceitável explorar a fragilidade e os sentimentos de mulheres que estão sós. Quantos, dentro e fora dos casamentos, perante uma gravidez provocada conscientemente, não se demitem do papel de pais? Quantas denúncias são feitas desses homens??? Esses que se prontificam imediatamente a pagar os abortos em Espanha ou em Londres?...



"Do outro lado do cenário" observamos embalagens muito bem apresentadas de produtos nauseabundos. E se muitas vezes não são denunciados, é para que as famílias se mantenham unidas, mas acredita que conviver com o conhecimento de certas realidades dá um nó muito grande no estômago. Não sei de que forma elevada se pode abordar a questão, mas faz-me lembrar a história daquele rei que ia nu...



Os jovens devem ser esclarecidos e apoiados, mas os adultos têm de ser moralizados.



Querido Joffre, aprecio e agradeço o teu empenho em defender que as mulheres sejam despenalizadas por abortarem. Só Deus e elas sabem os infernos a que descem numa situação dessas. Infelizmente, se a nossa sociedade não estiver disposta a rever uma série de valores, vai-se suicidando alegremente.



Conheço um lugar no Tirol onde vou de vez em quando passar férias, chamado Alpbach. Achei curioso o que me contaram lá. Não há divórcios, imagina! E há muitas crianças, embora muitas delas sejam parecidas com os vizinhos. Mas todas vêm ao Mundo e ninguém fala das parecenças. Tudo é criado na graça de Deus, no meio daquela Natureza magnífica que Deus protegeu dos homens. É claro que quando dois jovens dali começam a namorar, vão consultar uma velha senhora para se certificarem de que não são irmãos... Se queres saber, gostei desta história.



Desculpa o desabafo, mas apeteceu-me conversar contigo.



Um beijjinho



Adelaide Oliveira
publicado por JoffreJustino às 10:54
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

OBama é Branco(ou a publicidade encapotada do Não Obrigado)

Barack Obama é um senador americano, e, segundo o Publico é filho de “pai negro e imigrante do Quénia e de mãe branca da chamada “middle América””, além de ser um potencial candidato democrata às Presidenciais americanas.

Estranhamente, o Publico, jornal português, (que eu saiba), escreve o que segue nessa mesma noticia, “Barak Hussein Obama, 45 anos, não é o primeiro negro…”, o que coloca este senador no contexto de uma das minorias americanas, a afroamericana, conceito bem mais adequado, dentro do contexto discursivo dos que por lá vivem.

No entanto, na verdade, é o mesmo Publico que desmente este noticia, na mesma noticia, porque nos informa que Obama tem uma mãe branca.

Ora, tendo uma mãe branca, porque raio há-de ele ser considerado negro? Só porque tem um pai negro?

Em Portugal há séculos que este assunto está resolvido.

Obama é, mulato, mestiço, miscigenizado, o que quiserem.

O que ele não é de certeza é negro, ou branco…

É certo que nos EUA esta distinção, por razões evidentemente racistas, (lembremos Luther King que teve a 15 deste mês o seu dia americano, hoje com direito a ser feriado nacional…), não existe.

Mas, que eu saiba, ela existe em Portugal.

Trata-se de uma forma de “fazer jornalismo” que me espanta, esta de nos ir preparando sabe-se lá para quê, (excepto para defender o direito a nós todos do mundo votarmos nas eleições presidenciais americanas, já que os EUA são o Império sobre o Mundo e defendem a Democracia…), com escritas que nos adequam a formas de pensar que nunca foram do espaço de expressão portuguesa.

Facto que aliás é repetido na noticia “Agências de comunicação prestam serviços para Plataforma Não Obrigada!”, também do Publico, também do mesmo dia.

À primeira vista parece que estamos perante o relato do “furar um vazio da lei”, por parte destas agências de comunicação. Se o fosse, estaríamos perante uma noticia interessante e de parabenizar.

Mas não.

Na verdade a noticia serve para divulgar os clientes que uma agência de comunicação tem. Ora tal só pode ser apresentada enquanto noticia que é publicidade encapotada, certamente forma de pagar um serviço “gratuito”, pois o espaço ocupado no Publico pela noticia, custa dinheiro e sendo feito de forma a não parecer publicidade vale ainda mais dinheiro!

Por onde andamos nós?

Que estamos a fazer, Nós Leitores, se não protestamos com esta forma encapotada de usar o espaço que pagamos para ler noticias, para se fazer publicidade aos amigos dos amigos?

É pouco, direi mesmo, nada ético este comportamento.

