Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Um Interessante Relato Histórico do Percurso da RP da China, do Seu Papel em África, e Um Pouco Mais…Com Edmundo Rocha e Joaquim Freitas

Um Interessante Relato Histórico do Percurso da RP da China, do Seu Papel em África, e Um Pouco Mais…

Agradeço a sinceridade intelectual tanto de Edmundo Rocha, que já conhecíamos, como se vê agora de Joaquim Freitas, seu amigo.

Na verdade, este pequeno texto abaixo, de Joaquim de Freitas, confirma bastante do que eu disse, mas, relevo algo que talvez não tenha ficado explicito nos meus textos anteriores – a RP da China e a sua elite liderante, na verdade, esforça-se por estabelecer uma estratégia, por a desenvolver integradamente, e por a enquadrar de forma bem mais veemente, num contexto de globalização que todos vivemos, do que vemos por aí acontecer, (falo também das “potencias europeias” e da União Europeia).

Eis porque é que a RP da China tem conseguido, paulatinamente, atingir, o papel politico e económico de potencia tendencialmente liderante, enfim, de cada vez mais potencia liderante no Planeta, ao contrário de uma Rússia que ainda não conseguiu deixar de “lamber as feridas” e de uma União Europeia que não para de se vangloriar e se esquece de se desenvolver ….

É claro que não podemos esquecer o Japão, os já antigos Tigres Asiáticos, e nos actuais BRIC’s, (onde se situa a China), o Brasil e a Índia; mas a RP da China, já deixou bem para trás os tempos onde nela se morria à fome, como se refere o texto abaixo, e tende a encontrar, no seu interior as forças capazes de a levar a significativos saltos em frente no plano económico.

Resta-lhe ser capaz de superar as limitações políticas, culturais e sociais. Na verdade, custe-lhe ou não, a inexistência de Democracia limita-lhe o desejo de gestão pela meritocracia, acentua-lhe as vontades das pequenas e grandes corruptelas e de estruturação de elites distanciadas, pela repressão, da imensa maioria dos Cidadãos.

Vejamos que a imensa virtualidade do espaço anglófono está sobretudo no sentido critico e autocrítico que a Democracia incentiva nas comunidades que as levam a entender onde estão a errar e por onde devem caminhar para superara esses erros.

Ainda ontem assisti a mais um exemplo de tal, com um filme profundamente autocrítico dos EUA sobre a sua invasão do Iraque,…e temos exemplos destes em permanência nos EUA e na Grã Bretanha, a mamã da anglofonia que não teme ter hoje um lugar subalterno…

Vejamos o exemplo do Espaço de Língua Portuguesa.

Andamos à anos sem fim a discutir no nosso seio um ridículo Acordo linguístico, com os Velhos do Restelo a dominarem as baixas escritas em defesa de uma “língua portuguesa” que nunca existiu, de regras gramaticais sem nexo, só porque estes Velhos do Restelo temem ser dominados pelo Brasil….Quem perde? O potencial imenso, editorial, em Linga Portuguesa, que morre nas esquinas das editoras do Bairro Alto e equivalente, à direita e à esquerda, “culturais”.

E, agora que assistimos a esta importante opção, Angolana, de investirem nas empresas portuguesas e no espaço português, vemos, de um lado, o português, ao pequeno resmungo, quando o que deveríamos era aproveitar ao máximo a capacidade financeira de investimento angolano e as capacidade técnicas, de knowhow e de gestão existentes em Portugal, ( e claro também no Brasil…), para, integradamente, investir, em Portugal, em Angola, no Brasil e por aí fora dentro e fora da CPLP! Do lado angolano assistimos ao outro pequeno resmungo, vindo do leader da UNITA, que se concentra na tentativa de atacar o processo de Mexicanização de Angola, não criticando a RP da China, nem os EUA, ou a Rússia, ou até a União Europeia, mas fazendo esta critica, por via do ataque aos investimentos em Portugal ou à transferência de contas bancárias em Portugal para Angola ou outros países, de capitais Angolanos.

Teria sido espectacular que tivessem tido a oportunidade de ouvir o Doutor Felix Ribeiro e o Doutor Marques Guedes, no III Forum da APME, a desenvolver a tese da importância crescente do Atlântico Sul, e o papel que a CPLP deveria ter, e não está a ter, de dinamização deste espaço económico, cultural social e politico.

Para bem de África, da América Latina e da CPLP claro!

