Terça-feira, 31 de Maio de 2005

Uma União Europeia egoísta....

Caminhamos para o fim da UE? Ou estamos somente a assistir a mais um exemplo do egoísmo "rico" de uns tantos europeus que, anunciando-se "de esquerda" surgem como os paladinos de um serôdio egoísmo, ou, anunciando-se de "nacionalistas", mais não parece quererem que o manter de estatutos antigos de predomínio sobre um "Resto do Mundo" que, cada vez mais, ignora esta Europa isolacionista.

A questão da rejeição da Constituição Europeia surgiu como um "argumento" para a justificação do descontentamento destes "europeus" egoístas, ou a sua rejeição, em França, e ao que parece na Holanda, surge como um claro desejo de uma mais lenta evolução desta União Europeia que pensavamos ser um desejo da larga maioria dos Europeus?

Para um Afroeuropeu é triste o sucedido em França, mas, na realidade, não espanta. A França de De Gaulle morreu ja e deu origem a esta França isolacionista, continentalista, encerrada em si e nos seus pequenos prazeres, mesmo quando "de esquerda". Mas para um Afroeuropeu o sucedido é bem mais do que triste -é preocupante!

A Europa fechada em si é a ideia de uma Globalização a uma só voz dominante, a par de uma multiplicidade de "pequenas e médias" vozes, todas elas suficientemente frágeis para que a Globalização seja a Globalização Americana pura e simplesmente.

Ora essa perspectiva é mais que negativa para os que sonham ainda com a possibilidade de um Mundo progressivamente mais justo, mais equilibrado, mais inter sustentado...havendo um único centro de poder os restantes continentes estarão mais sozinhos, mais abandonados, face à voracidade do Grande Poder.

Triste dia este do Não na França.

Pobre De Gaulle....
publicado por JoffreJustino às 23:16
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2005

De Da Vinci ao seu Código…

De um outro livro, o Código Da Vinci Descodificado vale retirar algumas lições sobre o livro mito que as livrarias nos forneceram., O Código Da Vinci…de facto, um simples romance, parece que nasceu para abalar, um pouco, alguns poderosos…mas ao fazê-lo fá-lo porquê? Eis a questão que vale a pena pôr e dar alguma resposta…

De facto, tratando-se de um livro que se concentra em temas que muito têm a ver com a Maçonaria, a verdade também é que a mesma pouco se vê neste romance, onde a figura essencial, sempre presente, é o Priorado de Sião, um grupo esotérico, no romance de idade bastante provecta…como é usual, aliás, seja ou não verdade…

Segundo este romance, vive-se hoje um tempo de guerra – de Valores, de Mitos, de Origens…

O primeiro confronto, o maior de todos, resume-se a
uma guerra do tempo do Mundo – o conflito Homem/ Mulher, o reposicionamento da Mulher no campo esotérico, face a estes tempos de Igualdade de Oportunidades..ou da redescoberta da Lua e do Sol..

O segundo confronto, explicito, resume-se a uma guerra no interior da Igreja Católica, entre os que defendem um Cristo que precisa de ser diferente das Pessoas para ser Filho de Deus e os que o sonham como Pessoa enquanto Filho de Deus.

No romance nasce, pois, uma Entidade – o Priorado do Sião – a quem se contrapõe a Igreja Católica, ou melhor, uma parte dela, a Opus Dei.

Diz o …Descodificado – “A sociedade secreta com séculos de idade em cuja existência invisível se tece toda a intriga d’O Código Da Vinci…De acordo com a história “oficial” nos arquivos do priorado do Sião, os Dossiers Secretos, a ordem de Sião foi fundada em 1090 na Terra Santa por Godofredo de Bulhão, o qual capturou Jerusalém em 1099”(pág. 151).

Assim, esta ultima obra mistura o nascimento do Priorado de Sião com o nascimento dos Templários, sendo que “De acordo com os documentos do Priorado, foi este o início da ordem secreta que veio a ser conhecida como o Priorado do Sião”, (pág. 151), Ordem que se terá desenvolvido a par com os Templários para deles se separar em 1188, com o conhecido Corte do Elmo…e dele Priorado do Sião nascer a Ordem da Cuz de Rosa Veritas, ou Ormus, a partir de “orme”, elmo.


Relata-nos o ….Descodificado que “…na ausência de qualquer afirmação clara de objectivo, Baigent, Leigh e Lincoln”, estudiosos do Priorado do Sião, “desenvolveram eles mesmos a teoria revolucionária de que a linhagem merovíngia pode representar os vestígios de uma linhagem que descende dos filhos de Jesus e Maria Madalena, (a qual, segundo se crê, encontrou refúgio em França depois da Crucificação), e que o objectivo do priorado de Sião era, de facto, o de proteger esta linhagem sagrada”(pág.. 153).

Também segundo o …Descodificado, Pierre Plantard , um dos grão mestres desta Ordem com mais tempo de grão mestrado, e que se verá de seguida ser uma pessoa bastante polémica, durante toda a sua vida, ter-se-á assumido enquanto “descendente directo do rei merovíngio, Dagoberto II”, (in, obra citada, pág. 147), pelo que o Priorado de Sião seria ainda o espaço adequado para este cidadão apresentar as suas reivindicações ao trono real francês.

Mas, entretanto, Pierre Plantard de Sain-Clair, considerado comprovadamente pelo Priorado como seu Grão Mestre, nega, ele próprio, a tese da antiguidade, tal como é apresentada pelo Descodificado. desta Ordem, em Vaincre, nº1, April 1989, págs 5/6, numa entrevista elaborada por Noel Pinot, “A fundação do Priorado do Sião não foi nem ao tempo das Cruzadas nem ao tempo da Declaração à Sub Prefeitura de Saint –Julien-en-Genevoise, em 1956…de acordo com os arquivos que possuímos, que são os do sr de Saint – Hillier, (tio avô de Philippe de Cherisey e Hillier sem um S)…o Priorado do Sião foi fundado a 19 de Setembro de 1738 em Rennes-Le- Chateau por François d’Hautpoul e Jean Pierre de Negre. Se existem quaisquer conexões anteriores delas não estamos certos. “. (in http://priory-of-sion.com/psp/id132.html ). Irá ainda negar, em Vaincre, nº 3, Setembro de 1989 ser pretendente “ao trono de França”.Segundo este boletim “A sua linhagem resulta dos Condes de Rhédae e do lado da linhagem feminina de Saint Clair-sur- Epte, que não tem relação com “Snclair”. O ramo inglês de Saint-Clair/Rossslyn terá desaparecido em 1302.”, (in http://priory-of-sion.com/psp/id132.html ), o que põe em causa, portanto, a obra …Descodificado.

É certo que este Grão Mestre do Priorado do Sião terá sido um dos seus mais polémicos Grão Mestres, com um histórico que vai ao apoio a Pétain, ao antijudaísmo, etc, na sua juventude. É ainda certo que a revista Vaincre, nº3, de Setembro de 1989, já escreve que as origens do Priorado do Sião “é só um mais ou menos directo sucessor das Crianças de St Vincent e (provavelmente) da Companhia do Abençoado Sacramento fundada em 1629 por Henri Levis, teoricamente dissolvida em 1665, mas de que existiam ainda 50 anos mais tarde alguns secretos adeptos”, (in http://priory-of-sion.com/psp/id133.html ), dando assim maior antiguidade a esta Ordem.


Um outro documento, que pode ser lido na INTERNET, O “Prieuré de Sion”, de Bernardo Sanchez da Motta, relata-nos que o Priorado de Sião, “Começou como uma associação declarada legalmente (de acordo com a lei francesa de 1901) a 20 de Junho de 1956. Pierre Plantard está por detrás da sua fundação, juntamente com André Bonhomme…”, (in http://bmotta.planetaclix.pt/prieure.html ) e, mais à frente ficamos a saber que, pelos seus estatutos esta organização tinha como objecto, “A constituição de uma ordem católica, destinada a restituir sob uma forma moderna, conservando-lhe o seu carácter tradicionalista, o antigo cavaleiro, que foi, pela sua acção, a promotora de um ideal altamente moralizador e elemento de uma melhoria constante das regras de vida da personalidade humana”, o que, como se viu, Pierre Plantard não nega de todo, relevando somente outras origens não legais…

Arrasador, para com o Priorado do Sião, este último autor aponta razões políticas extremistas, de direita, ao nascimento desta Ordem que nunca terá sido mais que uma invenção de Pierre Plantard, não poucas vezes reduzida a ele próprio.

Na mesma linha segue um artigo da The Times, de 21 de Junho de 2003, citado na íntegra na página da Opus Dei, que classifica o Código Da Vinci como “o mais estúpido, inexato, pouco informado, estereotipado, descomedido e popularucho exemplo de “pulp fiction” que já li.”, (in, http://www.opusdei.pt/art.php?w=28&p=8147 ).

Também, em 1996, terá André Bonhomme declarado o que segue à BBC, “O Priorado do Sião já não existe. Nunca estivemos envolvidos em quaisquer actividades políticas. Eram 4 amigos que se juntavam para se divertirem. Chamávamo-nos de Priorado do Sião porque havia um monte perto com esse nome. “, (in http://priory-of-sion.com/psp/id43.html ).

E sobre Pierre Plantard um tal Paul Smith em Cracking the Da Vinci Code?-Not Likely!, (in http://home.graffiti.net/prioryofsion/cox.html ), diz, “Pierre Plantard foi um constante charlatão e fantasista que entre 1937-1989 criou várias associações fantasmas…”, como diz ainda que, “A lista de Grão Mestres dos Dossiers secretos são derivadas de documentos da Francesa AMORC compilados por Raymond Bernard. Nomes não existentes nos documentos da Francesa AMORC – como Jean Cocteau, por exemplo – foram adicionados à versão da lista que se vê nos Dossiers Secretos por Philippe de Chérisey (por causa do seu interesse no surrealismo).

Resta-nos, para já, pois, entender a obra O Código Da Vinci enquanto uma obra dominantemente ficcionista onde se podem colocar várias hipóteses – a) ter surgido para ser um libelo, cauteloso mas um libelo, contra a ala direita da Igreja Católica e, de certa forma contra a Igreja Católica e o Cristianismo no seu todo, pró via do levantar a questão da relação Jesus Cristo Maria Madalena, assim como, muito especialmente, um libelo contra a Opus Dei, um verdadeiro braço “macho” actual da igreja; b) além disso ser, ainda, um instrumento de menorização das Ordens Maçónicas por via da invenção de uma Ordem aparentemente inexistente, o Priorado de Sião, a quem se releva um passado aparentemente inexistente

Fica, no entanto, outro assunto por resolver – o enorme sucesso desta obra.

Apesar dos violentos ataques de que foi alvo,(e, se calhar, também por causa dos mesmos) O Código Da Vinci demonstra bem como as Pessoas em geral procuram encontrar, no Passado, as razões para um Futuro especialmente inseguro e pejado de enormes angústias para cada um, desde o plano da estabilidade individual, ao plano das novas matérias que a ciência crescentemente coloca às Pessoas.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:20
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AS ORIGENS DA MAÇONARIA

Não sou maçon, nem pertenço a
qualquer outra ordem semelhante
ou diferente. Não sou porém anti-
maçon, pois o que sei do assunto
me leva a ter uma ideia absoluta-
mente favorável da Ordem Ma-
çónica

Fernando Pessoa, A Maçonaria,
vista por Fernando Pessoa e
Norton de Matos, reprodução
do célebre artigo do Diário de
Lisboa, nº 4399 de 4 de Feve-
Reiro de 1935, (pág.7).






O documento que se cita acima é um de vários artigos que Fernando Pessoa tem sobre a Maçonaria, sendo provavelmente o mais relevante, pois é um artigo onde este mito português saiu publicamente em defesa da Maçonaria, contra o Regime Salazarista, quando o mesmo se preparava para a ilegalizar, como fez.

Trata-se de um momento importante da História da Maçonaria, (e de Portugal), que não está suficientemente estudado. Na verdade, convém, entretanto, recordar que estiveram, em 28 de Maio de 1926, maçons dos ambos lados da barricada, desta data que originou a mais prolongada ditadura em Portugal, (como aliás já tinham estado aquando da Ditadura Sidonista), para se perceber que a Ditadura impunha, com este acto de ilegalização, em 1935, marcar um rumo definitivamente ultraconservador e antidemocrático ao regime.

Mas não cabe a este texto trabalhar tal assunto. Valia no entanto a pena começar um trabalho, em português, sobre as Origens da Maçonaria, partindo de um texto tão emblemático quanto este e ainda por cima considerando o facto de ser escrito por quem é – um dos Poetas referência de expressão portuguesa e um especial estudioso da questão esotérica e cabalistica em Portugal, como foi Fernando Pessoa.


Como, por outro lado, convém recordar (e nada melhor que com Fernando Pessoa), esta, mais uma, das perseguições contra a Maçonaria para procurar enquadrar o como, desde as origens, a Maçonaria procurou o recato dos silêncios para agir, e o porquê de alguma dificuldade em encontrar bases para estudar a sua origem.

No texto Das Origens e Essência da Maçonaria e do Seu Contributo Judaico, publicado no Alma Errante, 1932, e também publicado no opúsculo, A Maçonaria que edita o texto anteriormente referido, Fernando Pessoa procura relacionar a veracidade da interligação Maçonaria/Judaísmo, um dos elementos da perseguição aos Maçons nos séculos XIX e XX.

No entanto, para o efeito do presente trabalho, nesse mesmo texto procuraremos outros caminhos que Fernando Pessoa nos queira revelar também, mais relacionados com as origens da Maçonaria, como iremos buscar outras fontes de informação que nos ajudem a encontrar caminhos que aligeirem, um pouco que seja, as nuvens que encobrem esta Ordem Iniciática, no que às suas origens diz respeito.

Segundo Fernando Pessoa, “ ....a Maçonaria não é uma Ordem Judaica, e o conteúdo dos graus fundamentais...não é judaico em espírito..”(obra citada página 26) e, muito prosaicamente, Fernando Pessoa diz ainda “...é que ela é, quanto à composição dos graus simbólicos, plausivelmente um produto do protestantismo liberal...um produto do século XVIII inglês, em toda a sua chateza e banalidade...O protestantismo foi, precisamente, a emergência, adentro da religião cristã, dos elementos judaicos, em desproveito dos Greco-Romanos...”(obra citada, pág. 26).

No entanto, Amando Hurtado, em Por Qué Soy Masón, apresenta outra versão, “Apareceram,…naquele século das Luzes, detentores de grandes “segredos” transcendentais…Sociedades secretas de ocultista, de magos, de conspiradores, de erotomanos, de gastrónomos…Todos desejavam vincular-se…com alguma tradição maçónica..nem sequer os jesuítas, sempre tão interessados em recuperar para a Igreja uma Maçonaria católica…exigiu-se-lhe a defesa dos interesses de Roma por via da sua odisseia stuartista na Inglaterra, Escócia e França…a sua proverbial tenacidade e a sua nada desdenhável imaginação…levaram-nos a acalentar o aparecimento de vários dos chamados “graus cavalheirescos” especificamente ligados aos escocismo stuartista e à Ordem de Santo André da Escócia. Os ritos crísticos “templários” levam, segundo muitos investigadores especializados, a marca indelével dos “companheiros de Jesus””, (in obra citada, pág. 38).


Bem menos protestantista, portanto, esta origem da Maçonaria, da operativa pelo menos, se seguirmos esta última via de pensamento…ainda que não deixasse de ser útil estudar-se, não aqui certamente, as relações entre a Igreja Católica, as restantes Igrejas cristãs e a proibição da Ordem dos Templários….

Acompanhando um outro percurso, é certo que exista quem, até com algum cuidado científico, que aqui só referimos, como Luis Nandim de Carvalho, em Teoria e Prática da Maçonaria, aceite procurar as origens da Maçonaria na hipótese do ser Humano alienígena, “Ora, seriam os filhos de Deus seres celestiais, ou extraterrestres?...E se se considerar Adão como o primeiro homem ( ou como um exemplo de um ser vindo do espaço exterior que se aclimatou à Terra), e como o primeiro maçon, isto é o primeiro elo de espiritualidade terrestre?”, ainda que entenda pertencer aos que “identificam aspectos históricos comprovados, e exprimem duvidas sobre os antecedentes que se localizam em períodos anteriores às grandes civilizações da Antiguidade, (in obra citada págs 36/37).

Mais, podemos continuar a encontrar, ainda hoje, na INTERNET, textos como o que de seguida citaremos, de Jaime Leivas Piuma, Pequena História Livre da Maçonaria, retirado de www.lojasmaconicas.com.br/artigo2/pequenahistoria.htm, “A Maçonaria Antiga vem dos tempos de Noé, segundo algumas especulações, ou desde Moisés, segundo outras e, seguramente existiu entre os caldeus, continuou existindo durante o predomínio da Civilização Egípcia, chegou ao século IX…”(in texto acima citado).

