Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011

Pensar o Futuro Com o Passado Como Referencia! Entre Afonso Ribeiro e as Agências de Notação!...Porque a Política É, Como a Cultura, Também, Cada Vez Mais Global, Mesmo Quando Local!

Tive o prazer, convidado pelo meu cunhado, também moimetense, de assistir, nesta última sexta feira, a uma singela mas bem bonita homenagem a Afonso Ribeiro, intelectual neo-realista e um dos renomados moimetenses. Sem grandes dispêndios nem luxos, mas com dignidade e honra, um Presidente de Câmara, socialista, homenageou um filho da terra, um resistente anti fascista, que como muitos outros resistentes, acabou por viver anos a fio em uma das muitas parcelas do Império, no caso Moçambique, por forma a não se sentir tão permanentemente abafado por um totalitário e incompetente regime como o do salazarento Salazar. Não me compete entrar num debate sobre o neo-realismo nem o vou, aqui fazer. Uso este exemplo somente para relevar os anos de Resistência, 48, que muitos antifascistas tiveram de viver, até ao retorno da Liberdade, com o 25 de Abril de 1974. O neo-realismo nasceu por entre um/esse combate intelectual, de denuncia de uma efectiva miséria, que afectava bem mais que 90% da população, portuguesa e do império, para quem não havia nem escolas, nem habitação condigna, nem água canalizada, nem luz eléctrica, nem hospitais, nem médicos, nem segurança social, etc., e Afonso Ribeiro, moimetense, foi capaz de o relatar, denunciar, nas suas obras, como relatou, denunciou, a exploração colonial fascista em Moçambique. Na época em que surgiu o neo-realismo, no que diz respeito aos seus percursores, ainda Portugal “lambia as feridas” do golpe de estado de 28 de Maio de 1926, nascido na ingénua ideia de emendar os erros da Democracia frágil de então com as virtudes de uma temporária Ditadura, e da Crise, Mundial, de 1929, a crise que mais se aproxima àquela que hoje vivemos desde 2008. Mas, note-se, aproximar-se, nas consequências sociais e económicas, não significa identificar-se com o hoje vivido… Re-citando Edgar Morin, “A carência do pensamento por toda a parte ensinado, que separa e compartimenta os saberes sem conseguir reuni-los para confrontar os problemas globais e fundamentais, faz-se sentir mais que em qualquer outra área, na política”, e nós temo-lo visto nos últimos tempos em Portugal de forma diria dramática. Assim, o actual presidente da República e de novo candidato, Cavaco Silva, ele próprio economista, (e direi até, de referencia académica, à Direita, mas de referencia), perante a crise em que vivemos, tem-se limitado a dizer, silenciemo-nos e deixemos os que mandam, todos não-portugueses claro, mandar e fazer, enfim, não toquemos nas agencias de notação, não falemos da especulação financeira que hoje corrói Portugal, a Europa e o Mundo. Eis uma forma de ver a política e a economia, departamentalizando ambas, e pior, neutralizando a intervenção dos Cidadãos, em ambas as áreas! Esta crise de pensamento, e de posicionamentos, leva Edgar Morin a dizer que “A marcha para os desastres vai acentuar-se no decénio que vem. À cegueira do homo sapiens, cuja racionalidade falha em complexidade, junta-se a cegueira do homo demens possuído pelos seus furores e ódios”! Ainda que eu encontre alguma novidade, alguma criatividade, em políticas como as que o Brasil conseguiu recriar com Lula e ao que tudo indica com Dilma, onde a Esquerda não se confina a si própria, diabolizando-se ainda por cima entre si, como se vê em Portugal, mas, pelo contrário, estabelece pontes de governabilidade, e eleitorais, que vão de Collor de Mello, ( o Pedro Santana Lopes brasileiro), ao Partido Comunista do Brasil, em nome do desenvolvimento para o país. Aqui, dramaticamente, a Esquerda não PS e todo o leque sociopolítico que vai do Centro Direita à Direita ultra conservadora, une-se para esfregar as mãos de contente, quando Portugal é alvo de mais um ataque das agencias de notação e dos especuladores financeiros e bate palmas à Direita alemã e francesa que, claro, em nome de “uma ajudinha” ao “irmão” liberal Cavaco Silva, aproveita para fragilizar e acirrar mais ainda o conflito Sul/Norte dentro da União Europeia. E assim, se vai, devagarinho, reconhecendo a “inevitabilidade” do FMI em Portugal….tal como se aceitou em 1926/32, a “inevitabilidade da Ditadura”! Não se apoiando na raiz unitarista do combate antifascista, (ao contrário do Brasil e do PT de Lula), não procurando o que une mas sim o que divide, arrisca-se a Esquerda portuguesa a entregar a vitória a um candidato do centro Direita, o professor Cavaco Silva, que vai ao ponto de escamotear, por via dos seus apoiantes na comunicação social, um “golpe de mão” de 190 000 euros por via uma nuvem de fumo de 1500 euros. Destruindo uma mais que essencial oportunidade, para uma unidade e uma reflexão à Esquerda e ao Centro, que é a candidatura de Manuel Alegre, à Esquerda, como diz Edgar Morin, estamos encerrados na cegueira do homo demens, por via dos nossos ódios de estimação. Hoje os exemplos Locais, como o que cito acima, do Município de Moimenta da Beira, que releva, política e culturalmente, um intelectual do passado, recolocando-o num pensamento presente, deveriam ser reflectidos também nas intervenções globais, no plano nacional e extranacional. Mas não é o que sucede infelizmente. Por ora, mas ainda vamos a tempo de emendar a mão! Joffre Justino E-mail : jjustino@epar.pt Blog pessoal: coisasdehoje.blogs.sapo.pt/ Nota: Vamos mesmo ter o Jantar Pela Regulamentação Internacional das Agências de Notação! Ele vai realizar-se no Restaurante Forno do Alfarrabista, no Beco dos Cavaleiros, ao Martim Moniz, (2º Beco à esquerda à rua dos Cavaleiros, bem ao pé da Capela da Senhora da Saúde!), um restaurante galego, bem curioso, como verão! Confirmem se vão querer estar presentes!
publicado por JoffreJustino às 13:53
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1 comentário:
De raquel a 10 de Janeiro de 2011 às 22:17
Obrigada por pensar


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