E porque não está a CPLP a ter tal papel?

Porque estamos, na CPLP, amarrados a “teorias” que nos bloqueiam, conscientemente, propositadamente, oriundas do espaço anglo-saxónico, sobre os processos de colonização e neocolonização.

É fundamental acentuar, por exemplo, perdoem-me os meus Irmãos Angolanos, que Angola enquanto espaço geopolítico tem, somente, cerca de 80 anos, dado facto de a sua ultima fronteira ter sido assumida somente pelos princípios dos anos 30 do século XX, pelo que até tem de ser considerado espantoso como a coesão nacional é tão significativa em Angola!

Como é determinante recordar que Portugal que para alguns tem 8 séculos, tem na verdade, 5 séculos não enquanto nação mas sim enquanto Império, cerca de 300 anos enquanto reino Teocrático Expansionista, e finalmente 34 anos enquanto nação continental europeia.

Isto é, este Portugal de hoje é, na verdade, uma Nação Europeia bem jovem, pois tende a recusar-se enquanto herdeira de toda a sua riquíssima História com elevado impacto planetário.

Basta ver como em Portugal se despreza a CPLP, como se procura, ainda, esconder a sua cosanguinidade Africana, India, Indu, e Asiática, para perceber como exista quem queira matar o Passado deste espaço que se situa na Europa, mas que, por uma vez, e pela primeira vez e única no Mundo, teve a sua capital no Brasil, Rio de Janeiro, e na década de 50 do século XX teve um candidato presidencial, Norton de Matos, que só não ganhou as eleições dado o regime salazarista que o impediu, e que defendeu acerrimamente que Portugal deveria, mais uma vez, abandonar a Europa e situar a sua Capital, a Capital de um Império relevo, não de uma Nação, já não no Brasil mas agora em Angola!

Foi este o erro de Salazar, (mais um entre os imensos que cometeu…) – o de pensar, pacóvio que era, que podia transformar um Império, numa nação…

Bem, ainda é possível transformar este processo não em um novo Império, que se acontecesse teria o seu Poder um em Luanda, ou em Brasília diga-se, mas sim, seguindo Fernando Pessoa, “A minha Pátria é a Minha Língua”, numa dinâmica Comunidade, feita de Diversidade, Cultural, Étnica e Intercontinental.

Eis porque me preocupa o peso da RP da China em Angola.

Na verdade a RP da China tem dois elevados excedentes que tem de investir de forma expansiva – o financeiro, que a leva a investir pelo Mundo fora e onde África tem enorme peso, e o de Capital Humano, que a leva a concentrar-se, especialmente, no Continente vazio, África!

Em ambas as potencialidades, a RP da China tende a anular a CPLP.

Em proveito dos Angolanos?

Claro que não.

E dai o ter referido a exploração neo colonial da RP da China.

O que não anula o conjunto de virtualidades que a RP da China tem, em especial este de ser, em si, uma experiencia politico sociológica – o de ser um País com dos Sistemas, a funcionar internamente.


Joffre Justino

Nota Essencial – Por uma questão de ética é meu dever acentuar que parte das reflexões que desenvolvo , sobre Angola, resultam de reflexões que tenho vindo a fazer em conjunto do Eugénio Monteiro Ferreira que, como de costume, encontrará e ainda bem, bastantes falhas nas mesmas….Trabalharemos estes temas no próximo Jantar da Academia de estudos Laicos e Republicanos, da habitual forma solta dos Jantares da Academia.

Este Jantar realizar-se-á a 4 de Dezembro e nele falaremos em volta do dr Eugénio Ferreira, um Republicano, de Angola e do Mundo.


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Caros amigos,

Sugiro que leiam o notável comentario de Joaquim de Freitas, um amigo portugues que vive em Grenoble, sobre a CHINA que ele conhece muito bem, muito melhor que eu. E que reponde às inquietações do Justino sobre a problemática CHINA - AFRICA.
Sobre os outros temas eu estou a refletir sobre eles.

Edmundo Rocha
………………… …………………………….. ………………………. ………………………………………



Il manquait le mot INFORMATIQUE dans la copie précédente ; Excusez moi.

