Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

“Estas Parvoíces Que Andam a Dizer Acerca das Agências de Rating São Monstruosas”! (João César das Neves dixit!)

Pois, mas vejam abaixo um extracto/noticia de um Comunicado do Governo Angolano, e comparemos Angola com Portugal! “Num comunicado enviado ao Jornal de Angola, o Executivo indica que a Fitch elevou a nota de Angola a 24 de Maio de 2011, a Moody’s em 3 de Junho e a Standard & Poor’s na passada terça-feira, 12. De acordo com o documento, as agências resolveram elevar a anterior notação de “B+” com perspectiva positiva para “BB” com perspectiva estável, nas tabelas da Fitch e da Standard & Poor’s, e de “B1” com perspectiva positiva para “Ba3” com perspectiva estável na tabela da Moody´’s, o que equivale à classificação “BB-” das outras duas. O Executivo considera, no comunicado, que a elevação da notação ao nível “BB-” pelas três agências “mostra que a economia angolana está menos exposta à especulação financeira, habilitando-se, num futuro próximo, ao acréscimo de mais um “B” à sua notação, quando, então, poderá ingressar no grupo dos países classificados com o grau de investimento”. Segundo o comunicado, as três agências “reconheceram que a economia angolana continua robusta e vai no caminho certo, num cenário internacional ainda conturbado pela interminável crise de dívidas soberanas em países mais desenvolvidos”. Esta posição segue-se à avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) que, a 27 de Junho último, enalteceu o desempenho da economia angolana e assinalou o cumprimento, pelas autoridades de todas as metas de desempenho do acordo “stand-by” assinado com aquela instituição financeira. O Executivo explica que a Fitch deu destaque ao facto de o país ter ultrapassado de forma relativamente rápida o efeito da crise financeira global de 2008-2009, reforçando a sua política macroeconómica, ao combinar medidas de ajuste fiscal e monetário com a recuperação dos preços internacionais do petróleo, para regularizar uma parcela substancial de pagamentos acumulados em 2009 e manter a trajectória de recuperação das reservas internacionais. Por sua vez, para elevar a sua nota, a Moody’s identificou três factores, como a melhoria das contas fiscais e cambiais propiciadas pela recuperação dos preços do petróleo, “convertendo-se num défice fiscal de dez por cento do PIB, em 2009, para excedente em 2010”. O progresso na implementação das reformas preconizadas por Angola no acordo “stand-by” com o FMI e a regularização dos pagamentos em atraso perante fornecedores, acumulados durante a crise de 2009, são factores que contribuíram para elevar a nota. A Standard & Poor’s realçou a melhoria dos resultados das contas fiscais e externas, prevendo que preços relativamente altos do petróleo e do gás, bem como o aumento na sua produção, darão suporte à economia entre 2011 e 2014, referindo, também, o fortalecimento da sua gestão macroeconómica e monetária, bem como a regularização dos pagamentos acumulados na crise de 2009. A Standard & Poor’s considerou ainda o facto de a economia angolana possuir “a perspectiva de um forte crescimento” com um “reduzido nível da dívida pública interna e externa”, além de que o PIB per capita de Angola ultrapassa o de vários países com a mesma notação (“BB-“). “ Confesso, antes do mais, que este comunicado me põe particularmente satisfeito, por várias razões, a) Porque mostra que Angola está em franco processo de recuperação face aos anos da Guerra Civil b) Porque mostra como tenho razão quanto à total irresponsabilidade analítica deste oligopólio de 3 Agencias de Notação que denomino de cocainomanas! c) Porque mostra como mesmo os que se dizem católicos e da Opus Dei e defendem as Agências de Notação, assumem na verdade um acto pecaminoso à luz dos critérios da sua igreja, a católica! Sou luso angolano e, como sabem muitos dos que me lêem, não sou angolano porque o Estado Angolano decidiu não