Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

A WikiLeaks É Uma Actividade Terrorista?

A transparência democrática tem na Internet um fortíssimo aliado. Como já foi relevado, por jornalistas como Ferreira Fernandes, ( que relatou históricas fugas de informação ao tempo da Conferência de Berlim, enfim a do século XIX, a que retalhou África), mas sobretudo pela forma como as mesmas acontecem, (em todos os dias do ano, do sistema judicial português para a comunicação social portuguesa), são actos cada vez mais normais. Por vezes, tais fugas afectam uns, em outras vezes afectam outros, e, em geral, vão mostrando aos que detêm poder, por eleição ou por abuso, que a transparência tende a ser cada vez mais uma obrigação. Curiosamente, os mesmos que se babaram com as, (na minha opinião e nestes casos), manipulações de informação, para queimar o primeiro ministro de Portugal, Socrates, por exemplo vindas das mãos de um tal Serious Fraud Office, britânico, que nunca se preocupou curiosamente com os britânicos corruptores, (nem com a Maddie ao que parece), agora sentem-se ofendidos com a Wikileaks. É de tal exemplo um tal senhor das Neves, (que teima em dizer que não há almoços grátis, apesar de teimar sempre em se afirmar católico) e que se zangou, no Destak, com o gratuito almoço, (por o ser?), que são as informações sobre as diplomacias americanas… O tal senhor das Neves escreve inclusivamente que, “trata-se de sabotagem, subversão, agravado por traição à pátria”. Atenção pois senhores juízes, (os que praticam este acto, o de enviar para os jornais as “fugas” tribunalescas), senhores procuradores, (os que praticam este acto também) e senhores jornalistas, ( os que se aproveitam destes dois tipos de actos), pois vão passar a ter o tal senhor das Neves à perna, por “traição à pátria”, pois que eu saiba este senhor das Neves é português. E, sendo-o, se entende dever pronunciar-se, enquanto português, por uma “traição” não portuguesa, como reagirá este senhor das Neves, a partir de agora pelo menos, perante tantas traições portuguesas? Ou não? Ou, porque sendo “traições” que “dão jeito”, por tal, deixam de o ser? É fácil governar, com o segredo a envolver a actividade governativa, e é por isso que, é bem mais fácil governar em ditadura - o salazarento Salazar que o diga. Não há transparência a incomodar, prestação de contas aos eleitores, a ser necessária acontecer, jornalistas a aturar e, mesmo, ai do juiz, ai do procurador, que pratique uma “fuga de informação” pois, rápido, rápido, deixa de o ser. Eis porque, por exemplo na I Republica, (mas na verdade não só), tivesse havido que defendesse uma ditadura para pôr a coisa pública na ordem e, nesses quem, há que colocar intelectuais de esquerda bem conhecidos e bem sérios, como António Sérgio… Na verdade, não acredito que nos EUA haja assim tanta gente a entender que a Wikileaks seja um acto de traição. Haverá certamente bastantes mais americanos a rirem-se dos erros da diplomacia que os que acompanham a fúria do senhor da Neves, português. Foi sem dúvida um forte incomodo para a diplomacia americana, mas, sejamos sinceros, se há um responsável não é certamente a Wikileaks mas sim quem deveria encontrar uma solução de salvaguarda da discrição de certos documentos e não soube fazê-lo. Ou não pôde, porque a Internet tem destas coisas - torna o segredo quase impossível. O que impõe que a diplomacia tenha outro tipo de comportamentos, outro tipo de forma de expressão, e que as relações entre Estados siga a via dos”cuidados e caldos de galinha” que as escutas impuseram, em Portugal, às relações entre políticos e entre estes e outros agentes da vida activa. Ou, claro, a via de Lula que defendeu explicitamente a Wikileaks. Na verdade, e por falar em transparência, quando a Grécia tem de pagar, pelos empréstimo que necessita como o pão para a boca, em consequência de uma conservadora governação, 11,5% e a conservadora Merkell, isto é, a Alemanha, paga por empréstimos que também necessita, somente 3%, quando andou os últimos 20 anos a viver à custa dos financiamentos de todos os europeus, para gerir a inserção da Alemanha “de Leste” na Alemanha “Ocidental”, não haverá de ser necessário que se imponham, às diplomacias, algumas regras? Não será, aliás, necessário também, exigir mais transparência, (e mais regras), às ditas “agencias de notação” quanto aos critérios que utilizam para atacar alguns Estados, (agora chegou a vez da Bélgica, imaginem porquê, porque tem de indigitar governo mais rapidamente, (!)), e quanto à ingerência, brutal de uns tantos “totós da economia” na vida política de países democráticos? Ou, senhor das Neves, não estaremos neste caso, perante um acto de ingerência, quiçá de traição? Joffre Justino
publicado por JoffreJustino às 15:44
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1 comentário:
De Dylan a 19 de Dezembro de 2010 às 23:02
Não sei muito bem onde é a fronteira da liberdade da informação mas de certeza que não será no terreno onde a Wikileaks tem actuado. A sua política de terra queimada substitui o jornalismo pelo voyeurismo da opinião pública, ao melhor estilo de se saber qual é a cor do papel higiénico que os diplomatas usam. Como se não houvesse segredo de estado nem a diplomacia não fosse um manual de boas maneiras. Reconheço o papel relevante de Julian Assange na denúncia das violações de direitos humanos mas a sua organização acaba por fazer o mesmo que tanto a sua missão divina e protagonismo reclamam: espiar.


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