Cher Ami
Comme vous le savez, (je crois vous l’avoir dit), Cher Edmundo, j’étais moi-même en Chine en 1964, ( on aurait pu se rencontrer !) où je dirigeais le stand de ma boîte SAMES ; Division de Saint Gobain Pont-à-Mousson , dont je suis devenu le PDG.J’ai logé au Minzu Fan Dien (Hôtel des Etrangers), j’ai eu droit à la poignée de main de Chu En Laï, qui parlait un bon Français, en visite à mon stand, et j’ai dîné comme tout le monde dans l’immense palais de l’Assemblée du Peuple !
Il y a un nombre de faits qu’il faut accepter :
a)-Les Chinois sont passés en une génération d’un pays de pauvreté à une des plus importantes économies mondiales.
b)- Le credo de Deng Xiaoping, qui pensait que les faits plutôt que les dogmes idéologiques – qu’ils soient de l’est ou de l’ouest – doivent servir de critère ultime dans la détermination de la vérité , a fichu par terre le modèle communiste soviétique et le modèle démocratique occidental , qu’ils considèrent ne pas pouvoir s’appliquer à la modernisation d’un pays en développement, et que la démocratisation ne précédait pas la modernisation mais le plus souvent la suivait.
c)- L’éradication de la pauvreté était le droit humain le plus fondamental. Cette idée a ouvert la voie à l’immense succès de la Chine qui a sorti en une génération près de 400 millions d’individus de la plus abjecte pauvreté, un succès sans précédent dans l’histoire de l’humanité. Au prix des droits de l’homme prônés par l’Occident, ainsi que des droits civils et politiques, qu’ils ont jeté aux orties.
Cela a permis à Beijing d’établir un modèle d’ensemble de priorités et de séquences pour les différentes étapes de la transformation, que nous n’aurions pas osé faire.
d) -Deng Xiaoping a réorienté son vieil Etat pour le faire passer de l’utopie maoïste à la modernisation. Son slogan des « Deux systèmes et Un Etat » n’était pas idiot. Il collait à un besoin et à la réalité.
e)- La perfomance prime sur tout.. Inspiré par la tradition de méritocratie du confucianisme. Les leaders chinois sont compétents, sophistiqués et constamment testés aux différents niveaux de leurs responsabilités.
f)-Remarquable capacité d’assimilation, comme le prouve la rapidité avec laquelle ils ont adopté la révolution INFORMATIQUE.
g)- Restent encore de grands problèmes à résoudre : la corruption , la réduction des disparités régionales et la création d’un filet de protection sociale.
Les relations de la Chine avec l’Afrique resteront fortes et les Africains en bénéficieront, jusqu’à un certain degré. Mais pour continuer le fil de votre échange avec JJ , je ne suis pas sur que les Africains pourront suivre une voie identique à celle de la Chine, tout simplement parce que les élites Africaines sont moins intéressés à sortir leurs peuples de l’ornière du sous-développement que les Chinois .
En Chine, c’était une condition sine quoi non , car les révoltes des masses Chinoises ont toujours été d’une ampleur sans égal, lorsque le pays s’enfonce dans le chaos ! Le Maoïsme étant à bout de souffle, il était nécessaire d’ouvrir une nouvelle voie : Deng l’a fait. Le prix est aussi sévère, car nous voyons les avancées d’un tiers des Chinois, mais nous ne voyons pas la misère des deux autres tiers, sacrifiés, surtout les paysans, à la nouvelle voie !
Nous n’avons jamais vu des révoltes d’une telle ampleur en Afrique. La cause qui a uni des peuples Africains un certain temps, c’était la cause de l’indépendance. De l’Afrique du Sud au Zimbabwé, en passant par les colonies portugaises . Aujourd’hui, je vois les élites se contenter des bénéfices des ressources que les occidentaux et maintenant les chinois exploitent, mais je pense que tant qu’il n’y aura pas un programme de développement des capacités des peuples à s’approprier le monde moderne, à partir d’une éducation de base solide, le progrès sera lent, très lent.
Relisez mon point b), ci-dessus : vous voyez bien que l’Afrique évolue entre les deux systèmes. Mais elle n’aura jamais les caractéristiques humaines ni le recul des vingt dynasties de la civilisation chinoise pour asseoir un système performant.
Vous avez vu comme moi les ressources que les Chinois ont mis en ligne pour éduquer des millions de Chinois à la technologie moderne. C’est la, leur force.
Je suis retourné en Chine une dizaine de fois jusqu’à 1994. Les progrès étaient visibles. Aujourd’hui ils sont énormes ;

Um abraço.

J. de Freitas
publicado por JoffreJustino às 12:33
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