Quarta-feira, 8 de Junho de 2011

O Passa – Palavra Não Funciona na Política?

“Lembre-se, uma recomendação vale mais do que mil anúncios.” Este conceito, retirado do Marketing Comercial, era, na verdade, a razão escondida para que os partidos políticos, desde que existem, organizassem os seus aderentes e os mobilizassem para a actividade política. Decididamente, alguns “marketeers”, que usem bem este conceito no marketing comercial, decidiram que não, que os militantes de um Partido eram desnecessários em Campanha eleitoral, ou em outra qualquer, ficando reservados para as “nobres” tarefas de serem indigitados para as funções a que o partido teria acesso, elegíveis ou não. Razão para esta alteração de posições no marketing político face ao marketing comercial? Simples, só pode ser uma – mais verba fica para o marketeer despender com ele e a sua equipa… Resultado? O esvaziamento da imagem de todos os partidos políticos. E esse foi o principal erro político do PS, nos últimos 6 anos, aliás nos últimos 12 anos. O PS, cercado que está por uma comunicação social que lhe é, em geral, hostil, porque dependente de interesses dos grandes grupos financeiros e, em especial, em grande parte de um cidadão, o nº 1 do PSD, tem vindo, sistematicamente, a cometer este crasso erro, até de Marketing Político – esquecer o passa-palavra! A actividade feita por militantes, em casa, nas ruas e cafés, nos empregos, nos sindicatos e associações, etc., tem vindo a ser desprezada e a ser substituída pela função do funcionário do partido, seguindo a linha do PCP, partido que definitivamente, fez escola em Portugal, sendo no entanto que este partido sabe gerir as duas funcionalidades, a de militante e a de funcionário . Exceptuando algumas secções, bem activas, onde se realizam debates com dirigentes e não dirigentes do PS e até com não membros do PS, um nº razoável de secções, do PS, têm tendido para um marasmo que só é quebrado aquando da escolha de candidatos locais, ou das direcções, locais, regionais, do PS e claro da preparação dos Congressos. Claro que o desgaste, sobretudo para um partido de governo, como o PS, acresce significativamente sem esta via – a do passa-palavra – e limitado que fica, na sua comunicação, à participação, mesclada, no ruído existente nos media tende, ou ao desaparecimento, ou a uma forte redução da sua Imagem, por não apostar no passa-palavra. Foi o que foi sucedendo com o PS. A campanha, bem feita, gerada com todos os argumentos possíveis, contra Sócrates, nunca foi contra Sócrates, mas sim contra o PS, pois ela foi idêntica contra Mário Soares e claro contra os restantes leaderes do PS, só que Mário Soares contava com o passa-palavra par dirimir explicações com os outros partidos, o que Sócrates não teve. E, claro, tal conduziu os marketeers a assumirem funções que estão bem para além das suas, escolhendo até parcelas do projecto socialista, a bem “da imagem” do PS, obviamente… Assim, as medidas e praticas positivas do PS ficaram diluídas no ruído sistemático dominante nos media, enquanto que não havia, no potencial passa-palavra, quem a pudesse assumir com eficácia. E estaremos, ao que parece a prepararmo-nos para reeditarmos o erro ao exagerarmos na pressa da eleição de um novo leader do PS. Incompreensivelmente, em especial para um partido que ficará na oposição durante um mínimo de 2 e um máximo de 4 anos, na melhor das hipóteses, surge esta pressa em eleger em um mês o futuro leader. Erro crasso, certamente aconselhado por “experts do marketing político”, daqueles que não olham para o crescendo de abstenção, para os riscos democráticos que tal gera e para a dificuldade em sustentar uma democracia, somente com funcionários, sempre úteis claro, mas sempre limitadores dos debates e das decisões e para a perca tendencialmente sistemática de eleitores em Portugal e no PS também. Já fui criticado, claro, por ter sido “duro” em relação ao PCP e ao BE. E por não assumir os erros do PS. E houve-os também claro e alguns bem graves, mas que fique claro não vou sequer perder tempo sobre os temas que geraram ruído sistemático contra Sócrates, e o PS, da mesma forma que verbero, com violência verbal se necessário for, contra Ana Gomes e a forma como se dirigiu a Paulo Portas. Porque se tem provas do que assume, Ana Gomes deve divulga-las e apresentar queixa aos Tribunais e às instancias fiscalizadoras, e se não tem provas, o seu comportamento só justifica o ruído nos media contra Sócrates e o PS, porque baseado em nada provado, o que é inaceitável. Paulo Portas é o leader do 3º partido mais votado, merecidamente diga-se, e tal como Sócrates, até prova em contrário, merece todo o respeito, mesmo que seja um adversário político. O resto são historietas que desgastam a Democracia, tal qual o sucedido com Strauss-Kahn, que, até prova em contrário é tão inocente quanto Paulo Portas, tal como, aliás, se declarou em Tribunal e que só não sucede porque nos EUA o