Segunda-feira, 20 de Novembro de 2006

De Da Vinci ao seu Código

De um outro livro, o Código Da Vinci Descodificado vale retirar algumas lições sobre o livro mito que as livrarias nos forneceram., O Código Da Vinci…de facto, um simples romance, parece que nasceu para abalar, um pouco, alguns poderosos…mas ao fazê-lo fá-lo porquê? Eis a questão que vale a pena pôr e dar alguma resposta…

De facto, tratando-se de um livro que se concentra em temas que muito têm a ver com a Maçonaria, a verdade também é que a mesma pouco se vê neste romance, onde a figura essencial, sempre presente, é o Priorado de Sião, um grupo esotérico, no romance de idade bastante provecta…como é usual, aliás, seja ou não verdade…

Segundo este romance, vive-se hoje um tempo de guerra – de Valores, de Mitos, de Origens…

O primeiro confronto, o maior de todos, resume-se a
uma guerra do tempo do Mundo – o conflito Homem/ Mulher, o reposicionamento da Mulher no campo esotérico, face a estes tempos de Igualdade de Oportunidades..ou da redescoberta da Lua e do Sol..

O segundo confronto, explicito, resume-se a uma guerra no interior da Igreja Católica, entre os que defendem um Cristo que precisa de ser diferente das Pessoas para ser Filho de Deus e os que o sonham como Pessoa enquanto Filho de Deus.

No romance nasce, pois, uma Entidade – o Priorado do Sião – a quem se contrapõe a Igreja Católica, ou melhor, uma parte dela, a Opus Dei.

Diz o …Descodificado – “A sociedade secreta com séculos de idade em cuja existência invisível se tece toda a intriga d’O Código Da Vinci…De acordo com a história “oficial” nos arquivos do priorado do Sião, os Dossiers Secretos, a ordem de Sião foi fundada em 1090 na Terra Santa por Godofredo de Bulhão, o qual capturou Jerusalém em 1099”(pág. 151).

Assim, esta ultima obra mistura o nascimento do Priorado de Sião com o nascimento dos Templários, sendo que “De acordo com os documentos do Priorado, foi este o início da ordem secreta que veio a ser conhecida como o Priorado do Sião”, (pág. 151), Ordem que se terá desenvolvido a par com os Templários para deles se separar em 1188, com o conhecido Corte do Elmo…e dele Priorado do Sião nascer a Ordem da Cuz de Rosa Veritas, ou Ormus, a partir de “orme”, elmo.


Relata-nos o ….Descodificado que “…na ausência de qualquer afirmação clara de objectivo, Baigent, Leigh e Lincoln”, estudiosos do Priorado do Sião, “desenvolveram eles mesmos a teoria revolucionária de que a linhagem merovíngia pode representar os vestígios de uma linhagem que descende dos filhos de Jesus e Maria Madalena, (a qual, segundo se crê, encontrou refúgio em França depois da Crucificação), e que o objectivo do priorado de Sião era, de facto, o de proteger esta linhagem sagrada”(pág.. 153).

Também segundo o …Descodificado, Pierre Plantard , um dos grão mestres desta Ordem com mais tempo de grão mestrado, e que se verá de seguida ser uma pessoa bastante polémica, durante toda a sua vida, ter-se-á assumido enquanto “descendente directo do rei merovíngio, Dagoberto II”, (in, obra citada, pág. 147), pelo que o Priorado de Sião seria ainda o espaço adequado para este cidadão apresentar as suas reivindicações ao trono real francês.

Mas, entretanto, Pierre Plantard de Sain-Clair, considerado comprovadamente pelo Priorado como seu Grão Mestre, nega, ele próprio, a tese da antiguidade, tal como é apresentada pelo Descodificado. desta Ordem, em Vaincre, nº1, April 1989, págs 5/6, numa entrevista elaborada por Noel Pinot, “A fundação do Priorado do Sião não foi nem ao tempo das Cruzadas nem ao tempo da Declaração à Sub Prefeitura de Saint –Julien-en-Genevoise, em 1956…de acordo com os arquivos que possuímos, que são os do sr de Saint – Hillier, (tio avô de Philippe de Cherisey e Hillier sem um S)…o Priorado do Sião foi fundado a 19 de Setembro de 1738 em Rennes-Le- Chateau por François d’Hautpoul e Jean Pierre de Negre. Se existem quaisquer conexões anteriores delas não estamos certos. “. (in http://priory-of-sion.com/psp/id132.html ). Irá ainda negar, em Vaincre, nº 3, Setembro de 1989 ser pretendente “ao trono de França”.Segundo este boletim “A sua linhagem resulta dos Condes de Rhédae e do lado da linhagem feminina de Saint Clair-sur- Epte, que não tem relação com “Snclair”. O ramo inglês de Saint-Clair/Rossslyn terá desaparecido em 1302.”, (in http://priory-of-sion.com/psp/id132.html ), o que põe em causa, portanto, a obra …Descodificado.

