Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Há que Reflectir À Esquerda!

Como está, perante estas eleições, visível, não há Esquerda em Portugal que seja ganhadora, sem o PS no seu conjunto. Porque penso que todos perceberam já que o Partido Socialista não é, nunca foi, um partido monolítico. Com a derrota de Manuel Alegre perdeu-se a oportunidade de vermos a Presidência ser conduzida com a Cultura na cimeira da política. A Esquerda perdeu com ele essa oportunidade, e pode acontecer que a acontecer a referida oportunidade seja feita à Direita. E não brinquemos. A Cultura não e só Manuel Oliveira ou Saramago, ou ... A Cultura está na economia, com a oportunidade que fornece, por exemplo no Turismo, de acrescentarmos ao tradicional fraco; ( face a concorrência internacional), sol e praia pois Portugal é o pais mais antigo da Europa e o fomentador principal da 1.a globalização. O que lhe imputa uma forte componente cultural que vemos ser delapidada todos os dias, ( aqui em Lisboa, por exemplo, ao olharmos para a Baixa Pombalina, abandonada, servindo somente de meio de poupança a prazo, de uns tantos Bancos e Seguradoras, e, claro, também, de pura especulação imobiliária…), sem que ninguém, realmente se importe com tal. É uma fortuna que se esvai todos os dias, só ali, na Baixa Pombalina, uma fortuna que equivale a todos os jogos de casino, de Las Vegas, de um ano inteiro. A Cultura está, também, na economia e na política, dadas as planetárias relações de Portugal com o resto do mundo, fautor que foi de mais 7 países não esquecendo o papel de Macau, ou de Goa, para não falar das Comunidades Portugueses existentes e mal tratadas pelo mundo fora, como vimos acontecer na Tunísia. E Manuel Alegre poderia ter sido esse Presidente da República…. Mas, pode acontecer, com estas eleições, dadas as características da anterior Presidência, que fiquemos mais uma vez presos a conceitos economicistas, dominados ainda por cima por uma economia centrada nos mecanismos financeiros, e nas lógicas do PIB em vez de ligados às do índice de Desenvolvimento Humano, e continuemos a não pensar nas Pessoas. Dai que me tenha preocupado em estar na Campanha de Manuel Alegre levantando um tema político e económico, mas também com impacto social e cultural como é a Regulamentação Internacional das Agencias de Notação, Campanha que terá de continuar. No entanto, a par com essa campanha, preocupar me ei em alimentar um essencial debate para este País e para a CPLP - o da necessidade de uma reformulação da Esquerda Portugal e na CPLP. Analisemos por isso antes do mais os resultados eleitorais destas Presidenciais. A derrota de Manuel Alegre, ao contrário do que ele corajosamente assumiu, é da responsabilidade de toda a Esquerda, PS, PCP e BE. As varias tendências na Esquerda, a começar pelas que convivem no PS, não quiseram consensar-se em volta de uma candidatura e, no PS, em algumas das suas tendências, mas também no PCP, o não empenhamento em volta de Manuel Alegre foi por demais evidente São pois responsáveis pelo absentismo, que desta vez foi visivelmente significativo à Esquerda, o que levou à vitória da Direita, de Cavaco Silva, ainda que com o menor nº de votos de sempre em todas as eleições presidenciais havidas. Pois essas tendências à Esquerda, não souberam responder à inteligente forma como foi conduzida a candidatura de Cavaco Silva. Nem souberam criar uma élan motivador para o eleitorado em Portugal. E note-se que, aliás se Cavaco Silva não “correu” contra outro candidato de Direita, “correu” contra o apelo à abstenção feito pela Opus Dei, ou no mínimo parte dela. No PS, houve ainda quem tenha optado por apoiar uma candidatura não republicana, a de F. Nobre, o que sendo do seu evidente direito, foi um crasso erro. Do PS nasceu, mais ainda uma candidatura regionalista, por isso saudável, mas fraca