Outros, procuram encontrar as origens da Maçonaria também em tempos remotos, a partir do Egipto. Um outro autor brasileiro, em uma palestra, de 30 de Dezembro de 1999, que pode ser encontrada em www.mais.com/liberdade/P1_txt_start.asp?plfile=05/26/00&cal=maso por exemplo, defende esta tese da forma que segue, “Mesmo em toda a visão em que nos acostumamos a ter do Egito, as formas simbólicas, a proporcionalidade, as proporções musicais, as proporções áureas, a construção, a arquitectura de um modo geral, estão muito relacionados…Uma reunião que procura fazer com que o homem cresça e isso está relacionado com a arquitectura ou com a construção. Para mim isso é um grande indício de que a Maçonaria de hoje é herdeira de um conhecimento vindo daquela época.”, (in texto citado pág.2).

No entanto, a mesma ideia é regeitada por muitos autores e pelo menos nos princípios do século XX, em 1913 por exemplo, conforme a obra de M. Borges Grainha, em História da Franco Maçonaria em Portugal, 1733-1912, que nos diz, a mesma é rejeitada com alguma veemência, “Espíritos romanticos e fantasistas emprestaram à Maçonaria origens lendárias; alguns encontraram-nas entre os construtores do Templo de Salomão, outros nos antigos mistérios dos orientais e dos egípcios e há quem julgue que ela procede dos mistérios



greco-romanos interpolados nas corporações operárias ou Collegium Adtificum dos romanos”.

Diz mais ainda este autor, “Imaginações exageradas fizeram-na remontar ao Paraíso Terrestre e Adão teria sido o primeiro Mestre ou, mais tarde, à época do Dilúvio, na construção da Arca de Noé, o qual teria sido, então, o primeiro Grão Mestre. Hoje, a História da Maçonaria...entrou no domínio científico e as suas lendas foram postas de lado...”, (in obra citada pág. 37).

Reparemos que em um texto de 1 787, citado por Amando Hurtado em Por Qué Soy Masón?, se pode ler também, “Ao criar Adão, à sua imagem, pode dizer-se que criou o primeiro maçon, pois gravou no coração de Adão as artes liberais e, em particular, a Geometria, que deve ser considerada justamente o fundamento da Arquitectura…Houve imediatamente depois de Adão, um Set, um Jabal, um Enoc, Noé e seus três filhos, Mizraím, Nemrod, etc”(in, obra citada pág. 106, referindo-se a uma obra de Bernard Picart, um não maçon, datada de 1 787).

Amando Hurtado não deixa de relevar a ingenuidade desta obra mas que, conforme ele realça, “não é senão o resultado da compilação feita por Payne e Andersen das narrativas que figuravam nos textos medievais das confrarias de construtores, (maçons operativos), como os manuscritos Cooke e Regius…”, (in obra citada pág. 105).

No entanto, e para relevar os múltiplos caminhos que a busca das origens da maçonaria implicam, Francisco Aruza, em um texto respigado da INTERNET, www.geocities.com/glolyam/ps1frar.htm A Simbologia da Franco Maçonaria, acentua que, “A estrutura simbólica e ritual da maçonaria reconhece numerosas heranças procedentes das diversas tradições que foram se sucedendo no Ocidente durante, pelo menos, os últimos dois mil anos…Procedendo de uma tradição de construtores, não deve parecer estranho que a maçonaria desempenhe a função de arca receptora, pois a construção ou edificação não tem outra função além de pôr “a coberto” ou “ao abrigo” …algo sagrado …proteger e separar do mundo profano…”(in texto citado).

Este posicionamento é já um pouco diferente dos anteriores. Ele procura sim relevar influências antigas, herdadas, relacionando a função dos construtores de Templos no decurso da História.

J. Castellani, prestigiado autor brasileiro, no seu texto Jesus: Maçom?, que pode ser encontrado em, www.lojasmaconicas.com.br/artigos/jesus_macom.htm, é, no mesmo documento peremptório, “A maçonaria, mesmo que os místicos fantasistas e sem base



histórica desejem o contrário, é uma ordem que surgiu na Idade Média. Não havia portanto maçonaria no início do Universo, na Pré História, no parque dos Dinossauros, no Paraíso, ou no início da era actual”, (In texto citado acima, pág.2).

Mais cauteloso, António Arnaut refere em Introdução à Maçonaria, “ A origem da Maçonaria antiga está envolta na névoa dos Tempos, das lendas e dos mitos. Alguns fazem mergulhar as suas raízes nos mistérios persas ou dos magos (100 000 anos), dos Brâmanes (5 000 anos), dos egípcios (Isis e Osiris – 3 000 anos), dos gregos (Cabyres, Ceres e Eleusis – 1 700 anos), dos Judeus (especialmente dos Essénios e de Salomão), dos Galo celtas (Druídas) e mais modernamente à Ordem dos Templários, fundada em 1 117.”,(in, obra citada pág. 17), certamente procurando não esquecer as inteinfluências e heranças acima referidas .

Com esta abordagem, e naturalmente, António Arnaut limita-se a seguir os documentos oficiais do Grande Oriente Lusitano. De facto, em um dos seus livros Ritual do Grau de Aprendiz Maçon, datado de 1910, pode –se ler, ”A maçonaria, como uma forma de progresso social, acompanha naturalmente a civilização humana desde os tempos primitivos.

È conhecida na história pela designação dos mistérios persas ou dos magos, mistérios índios ou dos brahmanes, mistérios egípcios ou de Ísis, mistérios gregos (cabyres de Samothracia e Eleusis), mistérios judaicos (Salomão e do cristianismo), mistérios francos (cavalaria e ordem do Templo) e mistérios brtânicos (corporação de arquitectos e franco maçonaria).”(in obra citada, pág.7).

Refere também António Arnaut que os segredos do Conhecimento eram transmitidos parcimoniosamente entre escolhidos que se identificavam entre si, após uma iniciação, “através de uma linguagem figurada e simbólica, que deu origem a diversos rituais de que ainda há vestígios na Ordem Maçónica. Cristo teria sido iniciado, e a sua doutrina seria a revelação dos mistérios Essénios”, (in obra citada, págs. 17 e 18).

Este pequeno passeio por um conjunto de autores que se preocuparam com as origens da Maçonaria, são, parece-me, suficientes para esclarecer as significativas divergências existentes no seio da Maçonaria, ao ponto de as várias correntes divergirem inclusivamente até na origem da mesma.

Procuraremos, também, ir abordando estes vectores de separação no seio da Maçonaria no decurso deste trabalho.



E assim, , com Francisco Aruza, e para entendermos os caminhos percorridos pela maçonaria, se pode constatar, do seu ponto de vista, das múltiplas correntes tradicionais que terão influenciado a Maçonaria, e portanto gerado diferentes correntes de opinião no seu seio que poderão inclusive sentirem-se na necessidade de buscarem, para a Ordem, diversas origens, “além do Hermetismo, as que procedem do Cristianismo, do Judaísmo e da antiga tradição greco-romana e, mais concretamente, do Pitagorismo”, (in texto citado do referido autor). Este autor de novo regressa às origens egípcias referindo os “símbolos cosmogónicos relacionados com a construção…”(idem acima).

Tal opinião é também defendida por Amando Hurtado, no texto que já citámos, “O que a Maçonaria consolida no século XVIII é a inserção da sua especulação filosófica no linha analógica do hermetismo. O pensamento hermético considera que existe uma interacção entre todos os elementos do Universo e que a metodologia do Conhecimento consiste “em reunir o disperso” estudando as interacções ”, (in obra citada pág.49), no que ao hermetismo diz respeito.

A . H. de Oliveira Marques, regressando aos aspectos históricos, em A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo, aproxima-se bastante de Fernando Pessoa no que respeita às origens da Maçonaria, “Sobre as origens da Maçonaria têm-se gasto rios de tinta...Ligação directa com um passado, só a encontramos no que respeita ao corporativismo obreiro. Como diz o historiador da Maçonaria Paul Naudon...”a franco maçonaria apresenta-se como a continuação e a transformação da organização de mesteres da Idade Média e do Renascimento, na qual o elemento especulativo tomou o lugar do elemento operativo”, (in obra citada pág. 37).

Mas é o próprio Oliveira Marques que acaba por reconhecer, “A corporação dos pedreiros, ligada à nobre arte da arquitectura, incluia-se entre as mais importantes, respeitadas e ricas em simbologia e em segredos. Nela se fundiam princípios, práticas e tradições de construção que remontavam aos egipcíos, aos hebreus, aos caldeus, aos fenícios, aos gregos, aos romanos e aos bizantinos, em suma, a todo o corpus da civilização europeia. Nesta medida, e só nela, se pode ligar a Maçonaria a uma remota Antiguidade.”,(in obra citada, pág. 37).

E, seguindo um raciocínio diverso de Fernando Pessoa, que aproxima a Maçonaria do Judaísmo somente por via da tradição protestante e da influência do séc. XVIII inglês, Oliveira Marques relaciona a Maçonaria ao Judaísmo, ou melhor com o Oriente e, de novo com uma componente católica, por via dos Templários, “à influência que os Templários exerceram na construção civil e religiosa e nas próprias corporações dos pedreiros do que a uma ligação directa entre Ordem do Templo e Ordem Maçónica”, (in obra citada pág. 38), pois seria nessa ligação que a Maçonaria teria ido beber o vocabulário do judaísmo bílblico.



Fernando Teixeira, em Maçonaria e Siglas de Pedreiros, acentua a vertente da construção de templos e o papel dos Templários, ao relacionar a Maçonaria com a Ordem do Templo, “...interessa-nos recordar que os Templários se relacionaram no Oriente com associações de construtores que existiam nessas regiões, desde os Colégios Romanos que ali tinham sobrevivido à sombra de Bizâncio, aos Taruc, seus similares muçulmanos, tendo nascido possivelmente desses contactos a sua vocação de construtores. O facto é que o artº 27 da Regra da Ordem dos Templários, cujo original se encontra na Biblioteca Orsini em Roma, estabelece as relações entre os Irmãos Eleitos e os Mestres Maçons: ” Devem-se utilizar para os nossos trabalhos e construções, homens das confrarias de construtores de igrejas e catedrais”Posteriormente, as comendadorias dos Templários contavam sempre entre os seus membros um Magister Carpentarius, verdadeiro arquitecto...estes homens, passavam a ser considerados artesãos de mesteres francos, ficando, por tal, isentos de muitos impostos e gozando de imunidades que lhes permitiam viajar e exercer livremente o respectivo ofício.” (in obra citada pág. 46).

Nandim de Carvalho, na obra atrás referida, pelo seu lado, realça esta ligação, recordando a perseguição de Filipe o Belo, rei de França, aos Templários, iniciada a 13 de Outubro de 1 307 e terminada a 18 de Março de 1 314 com a eliminação, pela fogueira de Jacques de Molay, ultimo Grão Mestre da Ordem dos Templários, e releva a fuga de alguns Templários para Irlanda e a Escócia, que aproxima a sua versão da de Amando Hutado, acima referida. Segundo ele, data também deste período, entre 1 307 e 1 309, a divulgação “ dos romances dos cavaleiros da Távola Redonda e da busca do Graal liderados por Sir Lancelot, Galahad e Percival”. (in obra citada, pág. 45), relevando-se o aspecto fantasioso necessário, provavelmente. para alimentar o stuardismo na região.

E, para Nandim de Carvalho, “as práticas então desenvolvidas a partir do século XIV assumem a conotação do escocismo, palavra utilizada para conotar as origens das lojas militares que acompanharam Carlos Stuart no seu exílio em França...e que originam o Rito Escocês. Este rito veio a ser uma das modalidades mais divulgadas ainda hoje das práticas rituais maçónicas...”(in obra citada pág. 45).

António Arnaut, na obra que já referimos, é, entretanto, mais humilde na contextualização histórica, “Historicamente apenas podemos afirmar que a Ordem Maçónica está ligada às corporações de pedreiros da idade média (séc. VIII)...Os arquitectos e construtores desses monumentos tinham de ser dotados de profundos conhecimentos técnicos, científicos e artísticos. Surgiram assim corporações de arquitectos, escultores, lavradores de pedra e operários especializados. Estas corporações gozavam de certos privilégios e eram protegidas pelo poder temporal e espiritual. O papa Nicolau III concedeu aos seus membros, em 1 277, o título de pedreiros livres, que implicava a isenção de impostos...”, (in obra citada pág. 20).



Já José Castellani, em Maçonaria – Uma História sem Mistério, Organizações de Ofício as Percursoras, acentua um percurso histórico bastante plausível, contextualizado e datado, feito a partir de caminhos diversos, o que permitirá justificar os actuais diversos posicionamentos no interior da Maçonaria, que se entrecruzaram e interligaram em vários momentos.

Assim, este autor inicia o seu percurso a partir da associação os Collegia Fabrorum, surgidas no séc. VI A.C., antes portanto, bem antes, do referido por António Arnaut, a primeira associação de construtores que acompanhava a expansão romana, as legiões romanas, “para reconstruir o que fosse sendo destruído pela guerra”, (in, texto citado, retirado de www.lojasmaconicas.com.br/artigos/macpm1.htm. Tratar-se-ia de uma associação “dotada de forte carácter religioso”, inicialmente politeísta, mas, “com a expansão do cristianismo, monoteísta”. Esta associação manteve pequenos grupos no “Império Romano do Oriente, cujo centro era Constantinopla”, (idem acima), onde, talvez, se tenham cruzado com os Templários.

Segundo Castellani este percurso teria continuidade com o surgimento das Associações Monásticas, surgidas a partir do século VI, DC, “formadas, principalmente, por clérigos, dominavam o segredo da arte de construir, que ficou restrita aos conventos…os artistas e arquitectos encontraram refúgio seguro nos conventos.”, sendo que daí foram sendo preparados leigos que possibilitaram o aparecimento, a partir do séc. X, das “Confrarias Leigas que…recebiam forte influência do clero, do qual haviam aprendido a arte de construir e o cunho religioso dado ao trabalho”(in texto citado).

Recorda ainda Castellani a Convenção de York, ocorrida em 926, convocada por Edwin, filho do rei Athelstan, realizada para reparar as consequências das guerras e invasões havidas. Nessa Convenção terá surgido a Carta de York, um documento que é um estatuto e “lei suprema da confraria”, (idem, texto citado), um primeiro passo para a formalização do que veio a ser a Maçonaria Operativa enfim.

Mais tarde, pelo séc. XII, terão nascido as Guildas, de onde surgiu, em primeiro documento escrito que se conheça, o conceito de Lojas, que designaria “uma corporação e o seu local de trabalho”, (idem texto citado). Como surgiram também, associadas às guildas, os Steinmetzen, “ou seja canteiros”, (in texto citado de Castellani), e, ainda os Ofícios Francos, “formados por artesãos privilegiados, com liberdade de locomoção e isentos das obrigações e impostos reais, feudais e eclesiásticos…”esses artesãos privilegiados eram, então, os pedreiros livres, franc-maçons, para os franceses ou free masons, para os ingleses”, (in texto acima).



No entanto, o já citado Ritual do Grau de Aprendiz Maçon apresenta esta evolução da forma que segue, “No século IX a corporação dos maçons arquitectos tomou formas regulares, dividindo-se em reuniões parciais que se chamavam Loges, todas dependentes de um corpo central ou Grande Loge, cuja sede era York e é então que eles constituem uma poderosa corporação. Obtiveram o privilégio exclusivo de executar certos trabalhos de arquitectura, alcançando o título de pedreiros livres, que lhes foi concedido pelo Papa Nicolau III em 1277 e confirmado por Benedito XII em 1334, título que implicava a isenção das contribuições pessoais, da jurisdição ordinária e da obediência aos regulamentos municipais e aos éditos dos reis”, (in obra citada pág. 8/9).

E, cruzando estes percursos, de novo, Castellani refere este período de outra forma e com outras datas, ainda que quase coincidentes, “No século XIII, em 1220, era fundada, na Inglaterra, durante o reinado de Henrique III, uma corporação de pedreiros de Londres, que tomou o título de The Hole Craft and Fellowship of Masons, (Santa Arte e Associação de Pedreiros) e que, segundo alguns autores, seria o germe da moderna Maçonaria”, (in texto citado), não deixando de ser curiosa a relação que se possa fazer entre esta criação e as Cruzadas que conduziram tantos cavaleiros ingleses para o contacto com o restante do Império Romano do Oriente.

Um pouco mais tarde, mas não tanto assim, considerando a época, aconteceria a Convenção de Estrasburgo, em 1275, convocada pelo mestre de canteiros e da catedral de Estrasburgo, Erwin de Steinbach, sendo na mesma este mestre eleito como Mestre de Cátedra. Nesta Convenção o importante terá sido a participação de obreiros da Inglaterra, da Alemanha e da Itália, dando uma forte conotação europeia, e entrecuzadora de culturas e experiências a esta Convenção.