me reconhecer como tal, por razões estritamente políticas, pelo que tudo o que beneficia Angola e os Angolanos me põe especialmente contente! É ainda de relevar que, “A dívida pública total de Angola, interna e externa, está avaliada em 26.108 milhões de dólares (26,108 bilhões) norte-americanos, dos quais US$ 15.074 milhões de dólares de dívida externa contratual, incluindo o sector empresarial público, afirmou sexta-feira (4), em Luanda, o ministro das Finanças, Carlos Alberto Lopes….Ultrapassado o ano de transição de 2010, referiu o ministro, o cenário actual revela o êxito do Plano de Acção do Governo face à crise, visto que os atrasos de pagamento remanescentes do OGE de 2009, que eram de US$ 5.745 milhões, reduziram-se, no espaço de 14 meses, para US$ 2.745 milhões, depois de pagos US$ 3.000 milhões…..“A dívida pública total representa cerca de 30 porcento do Produto Interno Bruto (PIB) projectado para 2011, não ultrapassando, portanto, quer no conceito de PIB, quer no de Produto Nacional Bruto (PNB), o índice internacional de referência, que é de 50 porcento” - asseverou o titular das Finanças. Angola, como se vê, apesar de continuar a ser governada em lógica semi totalitária e com uma filosofia economia absolutamente neo liberal, tem vindo, na sua prestação económica, a melhorar com o findar da Guerra Civil, o que me é particularmente grato. No entanto, esta realidade aparente de crescente melhoria é facilmente desmontada, como se vê citando um texto de Manuel Alves da Rocha, in Zwela Angola, “Um rendimento médio mensal dos 20% mais pobres em 2008/2009 de 1414 Kz, equivalente a 18,1 USD à taxa de câmbio de 2008, que quantidade de bens de consumo básico pode adquirir? Porém, a matéria relacionada com a expressão monetária do rendimento médio mensal não se coloca apenas nos 20% mais pobres. É geral. Por exemplo, os 20% menos pobres auferiram, em média nacional, 26 035 Kz de rendimento, equivalentes a 334 USD por mês (11 USD por dia)”, e é esta a realidade económico social da Angola de hoje, que as Agencias de Notação esquecem, em especial na necessária comparabilidade entre Estados! Desta forma, esta classificação das Agencias de Notação, em alta, para Angola, mostra bem como existem neste Planeta vários Universos, digladiando-se, onde um tem em conta somente os campos financeiros, e onde os restantes procuram ter em conta as realidades macro económicas de médio e longo prazo, e, em especial o principio básico de que a economia são as Pessoas num contexto relacional de recursos escassos! Mas são as Pessoas que fazem a Economia e que dela beneficiariam, melhor ou pior e daí as Nações Unidas terem em especial atenção o Índice de Desenvolvimento Humano, IHD ! Neste contexto Portugal está em 40º lugar do IDH e Angola em 146º lugar, ( note-se que a República de Cabo Verde está em 118º lugar e a República de Timor Leste em 120º lugar,… e que a Grécia está em 22º lugar!), porque e cito algo bem simples a WIKIPEDIA, “ O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores para os diversos países do mundo. É uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população, especialmente bem-estar infantil. É usado para distinguir se o país é desenvolvido, em desenvolvimento ou subdesenvolvido, e para medir igualmente o impacto de políticas económicas na qualidade de vida. O índice foi desenvolvido em 1990 pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq e pelo economista indiano Amartya Sen.