Esta campanha neste Referendo está a ultrapassar os limites do aceitável em Democracia, no que aos do Não ao Aborto diz respeito e há que dizer que estes procedimentos são moralmente inadequados e fortemente condenáveis.

Prefiro bem que digam que Obama é negro, embora seja um erro crasso, a que façam de mim um tolo obrigado a engolir como noticia um acto de publicidade.

E, assumo, estas estorias deixam-me com a certeza de que entre os que defendem o Não ao Aborto há demasiados sem ética, sem valores e sem princípios, para meu gosto.

Há a necessidade imperiosa que tal seja dito aos restantes. Por forma a que eles se afastem do erro, ético, moral e espiritual.



Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:54
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

A Bíblia face ao Aborto e à Vida

Num momento em que o que parece discutir-se, entre os que se dedicam ao debate sobre o Aborto, é o direito ou não à Vida, vale a pena estudarmos o que a Bíblia assume em relação a este tema, pois a Bíblia é, sem dúvida o Livro da Vida, do Amor, da Esperança e da Crença, pois é um livro enformador, entre todos os que se apresentam enquanto Livro Sagrado.

Com a sua leitura poderemos constatar qual a opção nele existente sobre a questão do Aborto e da Vida e, assim, mais adequadamente reflectirmos sobre algumas opções que, embora ancoradas na Bíblia, a interpretam à sua maneira, em favor de outras opções que não aquelas que este Livro define como Sagradas.

A Bíblia, note-se, entende-se a si mesma como a Palavra de Deus e, sendo-o, é nela que Deus se apresenta da seguinte forma, “Porque Deus amou o Mundo, de tal maneira, que deu o seu Filho Unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna, (João, 3.16).

É este argumento que releva a relação de Deus com o Ser Humano numa relação de amor, de compreensão e não de ódio e castigo.

Mais ainda e segundo a Bíblia, “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”(João 3.17).

Estamos assim perante um Deus onde não há ódio ao Ser Humano. E se o livre arbítrio permite ao Ser Humano tomar as suas decisões, as mesmas não provocam em Deus, segundo a Bíblia, qualquer seu afastamento perante o Ser Humano.

É esse livre arbítrio que permite que a Palavra de Deus se explicite, sobre a sua relação com o Ser Humano, da seguinte forma, “Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do Unigénito Filho de Deus”, (João 3.18). Não há pois nem ódio nem castigo e a condenação, segundo a Bíblia, resulta de uma opção individualmente assumida que conduz a “ E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más”, (João 3.19).


Reparemos, para realçar o como Deus, na Bíblia, nos vê, que Jesus utilizou em a mulher de Samaria, como seu porta voz para toda a cidade, aquela que transportará a noticia da sua chegada, uma mulher dita pecaminosa, mas que assume a verdade, não fugindo dela, (João 4.18).

Segundo alguns, direi mesmo muitos, o Aborto tem a ver com o eliminar uma vida, portanto, para eles, tem a ver com um acto pecaminoso, particularmente reprovável e que condena quem o pratica.

Mas será que a Bíblia vê assim o aborto?

Não me sentindo capaz de, sozinho, abordar o tema, entendo adequado basear-me em estudiosos da Palavra, da Bíblia, como o reverendo John Hendricks, membro da Christian Research and Felllowship, para assim abordar, com mais confiança este tema.


1. O Homem


Segundo este reverendo, “ A Bíblia é muito clara ao descrever o homem em 3 partes : corpo, alma e espírito” (Fácil Acreditar, J. Hendricks, traduzido por David Serapicos, 1999).

Partindo do que nos diz a Bíblia, “ E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservadas irrepreensíveis para a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo”, (I Tessalonicensees 5.21), este autor releva esta tripla distinção, que será importante para o tema que estamos a tratar .

Centrando-se unicamente na Palavra da Bíblia o reverendo Hendricks cita Isaías, 43.7 “ A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para minha glória, eu os formei, sim eu os fiz”.

Em Génesis, 2.7, podemos esclarecer um pouco mais este tema, “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente”.


Assim, para a Bíblia, “O corpo do homem foi formado do pó da terra”, (in fácil Acreditar, obra já citada, pág. 71) e se continuarmos este percurso com o reverendo Hendricks, avançando agora para a alma encontraremos, “ A alma é superior ao corpo do homem nela está a vida do homem. É isso que o faz um ser vivente”, (obra já citada pág. 72).

Mas, notemos, e de novo com o reverendo Hendricks, que cita Génesis 1.30, “E a todo o animal da terra, e a todas a ave dos céus e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente”, que a alma não é “a parte do cristão que lhe dá a vida eterna… que faz com que o homem seja verdadeiramente superior aos animais”, (obra citada, pág. 72).