Já pelo século XIV nasceriam os Compagnonnage, (Companheirismo), criados pelos “cavaleiros templários. Os membros dessa organização construíram, no Oriente Médio, formidáveis cidadelas, adquirindo certo número de métodos de trabalho herdados da Antiguidade…Retornando à Europa, eles tiveram a oportunidade de exercer o seu ofício…”, (in texto citado), pouco antes da Ordem dos Templários ter sido extinta, como já vimos atrás.

Francisco Aruza, em A Simbologia da Franco – Maçonaria, refere que “A liberdade de movimento de que gozavam os maçons francos, facilitaria os intercâmbios de conhecimentos com outros grémios de artesãos, dentre os quais se destaca a chamada Companheirismo”, (in texto citado pág. 10), gerados como se disse pelos Templários que, segundo Francisco Ariza, “mantinham sob sua protecção numerosas lojas maçónicas”, (idem pág. 11).



Este autor refere pois que perante a perseguição aos Templários, impostas por Filipe o Belo e Clemente V, “essas mesmas lojas sobretudo as da Inglaterra e Escócia acolheram no seu seio muitos dos templários sobreviventes que traziam consigo certos conhecimentos iniciáticos da sua Ordem que acabariam por integrar-se definitivamente na estrutura simbólica e ritual da Maçonaria”, (in texto citado pág.11), devendo destacar-se segundo este autor a Grande Loja Real de Edimburgo, “fundada pelo rei Bruce, que se opôs à extinção da Ordem do Templo…É significativo que o ano da constituição da Ordem Real da Escócia seja o ano de 1314, (ano em que se extinguiu a Ordem dos Templários) e que esta teve como Loja mãe a Ordem Heredom de Kilwinning, cujos alguns dos rituais eram de inspiração templária”, (in texto citado, pág. 11).

É Fernando Pessoa, ainda, que releva, mais uma vez, o papel da Ordem dos Templários na origem e estruturação da Maçonaria, “O sentido simbólico do Primeiro Templo, pode ser, na Maçonaria, de origem templária, e, portanto, cristã, pois a Ordem do Templo era-o “do Templo de Salomão”, e não se sabem ao certo os pormenores de iniciação secreta nessa Ordem. Quanto à palavra Perdida do Grau de Mestre, …A maior autoridade maçónica de hoje interpreta a Palavra Perdida de um modo nitidamente não judaico: Verbum Christus est, diz”, (in obra citada pág. 28).

Na verdade, as relações da Maçonaria Operativa com a Ordem dos Templários e com os Senhores da Terra e da Guerra, como o próprio Nandim de Carvalho refere, são evidentes e não só na Inglaterra, como na França.

Mas também Amando Hurtado recorda, “Deve assinalar-se o discurso pronunciado em Dezembro de 1736 pelo fidalgo franco britânico Miguel Andrés Ramsay na Grande Loja de Maçons franceses como a primeira afirmação explícita de uma vinculação maçónica com as ordens militares…”Desde a época das Cruzadas na Palestina, muitos principes, senhores e cidadãos se associaram para reestabelecer o templos dos cristãos na Terra Santa …A nossa Ordem, portanto, não deve ser considerada … senão uma Ordem moral fundada na remota Antiguidade e renovada na Terra Santa pelos nossos antepassados…Alguns tempos depois a nossa Ordem uniu-se aos Cavaleiros de São João de Jerusalém e, desde então, as nossas lojas levam o nome de lojas “São João” em todos os países””, (in obra citada, pág. 67).

Há na verdade uma importante conexão, como refere Nandim de Carvalho, “entre Templários e feudalismo escocês, com os seus antecedentes celtas…e a relação com os cavaleiros empenhados nas Cruzadas à Terra Santa, então em oposição ao rei de Inglaterra”, (in obra citada, pág. 45), o que terá determinado “uma nova evolução na expressão do espiritualismo esotérico dos construtores de catedrais/cavaleiros”, (idem acima).



Aliás, Fernando Teixeira, em Maçonaria e Siglas de Pedreiros, refere, “Assim, na Escócia por exemplo, sabemos que devido a um privilégio concedido em 1439 por Jaime II, as lojas continuavam agrupadas sob jurisdição de um mestre comum – o Grão Mestre – título que hereditariamente pertencia aos Lordes Saint – Clair of Rosslyn”, (in obra citada pág. 59), o que segundo o mesmo autor, “indicia claramente a razão de ser de dois percursos absolutamente distintos para a Maçonaria conforme se considera ou o Norte ou o Sul da Europa”, (in obra citada pág. 59).


Luís Nandim de Carvalho, entretanto, apresenta um percurso teoricamente adequado para o surgimento e sustentação da Maçonaria Operativa na sua obra Teoria e Prática da Maçonaria, relevando o papel de construtores de Templos dos Maçons. Segundo ele os operários que estavam ligados à construção de Templos não eram simples operários, “mas directamente participantes numa actividade de evidente significado transcendental, e espiritual, muito especialmente tendo em conta as partes nobres dos edifícios”, (in obra citada, pág. 40), o que levaria estes construtores a terem, para além dos procedimentos normais de iniciação profissional, perante qualquer aprendiz, de atender às exigências dos sacerdotes, “de modo a não conspurcar a finalidade deificada da construção”, (in obra citada pág. 40), o que daria, sem dúvida, uma função especificamente transcendental aos construtores de Templos e permitirá relacionar as variadas ordens ou seitas de operativos, na construção de Templos, de espaços religiosos e a sua presença específica e autónoma nos vários momentos históricos, enquanto o papel da Religião na estruturação da comunidades foi dominante .

É assim que os pedreiros receberiam o seu estatuto tendo em conta o poder espiritual detido pelos sacerdotes, sendo que não seria de todo impossível que, “os pedreiros teriam obtido por si mesmos a consideração superior dos sacerdotes, graças à perfeição, espiritualidade e qualidade do seu trabalho”, (in obra citada pág. 41), num processo de qualquer forma contraditório e sempre exigindo a estruturação orgânica dos operativos na construção.

Cruzam-se mais uma vez os caminhos, ter-se-ão, mais uma vez misturado os mitos, rituais, simbologias e filosofias…

Em 1376 a já citada Santa Arte e Associação de Pedreiros passa a denominar-se Companhia dos Franco maçons. Entre 1390 e 1400 surge o poema Regius, “o mais antigo documento histórico da Maçonaria e um texto retirado da INTERNET, www.iveargentina.org/Teolresp/religiones_sectas/masoneria.htm, O Teólogo responde, Masonería (Franco Masonería), de Herman Gruber, refere que “na lei inglesa a palavra francomaçon é mencionada pela primeira vez em 1495, enquanto que a palavra “Frank-mason” se encontra já numa acta de 1444-1445”, (in texto citado, pág.2)



Segundo uma palestra já citada, é neste tempo que se pode assumir como o período de nascimento da Maçonaria, dizendo o palestrante, “A origem da Maçonaria vai ser quando se começa a ter os seus documentos, isso por volta de 1300 a 1400”, (in, texto citado, pág. 3). Assim, este mesmo palestrante refere ainda, “Uma data que é muito apreciada é 1356, onde 9 pedreiros solicitam à Prefeitura de Londres um alvará para se reunirem e formarem uma associação”, (in texto citado, pág. 3).

Já Luís Nandim de Carvalho entende defender em Teoria Prática da Maçonaria que “De acordo com o enciclopedista Daniel Ligou, a primeira Loja Maçónica teria sido constituída na Escócia, no século XVI, provavelmente mesmo antes de 1598, visto datarem de 9 de Janeiro os protocolos (ou estatutos) da Aitchinson’s Haven Lodge,..”, (idem obra citada pág

Neste contexto, o da investigação das Origens da Maçonaria e depois do percurso já realizado neste texto, vale a pena referir também o interessante documento “Escolas do Pensamento Maçónico” de Roberto Bondarik, que se encontra em www.pedreiroslivres.com.br/escolaspensamentomac.htm . Segundo este documento a evolução dos conhecimentos científicos e históricos e dos métodos científicos ao serem aplicados ao estudo da Maçonaria vieram dar origem a 4 escolas de pensamento – a Escola Autêntica, a Escola Antropológica, a Escola Mística ou Inciática e a Escola Oculta.

A primeira, a Escola Autêntica, a quem o autor denomina também de Escola Histórica, terá surgido no século XIX. Com ela as tradições da Maçonaria foram examinadas à luz de documentos autênticos, por via da pesquisa de actas de reuniões, por exemplo, mas atendendo ainda ao facto de se ter em conta que “Numa sociedade secreta como é a Maçonaria, há de haver muita coisa que jamais foi escrita, mas apenas transmitida oralmente nas lojas”, (in texto citado, pág. 3).

Esta Escola tende, assim, a “fazer a Maçonaria derivar das lojas e Guildas operativas da Idade Média e fazer supor que os elementos especulativos foram enxertados no tronco operativo…”(idem acima).

A segunda, a Escola Antropológica, “Aplica as descobertas da Antropologia aos estudos da história maçónica…concede à Maçonaria uma Antiguidade muito maior que a tida pela Escola Autêntica, e assinala surpreendentes analogias com os antigos Mistérios de muitas nações…quaisquer que sejam os exactos elos na cadeia da descendência, na Maçonaria somos os herdeiros de uma tradição antiquíssima, durante incontáveis idades tem estado associada com os mais sagrados mistérios do culto religioso.”(in texto acima pág. 4).



As duas Escolas seguintes não se deveriam incluir neste texto pois, na realidade, a sua busca não se relaciona com as Origens da Maçonaria. No entanto, pelo seu papel na Maçonaria hodierna, seria errado não as referenciar.

A Escola Mística ou Iniciática, “Encara os mistérios da Ordem…vendo neles um plano para o despertar espiritual do homem e seu desenvolvimento interno…estes estudiosos estão mais interessados em interpretações do que em pesquisas históricas…sustentam que a Maçonaria tem pelo menos parentesco com os antigos Mistérios que visavam precisamente a mesma finalidade: a de oferecer ao homem uma via pela qual possa encontrar Deus…”, (idem acima, pág. 4).

A quarta Escola , a Escola Oculta, está relacionada com aquela que se denomina de Ordem Co-maçónica, ou Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain que defende que, “um dos seus principais e característicos postulados é a eficácia sacramental do cerimonial maçóniico, quando devida e fielmente executada, …a união consciente com Deus…o método ocultista se desenvolve através de uma série de etapas gradativas, de uma Senda de Iniciações…um “voo do solitário para o solitário”…”, (idem acima pág. 5).

Há pois, cada vez mais, a vontade de cruzar caminhos, linhas de rumo, vários, por forma a apreendermos o complexo percurso desenvolvidos por aqueles que estão nas origens da Maçonaria.

Mas, regressando ao percurso que fazemos, é importante recordar que se assiste a um lento regredir das corporações entre os séculos XV e XVI.

Como refere Fernando Teixeira na obra que já citámos, “Ocorre neste momento esclarecer que o fim das lojas dos pedreiros coincide com o fim dos segredos da construção. A Renascença ensina Arquitectura e com esse ensino aquela ciência sai de vez da fase artesanal e mágico – religiosa. Reparemos no entanto que a Renascença é uma explosão retardada que se desenvolve ao longo de quase dois séculos, propagando-se logicamente do centro – Roma – para as mais distantes periferias”, (in obra citada pág. 59).

Fernando Teixeira refere bem na sua obra já citada, no seu posfácio, “Importa contudo notar que o Renascimento não foi um acontecimento sucedido em data localizável e festiva…E, como era lógico e próprio do tempo, viajou muito lentamente do seu epicentro, a Itália, … Assim,…iam desaparecendo simultaneamente as Lojas e os privilégios dos Mestres Pedreiros. Por fim, já só sobreviviam na Escócia, periferia das periferias…tempos houvera em que anciãos respeitáveis, vítimas de perseguição ferocíssima, tinham procurado e encontrado seguro abrigo nas dignas Lojas escocesas. Eram velhos cavaleiros Templários,



verdadeiras relíquias que a Ordem resolvera atempadamente subtrair à fúria persecutória de Filipe-o-Belo. Os Templários, eles próprios construtores de catedrais e praticantes de um ritualismo iniciático semelhante ao de seus anfitriões, terão tido provavelmente alguma influência nas lojas escocesas, transmitindo-lhes as tradições e os conhecimentos de que eram fiéis depositários”, (in obra citada pág. 116).


É entretanto certo também que é deste período um nº importante de documentos, como “um acto do Parlamento, (inglês), do ano de 1530, 25º ano do reinado de Eduardo I”, referenciado no texto A Mulher e a Maçonaria, Joaquim Gervásio de Figueiredo, mestre maçon e membro da Sociedade Teosófica e onde surge pela primeira vez em documentos públicos o termo Freemason, (pág.5), ou o Manuscrito de Watson, ainda do século XV, 1440, ou o regulamento “elaborado em Londres em 27 de Dezembro de 1663, numa assembleia geral em que o Conde Santo Albano foi eleito Grão Mestre”, (idem pág. 5) que começam a revelar a existência, pública que seja, da Maçonaria.

No entanto, Amando Hurtado apresenta outros dados, “Do conjunto de ordens maçónicas britânicas chegadas às mãos dos investigadores modernos destacam-se as de York, cuja primeira redacção latina data de 1352, as contidas no manuscrito Regius, de finais do século XIV, e as do manuscrito de Cooke, escrito durante a primeira parte do século XV…”, (in obra citada pág. 56).

Mas ao processo de lento declínio da actividade que justificava a Maçonaria, a construção gótica, pois, “A Renascença atingiu todos os campos do conhecimento e todas as corporações profissionais, mas foram os artífices construtores os mais afectados, apressando ainda mais a sua decadência”, (in, documento da INTERNET de www.infonet.com.br/oreunificador/loj_calice_do_graal.htm, pág. 4), alia-se ainda as perseguições havidas contra os maçons, em algumas regiões europeias. Reis como Francisco I da França, em 1539 e Isabel da Inglaterra, em 1549, revogam os privilégios concedidos aos pedreiros livres, e tende-se a abolir as fraternidades.

Os maçons ainda resistem. Em 1563 reunem uma Convenção, em Basileia, “feita por iniciativa da confraria de Estrasburgo”, (in Maçonaria: uma História sem Mistério, pág. 4), onde estabelecem um código para os francomaçons alemães, mas a visível tendência à perca de influência, leva-os a “permitir a entrada de homens não ligados à arte de construir…que eram, então, chamados de maçons aceites”, (in texto acima, pág.4).

O primeiro caso conhecido é o de Jonh Boswell, Lorde de Aushinleck, ou Thomas Rosswell, esquire de Aushinleck, reebido na maçonaria a 8 de Junho de 1600, recebido na



Saint Mary’s Chapell Lodge, em Edimburgo e, no final do século o nº de maçons aceites era, nas lojas, já, superior aos operativos. Convém, de qualquer forma acentuar que este percurso de lenta degradação e de perseguição tem momentos de distensão. Assim, em 1607, na Inglaterra, Jaime I declara-se protector dos pedreiros livres, o que, segundo Fernando Teixeira terá facilitado o interesse da adesão de “homens de estudo e cientistas que entendiam e com carradas de razão que a revelação de aspectos científicos inovadores era muito mais segura no âmbito secreto das lojas”, (in obra citada pág. 60).

Também nesta matéria o já citado Ritual do Aprendiz maçon diverge pois assume outra data para o aparecimento dos maçons aceites, “Em 1641 a corporação maçónica agregou a si pessoas estranhas à arte de construir, dando-lhe o título de Free Accepted Masons, (maçons livres e aceites) para os distinguir dos maçons de prática”, (in obra citada pág.9).

Amando Hurtado, entretanto, realça os elementos frágeis desta relação, “Dissemos que a Maçonaria nascente foi viveiro de tonterias e foi-o porquanto nascia como herdeira de uma Maçonaria operativa caduca, onde as possibilidades de especulação filosófica se haviam extinguido no tempo…Não restava sequer um corpus escrito de referência, posto que os rituais iniciáticos dos maçons construtores de templos se tinham transmitido oralmente, e os escassos manuscritos…referiam-se mais à regulamentação das confrarias maçónico artesanais, sem desentranhar o espírito remoto que inspirara na profundidade as tarefas daqueles imitadores da Natureza…”, (in obra citada pág. 40).

Também segundo este autor coube à corte no exílio de Jacob II de Inglaterra (e VI da Escócia), no exílio em França, a introdução da Maçonaria neste último país, onde se relacionaram significativamente com os jesuítas, tendo dessa relação recebido a Maçonaria, então, significativa influência.

De qualquer forma, e também segundo Fernando Teixeira, “Em 1694 o rei Guilherme II de Inglaterra é o Grão Mestre da Maçonaria que na altura e com evidente tolerância, permite a coexistência de católicos e protestantes”, (in obra citada pág. 60). Só este elemento histórico é suficiente para relevar o como o método ritual da maçonaria é importante para reforçar elementos de consensualidade, essenciais para a estabilização de uma comunidade.

