Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Quando Falei em ‘Mexicanização de Angola’ Não Brincava…

Quando Falei em ‘Mexicanização de Angola’ Não Brincava…



Xu Ning, presidente do Conselho Empresarial Chinês em Angola, em declarações a vários órgãos de comunicação social, à Nova China e à BBC, pelo menos, queixou-se da violência qyue está a recair sobre a sua comunidade em Angola.
Xu Ning está visivelmente perturbado porque não entende esta violência, quando deveria ser dos primeiros a entendê-la, já que vem de um país de um Estado, 2 Regimes, sendo um deles – o comunista.
Ora se está sediado num país, Angola, onde cerca de 30% da população ganha menos de um dólar por dia, onde em cada cem crianças nascidas, 13 morrem antes de atingir o primeiro ano de vida, onde segundo o último relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), citando um jornalista, “ numa escala de 0 a 100, Angola apresenta um índice de desigualdade entre ricos e pobres de 58,6, os mais pobres (perto de 70% da população) têm uma taxa de consumo de 0,6 por cento enquanto a dos ricos é de 44,7 por cento”, é natural esta violência.
Em especial se em 2002 ainda, o país vivia em guerra civil…
Xu Ning, seguindo a linha do Partido Comunista da China, é o elemento que lidera a expansão da economia chinesa em Angola, linha que a RP da China desenvolve em cada vez mais espaços do Planeta.
No contexto da economia de mercado é um direito da RP da China e se esta gere os seus negócios com “empresários comunistas”, ou capitalistas, é com ela.
Claro.
No entanto, não pode esperar que os Angolanos se sintam bem com esta nova exploração capitalisto-conmunista, pois são dos povos que conhecem esse modelo de exploração, feita pela URSS, pelos países comunistas de leste e por Cuba.
Não pode pois esperar que não surge este modelo Zapatista, típico dos “crescimentos à México”, que se centra em respostas baseadas na violência, individual.
É evidente que não concordo com este modelo Zapatista.
Nunca deu resultados, veja-se o México de hoje…
Prefiro o modelo da reivindicação sindical e social, centrado em Sindicatos Fortes e Reivindicativos e em ONGD, e Cooperativas Solidárias e Dinâmicas.
Enfim, sou Socialista e não Populista como Chavez.
Mas Xu Ning é que não tem razões de queixa, como diz a Policia de Angola – os empresários chineses e os quadros chineses são assaltados tanto quanto os restantes dos outros países.
Regra de ouro no modelo da mexicanização – a gestação e crescimento da violência.
Há, claro, uma solução, lenta, mas eficaz.
Xu Ning poderia ensaiá-la.
A da Solidariedade.
Criando Emprego para os Angolanos, distribuindo a Riqueza entre Angolanos, pagando melhores salários, melhores casas, melhor saúde.
Enfim, o chamado modelo social europeu, que mal ou bem os portugueses desenvolviam em Angola e que, por isso, os Angolanos também conhecem.
Houve exploração colonial em Angola?
Sem dúvida.
Mas, confessemo-lo – à excepção do tempo do esclavagismo, (mas que foi feito por portugueses em conluio com elites angolanas…),era mais civilizada que esta exploração de hoje, (onde os portugueses, infelizmente, também estão incluídos…), havia melhores condições para os Pobres, que hoje.
Imaginem ao que os tempos obrigam!
A um ex-preso político, por ser nacionalista angolano, ter de dizer bem do colonialismo português.
E é tal que não perdoo a Xu Ning!
Por muitas armas que reintroduza em Angola, como a fotografia acima o mostra.
Um “Fidel” chinês, arma na mão, ao lado de um Angola, de calções é o símbolo deste novo neo colonialismo.
Igualzinho ao russo cubano de má memória para os angolanos!

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 09:53
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