O reverendo Hendricks acentua este raciocínio da seguinte forma, “As Escrituras são exactas; todo o homem tem a vida de alma e essa vida de alma não é eterna e não tem nada a ver com o ser cristão. Observem cuidadosamente Actos 3.23, “E acontecerá que toda a alma que não escutar esse profeta será exterminada de entre o povo”, sendo que este profeta é “Jesus Cristo o Filho de Deus”, (obra citada pág. 74).

Então o que é que distingue o homem das restantes almas viventes? Para definir essa distinção o reverendo Hendricks regressa a Génesis, 1.27, “E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”.

É então que o reverendo Hendricks nos recorda que esta criação “à sua imagem”, não se pode referir ao corpo, já que o corpo do homem e da mulher são diferentes, nem à alma pois ela seria idêntica à de todos os restantes animais, também almas viventes.

E explica-nos então o reverendo, “A resposta está em João 4.24, “Deus é Espírito…”, (da obra já citada, pág. 79), pelo que assim, “O espírito no homem era o que permitia com que o homem e Deus estivessem em unidade e tivessem doce comunhão…O espírito deu ao homem vida perpétua e verdadeira”(obra citada pág.79).



A questão da Vida e do Aborto


A Bíblia é muito clara quanto ao surgimento, individual, da vida. Para o clarificarmos regressemos a Génesis 2.7, “…e soprou em seus narizes o fôlego da vida: e o homem foi feito alma vivente”.

Recordemos ainda Job 27.3 “Enquanto em mim houver alento e o sopro de Deus no meu nariz”, para reafirmar o como Deus e a Bíblia vêm o surgimento da vida e a sua manutenção, ou, como diz o reverendo Hendricks, “nós temos que nos lembrar e aderir à verdade bíblica, de que a vida da alma do homem, acaba com o seu ultimo fôlego, ou seja, quando este morre. O tempo correcto biblicamente para a vida é na altura da primeira respiração, (o fôlego da vida) e o tempo bíblico para morte é com o último fôlego”, (obra citada pág. 76).

Assim, biblicamente, o feto que não recebeu o sopro da vida, não tem, sequer, alma vivente, nem pode ser considerado que já esteja criado no termo bíblico de criação.

Mas regressemos mais uma vez à Palavra e leiamos Exodus 31.22, “Se alguns homens pelejarem e ferirem uma mulher grávida, e forem causa de que aborte, porem se não houver morte, certamente será multado, conforme ao que lhe impuser o marido da mulher e pagará diante dos Juízes”.

Reparemos que, face ao Aborto em si não há morte, pois esta só acontece com a morte da mulher. Como podemos ver em Exodus 21.23, “Mas se houver morte, então dará vida por vida”, tratando-se de novo da morte da mulher, pois o feto não tem ainda, sequer, alma vivente.

Aliás, em Job 3.16, a posição da Palavra é mais clara, “Ou, como aborto oculto, não existiria, como as crianças que nunca viram a luz”, pois estas nem existem por não terem recebido o sopro da vida.

Em Salmos 58.8 voltamos a encontrar uma afirmação de não vida, pelo que citamos “…como o aborto de uma mulher, nunca vejam o sol”, pois o feto não recebeu, sequer, ainda, o sopro da vida, não é , portanto, alma vivente.


Parece-me, pois, evidente que a posição penalizadora sobre o Aborto não resulta da Palavra Sagrada.

Tal posição pode resultar de preconceitos, de opções, de filosofias de vida, da evolução da ciência e da técnica, ( que nos aproxima de um limite quanto à possibilidade de retirar o feto do útero da mãe, limite esse ainda pouco claro, evolutivo e portanto a ter em conta), mas nunca da base que tem orientado uma parte substancial do debate sobre o Aborto – a de que este acto é condenado por Deus, através da Sua Palavra, da Bíblia.

Ora, não sendo tal verdade, estando este Livro Sagrado isento desta matéria, saibamos dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.

Assim, os que são anti Aborto assumam-se somente enquanto tal, antiabortistas, deixando de lado pressões religiosas, defendam o que é do seu ponto de vista, no plano de César e não no plano de Deus.

É um direito que lhes assiste, absolutamente respeitável, mas sem chantagens emocionais, sem pressões em volta do nome de Deus.

Um outro assunto, ainda no contexto de dar a César o que é de César, é a questão moral inerente ao Aborto. Tal questão resume-se à função de sustentação da nossa Espécie, a Humana e, portanto, à importância do acto reprodutório enquanto, por ora, único meio de sustentação da mesma.