No entanto, é o próprio Nandim de Carvalho que refere, “ a relativa perda de importância das corporações do século XVII…”, (in obra citada pág. 42) e, claro, também a crescente perda de importância da Maçonaria Operativa. No entanto, é mais duvidoso que a passagem da Maçonaria Operativa para a Especulativa tenha sido, linearmente, por via de uma aliança com a burguesia.



Na verdade, as relações da Maçonaria Operativa com a Ordem dos Templários e com os Senhores da Terra e da Guerra, como o próprio Nandim de Carvalho refere, são evidentes e não só na Inglaterra, como na França. Podemos aqui citar de novo o Ritual do Aprendiz de Maçon, “Em 1327 todos os lordes eram maçons, e em 1502 Henrique VII declara-se protector da ordem maçónica e mantém uma loja no seu próprio palácio”, (in obra citada pág. 9).

Fernando Teixeira refere bem na sua obra já citada, no seu posfácio, e no que respeita ao processo de desagregação da Maçonaria operativa, “Importa contudo notar que o Renascimento não foi um acontecimento sucedido em data localizável e festiva…E, como era lógico e próprio do tempo, viajou muito lentamente do seu epicentro, a Itália, … Assim,…iam desaparecendo simultaneamente as Lojas e os privilégios dos Mestres Pedreiros. Por fim, já só sobreviviam na Escócia, periferia das periferias…tempos houvera m que anciãos respeitáveis, vítimas de perseguição ferocíssima, tinham procurado e encontrado seguro abrigo nas dignas Lojas escocesas. Eram velhos cavaleiros Templários, verdadeiras relíquias que a Ordem resolvera atempadamente subtrair à fúria persecutória de Filipe-o-Belo. Os Templários, eles próprios construtores de catedrais e praticantes de um ritualismo iniciático semelhante ao de seus anfitriões, terão tido provavelmente alguma influência nas lojas escocesas, transmitindo-lhes as tradições e os conhecimentos de que eram fiéis depositários”, (in obra citada pág. 116).

Aliás, Fernando Teixeira, em Maçonaria e Siglas de Pedreiros, refere, “Assim, na Escócia por exemplo, sabemos que devido a um privilégio concedido em 1439 por Jaime II, as lojas continuavam agrupadas sob jurisdição de um mestre comum – o Grão Mestre – título que hereditariamente pertencia aos Lordes Saint – Clair of Rosslyn”, (in obra citada pág. 59), o que segundo o mesmo autor, “indicia claramente a razão de ser de dois percursos absolutamente distintos para a Maçonaria conforme se considera ou o Norte ou o Sul da Europa”, (in obra citada pág. 59).

Assim, a Maçonaria tem, de novo, pois como se viu já sucedera antes, a protecção, desde 1607, de Jaime I, na Inglaterra, onde começa a aceitar os Maçons Aceites, isto é Maçons não operativos, e, em 1694 “o rei Guilherme II de Inglaterra é o Grão Mestre da Maçonaria que na altura e com evidente tolerância permite a coexistência de católicos e protestantes.”(in obra citada pág. 60).

Também Amando Hurtado refere, “A intriga política permanente que caracterizou a presença da Casa de Stuart no trono britânico e, de seguida, as suas aspirações ao mesmo, no decorrer dos séculos XVII e XVIII, poderiam assentar nas matizes político militares que caracterizaram determinado tipo de lojas e obediências herdeiras das inicialmente criadas



em território francês pelos emigrantes stuartistas e na Alemanha pelos seus émulos prussianos”, (in obra citada,. Pág.66).

É assim que M. Borges Grainha, em História da Franco Maçonaria em Portugal escreveu, “Desde há séculos, estes aceitavam como auxiliares alguns civis ou eclesiásticos; mas por toda a parte, desde o final do séc. XVI e o começo do séc. XVII, as Lojas, com o fim de ganharem influencia para a associação, iniciaram alguns homens eminentes pela riqueza ou pela ciência, embora estranhos à profissão e que se designavam por Maçons Aceites. Os construtores guardavam para si próprios a designação de Maçons Antigos. Os primeiros desta categoria de que se conhece a história autêntica foram o nobre escudeiro Thomas Boswell, o marechal do exército escocês Robert Moray e o notável arqueólogo Elie Ashmole”, (in obra citada pág. 39).



No entanto, Luís Nandim de Carvalho diz em Teoria e Prática da Maçonaria que “…e o primeiro maçon não operativo teria sido Elias Ashmole, antiquário, admitido e iniciado em Waarington, Chesshire, a 16 de Outubro de 1646”, (in obra citada pág. 39).

E segundo este autor terão sido estes Maçons Aceites que estudaram os códigos das Lojas, as suas tradições estatutos e costumes dando-lhes “um estilo mais regular e filosófico”, (in obra citada, pág. 39), já pelos fins do séc. XVII.

Ainda que seja duvidosa esta tão linear e simples dependência dos Maçons Antigos em relação aos Maçons Aceites, (e seria útil estudar as relações das revoltas populares com a Maçonaria Antiga para melhor entender o surgimento do denominado Movimento Operário, por exemplo…já presente na Revolução Francesa e nas posteriores Revoluções em França, como Karl Marx historia tão bem), a verdade é que, também segundo Grainha, “Acolhidos como Maçons Aceites, tornaram-se membros dessas Lojas até que, depois de certas combinações, os Maçons Antigos e Aceites das quatro Lojas de Londres se fundiram no mês de Fevereiro de 1 717”, (in obra citada pág. 39), tendo de tal nascido uma Grande Loja.

Como já referi em outro texto, Manual de Negociação Colectiva, “Entre 1792 e 1794, na Alemanha, os Jacobinos organizavam, já, actividades dos trabalhadores. Na França, Felipe Buonarroti, maçon, (ver A Franco Maçonaria, Origem/Historia/Influência, de Robert Amberlain, Ed. IBRASA, 1990) e Baboeuf, já mais duvidosamente maçon, com a sua organização A Conspiração dos Iguais, levantavam a questão da contradição entre os direitos politicos e económicos e os direitos sociais, já que os girondinos, em 1 791, tinham proibido as associações de classe…Não é aliás de espantar que os movimentos sindicais e trabalhistas tenham a ver com a evolução e a radicalização de grupos de de cidadãos relacionados com as Ordens Maçónicas. Na verdade, esta estrutura, habituada, secularmente, a viver em lógica discreta e secreta mesmo, espalhada pelos meios profissionais, em especial os de maior formação escolar e profissional, de quase toda a Europa, teve todas as condições para ser o cadinho capaz de gerar todas, ou as mais importantes movimentações sociais e políticas havidas durante e, em especial, na pós “Idade Média””, (in obra citada, pág. 107).

É, aliás, esta diversidade, logo na origem, ou até na pré origem, e a sua capacidade de intervenção do topo à base da estrutura sócio política, que é a grande riqueza da Maçonaria, baseada na Tolerância, interna, de origens sociais, de pontos de vista, de orientações filosóficas, políticas e, claro, religiosas.



Como disse Fernando Pessoa, no texto que já citámos, “Assim a Maçonaria necessariamente, toma aspectos diferentes – políticos, sociais e até rituais – de país para país, e até, a dentro do mesmo país, de Obediência, para Obediência, se houver mais que uma.”, (in obra citada, pág. 13).

Amando Hurtado acentua, voltando um pouco atrás, mas relacionando os assuntos, “A influência das lojas de “maçons aceites” foi de grande importância na Inglaterra do século XVII. Em algumas eram, inclusive, maioritários e provinham tanto do campo católico como do protestante. Já fizemos aliás referência anteriormente à presença de notáveis membros da Royal Society, alguns deles alquimistas e rosacruzes”, (in obra citada pág. 57).

Fernando Pessoa, no artigo Das Origens e Essência da Maçonaria, no opúsculo já citado acima, aponta, entretanto, uma outra pista para o surgimento da Maçonaria, tendo em conta esta influencia rosacruciana, que merece, no mínimo, esta nota, “Acusam os cabalistas, de cuja sinceridade original se não duvida, de, primeiro, através da Rósea Cruz, terem criado a Maçonaria, Ordem supostamente anti cristã, e de, mais tarde, por diversas vias, se terem infiltrado nela, para, presumivelmente, contrariar e vencer as expansões cristã e templária que se manifestaram, depois da Oração de Ramsay, na criação Altos Graus e sobretudo na Stricta Observância de von Hund ou dos seus Superiores Incógnitos”, (in, obra citada, pág. 24).

Entre esses membros é de realçar Christopher Wren, de facto membro da Royal Society, que dirigiu o plano de reconstrução da cidade de Londres, em 1688, destruída pelo incêndio de 2 de Setembro de 1 666, onde foram destruídas “cerca de 40 000 casas e 86 igrejas”, (in, Maçonaria: Uma História sem Mistério, pág. 5).Na verdade, este maçon cria em 1691 a loja de São Paulo, nascida para a reconstrução da Igreja de São Paulo, ou a loja da taberna “O Ganso e a Grelha”, local onde usualmente a loja se reunia.

E, neste momento do texto é útil referir Claude Saliceti, em Humanismo Franco Maçonaria e Espiritualidade, “Desde a sua criação no início do século XVIII, a Maçonaria especulativa não cessou de se dividir e de se despedaçar sob as pressões conjuntas das errâncias do pensamento humanista, das circunstâncias políticas e de influências filosóficas diversas, ao ponto dos maçons se interrogarem frequentemente sobre a natureza e finalidade da sua prática”, pois é verdade, como se verá a seguir, que é neste período histórico que nascerá a Maçonaria Especulativa e também a mais profunda cisão no seu da Maçonaria, que a transformará de vez, (in, obra citada, pág. 85).

Segundo este autor a ética da Maçonaria confunde-se com a do humanismo e a sua simbologia, plural, “representa a memória dos diferentes empréstimos religiosos e



filosóficos de que se serviu o pensamento humanista para se constituir como tal desde o Renascimento”, ( in, obra citada, pág. 87), e, com tal, surgindo novos modelos de estruturação social, político e religiosos.


É nesta loja que se iniciará o reverendo Jean Theophile Désaguliers, pois em 1703 esta loja inicialmente somente de maçons operativos abre as suas portas a maçons aceites, “devido ao crescente nº de maçons aceites em todas ass outras lojas”, (in www.infonet.com.br/oreunificador/loj_calice_do_graal.htm, pág. 5) e é este reverendo que a 7 de Fevereiro de 1717 “conseguia reunir quatro lojas metropolitanas, para traçar planos referentes à alteração da estrutura maçónica”, (in Maçonaria: Uma História sem Mistério, pág. 5) que passou pela reunião de 24 de Junho de 1717 onde as 4 lojas “criavam The Premier Grand Lodge, ( a Primeira Grande Loja) em Londres, implantando o sistema obedencial, com Lojas subordinadas a um poder central, sob a direcção de um Grão Mestre, já que, antes disso as lojas eram livres de qualquer subordinação externa, concretizando a ideia do “maçon livre na Loja Livre””, (in acima pág.s 5 e 6).

Amando Hurtado relata estes acontecimentos de uma outra forma, mais pormenorizada, e, também, releva o papel na loja de James Andersen, capelão anglicano, que não aceitava para a mesma os maçons operativos.

Segundo Amando Hurtado, “A partir de 1714 os maçons operativos e alguns dos seus aceites começaram a detectar uma actividade clandestina de um capelão da loja …que sem o apoio do grão mestre celebrava reuniões rituais para onde não convidava os maçons operativos. O capelão era James Andersen”(in, obra citada pág. 58).

Este capelão cria ainda a sua própria loja com 7 maçons, a Loja Antiguidade, entre os quais Jean Theophile Désagulliers, e Anthony Sayers que será depois o primeiro Grão Mestre desta Grande Loja de Londres.

É esta Loja que, segundo o Ritual do Aprendiz Maçon, em 1703, em outra data posterior certamente, segundo as restantes fontes, “ordenou que dali em diante os privilégios da maçonaria não seriam mais a prerrogativa exclusiva dos maçons contrutores, que os homens de todas a sprofissiões seriam chamados a gozar dela contanto que tivessem sido regularmente aprovados e iniciados na ordem. É então que os pedreiros livres tomam o nome de maçons”, (in obra citada pág.9).

Estes actos são fortemente criticados nas lojas tradicionais e, em Setembro de 1 715, “os rebeldes foram declarados ilegais por sir Christopher Wren, Grão Mestre e presidente da



Royal Society. Contra esta tomada de posição da Maçonaria Operativa, os sete mestres rebeldes formam a Loja da Antiguidade, “mãe da que iria ser uma nova Obediência maçónica estritamente “especulativa””, (in obra citada pág. 58).

E Grainho refere que, na data acima, Fevereiro de 1 717, “Instituiu-se, com toda a espécie de formalidades, uma Grande Loja, união das quatro Lojas…presidida pelo Mestre mais antigo enquanto não fosse eleito um Grão Mestre. Finalmente, a 24 de Junho do mesmo ano (solstício de Verão e Festa de São João) foi eleito como Grão Mestre Anthony Sayers, o qual, aclamado por toda a assembleia, designou o capitão Elliot e o mestre carpinteiro Lamball como inspectores”, (in obra citada pág. 39) – estava nascida a Maçonaria Especulativa Moderna.

Em 1 723, um grupo de Maçons, provavelmente liderado por Anderson, o já citado pastor protestante, publica o Livro das Constituições da Grande Loja de Inglaterra, que fora apresentado à Grande Loja de Londres em Dezembro de 1721.

É importante citar agora Amando Hurtado quando diz que “No aspecto doutrinal, a reforma de Anderson independentiza o animus maçónico da vinculação a qualquer religião positiva, libertando o iniciado da obrigação de aceitar ou praticar a do país em que se encontre e substituindo o antigo “dever” dos maçons operativos pelo de observar uma conduta moralmente irrepreensível, em função dos critérios sociais predominantes em cada lugar e momento e de manter com os demais maçons uma linha de comportamenyo honrada e fraterna. A aceitação do Princípio Gerador, chamado Grande Arquitecto do Universo, passava a ser a referência comum que separaria todo o autêntico maçon da laicização ultramontana preconizada pelo racionalismo e positivismo…As novas constituições procuravam o fomento de uma sociedade universal baseada na fraternidade maçónica”, (in texto citado, pág. 61).

Por outro lado, convém uma clarificação sobre a autoria desta nova Constituição. Citando Ambrósio Peters, refere Amando Hurtado, “Anderson foi provavelmente o primeiro da lista por razões de simples ordem alfabética, sendo os restantes relegados com o tempo, quando aquele poder ter sido somente um simples relator ou redactor”(in obra citada pág.61).

Note-se que Anderson é um nome, à época, bastante contestado. Assim, entre 1725 e 1735 este reverendo esteve afastado da Grande Loja de Londres, por razões pouco esclarecidas a pontos de, em 1877, um maçon, verdade que também rosa cruz, Charles Sotseran diz, “As Constituições de 1723 e 1738 do falso maçon Anderson foram adaptadas pela recém emplumada Primeira Grande Loja de Livres e Aceites Maçons de Inglaterra…”(in, texto já citado As Mulheres e a Maçonaria, de Joaquim Gervásio de Figueiredo, pág. 4).



A grande questão levantada neste último texto citado é precisamente uma das questões mais polémicas na Maçonaria – o papel da Mulher. Neste texto parece ficar evidente que em nenhum dos documentos antigos se refere à impossibilidade da Mulher participar ma Maçonaria e mais que não são poucas as evidências da participação da Mulher na Maçonaria Operativa.

Não deixa de ser interessante também referir que o grau de mestre só surge na segunda edição, a de 1738, da Constituição, assim como é nela que surge também o mito de Hiram, o qual, segundo Amando Hurtado foi razão para que surgisse a “reacção condenatória romana”, in obra citada, pág. 63) e ainda, “a de bom numero de maçons tradicionais (operatico-aceites) que, em 1730, decidiram a fomração da Ordem Real da Escócia, como nova obediência surgida em Londres para contestar “a descristianização introduzida pelas Constituições de Anderson””, (in obra citada pág. 63).

A Maçonaria manteve, desde então um percurso interno complexo, mas também e período de significativo crescimento, e, segundo Grainho, “de 1721 a 1736 estabelece-se em França; de 1733 a 1741 na Alemanha; de 1723 a 1735 nos Países Baixos; em 1731 na Rússia; de 1 735 a 1754 na Suécia; de 1 743 a 1 749, na Dinamarca; de 1 727 a 1 728, na Espanha; em 1 733 na Itália; de 1 733 a 1 743, em Portugal; em 1 737, na Suiça; em 1 738, na Turquia”, (in obra citada, pág. 40).


Joffre Justino
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União Africana, uma solução global para o Continente

Africa apareceu nos media, desta vez, com uma novidade de monta – a criação da União Africana, uma organização continental que pretende seguir a pisadas da União Europeia e que se apresenta pela positiva, "...we are not begging for assistance any more.”, pretendendo ao contrário o desenvolvimento económico e social africano, como disse ministro dos Negócios Estrangeiros sul africano Aziz Pahad “It is in everyone's interest to help develop Africa,".

