Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Moção de Censura Objectivamente, ao Serviço de Quem?

Aí entre 1974 e 1977, fui acusado, por uns, de, objectivamente, estar ao serviço da Cia e do imperialismo americano, por defender a democracia "burguesa" em Portugal, e a partilha do poder pelo MPLA, a FNLA e a UNITA, em Angola, numa lógica de desenvolvimento, segundo eles, “democrata burguês”. Por outros, aí entre 76 e 80, fui acusado de estar ao serviço do KGB e do social imperialismo soviético, por apoiar o general Eanes o PS a FRS, e, claro, ser Soarista. Mais tarde, entre 1987 e 1999 fui, de novo, acusado de estar ao serviço da CIA, por apoiar, e depois militar, na UNITA. Para ser, finalmente, entre 1999 e 2004, considerado um terrorista imtermacional e, a seguir, um derrotado, e sancionado pelas Nações Unidas, pela União Europeia e pelo Estado Português, por ter chegado a ser indigitado a dirigente da UNITA, na ultima Conferencia da UNITA, ainda liderada pelo Dr. Jonas Savimbi. Dificil vida não? Em todos os momentos acima, eu nunca fui tal, mas, segundo alguns, fui-o objectivamente e tal é que, segundo eles, contaria. Usemos então esse argumento no tema das Moções de Censura –a questão da “objectividade” das coisas. Mas comecemos por explicar algo essencial - os partidos políticos, todos eles, portugueses ou não, representam nas instituições onde estão, os cidadãos que os elegem para os cargos institucionais. Pelo menos é o que se deseja e espera. Com visões diferentes, é isso a Democracia, com propstas diferentes resultantes das diferentes visões, mas, sempre, deseja-se e espera-se, em representação de interesses portugueses. Ora vamos analisar o assunto das Moções de Censura neste contexto - o do papel objectivo das mesmas no cenário económico e político e social de hoje. E quando refiro o hoje, refiro o contexto da globalização. Porque seria diferente se o hoje fosse um tempo das economias fechadas, ou controladas, face ao exterior. Onde uma Moção de Censura tivesse um reflexo dominantemente interno . O hoje trata se de uma economia integrada, especialmente no contexto europeu, mas também mundial, e onde as trapaças dos especuladores financeiros são enormes, e tudo utilizando, sempre no suposto de um cada vez maior ganho adicional, e da fragilização dos Estados. Portugal está, entretanto, em 40º lugar, no Índice de Desenvolvimento Humano, em 196 Estados, e é considerado, pela sua posição neste Índice, pela ONU, um dos Estados desenvolvidos. O seu endividamento, apesar de erros vários, que o aumentaram desnecessariamente, deveu-se à necessidade de acelerar a aproximação aos restantes países europeus, o que tem vindo a acontecer e o IDH o mostra e a ONU o sabe! Esse endividamento agravou se com a crise de 2008, e com a pressão posterior das Agencias de Notação, que decidiram, por critérios desconhecidos, em nada claros e rigorosos, baixar a cotação internacional de Portugal. Razão pela qual, eu e outros, temos uma Petição em defesa da Regulamentação Internacional das Agências de Notação em http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N6501 que penso que virá a ser assinada por todos os Cidadãos de Bem da CPLP e da União Europeia! Ora, sabemos que a estabilidade politica económica e social é um dos elementos classificadores dos Estados. A quem serve, assim, no contexto actual, a colocação à votação na AR, em plena crise e pressão sobre o Estado português, de uma moção de censura que, sabemo-lo, poderá ser considerada elemento de instabilidade sistémica em Portugal , e usada pelos especuladores e seus capatazes? Melhora ela a estabilidade governativa? Não, pois nem há uma maioria absoluta alternativa ao PS, nem se visiona que, em eleições, essa maioria surja. Pelo que uma moção de censura limita-se a fragilizar a imagem internacional do Estado português. Objectivamente, assim, a quem serve uma Moção de Censura seja ela qual for, seja de onde vier? Aos especuladores financeiros, aos destruidores de Estados, e a todos os que desejam tomar as quotas de mercado interno, mas sobretudo internacional, de Portugal, das suas empresas, a instabilidade interessa, sem dúvida que interessa! A todos esses, menos aos trabalhadores portugueses, que necessitam das empresas que lidam em Portugal, para o Mercado Interno ou Externo, e que, sem elas, no seu pais, perderão postos de trabalho, em consequência da perca de quota de mercado, interna e internacional e da consequente redução da actividade económica. A todos, menos aos que, na economia, em Portugal, buscam criar uma economia social efectiva, os cooperativistas por exemplo, e não meramente caritativa. Os, alemães, americanos, franceses, ingleses, mais ou menos por esta ordem, esses ganharão com a instabilizacao do pais. Talvez até os chineses, talvez até os russos, o que é menos duvidoso reconheço, venham a ganhar com a instabilidade. Garantidamente não os portugueses - nem os trabalhadores, nem os Consumidores, nem os Empresários. Objectivamente. Assim, uma Moção de Censura não defende a Pátria nem o seu desenvolvimento, mote do PCP nas Presidenciais, nem os trabalhadores, mote do BE, nem as micro e pequenas empresas, mote do PCP, do BE, do PSD e do CDS, todos juntos. Mas, como se viu, defende os interesses não portugueses e, muito em especial, o dos piores inimigos do Progresso, da Democracia, da Justiça Social, da Distribuição dos Rendimentos, dos Socialismos vários, possíveis – os especuladores financeiros internacionais e os seus capatazes, as Agencias de Notação. Isto no contexto do conceito da Objectividade das Coisas. Seria bem mais importante que os que perdem tempo com estas Moções de Censura, todos eles, se preocupassem, em aderir à Petição Pela Regulamentação Internacional das Agências de Notação, apelando à sua assinatura generalizada por toda a CPLP, e pela União Europeia! Essa Petição sim, é uma Campanha Progressista! Vamos a isso?
publicado por JoffreJustino às 19:49
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