conservadorismo sexista é absolutamente ridículo e dá direito a tudo até à maior taxa de prostitutas e prostitutos de rua do Mundo inteiro, ( e digo-o apesar de continuar a considerar que os EUA são tendencialmente em geral bem mais progressivos que a Europa em muitos aspectos sociais). O governo socialista, para além de ver vivido desnecessariamente longe dos militantes, cometeu erros também desnecessários, e recordando somente alguns, a) Geriu inadequadamente o tema das SCUTS b) Não explicou convenientemente a vivência em crise, na Europa e no Mundo, (pois mesmo hoje, 2011, Abril, o próprio FMI que pré anuncia a retoma nos países emergentes, é, ao contrario do que me dizem amigos meus votantes PSD, bem mais cauteloso em relação aos EUA e à Europa, …) c) Não soube explicitar medidas que tinham de ser tomadas, penalizadoras das Pessoas em geral, e correlacioná-las convenientemente com medidas que tinham de ser feitas, de Justiça Fiscal, quanto aos Mais Ricos, Pessoas e Organizações, ( caiu evidentemente bem mal que Portugal tenha tido 3 dos Mais Ricos entre os 800 Mais Ricos do Mundo da revista FORBES, pois não se viu estes 3 cidadãos sentirem-se penalizados fiscalmente, o mesmo sucedendo com as suas organizações, que duvidosamente correspondem ás exigências fiscais, dadas algumas facilidades que lhes têm sido concedidas…para não falar da Banca, da distribuição dos Lucros etc…) d) Não soube gerir adequadamente, até ao fim pois até começou bastante bem, a negociação do Salário Mínimo Nacional, impondo a clarificação das regras de forma explicita antes das eleições e) Geriu claramente à principiante a captação de verbas para minimizar os efeitos dos Custos do Estado, dando espaço para as criticas populistas à Direita e à Esquerda f) Não tomou medidas firmes quanto à aquisição de viaturas e outros elementos de luxo ou de não utilidade funcional, na Administração Central e Local, como perdeu demasiado tempo com a assunção de medidas de gestão quanto às PPP, aos Institutos Públicos, ou às Empresas Municipais, impondo medidas que mostrassem empenho na racionalização da Gestão destas entidades g) Deixou por demasiado tempo que a Agricultura fosse gerida por quem mostrava ter pouco empenho na mesma h) Acreditou desde o principio, como lhe diziam os “experts de marketing político”, que bastava a ocupação de tempo de antena televisivo no anunciar e no apresentar de obra para superar o ruído dos media i) Não apoiou a dinamização da economia social Laica, abrindo desnecessários conflitos com a economia social religiosa j) Não incentivou medidas de promoção efectiva da Responsabilidade Social k) Não controlou suficientemente a justa e necessária distribuição de apoios sociais às Pessoas Mais Carenciadas, nem divulgou suficientemente o como controlava esta distribuição de verbas pelos Mais Carenciados l) Não geriu adequadamente uma política Ambiental m) Não reforçou o incentivo à Cidadania Social e Politica E, ao cometer estes e alguns mais erros, o Governo Socialista abriu mão de instrumentos que bloquearam a explicitação de medidas de fundo, assumidas corajosamente, na dinamização das exportações como modelo de dinamização e sustentabilidade da economia nacional, na implementação das energias renováveis, (deixadas em demasia nas mãos da EDP), na promoção de uma essencial Reforma Administrativa que alterou substancialmente as relações entre o Cidadão e a Administração Pública, a dinamização da Dupla Certificação Escolar e Profissional, os incentivos à actividade empresarial, (lamentavelmente nunca acompanhados pela modelização da concertação social ao nível de empresa), ou claro as medidas de Cidadania quanto à regulamentação da IVG, ou do Casamento de Pessoas do mesmo Género, o que reforçou como disse acima a função anuladora do ruído dos media. Por outro lado, o Governo Socialista, e o PS, mantiveram fechados os canais de comunicação com o PCP e o BE, permitindo assim que se justificasse o mesmo do lado destes dois Partidos, à altura com significativo peso institucional. De facto, ser um partido do Centro Esquerda, como o PS é, o que significa que nele convivem de Cidadãs e Cidadãs reformistas, a Cidadãs e Cidadãos Autogestionários, significa ser um partido que tem de ser aberto ao diálogo com as múltiplas famílias politicas existentes em Portugal e não somente com o Centro Direita, por muito importante que este diálogo seja, como é realmente. Ora urge reflectir sobre estes temas, com tempo, com lucidez, com alguma pacatez que o estar-se em Oposição até permite, pelo que não se entende esta pressa, em eleger o próximo leader. Que, a ser assim, tende, lamentavelmente, a ser um leader a prazo, por muito eficaz que seja, e ambos os candidatos podem sê-lo, pois partem com limitações inúteis para uma tarefa essencial – a gestão de uma liderança de oposição em período de crise global.
publicado por JoffreJustino às 15:46
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