“The key to Africa’s development is peace, security and stability” disse Thabo Mbeki leader sul africano e hoje também o chairman desta novìssima Organização Internacional, não escondendo pois os conflitos aí existentes da Libéria à Somália e do Burundi à RDC.

Segundo Thabo Mbeki cabe à União Africana a intervenção activa na solução destes conflitos local/regionais, pois a regulamentação da União Africana permitirá a sua intervenção com o objectivo de pôr fim a uma guerra civil, a um genocídio recomendando inclusivé sanções sobre quem violar explicitamente os direitos humanos ou aqueles que gerarem instabilidade no Continente, “...se existir um estado membro que gira os negócios de um país de forma não conforme com os standards estabelecidos pela União Africana então interviremos”, afirmou Thabo Mbeki.

Trata-se de uma política internacional inovadora também demonstrando que os Estados Africanos se preparam para se adaptarem a esta novas filosofias de gestão dos Estados que apontam para o princípio da intervenção positiva baseada nos princípios dos Direitos Humanos e da estabilidade internacional.

Representando 53 países a União Africana, que substitui a Organização de Unidade Africana a tão contestada interna e internacionalmente OUA, parece querer finalmente assumir um posicionamento de significativa presença internacional. No entanto alguns analistas recordam que foi a solidariedade de chefes de estado africanos, mesmo contra os interesses dos respectivos países, que travou sempre a OUA, sendo esses analistas que estão hoje, já, a recordar o incomodo caso do Zimbabwe, quer no plano dos direitos humanos quer no plano do desenvolvimento económico e social.

O objectivo explicitamente assumido da “boa governação”, tão defendido pelas Nações Unidas, como pela União Europeia e pelos EUA, será conduzido por via de uma monitoragem da performance económica global de cada país no âmbito do NEPAD, o New Partnership for Africa's Development..

Mesmo nesta matéria surgem já não só os descrentes como os críticos, pois uma boa governação implicará uma significativa transparência das Contas de Estado quer para com os cidadãos, quer para com os restantes Estados Parceiros. Na realidade, o facto dessa monitoragem ter sido assumida somente enquanto instrumento voluntário denota segundo os descrentes e os críticos uma cedência para com as governações totalitárias e menos ou não transparentes.

Thabo Mbeki defendeu este carácter voluntário como um meio de ganhar a confiança entre os Estados Africanos comparando-o com a metodologia constitutiva do Tratado Europeu de Maastricht partindo de anteriores opções individuais e voluntárias de cada Estado.

Segundo Thabo Mbeki "Chegou o momento de Africa tomar o seu lugar de direito nos negócios globais. Chegou o tempo de pormos fim à marginalização do continente. Chegou o tempo de pormos fim a muitos séculos durante os quais muitops desprezaram o nosso continente. Devemos pois apelar o resto do Mundo a trabalhatr connosco como parceiros para atingirmos estes objectivos.”.

Nkruma foi também, ao seu tempo, assim ambicioso e o facto de não ter sido atendido não trouxe nada de bom a Africa. Resta saber como reagirá no concreto esta Africa dos Estados e dos interesses das classes politicas que nem sempre têm os mesmos interesses dos simples e humildes cidadãos e cidadãs de Africa.

Como resta saber sobretudo como reagirão os interesses destes novos estados-tipo que são as transnacionais que se regem por critários estritamente economicistas de curto prazo e que atendem somente aos relatórios e contas anuais que têm de apresentar a fantasmagóricos accionistas cuja “responsabilidade corporativa” tem sido posta em causa tantas vezes.

Daniel Arap Moi, presidente queniano disse também que "É desencorajante verificar que vivemos na União Africana com persistentes conflitos que constranjem o desenvolvimento económico fazendo da Região a menos desenvolvida do mundo”. Estes constrangimentos terão, segundo outros, estado na base da recusa do sonho dominante do leader líbio Muammar Gaddafi que pretende há muito fazer de Africa, toda ela, um único país e que o voltou a apresentar nesta Conferência constitutiva da União Africana, sem grande sucesso.

Mas, “estamos no bom caminho”, disse também o Presidente Nigeriano Olusegun Obasanjo.


Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:09
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A CRISE ANGOLANA E AS CRISES PARTIDÁRIAS ANGOLANAS

É o próprio Ibrahim Gambari que nos alerta, “ O principal desafio com que o país e o governo se debatem será o da situação humanitária e da reconstrução para o desenvolvimento”, tendo em conta o estado do país – 4 milhões de deslocados ainda em fase de solução, uma economia destruída por estes anos de guerra e de incúria, um aparelho de Estado a construir, todo de novo e os traumas todos inerentes a 40 anos de guerra.

O país mexe, e sem dúvida que os cidadãos tudo fazem para recuperar da crise. O Governo não deixa de se esforçar no mesmo sentido e as soluções que o diálogo MPLA/UNITA vão encontrando apontam a mostra da vontade das partes.

Mas ainda existem sinais preocupantes.

Se a dívida externa de Angola para com Portugal começa a encontrar caminhos de solução – o ainda recente protocolo assinado entre o ministério das finanças dos dois países é disso prova – pondo fim a um conflito que vale mais d mil milhões e duzentos mil dólares, a ajuda humanitária encontra em Portugal, conforme a comunicação social portuguesa, pouco eco.

Ora o imediato passa precisamente pela ajuda humanitária, por “muito rica” que seja Angola.

De novo, também, alguns relevam, para justificar a falta de mobilização para esta ajuda humanitária os “vastos recursos do país e a gestão pouco transparente que deles resulta”

Não sou dessa opinião.

Entendo sim que neste processo temos, nós Angolanos, dado pouco a prova da nossa vontade de reconciliação.

Temos aparecido pouco em conjunto, não estamos a ter um discurso de uma voz só, em nome dos nossos interesses, existe ainda, à evidência, o assumirmos em conjunto as nossas dificuldades, espalhando este discurso conjunto por todo o Resto do Mundo.

Na minha opinião, se não consensarmos um discurso nacional, se não surgirmos em conjunto nos momentos públicos, não ganharemos esta batalha essencial para o país, a batalha das necessidades para a ajuda humanitária.

A nossa crise continua a ser pois de uma reconciliação nacional que ainda tem arestas a limar e que, diga-se, compete ao governo mostrar que as deseja limar, pois cabe às embaixadas buscar, no relacionamento com nós outros da UNITA, os momentos certos para, em conjunto, nos movimentarmos.

Em nome da nossa pobreza que tem de ser assumida tanto quanta a nossa riqueza.

Mas a nossa crise vai mais além.

A nossa crise está, também, na fragilidade dos nossos partidos políticos de oposição. Tem sido difícil aos mesmos entender esta nova fase da vida política nacional.

Estamos em um período de fim de uma guerra civil, onde o que deveria contar sobretudo é o reforço do espírito de reconciliação nacional, o reforço da nossa alma angolana.

Custa fazer oposição neste períodos é certo.

É mais fácil dizer mal, criticar duramente, denunciarmos o poder.

Mas, na minha opinião esta não é a fase certa para tal.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:06
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JORNALISMO E INTERVENÇÃO SOCIAL DAS ELITES ANGOLANAS DO SÉCULO XIX PRINCÍPIOS DO SÉCULO XX

JORNALISMO E INTERVENÇÃO SOCIAL DAS ELITES ANGOLANAS DO SÉCULO XIX PRINCÍPIOS DO SÉCULO XX




A problemática do Jornalismo em Angola, surgiu porque, por ele, se assumem interligações geracionais, nos discursos e nas práticas que devem, hoje, ser relevadas. Isto é, as lógicas nacionalistas poderão não terem nascido isolada e incongruentemente na década de 50 do século XX. Elas, mais provavelmente, foram-se cimentando em um percurso histórico prolongado e acompanhando o nascimento de uma noção de Nação, há medida que o Estado, mesmo que colonial, se foi cimentando e estruturando e onde o jornalismo teve um papel relevante de cimentação das mesmas lógicas nacionalistas.

Na realidade, a Informação em Angola nasce, na minha opinião, no contexto de um processo fortemente interventivo, político, cultural e social, de afirmação sobretudo, de uma comunidade já bastante influente, ainda que em crise, e que hoje se denomina de crioula.

Vale a pena referir Mário António intelectual angolano de certa forma considerado um dos percursores do nacionalismo, “Este sentido de radicação, aliado ao processo de integração de naturais na vida da cidade que surgia, permitiu que se estendesse muito, cataliticamente, a influência de um grupo pequeno como era o de origem europeia, em Luanda, do século XVII ao XIX. Esse grupo soube, porém, prolongar-se em todos aqueles a quem transmitiu as suas técnicas culturais e a sua religião, em todos aqueles que integrou nas suas forças armadas ou na sua administração, em todos aqueles com quem dividiu interesses do comércio. Esses últimos serão encontrados nos mais recônditos lugares, contactarão com os potentados mais ciosos de seu isolamento, antecedendo a directa interferência de portugueses”, ( citando Mário António de Oliveira, Luanda, “ilha” crioula, através de Marcelo Bittencourt texto já referido, pág. 32).


Não é crível que se possa entender que esta elite enquanto mero “grupo intermediário”, sem papel e peso na História, como alguns o entenderam e para o demonstrar, citemos um outro autor, Linda Heywood no seu livro “Contested Power in Angola”, que refere, “Quando Portugal aboliu oficialmente o comércio atlântico de escravos da Angola Portuguesa, em 1836, na sequência do Tratado Anglo Português de 1830 que baniu este comércio, as linhagens dominantes ovimbundu estavam profundamente envolvidas no comércio de escravos há já mais de meio século...Durante o período alto deste comércio, as feiras que estas linhagens hospedavam garantiam-lhes o monopólio sob esta actividade e eles ditavam as regras do comércio e quem se podia envolver no mesmo, assim como se garantiam uma parte dos rendimentos...e impunham taxas sobre os portugueses e os afro portugueses que comerciavam nas feiras”.

Esta informação, que apresentamos considerando estritamente os Ovimbundu, poderia ser alargada a outros reinos e etnias, pois o mesmo foi sucedendo em quase todos os reinos e etnias de actual Angola, sendo ainda verdade que a mesma actividade não se confinava somente ao comércio de escravos, ainda que ele fosse até ao terminus do esclavagismo, uma actividade económica dominante.

A estruturação desta elite crioula desenvolveu-se, pois, por entre os que desenvolviam tais actividades comerciais, por esta elite nascida entre a linhagem dos reinos africanos.



O surgimento da Imprensa em Angola


São estes factores, na minha opinião, a elite africana e o seu peso económico, social e político relativo significativo, que justificam que tivessem aparecido, em Angola, só no século XIX, 46 títulos de Imprensa referidos nas várias obras consultadas.

O seu aparecimento só pode ter acontecido também, por – a) haver capacidade financeira para adquirir os mesmos jornais; b) haver um nº mínimo de leitores interessados em os adquirir; c) haver um ambiente social justificativo do interesse pela sua leitura; c) haver um ambiente cultural justificativo do interesse em os ler; d) haver uma diversidade político cultural justificativa do seu aparecimento


Assim, o findar da actividade comercial centrada no comércio de escravos foi um dos primeiros elementos geradores de tal – com o seu findar, as relações com o exterior foi-se diversificando em produtos e certamente também contactos; a diversidade comercial terá certamente gerado uma redistribuição maior dos resultados da actividade comercial por um maior nº de pessoas; tal maior redistribuição terá criado um maior mercado de leitores, em nº e em capacidade financeira; humanizando-se a actividade comercial, libertando os que nela se envolviam, de um produto degradante e desmoralizador, como os escravos, ter-se–á gerado, entre portugueses, mestiços africanos e negros africanos, um maior interesse pela problemática cultural, religiosa e moralizadora e pelo debate de ideias, elemento que se foi reforçando à medida que o regime liberal estabilizava.

Tal é gerador do interesse por uma comunicação social livre e polémica. E o primeiro jornal inteiramente redigido e dirigido “por angolanos surge, ( e não certamente por acaso) e intitulou-se “Echo de Angola”, tendo o seu primeiro nº sido “editado em Luanda, em 12 de Novembro de 1881”, tempos antes portanto da Conferência de Berlim e relevando-se mais uma vez as relativas autonomias destas elites afroangolanas.

Eis porque se pode constatar, em abono desta ideia de uma significativa autonomia relativa, polemistas como José de Fontes Pereira a escreverem, em 1882, neste caso no O Futuro d’Angola, “...os filhos da colónia que possuem qualidade necessária estão a ser regularmente privados de empregos, em benefício de ratazanas que nos mandam de Portugal. Não empregam as suas inteligências para civilizar um povo, pelo qual não tem respeito nenhum e isto prova-se por aquele dito vulgar (com preto e mulato nada de contrato)”, (in, Dos Jornais às Armas, Mário Bittencourt),pois este tipo de teses relevam que estas elites pugnam seria e publicamente pela manutenção das suas prerrogativas.

É, sabido que é neste período final do século XIX que renasce a política de desenvolvimento, do espaço que hoje é Angola, enquanto espaço de colonização de povoamento, o que significou um acréscimo do nº de europeus a residir em Angola.

Como é também sabido que o impacto da Conferência de Berlim passou, ainda, pela imposição a Portugal e às suas colónias do princípio da liberdade religiosa e tal veio fazer acrescer a diversidade cultural.

Finalmente, o referido surgimento, em Angola, de um maior nº de europeus, veio abrir fissuras no seio das elites dominantes existentes, aliada que foi esta política de povoamento a uma política de favorecimento, na ocupação dos cargos públicos, como se viu, dos mesmos portugueses europeus.

Referiramos, por exemplo, Carlos Pacheco, citado em “Dos Jornais às Armas”, “...pelo menos até pouco mais de metade do século XIX, os lugares importantes na administração pública de Angola,...foram exercidos por membros das principais famílias da terra, ou seja, pelas aristocracias urbanas de origem local e por europeus há muito radicados na colónia...Os Galianos, os Pintos de Andrade, os Necessidade Ribeiro Castelbranco, os Vieira Lopes, os Matosos de Andrade, os Regadas, os Fançony, os Pinheiro Falcão, os Lemos Simião, os Escórcios, os Vieira Carneiro, os Rangéis, os Nascimento da Matta e´, naturalmente, os Maia Ferreira”.

O desconhecimento desta realidade, o afrontá-la mesmo em lógica desautorizadora, conduzindo estas famílias à perca de posses e de estatutos, como o procuraram impôr um nº significativo dos muitos governos portugueses, gerou os elementos justificadores da intervenção social que cada meio de comunicação social nascido em Angola, potenciou.

Por isso certamente, já em 1901, “um grupo de angolanos decidiu levar a efeito a publicação em Luanda de um jornal a que tinham dado o nome significativo de Defesa de Angola e convidaram José de Macedo para o dirigir”. Este cidadão, socialista, será um forte defensor da autonomia de Angola, e em um livro publicado com esse título, Autonomia de Angola, defenderá, em 1910, que Angola se transforme “numa Confederação de três Estados: - o de Loanda, abrangendo....Congo Loanda e Lunda;- o de Benguela...; e o de Mossamedes e Huíla”.

Tal vem relevar a importância que era dada pelas elites em causa ao papel de uma informação que pugnasse, em seu nome, pelos interesses de Angola e citando do livro já referido “Dos Jornais às Armas, de novo José de Fontes Pereira, “A emancipação d’um povo tanto se pode fundar nas suas riquesas naturaes...na vasta ilustração de muitos dos seus concidadãos, como se pode fundar também na incuria, nos desleixos e despotismo da nação que o domina… A Angola... assiste lhe o direito de sacudir o jugo que o opprime e esphacela e escolher quem,...lhe dê toda a protecção para o seu desenvolvimento moral e intellectual...”, não sendo difícil de se entender, perante este teor polémico, as confrontações crescentes entre esta elite e as elites portuguesas dominantes, que Portugal enviava para Angola.

A polémica, agressiva, contra o racismo, (então crescentemente dominante entre os europeus em geral e os portugueses em particular), conduz esta elite, por exemplo, à aceitação, com aplauso e ao aparecimento, em 1901, do texto “A Voz d’Angola clamando no deserto oferecida aos Amigos da Verdade” documento que ficará para a História da literatura antiracista e que, segundo Marcelo Bittencourt em “Dos Jornais às Armas”, é feito com base em textos “alguns inéditos, outros publicados na imprensa angolana, entre 1887 e 1901”.

Parte importante desta elite angolana mostra pois e ao contrário do que é afirmado em muitas versões “oficiais e oficiosas” da nossa História, uma dignidade significativa, não se tendo refugiado em contextos estritamente de mera assimilação da cultura portuguesa, ou da aceitação de um mero papel de intermediário em face de um colonialismo de povoamento nascente.

O que se deve realmente, também, assumir é a existência de uma contradição de interesses entre esta elite urbana, muito mais africana do que se pretende, e os reinos africanos que envolviam os espaços urbanos.

