Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Pobres dos Nossos Ricos….(…Mas Vamos Já Começar a Exigir Eleições Antecipadas, Já Antes Destas Eleições Antecipadas, Para Logo Depois das Mesmas…Certo?)

Pobres dos nossos ricos Mia Couto - Poeta Moçambicano POBRES DOS NOSSOS RICOS A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados. Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro e dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos "ricos". Aquilo que têm, não detêm. Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitavam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia. Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem ... MIA COUTO Uma amiga minha na Internet, (espero que ela não se zangue em a tratar assim,…), enviou-me o texto acima de Mia Couto. Ora é evidente que Mia Couto, cidadão Moçambicano, escreveu, só pode, este texto a pensar em algo maior que Moçambique – ele escreveu, só pode, a pensar na CPLP e, muito em especial, nos PALOP e em Portugal. Estamos, sobretudo em Portugal, a ser alvo de um descabelado ataque ao Estado português. Todos o sabemos. As Agências de Notação, com o argumento de se reverem somente nas contas da conjuntura, isto é nos OE’s do ano, e sequente concretização, escamoteiam uma realidade que é inadmissível. Portugal, durante 48 anos, por razões inaceitáveis, foi abandonado à sua sorte pelos seus parceiros europeus e ocidentais, em especial a CEE e os EUA. Na verdade, estes parceiros, por razões estritas de interesse económico egoísta, sustentaram, mais ou menos veementemente, um regime totalitário que manteve o país e o Império num atraso incrível, se comparado com os países com níveis próximos de evolução a 1926. (Por isso nunca me espantei com o egoísmo da srª Merkell, a primeira a recusar as regras do rigor orçamental quando tal lhe deu jeito,…). O 25 de Abril foi um acto português e, no seu decurso, responsáveis políticos como o americano Kissinger, entendiam que Portugal seria mais um país a cair na alçada da União Soviética, sem qualquer possibilidade de tal não acontecer. Não aconteceu, contra Kissinger também e porque tivemos leaderes como Mário Soares, hoje tão unânime, (mas lembram-se o que dele se disse nas Oposições?). A adesão à CEE foi também um acto português, um dos feitos de Mário Soares, mas com uma negociação feita à Direita, por um governo com maioria absoluta, liderado por Cavaco Silva, e há que não esquecer o que aconteceu, antes e depois, com a Marinha Mercante, com as Pescas, com a Agricultura, com a Siderurgia, sectores hoje de nula influencia na economia portuguesa, por responsabilidade dessas más negociações. No percurso desta evolução, surgiram novos empresários, os empresários do pós 25 de Abril, (os 3 mais ricos do Portugal de hoje, são desse segmento), e, na verdade, com eles, Portugal tem introduzido muito pouco valor acrescentado nos bens e serviços da sua economia. Na verdade, estamos mais perante endinheirados que perante empresários, (que felizmente também os há), e o resultado não é brilhante – os tais precários, os salários mais baixos da Europa, o salário mínimo nacional mais baixo da Europa, uma qualificação escolar e profissional que é a mais baixa da Europa e um tecido empresarial dos mais frágeis da Europa. Porque temos endinheirados e não ricos como diz Mia Couto. Endinheirados que nem se importam com o seu país que em nada procuraram resolver a actual crise, para além de exigirem salários ainda mais baixos. E não falo dos ricos, dos empresários, que se têm esforçado por manter postos de trabalho e manter os salários que pagavam antes desta crise rebentar. Porque sabemos todos bastante bem onde têm acontecido os encerramentos de empresas e onde se exigem salários ainda mais baixos – nos sectores que enriqueceram com a União Europeia como a Construção Civil e Obras Públicas, ou a Distribuição, que agora fazem uma fuga em frente para “novos mercados”! E onde a fuga aos impostos foi e é ainda uma quase constante. Empurrados pela comunicação social que gerem, somos orientados para atacar o governo quando o essencial da resolução da crise está fora da alçada do mesmo perante o endividamento em que o Estado, e o país, se encontram. Empurrados pela comunicação social temos “peninha dos precários”, que jeito que eles dão, mas nada vemos a ser feito nos segmentos de actividade onde a precariedade domina – Construção Civil e Obras Publicas, Distribuição, Restauração e telecomunicações – para que a situação mude. Empurrados pela comunicação social, rimo-nos quando nos chamam a todos os residentes em Portugal, de PIGs, (em português significa, lembram-se, (!) que somos PORCOS) achamos bem quando, sem qualquer fundamento as Agencias de Notação nos “baixam de classificação” em vez de assinarmos a Petição pela Regulamentação das Agencia de Notação, que está em http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N6501 e que já conta com 453 assinaturas, apesar do silencio a que é alvo! Empurrados pela comunicação social esquecemos que “os juros da divida irlandesa atingiram o máximo histórico de 10, 366%”, a cinco anos e como FMi a “apoiá-los”, para os ainda 8% de Portugal, sem o “apoio” do FMI e deixamo-nos embalar para umas desastrosas eleições antecipadas! Porque no meio desta crise ficaremos sem governo pelo menos até Setembro! Como dizia Kennedy, que estão a fazer pelo país? Porque, para eles, já percebemos o que estão a fazer! Com a desculpa futura do FMI, que nos fará o mesmo que sempre faz, e que será idêntico ao que está a fazer na Grécia e na Irlanda, chegaremos aos 500 000 expulsos da Função Pública tal qual Cuba, o país de eleição de alguns dos dirigentes, os mandantes infelizmente, do PCP e do BE!
publicado por JoffreJustino às 11:44
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