É certo que este Grão Mestre do Priorado do Sião terá sido um dos seus mais polémicos Grão Mestres, com um histórico que vai ao apoio a Pétain, ao antijudaísmo, etc, na sua juventude. É ainda certo que a revista Vaincre, nº3, de Setembro de 1989, já escreve que as origens do Priorado do Sião “é só um mais ou menos directo sucessor das Crianças de St Vincent e (provavelmente) da Companhia do Abençoado Sacramento fundada em 1629 por Henri Levis, teoricamente dissolvida em 1665, mas de que existiam ainda 50 anos mais tarde alguns secretos adeptos”, (in http://priory-of-sion.com/psp/id133.html ), dando assim maior antiguidade a esta Ordem.


Um outro documento, que pode ser lido na INTERNET, O “Prieuré de Sion”, de Bernardo Sanchez da Motta, relata-nos que o Priorado de Sião, “Começou como uma associação declarada legalmente (de acordo com a lei francesa de 1901) a 20 de Junho de 1956. Pierre Plantard está por detrás da sua fundação, juntamente com André Bonhomme…”, (in http://bmotta.planetaclix.pt/prieure.html ) e, mais à frente ficamos a saber que, pelos seus estatutos esta organização tinha como objecto, “A constituição de uma ordem católica, destinada a restituir sob uma forma moderna, conservando-lhe o seu carácter tradicionalista, o antigo cavaleiro, que foi, pela sua acção, a promotora de um ideal altamente moralizador e elemento de uma melhoria constante das regras de vida da personalidade humana”, o que, como se viu, Pierre Plantard não nega de todo, relevando somente outras origens não legais…

Arrasador, para com o Priorado do Sião, este último autor aponta razões políticas extremistas, de direita, ao nascimento desta Ordem que nunca terá sido mais que uma invenção de Pierre Plantard, não poucas vezes reduzida a ele próprio.

Na mesma linha segue um artigo da The Times, de 21 de Junho de 2003, citado na íntegra na página da Opus Dei, que classifica o Código Da Vinci como “o mais estúpido, inexato, pouco informado, estereotipado, descomedido e popularucho exemplo de “pulp fiction” que já li.”, (in, http://www.opusdei.pt/art.php?w=28&p=8147 ).

Também, em 1996, terá André Bonhomme declarado o que segue à BBC, “O Priorado do Sião já não existe. Nunca estivemos envolvidos em quaisquer actividades políticas. Eram 4 amigos que se juntavam para se divertirem. Chamávamo-nos de Priorado do Sião porque havia um monte perto com esse nome. “, (in http://priory-of-sion.com/psp/id43.html ).

E sobre Pierre Plantard um tal Paul Smith em Cracking the Da Vinci Code?-Not Likely!, (in http://home.graffiti.net/prioryofsion/cox.html ), diz, “Pierre Plantard foi um constante charlatão e fantasista que entre 1937-1989 criou várias associações fantasmas…”, como diz ainda que, “A lista de Grão Mestres dos Dossiers secretos são derivadas de documentos da Francesa AMORC compilados por Raymond Bernard. Nomes não existentes nos documentos da Francesa AMORC – como Jean Cocteau, por exemplo – foram adicionados à versão da lista que se vê nos Dossiers Secretos por Philippe de Chérisey (por causa do seu interesse no surrealismo).

Resta-nos, para já, pois, entender a obra O Código Da Vinci enquanto uma obra dominantemente ficcionista onde se podem colocar várias hipóteses – a) ter surgido para ser um libelo, cauteloso mas um libelo, contra a ala direita da Igreja Católica e, de certa forma contra a


Igreja Católica e o Cristianismo no seu todo, pró via do levantar a questão da relação Jesus Cristo Maria Madalena, assim como, muito especialmente, um libelo contra a Opus Dei, um verdadeiro braço “macho” actual da igreja; b) além disso ser, ainda, um instrumento de menorização das Ordens Maçónicas por via da invenção de uma Ordem aparentemente inexistente, o Priorado de Sião, a quem se releva um passado aparentemente inexistente

Fica, no entanto, outro assunto por resolver – o enorme sucesso desta obra.

Apesar dos violentos ataques de que foi alvo,(e, se calhar, também por causa dos mesmos) O Código Da Vinci demonstra bem como as Pessoas em geral procuram encontrar, no Passado, as razões para um Futuro especialmente inseguro e pejado de enormes angústias para cada um, desde o plano da estabilidade individual, ao plano das novas matérias que a ciência crescentemente coloca às Pessoas.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 11:41
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