Vivendo num contexto liberal, soube esta elite africana, reconheça-se, e apesar dos conflitos inter africanos, aproveitar o mesmo contexto para combater contra os que a queriam abafar e destruir, assim como contra os que amesquinhavam o africano em geral.

Escrever, em 1911, “Cremos ter chegado para todos nós, velhos ou crianças, adultos ou novos, o momento azado ....estamos fartos de pagar, estamos fartos de tutores, de Salvadores, e Senhores e tudo o que aspiramos é aprender a orientar as nossas ideias e libertarmo-nos de todas as formas de tirania e exploração com que nos têm escravizado, esmagando em todos nós todas as energias de inteligência e todas as manifestações de vida social”, é estar, bem ou mal, na vanguarda das reflexões da época e os angolanos, esta elite angolana, fê-lo com a publicação de O Negro, de onde saiu o texto acima.

Em 1911 estamos no primeiro ano da I República, note-se e não é por acaso que nasce este orgão de comunicação social dos Estudantes Negros. O tempo permitia expectativas significativas e a elite africana cedo, como se vê, procurou abrir o seu espaço de participação neste processo de mudança que então se vivia.

Em resposta ao Império Colonial Português O Negro defende “Que a camada mais instruída e ilustrada da raça negra enverede todos os seus esforços a fim de constituir com os mesmos cultos um forte Partido Africano que pouco a pouco lutando e vencendo, consiga fazer triunfar as reivindicações da sua raça escravizada”, ( in Origens do Nacionalismo Africano, já citado e referindo O Negro).

Assim, da Luz e Crença, nascido em 1902, e desaparecido em 1903, de “pendor autonomista” como refere Mário Pinto de Andrade, ao Angolense, nascido em 1907, “orgão autónomo da opinião emancipada dos autoctones, tendo por alvo a evolução material e moral do grande império de Angola” estão-se a preparar os passos que conduzirão ao O Negro e este dá os passos que farão nascer os movimentos que na I República trarão para o Parlamento Português deputados africanos e africanistas.

Da Intervenção Social à Política

Nesta movimentação política nasce, por exemplo, a Junta de Defesa dos Direitos d’África, que vai assumir no seu orgão oficial, a Tribuna d’África, que “Não há raças superiores nem inferiores...A incapacidade de certas raças é um problema que pode embalar muito antropologista emérito mas que a natureza se incumbe de desiludir “.

É deste período, também de confrontos crescentes entre os crioulos e os colonos recentes portugueses, que tentavam usurpar as terras dos crioulos do interior, que surgem fortes movimentações e segundo Marcelo Bittencourt, “A região onde o confronto de interesses se mostrou mais evidente...aquela em que os crioulos possuíam as melhores lavouras, como no eixo Luanda-Malange.”.é então que “Em 1917, o advogado provisionário, António de Assis Júnior, foi acusado de ter orientado um grupo de camponeses a permanecerem nas terras que reivindicavam como suas. As autoridades coloniais encararam o acontecimento como sinal de revolta...ocorreu uma onda de prisões que redundou na expulsão de Assis Júnior e doutros crioulos para o Lubango”, facto que foi fortemente contestado pela Liga Angolana, “uma das principais associações crioulas”, conforme também Marcelo Bittencourt.


É útil citar aqui o próprio António de Assis Júnior, no seu texto “Relato dos Acontecimentos de Dala Tando e Lucala””Vª Exª sabe que, como procurador do Pimenta, é missão minha, dentro do razoável e bom senso, orientá-lo do seu dever em casos desta natureza, de harmonia com a lei. Eesta autoriza a oposição à força dos invasores ou esbulhadores para repelir a violência ao direito da sua propriedade (artº 2367º do Código Civil) e Vª Exª cujo desejo de conciliar manifesta, bem pode calcular o que resultaria em tais casos o emprego da força...Eo evitar conflitos é também, creia Vª Exª, o meu maior desejo.”, ( obra citada pág. 28). Este texto é, todo ele um libelo em defesa de um Estado de Direito, antiracista, democrático e que acentua, bem, o pensar desta elite angolana.

Marcelo Bittencourt refere também que é desta época o aprofundamento da “diferenciação entre os crioulos e “incivilizados”, feita mesmo no âmbito da Liga Angolana. A par desta Liga Angolana aliás, existiria, desde 1907 mas legalizado em 1913, o Grémio Africano, como terá existido um Partido Reformista de Angola. Ambas as primeiras associações são ilegalizadas em 1922, “sob a acusação de “actividade separatista”, feita também por Norton de Matos e fortemente contestada pela imprensa, (também afectada pelas atitudes censórias, chegando-se à extinção de O Angolense, em Fevereiro de 1922), como foi contestada pelas estruturas associativas afro angolanas, em Luanda e em Lisboa.

De qualquer forma, em 1930, ainda se assiste a um movimento militar que contesta o então alto comissário Filomeno da Câmara, conhecido fascista e que conta com alianças autonómicas alargadas, entre os brancos defensores dessa mesma autonomia e a elite crioula, em particular das regiões de Luanda do Dondo e de Malange.

Este movimento é travado após algumas escaramuças e Salazar pode então desenvolver toda a sua polítca expressa no Acto Colonial. Ele contará então, de certa forma, com o apoio de certos sectores dessa elite crioula, conforme relata Mário Pinto de Andrade, surgindo um Movimento Nacionalista Africano, em 1931 e um mensário denominado Mocidade Africana, assim como nascera em 1929 um Grémio Africano, de pendor fortemente colonialista, que pretenderá, entre outros objectivos, “promover o levantamento do nível intelectual e revigoramento físico dos indígenas da África Portuguesa”, (in, Origens do Nacionalismo Africano).

São deste novo período também as cisões neste movimento crioulo, nascendo a Liga Nacional Africana, em 1930 e a Associação dos Naturais de Angola.

Tais cisões estarão na base do aparecimento, nos anos 50 do século XX, das futuras movimentações de cariz já nacionalista, também em Angola, em um novo ciclo de intervenção, já político e menos social, já nacionalista e não autonomista.

Mas, na origem de tudo e tal não se pode mais escamotear, estão as movimentações do século XIX e dos primórdios do século XX, em particular na vertente da actividade escrita na Imprensa em especial, destas elites africanas que como já referi, se bateram em condições difíceis pelo que consideravam serem os seus direitos de cidadania no espaço colonial português e que este recusou integrar e promover adequadamente.



Jofre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:56
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O surgimento da OPUS DEI

Breves Notas Históricas


A 2 de Outubro de 1928, por “inspiração divina” e durante um retiro espiritual, José Maria Escrivã decide fundar a OpusDei, “como caminho de santificação dirigido a todo o tipo de pessoas no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres quotidianos do cristão”(in www.opusdei.org).

No entanto esta Obra esperará algum tempo antes de surgir “no início dos anos 30” e, em 1933, “abre-se o primeiro centro do Opus Dei, a Academia DYA”, em Madrid, para estudantes. Em 1934 este centro transforma-se em uma residência universitária.

A Guerra Civil de Espanha, que inicia em 1936, e a consequente perseguição religiosa a ela inerente, dada a radicalização de posições entre conservadores e progressistas leva a que Escrivá e alguns dos seus seguidores, em 1937, saiam de Madrid e reiniciem a sua actividade a partir de Burgos, em lógica de semiclandesinidade.

A vitória de Franco, que teve, desde o início, o apoio de Escrivá e o findar da guerra civil levam a Opus Dei, de novo para Madrid e daqui a expandir-se “por outras cidades de Espanha”e, de seguida, pela América Latina . A Opus Dei manteve também e desde então uma forte aproximação à extrema direita, e à direita conservadora, europeia e mundial, ainda que hoje tenha pontes com o Centro Direita e até com alguns elementos do Centro Esquerda

Em 1941, “O bispo de Madrid, D. Leopoldo Eijo y Garay concede a primeira aprovação diocesiana à Opus Dei”.

Em 1943, a 14 de Fevereiro, nasce, por inspiração divina também, a Sociedade Sacerdotal de Santa Cruz, criada para organizar os sacerdotes próximos da Opus Dei.

Em 1946 Escrivá fixa residência em Roma, onde obtem o doutoramento em Teologia pela Universidade Lateranense.

Em 1947 a 27 de Fevereiro a OPus Dei recebe da Santa Sé a primeira aprovação pontifícia, confirmada definitivamente em 1950 a 16 de Junho, por Pio XII. Em 1948, entretanto, Escrivã funda a 20 de Junho, o Colégio Romano de Santa Cruz.

Em 1952 cria em Navarra o que virá a ser a Universidade de Navarra.

Em 1957 a Santa Sé “confia à Opus Dei a Prelatura de Yauyos, no Peru”.

Em 1969, em um Congresso Geral extraordinário a Opus Dei inicia a sua caminhada para a sua transformação em uma Prelatura Pessoal, figura jurídica canónica criada pelo Vaticano II

A 28 de Junho de 1975 morre JoseMaria Escrivã, quando já eram membros da Opus Dei cerca de 60 000 pessoas.

A 15 de Setembro Álvaro del Portillo é eleito para suceder ao fundador.

Em 1982, a 28 de Novembro, João Paulo II, que, segundo alguns dizem é membro da OD, satisfaz o desejo da Opus Dei e transforma-a em uma Prelatura Pessoal, o que é executado em Bula Papal de 19 de Março.

Em 1985 nasce o que virá a ser a Universidade Pontifícia de Santa Cruz.

Em 1991 Alvaro del Portillo, já Prelado da Opus dei, é ordenado bispo por João Paulo II e a 17 de Maio de 1992 Escrivá é beatificado.

A 23 de Março de 1994 D. Álvaro del Portillo falece e a 20 de Abril é nomeado por João Paulo II para Prelado da Opus Dei Javier Echeverria, “confirmando a eleição realizada no congresso geral electivo celebrado em Roma”.

A 6 de Janeiro de 1995 Mons. Echeverria recebe a ordenação episcopal.

Em 2002 a 6 de Outubro “o papa João Paulo II canoniza JoseMaria Escrivá”.

Distribuição e datas de aparecimento da Opus dei,


1946 1947 1948 1949
Portugal, Itália e Reino Unido França e Irlanda México e EUA
1950 1951 1952 1953
Chile e Argentina Colômbia e Venezuela Alemanha Guatemala e Peru
1954 1955 1956 1957
Equador Uruguai e Suiça Brasil, Áustria e Canadá
1958 1959 1960 1961
Japão, Quénia e S. Salvador Costa Rica e Holanda
1962 1963 1964 1965
Paraguaia Austrália Filipinas Bélgica e Nigéria
1966 1967 1968 1969
Porto Rico
1970 1971 1972 1973

1974 1975 1976 1977

1978 1979 1980 1981
Bolívia Zaire Costa do Marfim e Honduras Hong Kong
1982 1983 1984 1985
Singapura, Trinidad e Tobago Suécia Taiwan
1986 1987 1988 1989
Finlândia Camarões e Rep. Dominicana Macau, Nova Zelândia e Polónia
1990 1991 1992 1993
Hungria e Rep. Checa Nicarágua Índia e Israel
1994 1995 1996 1997
Lituânia Estónia, Eslováquia, Panamá, Uganda e Libano Cazaquistão
1998 1999 2000 2001
Africa do Sul
2002 2003 2004
Eslovénia e Croácia



Missão da Opus Dei


Segundo a Opus Dei a sua Missão é contribuir para a “missão evangelizadora da Igreja, promovendo…uma vida plenamente coerente com a fé…através da santificação do trabalho”.

Um artigo em português, “Opus Dei e outras Seitas”, retirado de , www.geocities.com/CapitolHill/Senate/4801/OpusDei.html entretanto, apresenta a mesma como “infiltrar o mundo do trabalho, especialmente os centros do poder político e as grandes empresas públicas e privadas, com indivíduos totalmente fiéis ao Opus Dei”.

Um outro site, em espanhol, www.geocities.com/catolicos2001/opusdei.htm , “a Opus Dei procurava ocupar posições nas principais universidades espanholas. Durante a guerra civil, muitos dos professores e catedráticos destas foram executados, outros partiram para o exílio…as universidades não conseguiam funcionar. Isto foi aproveitado por Escrivá que recrutou dentro da Opus Dei professores medíocres ou incompetentes…”

No entanto, segundo a própria Opus Dei, citando o seu fundador, “actividade principal do Opus Dei consiste em dar aos seus membros e a quem o desejar os meios espirituais necessários para viverem como bons cristãos no mundo exterior”. De qualquer forma a simples leitura dos seus investimentos a mostram como uma instituição muito centrada na educação e influenciação das pessoas, dado o elevado nº de instituições de ensino que criou.



Especificações



Prelaturas Pessoais

A 6 de Agosto de 1966 o Papa João Paulo VI concretizou uma iniciativa do Concílio do Vaticano II, pelo decreto conciliar Presbyterorum ordinis, (7.12.1965) nº10, segundo a qual passaria a ser possível a criação de Prelaturas Pessoais, sendo que “os leigos poderiam vincular-se” às mesmas.

As Prelaturas Pessoais “são entidades à frente das quais há um pastor, (um prelado, que pode ser um bispo, que é nomeado pelo Papa e governa a Prelatura …”, pelo que “são portanto instituições pertencentes à estrutura hierárquica da Igreja, isto é, um dos modos de auto organização…em ordem à consecução dos fins que Cristo lhe atribuiu, com a característica de que os seus fiéis continuam a pertencer também às Igrejas locais ou dioceses onde têm o seu domicílio.”


O objectivo das Prelaturas Pessoais era “contribuir para a difusão efectiva da mensagem e da vivência cristãs”.

A 15 de Agosto de 1967 Paulo VI precisou que as Prelaturas Pessoais “dependeriam da Congregação dos Bispos e seriam erigidas pelo romano Pontífice”.

Assim, em 1969 iniciaram-se os trabalhos que conduziram, em 1981 a um relatório a todos os bispos sobre a criação de uma Prelatura Pessoal para a Opus Dei, o que veio a acontecer a 28 de Novembro de 1982, com João Paulo VI.

Os estatutos da Opus Dei”… estabelecem os critérios para as relações de harmónica coordenação entre a Prelatura e as dioceses…A Prelatura mantém sempre as devidas relações com as autoridades diocesianas”, tais como: - a)Não se inicia o trabalho…nem se procede à erecção canónica de um centro…sem o consentimento prévio do Bispo da diocese…b)…celebra-se um acordo entre o Bispo diocesiano e o Prelado…c)…mantêm um relacionamento habitual com os bispos das dioceses…”


Estrutura da Opus Dei

Prelatura


Assessoria Central Conselho Geral
(estrutura feminina) (estrutura masculina)

Vigário Geral
Assessoria Regional Conselho Regional
(estrutura feminina) (estrutura masculina)
Centros da Opus Dei


Congresso Geral da Prelatura
(de oito em oito anos)






Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz


Associação de clérigos da Opus Dei, composta pelos clérigos desta instituição “e por outros diáconos e presbíteros diocesianos, sendo que o Prelado da Opus Dei é o Presidente da Associação.

A associação pretende que os seus membros procurem alcançar “a santidade no exercício do seu ministério, segundo a ascética própria do Opus Dei.”. O candidato “há-de ter consciência de ter recebido uma chamada de Deus para procurar a santidade”.

Pertencem hoje a esta associação “uns 2000 presbíteros e diáconos incardinados nas diferentes dioceses de todo o mundo”.



Membros


Hoje a Opus Dei tem mais de 84 000 membros, equilibradamente distribuidos entre homens e mulheres, sendo que cerca de 1 800 são sacerdotes.

Por Continentes,


África : 1 600
Ásia : 4 700
América : 29 000
Europa : 48 700

Os membros da Opus Dei distribuem-se pelas seguintes categorias,

Numerários, que aceitam um contrato que estabelece o princípio da pobreza, da castidade, da obediência.

Os mesmos doam os seus salários à OD, recebendo uma pequena percentagem do mesmo para viverem. Representam 20% do total dos membros.

Associados, vivendo em família não são considerados numerários mas aceitam os votos de pobreza, castidade e obediência.

