Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Devíamos Parar, Reflectir em Conjunto e Decidir Solidariamente

Estamos com algo entre os 523 000 e os 547 000 desempregados, consoante utilizemos a informação do IEFP ou a do INE.
Entretanto mais do que as falências, que terão crescido 49% em 2009, mas na verdade, de valor relativamente desconhecido, assusta sim a redução da actividade, a acontecer em todos os sectores, mas bem visíveis no Turismo, na Construção Civil e na Industria, como a Automóvel ou o Têxtil.
Porque é esta redução da actividade que condiciona a Empregabilidade, o Consumo pelos Cidadãos e Organizações e, de novo, a actividade económica.
Assim, na Construção Civil o índice de actividade reduziu-se em 8,1%, no Turismo prevê-se uma redução em 2009 de cerca de 10% da actividade, a produção automóvel registou uma quebra de 39%, em Agosto para Agosto de 2008, nos Serviços o Volume de Negócios terá reduzido em cerca de 7,5%, os Têxteis poderão perder em 2009 cerca de 600 milhões de euros nas Exportações, e por aí fora.
Tenho alertado para o facto da Crise, na sua componente interna estar a tardar a mostrar-se, (em especial em consequência dos impactos da Construção Civil, que tem uma Oferta exagerada para a Procura Interna), mas que já começou a dar fortes sinais da sua perigosa presença – entre Novembro de 2008 e 2009 o Desemprego na Construção Civil atingiu na Construção Civil perto de 62 000 trabalhadores, ao que deveremos acrescentar cerca de 60 000 do sector do Imobiliário.
Estamos com uma economia a duas velocidades – a pública, que mantém o seu ritmo, mas que tem, internamente, em parcelas importantes, como preocupação central, a defesa corporativa de interesses, como se viu no caso dos professores a rejeitarem a Avaliação de Desempenho, (situação finalmente superada), e que sustenta, felizmente, um mínimo na economia, como se viu com a ocupação elevada da Hotelaria na passagem de ano; e a privada, em queda sistemática e generalizada, em consequência de dois elemento usualmente motores da economia em Portugal, as Exportações e a Construção Civil e Obras Públicas.
Este tipo de economia, em Portugal, tende a introduzir elementos de resistência à mudança ou a gerar, somente, elementos de mudança limitados, quer por razões culturais, ( o privado é mau, reaccionário, etc…e só em última instância se apoia), quer porque se têm visões ultrapassadas, por exemplo na Visão do Desenvolvimento Sustentado.
Vê-se, de qualquer forma, alguma mudança nas mentalidades.
O PCP pretende propor, e bem, uma redução da taxa nominal do IRC em 10%, para as pequenas e médias empresas, como me parece adequado o acréscimo que sugere de 10% nos lucros acima de 50 milhões de euros, nas grandes empresas e a tributação efectiva das mais valias bolsistas, ainda que os 20% que avança me pareçam pesados, para a diminuta Bolsa de Lisboa, que não para as restantes praças “pesadas”…
No entanto, arriscaria sustentar a tese da integração no pacote destas reduções e aumentos do IRC, uma formula de atender à Responsabilidade Social das Organizações e, portanto do apoio, ou não, à Qualificação das Pessoas, como seu elemento central.
Já erra, entretanto, o PCP, em sustentar recuperações dos salários reais dos trabalhadores da Administração pública, neste tempo de crise e de 10% de Desempregados, a nível nacional, oriundos do sector privado, pois é, mais uma vez, o regresso à sustentação de interesses corporativos hoje sem lógica de defesa possível.
No entanto, seria evidentemente saudável, mais do que economicamente, social e politicamente, que o próximo Orçamento de Estado nascesse sobretudo, ainda que não exclusivamente, de um acordo entre os dois maiores partidos na AR, PS e PSD, o que não deve querer dizer que se anulem as boas propostas dos restantes partidos, do CDS ao Bloco de Esquerda.
De facto, numa crise como a mundial e a nacional em que e vive não é adequado deixar de fora ninguém, nem ninguém se deve colocar na fácil e demagógica posição de querer ficar “inocentemente” de fora da solução para a crise.
Quem em Portugal vota não esquecerá tal serôdio demagogismo.
De facto, se temos uma economia, diz o Banco de Portugal, que globalmente tende a crescer, a fragilidade da mesma é bem visível e ainda está para se ver como reagirá esta economia real, se o Imobiliário e a Construção Civil caírem a pique, hipótese que não pode ser anulada.
E a ideia do quanto pior melhor, ou a teoria da autodestruição do capitalismo, até ao momento, historicamente, só teve como resultado, o reforço do ultraconservadorismo e mesmo do nazifascismo.
Gostem ou não.
Porque a solução está realmente na Solidariedade, no seio desta Comunidade que são as/os Portuguesas/es e as/os Residentes em Portugal. Solidariedade que exige na situação actual, sacrifício, e que exige ainda que o sacrifício seja distribuído consoante as capacidades, pagando mais os que têm mais capacidades e menos os que têm menos capacidades.
Como exige que os múltiplos poderes deste país se comecem, de vez, a preocupar-se com a Transparência, com o Rigor, com a Justiça, a dos Direitos e Deveres mas também a Social, pois se os tempos são de Crise melhor ainda para repor Valores que foram sendo esquecidos nos tempos das vacas gordas… e a Banca privada se comece a preocupar em assumir o que diz defender, a economia de mercado e, por isso, o Risco, na sua actividade.
De facto, se a Banca (e não somente a CGD), atende à sua função na economia de mercado, que passa pelo arriscar com as Empresas na Sustentabilidade da sua actividade, não há Estado que, sozinho, faça uma economia recuperar.
A não ser que a Banca privada prefira abrir a porta ao afastamento de Portugal da União Europeia…e às consequências de tal.

Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 10:29
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. Primárias - Uma Otima Pro...

. O 11 de Setembro e eu pr...

. Um recado a Henrique Mont...

. Na Capital Mais Cara do M...

. Há Asneiras A Não Repetir...

. “36 Milhões de Pessoas Mo...

. Ah Esta Mentalidade de Ca...

. A Tolice dos Subserviente...

. A Típica Violência Que Ta...

. Entre Cerveira e a Crise ...

.arquivos

. Julho 2012

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds