Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Quem quer e Porquê o Fim do PCP?

“Confesso que me espanta tanta certeza e tanto futurismo, sabendo como o meu amigo sabe, que já foi decretado o fim desse partido sei lá quantas vezes, isto sem contar com esta sua, sendo também curioso que tais sentenças, motivadas por conceitos que até parecem que não querem que tal venha a acontecer, que até parecem preocupadíssimos com o desaparecimento deste partido político, fazendo crer que o mesmo se fortaleceria se seguisse um determinado caminho, não aquele que os próprios acham ser o correto, mas um caminho que aqueles outros entendem que deveria ser. Olhe, mesmo agora me lembrei dos partidos comunistas da Itália e da França, veja o que lhes aconteceu com as cedências que fizeram, ficaram tão modernos tão modernos que desapareceram, ou quase.” Este meu camarada, no contexto da Esquerda, não no contexto partidário, evidentemente, entende, ao que parece, que estou a ser cínico quando, em texto anterior, me preocupei com o que poderia acontecer ao PCP, na sequencia de uma crise que encaminhasse Portugal para uma situação não democrática, um cenário que decidi desenvolver…. É o seu direito achar tal, mesmo que não seja verdade. De certa forma, este meu camarada está a achar que, no fundo, bem lá no fundo, era o que eu desejava – o fim do PCP. Como tive o azar de ter de aturar o totalitarismo em dois países que amo, Angola e Portugal, luso angolano que sou, e de ter sido preso nos dois, a última coisa, mas é mesmo a última coisa que desejo a alguém, é que o que aconteceu regresse, em Angola ou em Portugal, com as mesmas ou outras roupagens. Até porque sou pai de dois filhos e, já, felizmente, avô de uma belíssima netinha, pelo que é a ultima coisa que quero é que eles vivam as tretas que tive de aturar! Na verdade, os combates que tivemos de fazer, nós os das gerações antigas, não precisam de ser repetidos – foram feitos, ponto final! E entendo que os mesmos combates, que tiveram de ser feitos, foram um azar termos de os aturar e não uma sorte! Hoje vemos na comunicação social a Direita, uma parte importante dela, toda satisfeita, com a ideia de funcionar o Bloco Tesoura, para que uma moção de censura afaste o PS do governo. Note-se que é um direito que lhes assiste, ao PCP e ao PSD, o de aplicarem o Bloco Tesoura. Resta saber o que virá do mesmo e foi um dos possíveis cenários, o que descrevi no meu anterior texto, o de surgir o risco de uma Ditadura. Basta ver o aproveitamento político de alguma Direita fascizante, e de uma campanha meio ridícula que tem como titulo, “1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política”, anda a fazer e de onde posso retirar também, textos como, “A CADEIA ALIMENTAR. No topo da cadeia alimentar de Portugal estão as EDP, PT e demais operadoras móveis, a EDP, o sistema judicial (grandes escritórios de advocacia), as autarquias e empresas de construção associadas, as BRISAS e MINI BRISAS - como agentes daquelas, os agentes do IV poder e seus associados (ZON, MEO…), sendo o grande rei da selva a BANCA e Seguros e seus agentes. Estes grandes predadores alimentam-se de todos nós e são a base sólida da corrupção e da troca de influências. No 2º nível da cadeia, estão os médicos (no paralelo ao sistema de saúde existente), ai de quem precise deles… como alimentam em grande o sistema, cobram e se cobram… No 3º nível temos os grandes reformados do estado (classe política, entre eles), aqueles que têm pensões acumuladas de € 100.000,00 / ano, motorista e gabinete vitalício nos melhores escritórios de Lisboa. No 4º nível estão os quadros das PME e das multinacionais, os quadros superiores do Estado e alguns comerciantes de sucesso. No 5º nível estão os desenrascados, sapateiros, canalizadores, aqueles que têm de roubar porque foram roubados pelos de cima No 6º nível estão os funcionários públicos, que fazem parte do sistema, porque o sistema é assim. No 7º nível estão os que vão ao “circo” ( pão e circo como na velha Roma).” Como se vê pelo texto, se o descodificarmos, há que limpar quase toda a gente, adicionem todos os seis níveis, excepto “os que vão ao circo”, como ele(s) dizem, porque alguém tem de restar enfim! Enfim, quem defende esta idiotice defende, de facto, uma Ditadura, para que dela nasça, ou renasça, a outra classe política, a tal perfeita, sem pecado! A tal classe política que nunca existirá, porque impossível de existir, porque somos todos seres humanos, por isso inatamente imperfeitos. Reafirmo o direito do PCP fazer as alianças que entender, mas reafirmo que a partir do momento em que Jerónimo de Sousa e o seu acólito deputado, (claro o que levou com os corninhos de Manuel Pinho, e bem), fizeram as declarações que entenderam fazer, passou a surgir, à Esquerda, uma nova clivagem e uma grave clivagem. Nem todos aceitam a ideia do vale tudo em política, mas o PCP passou a enquadrar-se entre os que entendem que vale tudo, o que passou assim a suceder em todos os Partidos da Esquerda em Portugal. Por mim, diga-se, o problema não está na possível coligação Bloco Tesoura. Como o referi o PS já a tentou concretizar contra o PSD, aliando-se ao CDS. O problema está na ideia que está por detrás do Bloco Tesoura do PCP – a de que cerca de 2% do eleitorado podem impor a queda de um governo, seja ela qual for. Porque esse é o eleitorado que hoje está por detrás da actual Direcção do PCP, goste ela ou não de tal. E foi a Direcção do PCP que fez o percurso que a levou a esses cerca de 2%, sem empurrão de ninguém, bem pelo contrário! E recordo aqui o que referi quanto aos resultados eleitorais sobre a Presidência da República, cabe a todos, e portanto ao PCP também, o assumir a gravidade do mais que elevado absentismo eleitoral, na sua prática política e das implicações que tal pode ter para a Democracia! E não é o que a actual Direcção do PCP está a fazer, com estas ultimas posições politicas que está, teimosamente, a assumir. Mais do que sectarismo, o que a actual Direcção do PCP está a fazer é a procurar esconder o sol com a peneira, isto é, a esconder que errou, que a sua estratégia de não apoiar nada que viesse com a assinatura do PS, falhou rotundamente. Tendo feito com tal falhar toda a Esquerda! Por mais nada que não seja estar neste momento somente com cerca de 2% do eleitorado. Isto é, somente cerca de 2% do eleitorado apoia a sua estratégia política! Sendo tal da sua inteira responsabilidade, pelo que o argumento persecutório, não tem razão. Como aliás ninguém, senão o PCF e o PCI, foram responsáveis pelo que lhes sucedeu, entre vastas historietas que os que acompanham a Esquerda conhecem, bem ao contrário do que sucede por exemplo com o PC do Brasil! Que está na mesma coligação eleitoral com o Santana Lopes brasileiro, sem estes ridículos traumas que, como se vê, o PCP já não tem, pois está mais que interessado no Bloco Tesoura com o PSD, seguindo pois o mais burguês dos parlamentarismos! O que, repito, é do seu direito, mas fazendo-o, deverá deixar de incomodar os outros com moralismos… E, mais, cabe ao PCP, e a mais ninguém, decidir como vai acabar.
publicado por JoffreJustino às 17:24
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