Supranumerários, a maioria dos seus membros, são normalmente casados

Padres, que vêm do numerários e são associados na Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz

Cooperadores, que são apoiantes da OD, participando em algumas das suas actividades, e apoiando a OD com doações


O documento já citado “Opus Dei e outras Seitas”, apresenta como membros, de vário tipo da Opus Dei, em Portugal Mota Amaral, Presidente da Assembleia da República, Jardim Gonçalves, presidente do Conselho de Administração do BCP, António Guterres, ex primeiro ministro e actualmente presidente da Internacional Socialista, Luís Braga da Cruz, Júlio Pedrosa e Rui Pena, ex ministros de Guterres, Narana Coissoró, membro do PP, Ramalho Eanes, ex presidente da República, Rocha Vieira, ex governador de Macau, João Rebelo deputado do PP, Fernando Oliveira, presidente do Sporting de Braga, Maria Barroso, esposa de Mário Soares, Maria José Nogueira Pinto, Rui Machete, Arlindo Cunha, ex ministros do PSD, Paulo Teixeira Pinto, o Arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, Bispo do Funchal, Teodoro Faria, e o Bispo de Lamego, Jacinto Batalha

Um outro documento “Opus dei, o braço direito do papa na Europa, refere ainda como membros portugueses, Roberto Carneiro, ex ministro da educação, Oliveira dias, Ernâni Lopes, ex ministro das finanças, Eurico de Melo, Jorge Miranda, Pedro Roseta

Na França são conhecidos Hervé Gaymard, deputado, Raymond Barre, deputado ex primeiro ministro, o príncipe Michel Poniatowski, membro do senado francês, Christine Boutin, deputada membro da UDF, membro do Conselho Potifical para a Família nomeada por João Paulo II, Françoise Seililer, membro do Parlamento Europeu, Anouk Meyer .

Em Itália, são conhecidos, Ombretta Fumagalli Carulli, deputado pelo CCD, Alberto Michelini, deputado, Gianfranco Fini da NA, Adriana Poli Bortoni ministra da Agricultura,

Na Áustria, são conhecidos, Marilies Fleming, ex ministro, Vinzenz Liechtenstein, Aois Mock, ex ministro dos negócios estrangeiros, Andreas Laun da delegação de Cairo da UN.

Na Alemanha, é conhecido, Graf Alois von Waldburg-Zeil, do PE, Kurt Malangre do PE, Otto von Habsburg, do PE, Carlo Casini, do PE,

Na Espanha, são conhecidos, Gaspar Arino, Isabel Tocino, ministra do Ambiente,Frederico Trillo, presidente do Congresso, José Ignacio Salafranca, Marcelino oreja, do PE e ex membro do gabinete de Franco

No Luxemburgo, é conhecido Jacques santer ex presidente da Comissão

Na Polónia são conhecidos, Andrzej Poltawski e Wanda Poltawska, antigos amigos do Papa João Paulo II

No Brasil o Cardeal Lucas Moreira Neves, arcebispo de São Salvador da Baia, presidente da Conferencia de Bispos do Brasil







Ligações económicas


A Opus Dei iniciou a sua actividade económica no Ensino, como a já referida residência universitária, a Academia DYA e de seguida cria a Universidade de Navarra. Hoje tem muitas mais actividades como se vê a seguir

Em Portugal tem o colégio Horizonte, o Mira – Rio, o Planalto, o Cedros, o Colégio Universitário Montes Claros e a Universidade Universitas, que lhe tem gerado problemas, e tem ainda as Edições Prumo, a Cooperativa de Fomento de Iniciativas Culturais, o Hotel Três Pastorinhos em Fátima, e procura o domínio da Universidade Católica. Consta que o BCP é um banco com capitais oriundos da OD.

Em Itália tem as edizioni Ares e o Studi Cattolici e o banco Akros, Elis Centre, La Fondazione Rui, Pontifical University of The Holy Cross, Residenza Universitária Monterone, Universidad Campus Biomédico de Roma

Na França têm, Editions du Laurier, Centre de Formation ICTUS, Institut Universitaire Saint – Mélaine, IRCOM

Em Espanha tem o Banco Popular, Altaviana, Fundacion CODESPAColégio Mayor Albayzin, IESE Business School, Masnou Tecnologia SL, Santuário de Torreciudad, The Studium Foundation, University of Navarra, Centro Elis, Centro de Estúdios e Investigaciones Técnicas de Gipuzkoa, Centro Femenino de Turismo y Hotelaria, Centro Universitário Castel, Clínica Universitária Navarra, Colégio Altair, Colégio Alpamayo, Colégio Besana, Colégio Gaztelueta, Colégio Guadalaviar, Colégio Intisana, Colégio Irabia, Colégio Retamar, Colégio Senara, Colégio Tajamar, Colégio Torremar, Colégio Viaró, Colégio Xaloc, Colégio Mayor Albalat, Colégio Mayor Albayzin, Colégio Mayor Almonte, Colégio Mayor Almonte, Colégio Mayor Alsajara, Colégio Mayor Arosa, Colégio Mayor Bidelade, Colégio Mayor Castilla, Colégio Mayor Guadaira, Colégio Mayior La Estila, Colégio Mayor Los Arces, Colégio Mayor Miraflores, Colégio Mayor Mendaur, Colégio Mayor Montalbán, Colégio Mayor Monterols, Colégio Mayor Pedralbes, Colégio Mayor Peñafiel, Colégio Mayor Peñalba, Colégio Mayor Somosierra, Escuela Deportiva Brafa, Escuela Profesional Altaviana, Escuela Profesional Fuenellana, Escuela Profesional Zalima, Instituto de Estúdios Superiores de la Empresa- IESE

Na Suiça tem o Nordfinanzbank, Limmat Stiftung e o Studentenhaus Allenmoos

Nos EUA têm Association for Educational Development- Califórnia, Berkland Foundation, Inc, Charwick Study Center, Chestnut Center, Menlough Study Center, Peninsula Foundation, Tilden Study Center, Trumbull Manor Inc, Westfield Residence, Westwood Study Center, Kingsland Foundation, Inc, Mulholland Foundation, Palmtrail, Inc, Roseaire, Inc, Alliance for Character in Education, Association for Educational Development, Castlewood Foundation, Corporation for Social Educational Development, Euclid Foundation, Kingswood Academy, Lexington Center, Inc, Lexington College Inc, Lincoln Green Foundation, Midtown Cultural Center, Inc, Mildtown Educational Foundation, Midwest Theological Forum, Inc, Northridge Preparatory School Inc, Saint Mary of the Angels Church, The Willows Academy, Shellbourne Inc, Southold Center for education, Inc, Windmoor University Center, Arnold Hall Inc, Bayridge Residence and Cultural Center, Brimfield Study Center, Inc, Cedar Wood Foundation Inc, Chestnut Hill Foundation, Inc, Elmbrook University Center, Inc, Montrose Foundation Inc, Trimount Foundation Inc, Lindell Study Center, Wespine Study Center, Association for Cultural Interchange, Inc, The Clover Foundation, Higher Education Initiatives Foundation, Inc, Mercer House, The Nassau Foundation, Inc, Scepter Publishers, Southmont Foundation., Inc, Alderton House Inc, Carl Schmitt Foundation Inc, Crawford Foundation Inc, Heights Foundation Inc, Homeland Foundation, Inc, Irving Home Arts, Inc, Murray Hill Institute, Inc, Murray Hill Place, Inc, National Center Foundation, Pontifical Atheneum of the Holy Cross Foundation, Riverside Study Center Inc, Rockside Foundation, Rosemoor Foundation, The Sauganash Foundation, South Brox Educational Foundation, Inc, Vancourt Inc, Woodlawn Foundation, Youth Service International Inc, The Mary Foundation, Warwick Foundation Inc, Mathewson Foundation Inc, Chaucer Drive Study Center, Featherrock Conference Center Inc, Montevista Foundation Inc, Southgate Foundation Inc, Southmore Foundation, Inc, Wingren Foundation Inc, Altview Foundation Inc, Longlea Conference Center, Oakcrest School, Stonecrest Home Arts, Inc, Tenley Study Center, Tysons (Reston) Study Center, Inc, Van Ness Study Center Inc, Wyoming House, Layton Study Center Inc, Petawa Residence and Cultural Center, Inc,

Na Argentina têm, IAE, Universidad Austral, Instituto de Altos Estudios Empresariales - IAE

Na Austrália têm, Creston College, Dartbroke Study Center, Eremeran Club, Eremeran Hills Study Center, Kenthurst Study Center, Kenvale College, Mountview Study Center, Nairana Study Centre, Orchard Hills Preparatory School, The Pared Foundation, Redfield College, Retaval Preparatory School, Southmore Study Center, Tangara Infants, Tangara Schools for Girls, Warrane College, Westburne Study Centre.

No Brasil têm, Centro de Extensão Universitária, Colégio catamarã, Centro Educacional e Assistência da Pedreira, Casa do Moinho, Central Social Morro Velho, Instituto Superior da Empresa, Pontal

No Canadá têm, Ernescliff College, Headford Cultural Group, Westbrook Education Fund

No Chile têm, University of the Andes, La Residencia Alborada, Residencia Araucaria

Na Columbia têm, Universidad de La Sabana

No Reino Unido têm, Greygarth Hall, Netherhall House

Na Alemanha têm, ISM

Em HongKong têm, Kam Him Center

Na Irlanda têm, Cleraun, Castleville Study Centre

No Kenya têm, Strathmore College, Kianda School

No México têm, Instituto Panamericano de Alta Dirección de Empresa, Escuela Femenina Montefalco

Na Holanda têm, Club de Borcht, Scholierenklub Lariks, ISLA Languages, Stichting Europrof, Stichting Instudo,

No Peru, University of Piura, Instituto Rural Valle Grande, Escuela de Dirección PAD

Nas Filipinas, Dagatan Family Farm School Parents for Education Foundation, Inc, Paref-Northfield School, Paref- Ridgefield School, Paref Rose hill School, Paref Rosefield School, Paref Rosemont School, Paref Southcrest School, Paref Southridge School, Paref Springdale School, Paref Westbridge School, Paref Woodrose School, Paref-Yu Ming School, Sinagtala Publishers, Inc, University of Asia and the Pacific

Na Venezuela têm, Colegio de Los Arcos e o Centro de Orientación Familiar

Na Costa Rica têm, Escuela de Turismo para la Mujer Guaitil

Na Nigéria têm, Helmbridge Study Center, Lagos Business School

Na Estónia têm Klubi Alfa

No Equador têm, Instituto de Desarrollo Empresarial

Na Guatemala têm, TAYASAL

No Uruguai têm Instituto de Estúdios Empresariales de Montevideu
publicado por JoffreJustino às 15:53
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A INSERÇÃO SOCIAL NÃO DEVE VIVER SÓ COM UMA ÚNICA ORIENTAÇÃO

A marginalização, a exclusão mesmo, de parcelas importantes das Populações de um País não é tema de hoje. Secularmente, mesmo em Portugal, foi tema de debate e de práticas que se reflectem em obras múltiplas, e com linhas de orientação as mais diversas, que passaram por processos como a Inquisição e a expulsão de populações portuguesas, por serem judias, não cristãs, ou muçulmanas, ou, por exemplo, pela escravização de Africanos, mas não dos Indios brasileiros.

Hoje, 1999, no entanto, tempo de fim de século e de milénio, abordando o assunto pela positiva e no âmbito do princípio Europeu da coesão económica e social, a preocupação do combate à marginalização e mesmo aos pressupostos da exclusão social, está evidente na criação do Alto Comissariado para as Minorias Étnicas e Emigração e em documentos como o Plano Nacional de Emprego.

Perante esta fase preparatória do que regulamentará a Agenda 2000, entendi ser útil pôr a debate esta temática, por via do seu instrumento de superação, a Inserção, baseando-me na experiência retirada de actividades concretas feitas por entidades onde estou envolvido, como a Escola Profissional Almirante Reis, EPAR, no âmbito do combate à exclusão social.

Começarei pois por recordar que podemos dizer que existem, mesmo que não formalmente, 4 escolas de orientação do combate à exclusão, todas, sinceramente, respeitáveis, ainda que com resultados bastante diferentes. Assim, elas são:

 A escola caritativista, exemplificada pela actividade da santa casa das misericórdias

 A redistributivista, que tem como exemplo, a própria Segurança Social e os múltiplos fundos de reformas hoje existentes

 A integracionista, visível em muitas actividades associativas de combate à exclusão social

 A insercionista, onde, entre outros, me incluo e incluo as actividades da EPAR

No que respeita à primeira orientação, as entidades a ela aderentes, inicialmente, pretendiam, tão somente, a redistribuição dos gestos individuais de caridade, acumulados comunitariamente por várias razões, caminhos e entidades, perante os casos de evidente carência a que se assiste no dia a dia da nossa vida. Se foi em tempo, até, uma filosofia, uma orientação da redistribuição dos ganhos, hoje é duvidoso que esta opção exista enquanto filosofia.

De facto, é praticamente por todos aceite que o caritativismo não soluciona senão a necessidade imediata de quem dela precisa, não tendo portanto uma função social dinâmica de mudança do status quo.

No segundo caso, as entidades que nela se baseiam, elas próprias, entendem que não solucionam com a sua actividade directa e imediata o problema da exclusão social e da marginalização. A complexidade de problemas sociais resultantes do findar do antigo período industrialista e desta transição pós moderna, por todos nós vivida, que vão desde a tendência ao desaparecimento de enorme quantidade de profissões e de sectores de actividade inclusivé, ao atraso e às especificidades com que Portugal se inseriu no industrialismo, a tal conduzem.

Assim, desde o jovem estudante dos PALOP, licenciado finalmente em Portugal e que não obtém emprego correspondente ao status que entende Ter, e que vê tal suceder por razões étnicas, ao emigrante dos PALOP que não tem qualificações profissionais adequadas ao Mercado de Trabalho português, crescentemente exigente, ao jovem escolarmente excluído por um sistema de ensino que teima em viver olhando somente para o seu umbigo e não para o seu alvo principal, a juventude portuguesa e residente e as suas necessidades perante uma economia e sociedade que mudou como nunca em 25 anos, em todos estes público alvo se encontram Pessoas alvo de exclusão social, vividas ou expectadas.

Perante os mesmos, um caritativista diz, ofereça-se uma esmola, (por exemplo, um bilhete de avião de regresso ao país de origem); um redistributivista diz, pague-se um subsídio de desemprego; um integracionista diz, qualifique-se, ou requalifique-se, profissionalmente a Pessoa.

Nós, como insercionistas que somos, pensamos e agimos de outra forma,

Procuramos, antes do mais, entender as causas socio-culturais que justificam a razão do sentimento de exclusão que, tantas vezes é o próprio ponto de partida da própria Pessoa e que leva, quase forçosamente, a que a exclusão seja real, até quando não parece que o seja. Partilhamos de seguida com a Pessoa a necessidade de valorizar as componentes positivas das suas origens socio-culturais, contextualizando-as na sociedade formal dominante, promovendo-as mesmo e, assim, valorizando contextos Pessoais, Comunitários de origem e fornecendo instrumentos que potenciem não uma integração pelos instrumentos mas uma compreensão do papel positivo de cada Pessoa na Comunidade Receptora, a partir das suas próprias diferenças e relevando mesmo as ditas diferenças. Funcionando, enfim, no contexto da Multiculturalidade, o contexto desta Globalização, só que vista democraticamente.

No entanto, a experiência diz-nos tal, os que se projectam por via da filosofia da Inserção Social, são, ainda hoje, os “politicamente não correctos”, em Portugal.

Tal gera, situação após situação, projecto após projecto, reduções de verbas aprovadas, que só anulam o impacto e a possibilidade de intervenção em cada projecto que se segue, em acúmulo de reduções do aprovado sobre reduções, sobre reduções, sobre ..., que acabam por pôr em causa as entidades.

Dois exemplos entre, já, centenas de casos vividos,

Uma Formação para potenciais empresárias, a partir de actividades tradicionais. Terminada a Formação entende-se promover os resultados da actividade feita pelas formandas e realiza-se um Colóquio sobre o Comércio e a Multiculturalidade neste Mundo já quase globalizado, a par de uma exposição dos trabalhos das formandas. Na mesa do Colóquio está um arranjo floral, simples, barato, mil e tal escudos, mas adequado à própria característica do projecto. Corte na factura/recibo do mesmo arranjo floral porque não há “evidência de custos”. A gestora apresenta então uma foto saída num jornal diário português, de larguíssima divulgação, onde o dito arranjo floral aparece, com bastante evidência. Corte na mesma, só que agora sem qualquer justificação...

Um projecto de Inserção Social e Profissional de Minorias Étnicas Residentes em Portugal. Elaboram-se vários Estudos, aprovados num contexto genérico, adequado a um projecto que por si é piloto, experimental diga-se em bom português. Entre eles, um estudo sobre Cabinda, um caso de uma população CPLP bem específica, com um contexto de inserção difícil até pelos pressupostos da conflitualidade inerente à mesma, por parte dela exigir, hoje, a Independência face ao país que a integra, Angola. Um caso de uma população onde se pode relevar, inclusivé, o papel positivo que as suas elites tiveram, em aliança com Portugal, para que Portugal pudesse manter a sua relação com África para além do final do século XIX, com todos os seus aspectos positivos e negativos. O objectivo do estudo era óbvio para a entidade promotora e para a entidade gestora do projecto, tratava-se de reforçar a função dominante, num tempo histórico não tão longíquo assim, desta população, até para a política externa de Portugal, relevando-a, facilitando-se assim uma Inserção por via da apresentação de práticas positivas, históricas. Corte nos custos apresentados, por não se justificarem no projecto, e corte feito 7 meses depois dos custos terem sido apresentados. Recurso da entidade sem resposta definitiva até hoje.