Esse tema, não pode ser visto no contexto de um posicionamento religioso, ou espiritual, mas sim num contexto moral e social. Ou as comunidades entendem que têm a vontade anímica de prosseguir, ou entendem que chegaram ao fim de um percurso, o da sua presença entre a Comunidade Humana global.

Tempos houve em que a educação sexual se desenvolvia, distendidamente, entre rituais comunitários de crescimento pessoal, masculino e feminino, e em que a função reprodutora era assumida como um elemento determinante para a sustentação das mesmas comunidades.

Algumas comunidades, como os Cátaros, por exemplo, assumiam que a sua própria existência correspondia à existência do Diabo, pois seríamos, todos, filhos do Diabo. Daí que condenavam a reprodução e a continuidade da Espécie Humana.

Outras Comunidades entendiam que a proximidade à espiritualidade era mais fácil com processos de abstinência o que condizia a uma penalização da sexualidade e da reprodução.

A Bíblia não condena nem a sexualidade, condena sim a devassidão, nem a reprodução e a continuidade da Espécie Humana, e, mais, explicita em todas as suas palavras o Amor de Deus aos Seres Humanos e o desejo que tem em ser Amado por eles.

Infelizmente, as comunidades em que vivemos são cada vez mais comunidades fechadas, apartamentos em prédios, onde o núcleo se encerra e onde os Valores, os Costumes, e as técnicas vivenciais não se transmitem adequadamente,

Se passearmos na net pelo Conselho Nacional da Educação verificaremos a estupidificante verborreia em volta de questões simples como a transmissão da experiência sexual, do Amor entre os seres humanos e entre os casais que justifica a idiotice dos debates em volta da questão do Aborto.

Porque não pode haver posição esclarecida sobre o Aborto se não houver uma posição esclarecida sobre a sexualidade e a importância da continuidade das comunidades humanas.

Assim, se o Aborto não é pecado, pode ser penalizável, moral e socialmente, ( que não juridicamente), se for transformado em meio de rejeição da nossa função de continuidade das comunidades onde estamos e de que somos parte.

Isto é, uma decisão de Aborto, tomada no contexto de um casal, por razões de saúde, tomada por razões de evidente impossibilidade de sustentação do filho que vem, não pode ser condenada, nem moral nem socialmente e muito menos juridicamente.

Mas uma decisão de Aborto, tomada pelo simples amor ao corpo, pelo simples desejo de continuidade de uma vivência de estrito prazer, é, sem dúvida, moral e socialmente condenável.

Na verdade, cada vez menos, o Aborto pode ser entendido como instrumento contraceptivo pelos impactos particularmente negativos que tem sobre a saúde, física e psicológica da mulher, pela simples razão de existirem outros meios com efeitos radicalmente minimizados sobre a mulher se prevenção da gravidez, pelo que, assim, o Aborto tem de ser, também, radicalmente neutralizado.

Não em nome de qualquer acto pecaminoso, mas em nome da saúde, individual e pública.

Mas, para tal, há que pôr fim, também, a esta larvar ignorância sobre a sexualidade, a esta perspectiva injustificada em qualquer circunstância, de penalização da sexualidade, que vai ao ponto de anular a educação sexual das crianças e dos jovens e a esta atitude demente de negação da prevenção da gravidez.

Tal como há que pôr fim à sustentação desta perspectiva generalizada de rejeição da Reprodução.

Só que tal perspectiva aponta para a negação dos actuais conceitos de beleza humana, que conduzem a uma parte dominante da rejeição da gravidez por parte das Jovens, como aponta para a assunção, pela Comunidade, da responsabilidade colectiva que temos, todos, de ter do apoio à Infância, à Juventude, apoio que não cabe somente às mamãs e aos papás mas sim, como sempre foi, à Comunidade no seu todo.

Só assumindo a educação sexual, que sempre existiu, só assumindo o apoio colectivo às crianças e jovens, como sempre sucedeu, é que é possível travar esta tendência ao suicídio colectivo a que hoje assistimos, em particular nas nossas sociedades ditas desenvolvidas.

Cabe pois às comunidades alterarem radicalmente Valores hoje dominantes, que passam pela definição de corpos “saudáveis” que apontam para corpos estéreis, que passam pela não aceitação da educação sexual das crianças e dos jovens, que passam pelas lógicas individualistas e pela rejeição da continuidade da nossa espécie, a humana.

Cabe-nos, como de costume, o papel de sermos os que trazem o bom senso, a um debate que se perspectiva ridículo e inútil porque sectário e não educativo.

Com este texto pretendo participar nesta nossa função, de forma positiva e capaz de apontar um caminho que venha da Tradição para um Futuro que desejo cada vez melhor para todos.








Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 12:29
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