porque isolada, a de Defensor de Moura o que também foi um erro. Sem grande impacto aparente, mas um erro. O PCP, ao apresentar se autonomamente, um evidente direito que lhe assiste, veio, inutilmente, mostrar a sua actual fragilidade eleitoral , com a menor votação de sempre do PCP, e o fraco impacto social de alguns dos seus principais dirigentes e interventores sociais, o que foi absolutamente desnecessário. O BE fez um esforço pela unidade, o que é louvável e merece nota altamente positiva, mas continuou a misturar, no seu discurso, o parlamentar por exemplo, durante o período de Campanha eleitoral, os seus ódios pessoais ao PS, sem procurar aceitar a diversidade essencial na Esquerda, a diferença que torna rica a Esquerda, o que fragilizou a sua boa intenção e a virtude da absolutamente necessária unidade da Esquerda. Mas vale recordar aqui uma candidatura de Esquerda, pelo seu posicionamento, a de Jose Manuel Coelho que, sendo da Madeira, na mesma Madeira ficou num mais que honroso 2.o lugar e com uma espectacular votação, capaz de derrotar de vez o Alberto João dos jardins e mais…. A sua candidatura, e a de Defensor de Moura, são também a mostra de que há Esquerda para além da Esquerda partidária e formal, ( de certa forma pode-se dizer o mesmo da candidatura não republicana de Nobre, levantando ela, de novo, a hipótese de haver uma Esquerda não republicana com quem urge conviver), sobre a qual há que reflectir atentamente. Esta Esquerda para além da partidária, em parte essencial, diga-se, nem se reviu em nenhum candidato dos presentes, nem assumiu, militantemente, nos que se reviram nos candidatos, esse apoio. O que não é positivo e urge reflectir sobre tal também, já que uma parte dominante dessa Esquerda é composta por Jovens que se encontram desinteressados, de todo, do actual leque partidário. E estamos a ver que, à Esquerda, a percentagem dos descontentes face a todo o leque partidário da Esquerda, é cada vez maior, mostrando que as campanhas feitas na Esquerda de destruição da Imagem desta ou daquela personalidade, afecta toda a Esquerda e não somente essa mesma personalidade, ou o seu Partido. O que torna essas campanhas absolutamente inúteis. Pois se há que combater os erros, as manipulações, e as corrupções, há que saber fazê-lo, não procurando impor generalizações que destroier toda a Esquerda e os próprios que as generalizam! Mas regressando ao essencial, é natural a existência de uma Esquerda que se interessa mais por motivações sócio políticas, por campanhas e actividades concretas que pela política institucional. Portugal é que ainda não se habituou a tal, consequência do Fascismo lamento ter de o recordar pois deveria ser já desnecessário, desde o desaparecimento dos movimentos anarquistas. Ela existe, relevo, em e fora de Portugal. Aliás, sendo eu um partidário, sempre me assumi como tal, ( e não me envergonho de o ser, diga-se), sinto me mais motivado em momentos de intervenção social, que em momentos de carácter partidário, para além de campanhas eleitorais, partidárias, ou presidenciais, onde intervenho sempre, ( muitas vezes ao lado, mas activamente) e claro na minha actividade Local. Esta Esquerda, é usualmente esquecida, quando não marginalizada, mas desta vez ela mostrou uma parte do seu peso nos votos e nas abstenções. Mostrando que tem de passar a ser mais ouvida pela restante Esquerda, um pouco como Mário Soares soube ir fazendo, recordo-me bem. Pois hoje ela tem sido posta de parte, enquanto que tal não sucede aos interventores sociais católicos, tão financeiramente apoiados, tão politicamente bajulados, tão desnecessariamente postos nas comunicações sociais, até pela Esquerda institucional. Enfim, urge mais e mais Debate na Esquerda, em Portugal e na CPLP!
publicado por JoffreJustino às 11:38
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