Nestes dois casos qualificaram-se e requalificaram-se, com êxito, os (as) formandos(as). Mas desenvolveu-se algo mais – forneceu-se uma compreensão do papel de cada formando(a), com base na estrutura cultural de origem e nas potencialidades de inserção da mesma na cultura dominante e vigente em Portugal. A Multiculturalidade, enfim. E se no primeiro caso se trata de uma redução de mil e tal escudos, a segunda implica uma redução de volta de um milhão de escudos... num dossier que em custo hora beneficiário ficou, comprovadamente, em menos de 15 escudos hora beneficiário.

É assim, com o esgotamento das entidades insercionistas, vai surgindo o caminho do reforço de um descontentamento social crescente em Portugal e ao que urge dar resposta. E o caminho de um descontentamento, até, no seio da CPLP, dos PALOP muito em particular em áreas como a qualificação e a tipificação do emprego.

É o caminho das rupturas sociais que só se descobrem quando explodem na cara dos cidadãos, bem violentamente.

Até lá os sinais vão-se acumulando. Desde os pequenos e surdos conflitos, raciais, vividos nos centros comerciais que pretendem divulgar e viver deste consumismo que todos queremos, mas a que nem todos temos acesso, ao crescente nº de presos existentes nas cadeias de Portugal, às queixas constantes, ainda que surdas, nas embaixadas PALOP em Portugal, aos combates de bairro entre jovens e entre jovens e familiares/vizinhos, às manifestações de jovens na baixa de Lisboa, para “acordar as Pessoas”, violenta e estupidamente reprimidas, etc.

Até ao dia em que tudo poderá explodir.

A partir da experiência resultante do 2º projecto atrás descrito, o de inserção social e profissional de minorias étnicas residentes em Portugal, a EPAR foi convidada e é parceira de um projecto comunitário que decorre em 5 países da União Europeia – a EMBNET, Ethnical Minority Business Network – que pretende promover negócios e parcerias de negócios, com base nas actividades inerentes às Culturas específicas das Minorias Étnicas Residentes na União Europeia, um projecto Multicultural, enfim.

Em Portugal, ao que parece, seria um projecto chumbado. Tratando de Culturas, da sua Promoção, é pouco especificável... como se sabe.

Cansa, esta atitude que se espera que seja emendada com a Agenda 2000.

Mesmo no País que hoje comemora o 25º aniversário do 25 de Abril, Revolução que não teve nada de “NORMAL”, ao que parece, a “normalidade” impôs-se... só que, talvez, do lado errado da História e das relações humanas.




Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:49
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UM PROGRAMA DE CONSULTORIA A EMPRESAS COM IMPACTO REGIONAL

Para além de outros grupos, em outras Regiões, estão, no concelho de Miranda do Douro, 15 micro e pequenas empresas a ser acompanhadas por uma equipa de Consultores Formadores, neste caso da CON.PRO Lda, por forma a que iniciem um processo de modernização ou desenvolvimento empresarial.

Apresentada pela ACIMD, Associação Comercial e Industrial de Miranda do Douro, este projecto foi aprovado no âmbito do acima referido Programa GERIR, do IAPMEI e pretende “levar a formação “para dentro” da empresa, implicando não apenas um formando, mas toda a organização”.

Tal qual o apresentou a dra Rita Vilela, técnica do IAPMEI e coordenadora deste Programa o objectivo geral do Programa GERIR é o “Aumento da capacidade de Gestão, melhoria da organização e competitividade de micro e pequenas empresas”.

Ora, introduzir este conjunto de valores adicionais a micro e pequenas empresas em uma Região mais que desfavorecida, esquecida do/pelo país, é criar um conjunto de factores de mudança na mesma Região, pelo menos tantas quantas as empresas envolvidas no Programa.

Não se pode deixar de referir, antes do mais, que foi um acto de risco, (e de coragem), por parte da Associação empresarial ACIMD o ter aceite um desafio, este, o de participar neste Programa, que lhe fora lançado pela CON.PRO.

Na verdade, este tipo de Programas exigem, à partida, empresários disponíveis, motivados, para lógicas de mudança no âmbito da própria cultura organizacional.

Trabalhando em conjunto, os drs César João, técnico da ACIMD e a dra Ana Bela Pereira da Silva, gerente da CON.PRO e ainda o Presidente da ACIMD, o sr Manuel Granjo, obtiveram um produto final de significativa qualidade, pois entre algumas dezenas de candidaturas, viram a sua ficar entre as 12 aprovadas.

E, assim, nasceu este projecto que tende a revolucionar, no plano da gestão, um nº suficiente de empresas de Miranda do Douro, Palaçoulo e Sendim para que nasça daqui certamente um princípio de mudança organizacional na Região.

Ora tal mudança terá significativo impacto nas lógicas de desenvolvimento local, já que não se pode duvidar do papel de liderança local dos empresários. Eles, enquanto gestores do risco, da inovação, têm sempre um importante papel, quando agem, na transformação local.

Como funcionará, como está já a funcionar, este Programa?

Pretendendo implementar em cada empresa participante um plano de mudança procurar-se-á, “Potenciar os factores de competitividade de cada empresa; resolver ou minimizar os problemas ou disfunções que se detectem.”, tal como referiu a dra Rita Vilela na sessão de integração das várias equipas consultoras neste projecto.

Seguindo a metodologia de formação-acção, todo o processo formativo tem por base “os problemas e disfunções das empresas”, de cada empresa envolvida, no concreto, sendo que a sistematização dos mesmos surge da elaboração de diagnósticos realizados em cada empresa, já em conjunto, entre o consultor/formador e um responsável da empresa.

Assim, segundo o Regulamento do Programa Gerir, “Toda a força e riqueza deste Programa resulta da interacção desta tríade base ( Diagnóstico – Formação - Acção) que funciona como uma unidade articulada em que cada elemento se reforça reciprocamente potenciando assim o processo formativo e os resultados para as empresas”, aliada que está esta intervenção a uma permanente análise, casuística e estratégica, de cada empresa concreta.

Gerindo momentos de formação no interior da empresa, com momentos de acompanhamento do responsável da mesma no sentido da introdução de técnicas modernas de gestão na organização, com momentos de formação em sala, formação essa em lógica de formação inter empresas, o Programa tem conseguido elevados momentos de empenhamento dos participantes.

Já na Justificação da Candidatura, tanto a ACIMD quanto a CON.PRO assumiam que “os empresários deste concelho têm de adequar as suas mentalidades, as suas técnicas de gestão e os seus modelos de gestão às novas necessidades impostas pelo mercado e não só o querem como o estão a fazê-lo a título individual.”, sendo que os mesmos são no entanto alvo da pressão diária permanente, da resposta diária e casuística às exigências de uma economia que se mostra cada vez mais concorrencial, o que dificulta processos de aprendizagem estritamente individuais.

Como refere a Justificação da Candidatura, “permitindo esta metodologia um mix de “acção na empresa”, Consultoria e Formação em sala, tal possibilita um processo acelerativo na Formação”…em particular na implementação do apreendido” e que se reforça pela “permuta de experiências, acompanhadas e debatidas com os formadores entre os formandos”.


*A Região e o Concelho de Miranda do Douro


Não é possível escamotear tanto o potencial turístico da região, de notar que a mesma se apresenta como a jóia do Parque Natural do Douro Internacional e as suas características, uma região Interior e Fronteiriça, confinando com a província espanhola de Castela –Leão, a predominância na actividade económica da economia informal, comercial, de serviços, e da pequena indústria local e regional, mas já em alguns sectores de impacto internacional, para além das característica de região de fronteira.

No entanto, não podemos negligenciar elementos negativos, pontos fracos da Região e do Município, como o crescente processo de desertificação, o facto da Região do Alto Trás os Montes, no plano da economia formal, ser “ a quinta sub Região do país com menor poder de compra”, de ter “ uma densidade populacional das mais baixas, 27,6 hab/km2, para uma média nacional de 108,2”.

Por outro lado, como a população no grupo etário abaixo dos 15 anos, “diminuiu, entre o recenseamento de 1991 e o final de 1995 em cerca de 22%”, deve-se relevar esta “significativa diminuição dos mercados locais”.

Ainda assim, o concelho de Miranda do Douro tem fortes potencialidades na floresta, na pecuária, onde se deve salientar a famosa raça bovina Mirandesa, geradora também do não menos famoso prato “posta à mirandesa” e a raça ovina Churra Galego-Mirandesa.

Aliada a este conjunto de características surge de seguida o enorme potencial ambiental, natural, o Parque Natural do Douro Internacional, a História local, antiquíssima, diversa e rica, geradora de uma língua própria e de um património construído importante.

Tal transforma o município em uma unidade económica integrada, onde o Turismo poderá vir a ter um papel determinante no desenvolvimento do conjunto, razão pela qual três importantes unidades hoteleiras locais aderiram ao Programa Gerir, a Residencial PLANALTO, a Estalagem, antiga Pousada Sta Catarina, ambas de Miranda do Douro e a Residencial, de Sendim, O ENCONTRO.

É pois este Projecto uma forma inovadora de desenvolvimento de lógicas de mudança e inovação locais, o que o tem tornado bastante motivador para o conjunto de consultores que nele participam, já de si uma equipa inovadora que integra consultores locais e consultores de Lisboa.
publicado por JoffreJustino às 15:48
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ensino profissional

Não resisto a citar o meu querido professor do ISCEF hoje ISEG, Vítor Constâncio que como sabem foi secretário geral do PS e hoje é Governador do Banco de Portugal, numa bem recente conferência, onde diagnosticou as causas da baixa produtividade nacional, para dar um pontapé de saída a esta pequena intervenção sobre o Ensino Profissional, “Na educação é um desastre…Estamos no fim da lista da OCDE e muito abaixo dos 10 países que vão entrar na UE, sobretudo no secundário”.

Pois é, é um desastre.

Umas pequenas e simples contas para vos abrir o apetite. A União Europeia financiou, desde 1986, subsistemas vários de Ensino, entre eles o Profissional, assim como a Formação Profissional e, de imediato, muitos de nós, talvez até alguns de vocês presentes, se deixaram encantar pela cantiga das criticas aos que viviam dos fundos comunitários como ainda hoje se diz por entre mesas de café.

Para vos dar uma ideia mais realista o custo hora formando no subsistema da Aprendizagem está hoje nos 2,31 euros, no Ensino profissional nos 1,22 euros e na Formação Profissional varia entre os 3,5 euros e os 4,5 euros.

Se considerarmos que uma turma tem em média 20 formandos estes valores significam à hora algo como, 46,2 euros, 24,4 euros e 70 ou 90 euros. Estes valores, recorde-se, pagam formadores, pessoal técnico e administrativo, instalações e equipamento e até a promoção da actividade.

Eu pago ao meu dentista 90 euros, se vou a um advogado, como me disse uma advogada amiga, “as minhas consultas ou são de borla ou custam 75 “duros””, talvez vocês se possam também recordar quanto custa uma consulta médica, ou em um advogado, etc. Curiosamente ninguém se recorda destes valores, mas todos afirmam opiniões definitivas sobre o custo do ensino.

Na realidade um formador, caro, fica, a um estabelecimento de ensino ou de formação, algo que varia entre 25 euros e os 50 euros, pois a média é inferior aos 20 euros.

Espantamo-nos quando no bem recente seminário da AIP o Prof. Dr. Strube, o patrão da UNICE, central patronal europeia diga “A União Europeia deverá tornar-se até ao ano 2010 “ na economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo” e, ao mesmo tempo se escreva, com toda a razão, “Se um professor se ausentasse de Portugal em 1991 e voltasse dez anos depois, ficaria surpreendido com a estagnação dos indicadores que definem a educação. Numa década, o insucesso escolar manteve-se praticamente na mesma: 45 por cento dos jovens entre os 18 e os 24 anos não finalizaram o secundário, o que nos coloca no último lugar entre os países da União Europeia. E os homens que não investem na sua formação surgem, pela primeira vez, em maior número do que as mulheres: 52 contra 38 por cento.”, ( in Educação: Um retrato parado no tempo). ?

Não, não nos podemos espantar. Em particular porque, se compararmos valores de conclusão do ensino secundário “em Espanha são já 67% e em França 83%”, segundo José Ferreira Gomes escreveu no Público de 15 de Março de 2004…

Mas, mais contraditório ainda é quando ouvimos da voz do meu querido professo Vítor Constâncio que “O pior é que Portugal é dos que mais gasta com a educação, ( está em 5º lugar), é o primeiro no ratio professor/nº de alunos…”.

Longe, muito longe, claro, vai o tempo em que li, em texto escrito com respeito, que um rei de um país nórdico, não recordo qual, tinha por hábito, no século XIX, só descer do cavalo quando se passeava nas pequenas urbes, para cumprimentar o professor dessa urbe…

Nesse tempo, não mediamos tudo pela leitura simplista dos números. Líamos a vida por outro tipo de apreciações, não poucas vezes bem mais realista que aquela que nos indica que se houver um frango para duas pessoas estatisticamente ninguém pode morrer à fome…

Houve também tempo, esse bem mais recente, em que saía legislação onde se podia ler, “…no contexto da integração europeia e do desafio do desenvolvimento económico e social que urge promover, a elevação da qualificação dos recursos humanos do país constitui um imperativo e investimento inadiável”, ou ainda, “As escolas profissionais, numa perspectiva de inserção e resposta às necessidades de desenvolvimento regional e local…”, e estou a citar um decreto lei, o que instituiu as escolas profissionais, de 1989!

É claro que hoje se tem de reconhecer, como fazem a CIP e a AIP, no preâmbulo do documento que urge, “Promover a reforma da educação e da formação profissional…Estruturar e implementar com eficácia a formação ao longo da vida…”, pois como se pode ler no texto acima citado, “O insucesso continua a marcar o seu território logo no início da escolaridade: quase metade dos alunos a chegar ao 2.º ciclo com pelo menos uma reprovação. Quanto ao analfabetismo, caiu apenas dois por cento: em 2001, nove em cada cem habitantes ainda não sabem ler nem escrever….”, e o impacto de tal na produtividade, nacional e de cada uma das empresas não pode ser pequeno…

Pretendeu-se, em tempos, com a criação do ensino profissional criar vias de ensino que adequassem a aprendizagem dos Jovens ás necessidades da actividade económica.

No entanto, a primeira apreciação que se fez da experiência, em 1998, preocupava-se mais com “algumas fragilidades e ambiguidades relativas, nomeadamente, ao processo de criação das escolas, à natureza jurídica dos promotores, à relação destes com os órgãos de direcção, á responsabilização pedagógica e financeira dos órgãos da escola, bem como ao modelo de financiamento”…e, claro, limitar a autonomia administrativa, financeira e pedagógica das escolas profissionais…para, também, iniciar o lento e irreversível processo de descapitalização das mesmas, passando-se dos já miseráveis 3 euros de custo hora formando para os actuais 1,22 euros…

Aumentou-se o impacto das escolas profissionais nas populações escolares, aumentando-se o nº de escolas e cursos profissionais, ao mesmo tempo em que se cimentava este subsistema de ensino? Não, perante aquilo que refere o meu querido professor Vítor Constâncio, o elevado ratio professores/alunos, que resulta de um processo também irreversível e que tem a ver com a resposta, tipicamente portuguesa às dificuldades, isto é perante a dificuldade em responder ao incremento do custo de vida reduza-se o nº de pessoas na família, gerador da significativa redução de população nas escolas a solução encontrada foi procurar criar nas escolas públicas, totalmente afastadas em média das realidades económicas e sociais envolventes, o dito ensino tecnológico.

Objectivo? Manter as escolas públicas semimortas, sem as reformar, sem reformar as mentalidades nelas dominantes.

Para manter os custos financiáveis pelos financiamentos comunitários.

Por isso a RLVT tem, somente, nas suas 51 escolas profissionais, 7,7% dos seus Jovens nos Cursos Profissionais e a Grande Lisboa 7,6%, no ano lectivo 2003/4. Por isso o Continente tem, somente, 9,2% dos seus Jovens neste subsistema de ensino!

É assim que um subsistema de ensino, onde o país investe desde 1989, onde se pretendia que o ensino tivesse, como referem a AIP e a CIP no documento “Estratégia de Lisboa Desenvolver o Espírito Empresarial e aumentar a Competitividade das Empresas”, feito para o Seminário “ A Competitividade das Empresas Portuguesas e a Estratégia de Lisboa”, “um carácter mais employement-friendly aumentando a componente prática dos conteúdos formativos e estreitando as relações com as empresas”, mantém-se adormecido com custos hora formando da ordem dos 1,22 euros!

Ao mesmo tempo que nos queixamos, todos, dos baixos índices de produtividade e dos elevados custos do Ensino.

Hoje, tempo em que as exigências técnicas, tecnológicas e comportamentais são, na actividade económica, crescentes, continua-se a olhar para o sistema de ensino no seu todo como um instrumento elitista formador de saberes académicos, distanciados da vivência futura de cada um.
publicado por JoffreJustino às 15:45
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