Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Fotografar Paisagens ou Pessoas?

Eduardo Gageiro conta nos, numa entrevista, que a PIDE lhe terá dito para fotografar as paisagens e não as Pessoas e esta sua memória levou me de imediato à comparação abaixo que orienta este texto. Comparação, aliás, usual nos livros de economia - os orçamentos e as contas são meras fotografias da economia e não A Economia. Os orçamentos e as contas são os edifícios das fabricas e escritórios, são as maquinarias os veículos os tapetes das estradas. São ainda os Software as frutas as carnes os peixes as plantas. Mas tudo isso não é a Economia. É somente uma parte, menor, da Economia. A Economia são as Pessoas e as suas relações com todo esse conjunto de elementos e que são um beneficio para as Pessoas. Sendo que o cerne da Economia são mesmo as Pessoas, facto crescentemente assumido por todos os manuais de economia. E, nesse contexto das relações entre as Pessoas, surge a moeda, enquanto unidade de conta e elemento facilitador da troca. Hoje, largos milhares de anos depois da primeira troca, a moeda acrescentou algo a si mesma e passou a ser também mais um bem para o negocio, o que não deixa de ser natural, dadas a enorme multiplicidade de relações que entretanto se geraram entre Estados, instituições, empresas/banca e Pessoas. Nesse circuito, enorme circuito, enfim o sangue da Economia, a moeda reforçou o seu papel e tal foi visto como mais uma oportunidade de negócio para uns tantos, os com capacidade, em recursos financeiros, para tal. O estranho é que a moeda, entretanto, em especial desde o inicio dos anos internetianos, passou a sobrepor-se a toda a restante economia, dada a facilidade com que passou a poder circular por todo o Planeta por via desta sociedade informatizada, enquanto moeda electrónica que passou a ser. Mais ainda, as moedas, instrumento de poder que sempre foram, mas bem transaccionável que passou a ser, também, foi transferindo o seu poder, dos Estados para aqueles que com ela beneficiam, os especuladores financeiros e os seus capatazes, as Agencias de Notação. Os Estados entretanto porque cresceram em n.º foram-se fragilizando, à medida que a Economia se foi globalizando e, com a Globalização, matando fronteiras. Desta forma os conflitos inter moedas tendeu a deixar de ser um conflito inter Estados para passar a ser uma sequência de conflitos inter especuladores no seio de um mercado, “os mercados financeiros”. Que se definem como “os mercados”, generalização abusiva mas hoje assumida um pouco por toda a parte. Sendo certo que por entre os mercados se movimentam os Estados as bancas os especuladores individuais e agora esta inovação não tão antiga assim e enquanto " consultores" - as agencias de notação. Que, ninguém controla e existem, teoricamente, para auxiliar a transparência neste negocio. Mas que, na verdade, sem regulação como andam, sem nada que as orientem, não se têm mostrado mais que ser factor de instabilidade na economia Global, pelas mãos de especuladores sem critério . Na verdade, as Agências de Notação, mostram- se como sendo o fotografo que embeleza a paisagem, só se preocupando com o pedido pelo cliente/patrão. Sendo que o cliente nunca são as Pessoas, a economia enfim, mas os especuladores financeiros. Dai o estarmos a assistir sem protesto à destruição de um dos berços da civilização ocidental, a Grécia, assim como à tentativa de destruição de dois dos berços da primeira globalização, Portugal e a Espanha, na mais total da impunidade. Como se as Pessoas e a sua História não contassem. Porque a economia será sem duvida para estas Agencias de notação, mais o valor da cocaína que o peso histórico de Sócrates, Aristóteles, de Vasco da Gama, Luís de Camões, ou Cervantes. Podemos continuar esta via, de total impunidade das Agencias de notação, e, contra elas, fazendo muitas e muito violentas manifestações locais, contra os ricos e a crise. É a via tradicional. Que já se enganou, ainda que respeitavelmente, tantas vezes quanto se enganaram, irresponsavelmente, as ditas agencias de notação. Como podemos seguir uma outra via - a de exigirmos às instâncias internacionais, como a ONU, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu, que vivem dos nossos impostos, a Regulamentação Internacional das Agencias de Notação. Regulamentação que as obrigue a pensar a economia mais no contexto do Índice de Desenvolvimento Humano, que no contexto dos PIB's, mais no contexto da Qualidade e da Responsabilidade Social, que do Lucro imediato. Por isso a Petição que alguns Cidadãos estão a preparar, surgida também, claro, num contexto político, pois não há nem política nem economia sem economia e sem política… Na verdade, há que Regulamentar Internacionalmente as Agencias de notação, por forma a dar credibilidade ao Mercado, hoje selvático, financeiro. (Uma Nota Final – a Crise Mundial tem vindo a afectar, de formas diferentes, todos os países, e a Tunísia é um dos afectados, ao ponto de um golpe de estado ter posto ponto final a uma ditadura. Conheci a Tunísia e adorei este país tendo conhecido a sua lenta mas apesar de tudo, evolução. A ver vamos se esta golpe de estado evolui para uma Democracia, ou para uma ditadura islâmica…mas, na verdade, a Tunísia é mais um exemplo do resultado de ver a economia pelos orçamentos e contas e não pelas Pessoas!) Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 19:04
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