[3] “ É evidente que será de todo vantajoso que este grau de Desenvolvimento não se baseie em simples endividamento, mas também é certo que o limitar-se a classificação de um país pelo grau de endividamento escamoteia o real estado do país e as reais razões do endividamento para o país chegar ao estado económico social em que se encontra! Mas não é aceitável que se fiscalize os Estados somente com base em critérios de endividamento! Gostava de ver, (desafio-o aliás), o católico, e ao que dizem Opus dei, João César das Neves a viver com, já não digo 60 cêntimos de dólar por dia, mas ao menos 11 dólares por dia, durante, vá lá, um mês, para entender o que digo na pele e na carne! A ver se não se endividava! Estou mais que convencido que deixaria de dizer as “boutades” que diz sobre as Agencias de Notação! “É chatear o árbitro”, diz ele! Qual árbitro, que arbitro, quem decidiu que a economia global necessita de um árbitro sem que saibamos que regras orientam tal arbitragem? Mas vem um argumento ainda melhor, de risível e batoteiro, “Porque a Moody’s não só tem razão, como está a dizer aquilo que os da esquerda andam a dizer: que Portugal não vai conseguir pagar a dívida”… a) adoro esta de “os da esquerda”, (e nós é que somos arrogantes…), e b) e rio-me ainda mais que diga que “os da esquerda” dizem que não vamos pagar a dívida, tal como a Moody’s..! Porque, recordando um clássico de “os da Direita”, o ex chanceler alemão, Helmut Khol, segundo o Publico de hoje, “Ela (Angela Merkell) está a destruir a minha Europa”, frase que fica muito bem ao lado de uma outra de um outros de “os da Direita”, Volker Bouffier, “A Europa é um projecto político. É demasiado importante para ser deixada à mercê das agencias de rating”… Ora, esta batota que faz esquecer, algo que um pouco atrás o próprio, de modo bem batoteiro diga-se, recorda, tendo em conta o Pacto de Estabilidade, furado pela França e pela Alemanha, mas não pelo Portugal de Sócrates, (e que limitou bem o crescimento deste país) e cito, “Era uma regra que tínhamos de cumprir. Inicialmente havia uma coisa que impedia estes disparates, uma limitação – certamente exagerada, dos 3% do PIB para o défice e dos 60% para a divida - …Somos herdeiros não da má concepção de 1 999, mas da correcção do pacto por culpa da Alemanha e da França, que o violaram. Excepto em 2007, desde 2001 que violamos ininterruptamente o Pacto de Estabilidade”… Na verdade, entre 2005 e 2007 o governo de Sócrates esforçou-se por cumprir a regra em causa, tendo conseguido cumpri-la em 2007, em processo que nos referidos 2 anos lá chegou, penalizando a economia para defender uma “gestão rigorosa”, até à crise de 2008, que, mais uma vez, este da Direita, faz por esquecer! Penalizou a Moody’s a Alemanha e a França de então? Não! Penalizam aliás o Estado exemplo do endividamento – os EUA! Não! Sou, dentro de “os da esquerda” dos que sempre defendeu que há que cumprir pagando a divida assumida! Mas também sou de “os da esquerda” que sempre disse que há que regulamentar este sector novo do segmento financeiro, as agencias de notação, porque se concordo e bem com a necessidade de fiscalizar os Estados, exijo que tal fiscalização seja feita com regra e critério, isto é, de forma Internacionalmente Regulamentada e reconhecida, para que haja Transparência nas Decisões! Porque, não sendo tolo, não me fico com a ideia de uma “agencia de notação europeia”, também desregulamentada e ao serviço da Alemanha e da França, mais concretamente de um segmento de “os da Direita”, alemã e francesa – os que ganham e gostam de ganhar com a especulação sobre o endividamento dos outros. Segmento que está a ser, como se vê, crescentemente contestada, pela idiotice, pela ganância, pelo escandaloso e cristão pecado da ganância, mesmo entre “os da Direita”! Que, como se vê, alguns da Opus dei escondem, pois já lá vão dois, Mário Crespo e agora Joao César das Neves as fazerem a fuga em frente da defesa da ganância! Deixemo-nos pois de catilenas de missal, leiamos ao menos e com mais seriedade, a Bíblia, e assumamos em conjunto que a ganância é um erro crasso, além de ser um católico pecado mortal, e exijamos que se Regulamente, Internacionalmente, as Agencias de Notação, assinando a Petição com este objectivo existente em http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N6501 ! Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 16:29
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